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Investimentos

Ibovespa hoje: Início da reunião do Copom e balanço do Itaú (ITUB4) no centro das atenções do mercado; veja mais destaques desta terça (4)

Nesta terça-feira, as atenções se concentram no início da reunião do Copom e na divulgação do balanço do Itaú Unibanco.

Por Matheus Spiess

04 ago 2026, 11:09

Atualizado em 04 ago 2026, 11:09

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(Imagem: Jakub Zerdzicki/Pexels)

Os mercados globais operam em terreno positivo, sustentados pela recuperação das ações de tecnologia e pelas expectativas em torno da temporada de resultados, embora a incerteza geopolítica permaneça elevada. Donald Trump afirma que as negociações com o Irã estão em andamento e classificou a proposta americana como uma “última chance”. Na agenda econômica, o principal destaque nos Estados Unidos será a divulgação do relatório JOLTS, acompanhada pelos dados da balança comercial e das encomendas à indústria.

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No Japão, as atenções permanecem voltadas às políticas fiscal e monetária, após Sanae Takaichi avançar com a proposta de redução do imposto sobre alimentos. A temporada de balanços também ganha intensidade, com os resultados de Caterpillar, McDonald’s, HSBC, BP, AMD e, sobretudo, o primeiro balanço da SpaceX desde sua abertura de capital. No Brasil, o foco estará na produção industrial, no início da reunião do Copom e nos resultados de Itaú, Gerdau e outras companhias após o fechamento.

· 00:57 — O corte que o fiscal ainda limita

No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira praticamente estável, aos 178 mil pontos, em um pregão marcado por forças opostas. A queda dos juros futuros ofereceu algum suporte ao mercado acionário, mas o recuo das principais empresas ligadas a commodities impediu um avanço mais consistente.

As ações da Petrobras caíram 0,85%, acompanhando a baixa do petróleo após a trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, enquanto a Vale recuou 2,15%, pressionada pela desvalorização do minério de ferro e pelas dúvidas persistentes em relação à demanda chinesa. Em contrapartida, a valorização dos grandes bancos ajudou a limitar as perdas do índice.

Nesta terça-feira, as atenções se concentram no início da reunião do Copom, na divulgação da produção industrial de junho e no balanço do Itaú Unibanco. A expectativa amplamente majoritária é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14% ao ano, mas o foco do mercado estará sobretudo na comunicação do Banco Central sobre os próximos passos. A melhora recente da inflação, a desaceleração da atividade e a queda do petróleo abriram espaço para a discussão de uma nova redução da taxa, para 13,75% em setembro, cenário que já passou a ser incorporado pelo Boletim Focus.

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Ainda assim, expectativas de inflação acima da meta, riscos fiscais e incertezas eleitorais recomendam cautela. No campo das contas públicas, a Instituição Fiscal Independente estima que o governo poderá ultrapassar a Regra de Ouro em R$ 288 bilhões em 2026, reforçando as preocupações com a qualidade do ajuste e com a trajetória da dívida pública. Em síntese, a deterioração fiscal mantém elevado o prêmio de risco, restringe o espaço para cortes mais profundos de juros e torna os ativos brasileiros mais vulneráveis a qualquer perda adicional de confiança.

· 01:43 — Lucros e indústria reacendem Wall Street

Os mercados americanos iniciaram agosto em forte alta, com o Dow Jones renovando sua máxima histórica, o S&P 500 avançando 1,5% e o Nasdaq registrando ganho de 2,1%. O movimento foi liderado pelas “Magnificent Seven”, que acrescentaram US$ 1,77 trilhão em valor de mercado ao longo de três pregões, enquanto a Amazon superou, pela primeira vez, a marca de US$ 3 trilhões.

O ambiente positivo, contudo, não ficou restrito ao setor de tecnologia. A queda dos preços do petróleo, o recuo dos rendimentos dos títulos públicos e uma temporada de balanços acima das expectativas sustentaram uma valorização mais disseminada entre os setores. O crescimento dos lucros das empresas do S&P 500 caminha entre 35% e 40%, acima das projeções iniciais, acompanhado por aumento dos investimentos, expansão das carteiras de pedidos e maior visibilidade sobre receitas futuras, sobretudo entre as grandes companhias de tecnologia e computação em nuvem.

A melhora também se estendeu à indústria americana. O PMI industrial do ISM avançou para 55,6 pontos em julho, alcançando o maior nível desde maio de 2022 e marcando o sétimo mês consecutivo de expansão. A produção, as novas encomendas e o emprego apresentaram evolução positiva, impulsionados pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, pela demanda dos setores aeroespacial e de defesa e pela recomposição dos estoques.

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Ainda assim, a trajetória dos custos e da inflação continua exigindo cautela. O cenário também permanece sujeito a riscos, especialmente às tensões no Estreito de Ormuz, à possibilidade de uma nova pressão sobre os preços do petróleo e à divulgação dos próximos dados do mercado de trabalho. John Williams avaliou que a política monetária está bem-posicionada, mas ressaltou que o Federal Reserve poderá agir caso os próximos indicadores não confirmem a continuidade do processo de desinflação.

· 02:39 — Fusão diferenciada

A possível fusão entre AstraZeneca e Bristol Myers Squibb surpreendeu o mercado e foi recebida com cautela pelos investidores, levando as ações da companhia britânica a recuarem cerca de 7%. Caso a operação avance, a empresa resultante poderá alcançar valor de mercado próximo de US$ 400 bilhões e se tornar a quarta maior farmacêutica do mundo.

O movimento causa estranhamento porque a AstraZeneca atravessa uma fase de forte crescimento e elevada capacidade de inovação, enquanto a Bristol Myers enfrenta a perspectiva de desaceleração nos próximos anos, à medida que expiram as patentes de alguns de seus medicamentos mais relevantes.

Ainda assim, a combinação poderia ampliar de forma significativa a presença da AstraZeneca nos Estados Unidos e criar o maior portfólio de medicamentos contra o câncer da indústria. Uma transação dessa dimensão, no entanto, provavelmente seria submetida a uma análise rigorosa por parte das autoridades antitruste.

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· 03:28 — Coordenação

Como comentei ontem neste espaço, os Estados Unidos e o Japão realizaram uma rara intervenção coordenada para sustentar o iene, na primeira ação conjunta desse tipo desde 1998. Embora Donald Trump tenha descrito a iniciativa como um gesto de amizade, a participação americana também responde a interesses próprios: reduzir o risco de que o Japão venda parte de suas reservas de Treasuries para financiar novas intervenções, limitar a vantagem competitiva proporcionada por uma moeda excessivamente depreciada e ampliar o poder de negociação de Washington em questões comerciais e estratégicas. A operação contribuiu para a valorização do iene, mas parte dos ganhos já foi devolvida, e o patamar de 155 ienes por dólar surge como um teste importante para avaliar a sustentabilidade do movimento.

Ainda assim, a intervenção tende a oferecer apenas um alívio temporário caso não seja acompanhada por mudanças nos fundamentos da economia japonesa. Uma recuperação mais duradoura da moeda dependerá de maior disciplina fiscal no Japão e de uma normalização monetária mais firme por parte do Banco do Japão, capaz de reduzir o diferencial de juros que alimenta as operações de carry trade.

Taxas mais elevadas no país diminuiriam o incentivo para tomar recursos em ienes e direcioná-los a ativos estrangeiros de maior rendimento. Scott Bessent afirmou que os Estados Unidos poderão voltar a atuar, mas o comportamento recente da moeda reforça uma conclusão conhecida: intervenções cambiais podem ganhar tempo, mas não substituem os ajustes estruturais necessários.

· 04:14 — Reduzindo a distância

A inteligência artificial chinesa vem reduzindo rapidamente a distância que ainda a separa do Vale do Silício, combinando desempenho tecnológico cada vez mais avançado com custos mais competitivos. O Alibaba reforçou esse movimento com o Qwen3.8-Max, seu modelo mais sofisticado até o momento, que parece igualar ou até superar o Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic. Na mesma direção, o Kimi K3, da Moonshot AI, apresentou resultados comparáveis aos de soluções americanas mais caras, apesar de ter sido desenvolvido com um orçamento significativamente menor.

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Essa sequência de lançamentos mostra que a China já não se limita a oferecer alternativas de baixo custo, mas dispõe de modelos capazes de competir em tarefas de raciocínio, programação e execução de atividades complexas, ampliando a pressão competitiva sobre a OpenAI e outras empresas dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica assume contornos cada vez mais geopolíticos e relacionados à segurança nacional. Autoridades chinesas demonstram preocupação com o possível uso ofensivo do Mythos, da Anthropic, e de outros modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos, sobretudo em operações cibernéticas.

Esse receio acrescenta uma nova camada de tensão à relação entre Pequim e Washington, especialmente às vésperas de uma possível reunião entre Xi Jinping e Donald Trump. A corrida pela liderança em inteligência artificial, portanto, deixa de ser apenas uma competição empresarial e passa a ocupar uma posição central na rivalidade estratégica entre as duas maiores potências globais.

· 05:06 — Palantir e a Nova Fronteira da Defesa Digital

A Palantir apresentou resultados acima das expectativas, impulsionados pela forte expansão de seu segmento comercial nos Estados Unidos, cujas receitas avançaram 149% na comparação anual. A receita total cresceu 93%, para US$ 1,9 bilhão, enquanto o lucro ajustado alcançou US$ 0,41 por ação.

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A companhia vem se consolidando como uma plataforma relevante para integrar dados dispersos, organizar informações e aplicar diferentes modelos de inteligência artificial à resolução de problemas concretos. A aceleração da demanda levou a empresa a projetar uma receita entre US$ 2,16 bilhões e US$ 2,164 bilhões para o próximo trimestre, além de elevar sua estimativa para 2026 para aproximadamente US$ 8,15 bilhões, reforçando a perspectiva de crescimento robusto e progressivamente mais diversificado.

A leitura também permanece construtiva para a indústria de defesa, sobretudo para empresas expostas à digitalização, à análise de dados e à inteligência artificial. As receitas governamentais da Palantir cresceram 90%, evidenciando que a modernização tecnológica das forças armadas e das agências públicas continua ganhando prioridade.

Ao mesmo tempo, o avanço do segmento comercial mostra que tecnologias originalmente desenvolvidas para ambientes de defesa estão encontrando aplicações cada vez mais amplas no setor privado, o que expande o mercado potencial da companhia e reduz sua dependência de contratos públicos. Esse caráter de uso dual tende a sustentar investimentos de longo prazo em software, automação, segurança e inteligência operacional em diferentes elos da cadeia de defesa.

Essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que tendem a se beneficiar do aumento estrutural dos gastos militares.

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No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem função semelhante, permitindo acesso simplificado à temática. Ainda assim, como em qualquer tese temática, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para aos temas mais disruptivos e estressados, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.