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Investimentos

Ibovespa hoje: Governo faz pausa no ajuste fiscal, payroll e resultado das midterms nos EUA seguem no radar do mercado; veja destaques desta sexta (6)

Vitória dos democratas aumenta percepção de que novos projetos de data centers podem enfrentar maior escrutínio regulatório

Caio Araújo 2026

Por Caio Araújo

06 nov 2026, 10:00

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Lá fora, depois de bilhões investidos em inteligência artificial, os investidores começam a revisar suas estimativas. Após as eleições para o Congresso americano, o Nasdaq retornou ao patamar de 24,3 mil pontos, acumulando queda de quase 12% desde a máxima de outubro.

No Brasil, a aversão ao risco permaneceu presente, com nova queda do Ibovespa. O fiscal segue no centro das atenções, em meio a novas sinalizações e especulações vindas do Planalto.

A lei do retorno parece estar funcionando dos dois lados do equador.

Nesta manhã, ainda teremos mais uma peça importante desse quebra-cabeça: o relatório de emprego americano.

Vamos aos detalhes.

00:25 – Tudo que vai, volta

A pressão sobre as empresas ligadas à inteligência artificial ganhou força novamente nesta quinta-feira.

O Nasdaq caiu 5,5%, sua maior queda diária desde abril de 2025, e encerrou a sessão aos 24.315 pontos, quase 12% abaixo da máxima histórica registrada em 6 de outubro. Somente ontem, cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado foram apagados do índice.

A vitória dos democratas nas duas casas do Congresso aumentou a percepção de que novos projetos de data centers podem enfrentar maior escrutínio regulatório, especialmente em temas como consumo de energia, água e impacto sobre as comunidades locais. Estimativas do Goldman Sachs indicam que regiões onde novas restrições podem surgir representam cerca de 45% da capacidade planejada de data centers nos Estados Unidos.

O pano de fundo continua sendo conhecido. Depois de anos em que o crescimento da inteligência artificial foi suficiente para sustentar múltiplos elevados, os investidores passaram a questionar quanto capital será necessário para financiar data centers, chips e infraestrutura — e, principalmente, quanto tempo levará para esses investimentos gerarem retorno.

Nesta manhã, os futuros do Nasdaq ensaiam uma recuperação após o tombo de ontem, com algumas das empresas de semicondutores recuperando parte das perdas.

01:35 – Hoje é dia de payroll

Depois da volatilidade nas ações, os juros americanos terão seu próprio teste nesta manhã.

O relatório de emprego de outubro será divulgado às 10h30, no horário de Brasília. O consenso da Reuters aponta para criação de aproximadamente 65 mil vagas, depois de apenas 29 mil em setembro, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,2%. A expectativa é de desaceleração do crescimento anual dos salários para 2,9%, menor nível desde 2021.

Os dados mais recentes não apontam para uma deterioração significativa do mercado de trabalho. Os pedidos semanais de seguro-desemprego caíram para 189 mil, igualando o menor nível desde 1969, enquanto a relação entre vagas abertas e desempregados aumentou de 1,02 para 1,06 em setembro.

02:40 – O ajuste fiscal pode esperar?

Após reunião com ministros e conselheiros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ontem que o governo continuará elaborando propostas para melhorar as contas públicas. No entanto, novas medidas devem ser avaliadas pelo presidente Lula após seu retorno das viagens à Turquia e às Filipinas, previsto para 15 de novembro.

Até lá, o governo continuará discutindo alternativas internamente. Para o mercado, o problema não é apenas o prazo.

Depois da forte reprecificação dos ativos brasileiros desde o segundo turno, investidores esperam mais clareza sobre a trajetória das despesas, a meta fiscal e a estabilização da dívida pública. A ausência de medidas concretas prolonga justamente a incerteza que levou o Banco Central a adotar uma postura mais conservadora nesta semana.

O Ibovespa caiu 0,82% ontem, aos 166.191 pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,49. O ambiente externo contribuiu para o movimento, mas o debate fiscal permanece como um dos principais fatores de pressão sobre o prêmio de risco doméstico.

A preocupação não é trivial. Quebrar essa dinâmica provavelmente será um dos principais desafios da nova equipe econômica.

04:15 – O petróleo finalmente tirou o pé

Nem todas as notícias da semana foram negativas para a inflação.

Depois de passar semanas acima de US$ 110 por barril, o Brent devolveu boa parte do prêmio geopolítico. Nesta manhã, o contrato para janeiro negociava próximo de US$ 97,50, acumulando queda de aproximadamente 16% na semana — a maior desde o início da pandemia.

A mudança ganhou força depois das eleições legislativas americanas, com investidores atribuindo maior probabilidade a uma redução das tensões no Oriente Médio e a avanços nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã.

O movimento é relevante justamente porque o choque de energia tem sido um dos principais obstáculos para os bancos centrais.

Ainda existe bastante risco. Os estoques globais foram significativamente reduzidos desde a interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz — perto de 1 bilhão de barris foram retirados dos estoques ao longo do conflito —, enquanto os ataques a navios na região seguem em níveis elevados.

Mas, pela primeira vez em algumas semanas, temos um respiro nesta linha.

05:00 – Outro veículo de geração de renda

Em um ambiente de juros reais elevados, seguimos encontrando oportunidades interessantes em fundos de infraestrutura que conseguem combinar qualidade de crédito com taxas atrativas.

É o caso do BODB11, da Bocaina. Em nossa última conversa com a gestão, a leitura sobre o risco da carteira permaneceu favorável diante do contexto. Até setembro, 92,9% do patrimônio estava alocado em ativos com rating A− ou superior, uma característica importante em um mercado que continua convivendo com eventos de crédito.

A especialização da gestora em infraestrutura também ajuda. A Bocaina possui cerca de R$ 3 bilhões sob gestão e uma equipe de 11 profissionais, com originação própria representando entre 30% e 40% da carteira. Segundo a gestão, essas operações podem adicionar entre 150 e 250 pontos-base de spread em relação a créditos de risco comparável.

Com prazo médio de aproximadamente 5,7 anos, o fundo permanece bastante sensível às oscilações das taxas reais de juros. Por outro lado, essa mesma característica aumenta o potencial de valorização das cotas em um eventual fechamento da curva.

A preços de mercado, estimamos uma TIR líquida próxima de IPCA + 11,3%, patamar que consideramos atrativo diante da qualidade média do portfólio. Além disso, os níveis atuais de juros e spreads vêm criando novas oportunidades tanto na originação quanto no mercado secundário.

A cotação encerrou ontem em torno de R$ 7,20, aproximadamente 10% abaixo da cota patrimonial de R$ 8,00 reportada em setembro. Nos últimos 12 meses, o fundo distribuiu R$ 1,14 por cota, equivalente a um dividend yield próximo de 15,8% sobre o preço atual.

Em resumo, vemos no BODB11 uma combinação interessante entre carrego elevado, qualidade de crédito e potencial de ganho de capital em um eventual cenário de normalização dos juros reais — ainda que com volatilidade relevante no curto prazo.

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.