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Investimentos

Ibovespa hoje: Inflação volta a pressionar mercados globais, petróleo dispara e Meta (M1TA34) apresenta novo produto com IA; veja destaques desta quinta (24)

Bancos centrais continuam desconfortáveis com a persistência das pressões inflacionárias. Veja mais destaques

Por Lais Costa

24 set 2026, 10:20

Atualizado em 24 set 2026, 10:29

dividendos em julho provento dinheiro alta investimento mercado dólar

Imagem: iStock/ Victoria Kaipetskaya

As taxas de juros globais renovaram máximas no pregão de ontem (23) e continuam sob pressão nesta manhã. A surpresa positiva das prévias dos PMIs dos EUA impulsionaram as apostas por mais altas de juros pelo Federal Reserve neste ano. O mercado precifica mais de 70% de probabilidade de uma alta de 25 pontos-base na reunião do próximo mês, seguida de uma pausa em dezembro e retomada do aperto na primeira reunião de 2027.

Além disso, os preços do petróleo permanecem acima dos US$100/barril com alta de 1,4% nesta manhã.

Ontem a taxa do Tesouro americano de 5 anos ultrapassou os 5,0%, maior patamar desde 2007 e os títulos com vencimento de 30 anos renovam máximas desde 2004.

O DXY avança acima de 100 enquanto os índices acionários recuam em praticamente todas as geografias.

· 00:11 — Inflação volta a incomodar na Europa e nos EUA

A preocupação com a inflação voltou a ganhar força nesta manhã, especialmente na Europa. O Banco Nacional da Suíça revisou para cima suas projeções de preços, enquanto o banco central da Noruega elevou novamente o custo do crédito e sinalizou que pode voltar a apertar a política monetária.

A mensagem é clara: mesmo com alguma melhora em partes da atividade, os bancos centrais continuam desconfortáveis com a persistência das pressões inflacionárias.

Nos Estados Unidos, o mercado também endureceu sua leitura. Os contratos de juros já incorporam três altas de 25 pontos-base ao longo dos próximos 12 meses e começam a atribuir peso relevante à possibilidade de um quarto movimento. Parte dessa pressão vem do choque de energia, mas não apenas disso. O debate sobre juros longos também passa por inflação ainda acima da meta, desequilíbrios fiscais e aumento do custo de carregamento da dívida americana.

No front geopolítico, o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping entra no radar em um momento de tensão comercial ainda elevada. A trégua entre os dois países foi prorrogada até 10 de janeiro, o que cria mais espaço para negociações nos próximos meses, mas não elimina os principais pontos de atrito, especialmente em tecnologia, terras raras e Taiwan.

No fim, o pano de fundo continua bastante parecido, com menos espaço para relaxamento monetário, juros elevados por mais tempo e geopolítica adicionando ruído ao cenário.

· 02:21 — EUA e China ganham tempo, mas a trégua segue frágil

Donald Trump recebe Xi Jinping hoje na Casa Branca, no principal compromisso da visita de Estado do presidente chinês aos Estados Unidos. A reunião acontece depois de conversas preparatórias entre as equipes dos dois países e em um momento em que ambos tentam preservar alguma estabilidade na relação, apesar das disputas ainda abertas em comércio, tecnologia, terras raras e Taiwan. A própria Casa Branca confirmou a visita de Estado para esta quinta-feira.

Nos últimos dias, Washington e Pequim já deram um pequeno passo nessa direção. As equipes lideradas por Scott Bessent e He Lifeng discutiram a extensão da trégua comercial até o início de 2027 e temas como inteligência artificial e investimentos, com sinalizações públicas relativamente positivas antes do encontro entre Trump e Xi.

Isso reduz o risco de uma nova escalada imediata, mas está longe de significar uma normalização da relação. Os Estados Unidos continuam pressionando a China por maior previsibilidade no fornecimento de terras raras e outros minerais críticos, enquanto Pequim preserva uma posição importante em cadeias estratégicas para tecnologia e defesa. Na prática, a reunião de hoje parece menos sobre resolver todas essas disputas e mais sobre evitar que elas voltem a sair do controle.

· 03:41 — Meta

A Meta apresentou o Muse Charm, um pequeno dispositivo dedicado ao uso do seu assistente de inteligência artificial Muse. Com tela OLED de cerca de 2 polegadas, conexão 5G, câmeras e sensor biométrico, o aparelho funciona de forma independente do celular em várias tarefas e foi pensado como uma nova interface para interagir com a IA no dia a dia.

O mais interessante, porém, é menos o hardware em si e mais o movimento estratégico. Depois de levar o Muse para smartphones e para a web, a Meta começa a testar um produto físico construído especificamente em torno da IA, em vez de simplesmente adicionar o assistente a dispositivos já existentes.

A companhia trata o Charm quase como um experimento comercial: o lançamento está previsto para dezembro, com preço ainda indefinido, provavelmente próximo ao de um smartwatch.

O projeto também reforça a ambição da Meta em hardware. O produto foi desenvolvido em poucos meses por uma equipe que inclui ex-executivos de design da Apple e chega ao lado de novos óculos inteligentes e dispositivos de realidade virtual.

A expectativa é de que o Charm pode representar mais um passo na disputa para descobrir qual será a próxima grande interface de computação depois do smartphone.

· 04:43 — Banco Central sinaliza atividade mais fraca

No Relatório de Política Monetária divulgado nesta manhã, o Banco Central revisou sua estimativa de crescimento do PIB de 2% para 1,8% com desaceleração no terceiro trimestre de 2026. Para o próximo ano, a autarquia vê um crescimento de 1,4% do PIB brasileiro.

Em relação à inflação, a projeção para o horizonte relevante de política monetária se manteve em 3,2%, porém com uma trajetória de inflação mais alta do que na projeção anterior. Ainda sobre pressão de preços, o Banco Central vê o hiato do produto mais positivo, mercado de trabalho aquecido e discute efeitos diretos e de segunda ordem da alta dos preços de petróleo.

O documento ainda sugere espaço para a continuação da redução da Selic de forma cautelosa, em linha com a projeção do Relatório Focus que embute mais dois cortes de 25 pontos-base neste ano.

O documento será comentado pelo presidente Gabriel Galípolo em coletiva às 11:00.

· 05:15 — Piora do resultado primário

Ainda na agenda econômica, às 9:30, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o Ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, realizarão a coletiva de empresa com o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre de 2026.

É esperada manutenção da contenção de recursos próxima dos atuais R$ 17,9 bilhões, mas com piora da projeção para o resultado primário de 2026. A principal decepção deve ser da linha de arrecadação de IRRF sobre lucros e dividendos. A estimativa, que antes era de R$ 29,9 bilhões, foi reduzida para R$ 10,5 bilhões.

Também vale destacar as medidas adotadas para aliviar o impacto da guerra sobre os combustíveis, com custo fiscal estimado em R$ 7 bilhões por mês, além da revisão para baixo da projeção oficial da Fazenda de crescimento do PIB, de 2,3% para 2%.

No relatório anterior, o governo estimava superávit de R$ 10,8 bilhões após considerar as deduções permitidas para o cumprimento da meta. Sem esses abatimentos, a projeção era de déficit de R$ 52 bilhões. A meta fiscal para este ano é de superávit de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância até zero.

Nesse ambiente de redução gradual de juros em meio a fatores de risco de inflação, destacamos o investimento em títulos indexados à inflação de curto prazo. O PACC11 é um ETF de renda fixa que busca acompanhar o IMA-B 5 P2, índice composto por títulos públicos indexados ao IPCA com vencimentos mais curtos, em geral de até cinco anos.

O ETF foi lançado em outubro de 2024 e tem patrimônio próximo de R$ 2,7 bilhões. Na prática, o produto oferece uma forma simples e líquida de acessar juros reais de curto prazo, com menor sensibilidade às oscilações das taxas longas do que ETFs de duration mais elevada.

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.