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Investimentos

Ibovespa hoje: Decisão do Copom sobre a Selic e renovação do entusiasmo com a inteligência artificial; confira destaques desta quarta (5)

Nesta quarta-feira, as atenções se concentram na decisão do Copom, para a qual se espera um corte de 25 pontos-base na Selic. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

05 ago 2026, 10:30

Atualizado em 05 ago 2026, 10:30

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Imagem: iStock / @danijelala

Os mercados globais operam em tom positivo, sustentados pela expectativa de um acordo provisório para a reabertura do Estreito de Ormuz, pela recuperação das ações de tecnologia e por resultados corporativos favoráveis. Estados Unidos, Irã e Omã estariam próximos de anunciar um entendimento inicial, com duração de 60 dias, para restabelecer a navegação na região, enquanto Donald Trump afirmou que as conversas vêm avançando de forma construtiva.

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No campo econômico, os índices de gerentes de compras, conhecidos como PMIs, indicaram uma recuperação mais disseminada na Europa. O setor de serviços da zona do euro voltou a crescer em julho, com o indicador avançando para 51,7 pontos, ao mesmo tempo que o Reino Unido retomou a expansão e a Alemanha se aproximou da estabilidade. Na China, em contrapartida, o PMI de serviços desacelerou para 50,4 pontos, refletindo o enfraquecimento da demanda doméstica.

Nos Estados Unidos, os principais destaques da agenda serão o relatório ADP e os indicadores do setor de serviços, relevantes para calibrar as expectativas em torno do payroll de sexta-feira e dos próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, as atenções estarão concentradas na decisão do Copom, que deverá reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 14% ao ano. A queda do petróleo e os sinais de desaceleração da atividade reforçam o espaço para o corte, mas o mercado acompanhará sobretudo a comunicação sobre setembro, diante das persistentes incertezas fiscais e eleitorais.

· 00:51 — O corte vem, mas e depois?

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 177.895 pontos, após alternar entre ganhos e perdas ao longo do pregão. A expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã chegou a impulsionar o índice, mas a queda do petróleo para abaixo de US$ 80 por barril pressionou as ações da Petrobras, que recuaram 1,28%, e limitou o desempenho da bolsa.

Nesta quarta-feira, as atenções se concentram na decisão do Copom, para a qual se espera um corte de 25 pontos-base na Selic, de 14,25% para 14,00% ao ano. A inflação corrente mais benigna e os primeiros sinais de desaceleração da atividade e do mercado de trabalho abrem espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização, embora os riscos fiscais, as expectativas de inflação ainda elevadas e as incertezas externas recomendem cautela.

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A retração de 1,8% da produção industrial em junho e a queda do petróleo reforçariam o argumento a favor da redução dos juros, mas a piora da percepção fiscal manteve a curva de juros futuros pressionada. Assim, o mercado acompanhará principalmente o tom do comunicado e eventuais indicações sobre a possibilidade de um novo corte em setembro.

· 01:48 — Bom começo de mês

Os mercados americanos mantiveram a trajetória de alta no início de agosto, sustentados por resultados corporativos robustos, pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã e pela renovação do entusiasmo em torno da inteligência artificial. O Dow Jones superou, pela primeira vez, a marca de 54 mil pontos, o S&P 500 renovou sua máxima histórica e o Nasdaq avançou 2,6%.

Entre os principais destaques, a Palantir registrou crescimento de 93% na receita e elevou sua projeção para o ano, enquanto a Caterpillar reportou expansão de 48% nas vendas de equipamentos de geração de energia, impulsionadas sobretudo pela demanda dos data centers. Em conjunto, esses números reforçam a percepção de que os investimentos de IA permanecem disseminados e ainda estão distantes do pico.

No mercado de trabalho, os dados apontam para um cenário relativamente equilibrado, mas ainda marcado por baixo dinamismo. O relatório JOLTS mostrou a existência de 7,4 milhões de vagas em junho, enquanto a relação entre postos em aberto e trabalhadores desempregados permaneceu estável em 1,0 pelo quarto mês consecutivo. A demanda por contratações continua moderada, embora as pequenas empresas ainda respondam por uma parcela relevante das oportunidades.

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Agora, as atenções se voltam para a divulgação do ADP, do ISM de serviços e do relatório oficial de empregos de julho, que deve indicar a criação de 100 mil vagas e a manutenção da taxa de desemprego em 4,2%. Ainda assim, dirigentes do Federal Reserve continuam alertando para os riscos inflacionários, com Jeff Schmid avaliando que a política monetária talvez ainda não esteja suficientemente restritiva.

· 02:34 — O sétimo

Andy Burnham assumiu o cargo de sétimo primeiro-ministro britânico em dez anos, com uma agenda intervencionista que prevê a construção de moradias sociais, renacionalizações e maior participação do Estado no planejamento industrial. A implementação dessas propostas, contudo, esbarra na limitada margem fiscal do Reino Unido e no risco de uma reação adversa do mercado de títulos, preocupação que já começou a aparecer após as nomeações para o novo gabinete.

Entre elas, destacou-se a escolha de John Healey para o Ministério da Fazenda, interpretada também como um sinal de possíveis aumentos nos gastos com defesa. Os títulos públicos britânicos continuam oferecendo os rendimentos mais elevados entre os países do G7, refletindo um prêmio de risco persistente, enquanto o avanço das despesas sociais reduz o espaço disponível para novas políticas discricionárias.

Ao mesmo tempo, a carga tributária já se encontra no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, deixando Burnham diante de um desafio: financiar uma agenda ambiciosa sem elevar ainda mais os impostos nem comprometer a confiança dos investidores.

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· 03:23 — Você conhece a “chipiflação”

O avanço acelerado da inteligência artificial vem provocando uma espécie de “chipflação”, isto é, uma pressão de alta sobre os preços dos semicondutores. Isso ocorre porque os fabricantes passaram a priorizar componentes destinados a data centers e servidores, que oferecem margens mais elevadas, em detrimento daqueles utilizados em computadores, smartphones e eletrodomésticos.

Essa mudança reduz a oferta disponível para o mercado de consumo, encarece os chips e já começa a aparecer tanto nos custos de importação quanto nos índices de inflação dos Estados Unidos. O próprio Federal Reserve reconhece que a expansão da infraestrutura de IA pode manter pressões adicionais sobre os preços dos eletrônicos e da energia, enquanto pesquisas empresariais indicam uma elevação mais intensa dos custos justamente entre os fabricantes mais dependentes desses componentes.

· 04:11 — A diferença chinesa

Apesar da guerra e das projeções que apontavam para o petróleo entre US$ 150 e US$ 200 por barril, o mercado tem tratado a interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz como um choque administrável. Parte dessa resiliência decorre dos Estados Unidos, atualmente o maior produtor mundial, que ampliaram a extração e recorreram à Reserva Estratégica de Petróleo para compensar a redução da oferta. Ainda assim, o principal fator de contenção dos preços está na China, maior compradora do petróleo que transita pela região. As importações chinesas recuaram de uma média de 11,6 milhões de barris por dia em 2025 para cerca de sete milhões em junho.

A China conseguiu reduzir sua vulnerabilidade ao combinar reservas superiores a 1,4 bilhão de barris, aumento da produção doméstica, substituição de petróleo e gás por carvão em parte da indústria química, investimentos em hidrogênio verde e ampla adoção de veículos elétricos. Essa capacidade de ajustar o consumo levou analistas a classificarem o país como a “Opep da demanda”. Ao manter as importações em níveis reduzidos e recorrer aos próprios estoques, Pequim pode preservar o ritmo de crescimento e limitar a pressão sobre os preços globais por vários meses. Assim, mesmo diante do conflito, uma crise energética chinesa parece pouco provável.

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· 05:08 — SpaceX e a Nova Infraestrutura da Economia Espacial

A SpaceX superou as expectativas em seu primeiro balanço após o IPO, ao registrar receita de US$ 7,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 92% na comparação anual e acima dos US$ 6,81 bilhões projetados pelo mercado. Os três segmentos da companhia apresentaram receitas superiores ao consenso. A divisão de Conectividade foi a única a operar com lucro, alcançando receita de US$ 4,29 bilhões e resultado operacional positivo de US$ 1,66 bilhão, impulsionado principalmente pela Starlink.

Já as áreas de Espaço e inteligência artificial registraram prejuízos operacionais de US$ 542 milhões e US$ 1,26 bilhão, respectivamente, embora a perda da divisão de IA tenha ficado significativamente abaixo da estimativa de US$ 2,39 bilhões (o que ajuda a explicar o motivo da queda das ações). Ainda assim, os números reforçam a percepção de que a exploração espacial começa a se consolidar como uma indústria economicamente relevante, apoiada por receitas recorrentes provenientes de conectividade, serviços de lançamento, defesa e infraestrutura digital.

O principal ponto de atenção permanece na intensidade dos investimentos. O Capex, ou investimento em ativos e infraestrutura, alcançou US$ 18,4 bilhões no trimestre, ante US$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre e US$ 2,8 bilhões um ano antes. Desse total, aproximadamente US$ 15,8 bilhões foram destinados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Embora esse ritmo pressione a geração de caixa e ajude a explicar a reação negativa das ações após o fechamento, ele também evidencia a escala da infraestrutura que está sendo construída. O desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, capacidade computacional e sistemas de comunicação exige volumes elevados de capital e longos prazos de maturação, mas pode reduzir o custo de acesso ao espaço e ampliar o mercado para novas aplicações.

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Com um valuation próximo de 40 vezes a receita e superior a 100 vezes o Ebitda ajustado, a empresa ainda depende de uma execução muito precisa. De qualquer forma, o crescimento das receitas sugere que parte dessa transformação já começa a ganhar tração comercial.

A estratégia de longo prazo inclui ampliar a Starlink, avançar no desenvolvimento da Starship, construir infraestrutura de inteligência artificial e ingressar de forma mais ampla no mercado de telefonia móvel, combinando redes de satélites com infraestrutura terrestre. A gestão indicou a possibilidade de alcançar receita recorrente anual de US$ 100 bilhões até o fim de 2026, capacidade de computação de IA de 10 gigawatts até 2027 e, em um cenário bastante ambicioso, vendas de US$ 1 trilhão em 2029.

Embora essas projeções devam ser avaliadas com cautela, elas ilustram o potencial de uma indústria que deixa de depender exclusivamente de contratos governamentais e passa a atuar também em conectividade, computação, mobilidade, defesa e serviços comerciais. Para o setor de exploração espacial como um todo, o balanço reforça uma leitura construtiva: os investimentos continuam elevados e a volatilidade deve permanecer, mas a expansão das receitas e das aplicações econômicas indica que o espaço começa a se transformar em uma plataforma de infraestrutura cada vez mais relevante.

Nesse contexto, o Global X Space Tech ETF (Nasdaq: ORBX | B3: ORBX39) oferece uma forma diversificada de exposição à cadeia espacial, reunindo empresas ligadas a sistemas de lançamento, foguetes reutilizáveis, componentes, softwares, transporte orbital, comunicações por satélite, análise de dados e exploração espacial.

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O fundo reúne 37 companhias, possui taxa de administração de 0,50% e mantém exposição predominantemente aos Estados Unidos, combinando empresas mais consolidadas com negócios ainda em fase de expansão. Trata-se de uma tese estruturalmente promissora, mas também intensiva em capital e sujeita a elevada volatilidade, dependência de contratos públicos, riscos tecnológicos e longos períodos de maturação. Por essa razão, enxergamos o ORBX como uma posição temática e complementar dentro de uma carteira diversificada, voltada à captura do crescimento de longo prazo da economia espacial.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.