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As taxas de juros globais renovaram máximas no pregão de ontem (23) e continuam sob pressão nesta manhã. A surpresa positiva das prévias dos PMIs dos EUA impulsionaram as apostas por mais altas de juros pelo Federal Reserve neste ano. O mercado precifica mais de 70% de probabilidade de uma alta de 25 pontos-base na reunião do próximo mês, seguida de uma pausa em dezembro e retomada do aperto na primeira reunião de 2027.
Além disso, os preços do petróleo permanecem acima dos US$100/barril com alta de 1,4% nesta manhã.
Ontem a taxa do Tesouro americano de 5 anos ultrapassou os 5,0%, maior patamar desde 2007 e os títulos com vencimento de 30 anos renovam máximas desde 2004.
O DXY avança acima de 100 enquanto os índices acionários recuam em praticamente todas as geografias.
· 00:11 — Inflação volta a incomodar na Europa e nos EUA
A preocupação com a inflação voltou a ganhar força nesta manhã, especialmente na Europa. O Banco Nacional da Suíça revisou para cima suas projeções de preços, enquanto o banco central da Noruega elevou novamente o custo do crédito e sinalizou que pode voltar a apertar a política monetária.
A mensagem é clara: mesmo com alguma melhora em partes da atividade, os bancos centrais continuam desconfortáveis com a persistência das pressões inflacionárias.
Nos Estados Unidos, o mercado também endureceu sua leitura. Os contratos de juros já incorporam três altas de 25 pontos-base ao longo dos próximos 12 meses e começam a atribuir peso relevante à possibilidade de um quarto movimento. Parte dessa pressão vem do choque de energia, mas não apenas disso. O debate sobre juros longos também passa por inflação ainda acima da meta, desequilíbrios fiscais e aumento do custo de carregamento da dívida americana.
No front geopolítico, o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping entra no radar em um momento de tensão comercial ainda elevada. A trégua entre os dois países foi prorrogada até 10 de janeiro, o que cria mais espaço para negociações nos próximos meses, mas não elimina os principais pontos de atrito, especialmente em tecnologia, terras raras e Taiwan.
No fim, o pano de fundo continua bastante parecido, com menos espaço para relaxamento monetário, juros elevados por mais tempo e geopolítica adicionando ruído ao cenário.
· 02:21 — EUA e China ganham tempo, mas a trégua segue frágil
Donald Trump recebe Xi Jinping hoje na Casa Branca, no principal compromisso da visita de Estado do presidente chinês aos Estados Unidos. A reunião acontece depois de conversas preparatórias entre as equipes dos dois países e em um momento em que ambos tentam preservar alguma estabilidade na relação, apesar das disputas ainda abertas em comércio, tecnologia, terras raras e Taiwan. A própria Casa Branca confirmou a visita de Estado para esta quinta-feira.
Nos últimos dias, Washington e Pequim já deram um pequeno passo nessa direção. As equipes lideradas por Scott Bessent e He Lifeng discutiram a extensão da trégua comercial até o início de 2027 e temas como inteligência artificial e investimentos, com sinalizações públicas relativamente positivas antes do encontro entre Trump e Xi.
Isso reduz o risco de uma nova escalada imediata, mas está longe de significar uma normalização da relação. Os Estados Unidos continuam pressionando a China por maior previsibilidade no fornecimento de terras raras e outros minerais críticos, enquanto Pequim preserva uma posição importante em cadeias estratégicas para tecnologia e defesa. Na prática, a reunião de hoje parece menos sobre resolver todas essas disputas e mais sobre evitar que elas voltem a sair do controle.
· 03:41 — Meta
A Meta apresentou o Muse Charm, um pequeno dispositivo dedicado ao uso do seu assistente de inteligência artificial Muse. Com tela OLED de cerca de 2 polegadas, conexão 5G, câmeras e sensor biométrico, o aparelho funciona de forma independente do celular em várias tarefas e foi pensado como uma nova interface para interagir com a IA no dia a dia.
O mais interessante, porém, é menos o hardware em si e mais o movimento estratégico. Depois de levar o Muse para smartphones e para a web, a Meta começa a testar um produto físico construído especificamente em torno da IA, em vez de simplesmente adicionar o assistente a dispositivos já existentes.
A companhia trata o Charm quase como um experimento comercial: o lançamento está previsto para dezembro, com preço ainda indefinido, provavelmente próximo ao de um smartwatch.
O projeto também reforça a ambição da Meta em hardware. O produto foi desenvolvido em poucos meses por uma equipe que inclui ex-executivos de design da Apple e chega ao lado de novos óculos inteligentes e dispositivos de realidade virtual.
A expectativa é de que o Charm pode representar mais um passo na disputa para descobrir qual será a próxima grande interface de computação depois do smartphone.
· 04:43 — Banco Central sinaliza atividade mais fraca
No Relatório de Política Monetária divulgado nesta manhã, o Banco Central revisou sua estimativa de crescimento do PIB de 2% para 1,8% com desaceleração no terceiro trimestre de 2026. Para o próximo ano, a autarquia vê um crescimento de 1,4% do PIB brasileiro.
Em relação à inflação, a projeção para o horizonte relevante de política monetária se manteve em 3,2%, porém com uma trajetória de inflação mais alta do que na projeção anterior. Ainda sobre pressão de preços, o Banco Central vê o hiato do produto mais positivo, mercado de trabalho aquecido e discute efeitos diretos e de segunda ordem da alta dos preços de petróleo.
O documento ainda sugere espaço para a continuação da redução da Selic de forma cautelosa, em linha com a projeção do Relatório Focus que embute mais dois cortes de 25 pontos-base neste ano.
O documento será comentado pelo presidente Gabriel Galípolo em coletiva às 11:00.
· 05:15 — Piora do resultado primário
Ainda na agenda econômica, às 9:30, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o Ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, realizarão a coletiva de empresa com o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre de 2026.
É esperada manutenção da contenção de recursos próxima dos atuais R$ 17,9 bilhões, mas com piora da projeção para o resultado primário de 2026. A principal decepção deve ser da linha de arrecadação de IRRF sobre lucros e dividendos. A estimativa, que antes era de R$ 29,9 bilhões, foi reduzida para R$ 10,5 bilhões.
Também vale destacar as medidas adotadas para aliviar o impacto da guerra sobre os combustíveis, com custo fiscal estimado em R$ 7 bilhões por mês, além da revisão para baixo da projeção oficial da Fazenda de crescimento do PIB, de 2,3% para 2%.
No relatório anterior, o governo estimava superávit de R$ 10,8 bilhões após considerar as deduções permitidas para o cumprimento da meta. Sem esses abatimentos, a projeção era de déficit de R$ 52 bilhões. A meta fiscal para este ano é de superávit de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância até zero.
Nesse ambiente de redução gradual de juros em meio a fatores de risco de inflação, destacamos o investimento em títulos indexados à inflação de curto prazo. O PACC11 é um ETF de renda fixa que busca acompanhar o IMA-B 5 P2, índice composto por títulos públicos indexados ao IPCA com vencimentos mais curtos, em geral de até cinco anos.
O ETF foi lançado em outubro de 2024 e tem patrimônio próximo de R$ 2,7 bilhões. Na prática, o produto oferece uma forma simples e líquida de acessar juros reais de curto prazo, com menor sensibilidade às oscilações das taxas longas do que ETFs de duration mais elevada.