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Investimentos

Ibovespa hoje: IPCA-15 de julho, avanços tecnológicos da China e cautela com IA; veja destaques desta terça (28)

IPCA-15 abaixo do esperado e nova rodada de aversão ao risco por conta dos avanços da China e dúvidas sobre os investimentos em IA. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

28 jul 2026, 10:31

Atualizado em 28 jul 2026, 10:31

IA claude inteligencia artificial claude ia

Imagem: iStock/ @CoreDesignKEY

A nova rodada de aversão ao risco foi liderada pelo setor de semicondutores, em meio à combinação entre os avanços tecnológicos da China e as dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. A notícia de que uma empresa estatal chinesa iniciou a produção em massa de equipamentos de litografia pressionou concorrentes globais, especialmente a ASML, ao reforçar a percepção de que os fabricantes locais podem reduzir gradualmente sua dependência de tecnologia estrangeira.

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Ao mesmo tempo, os mais de US$ 750 bilhões em contratos de infraestrutura de IA associados à Nvidia ampliaram as preocupações com o nível de endividamento, as estruturas de financiamento circular e o retorno sobre o capital investido. O impacto foi particularmente intenso na Ásia e evidenciou uma rápida mudança no sentimento dos investidores, que passaram a exigir maior clareza sobre a capacidade de monetização dos elevados gastos realizados ao longo de toda a cadeia.

Em paralelo, a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã reduziu temporariamente o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo e favoreceu os títulos do Tesouro americano. Donald Trump afirmou que as conversas diplomáticas estão avançando, mas alertou que as operações militares poderão ser retomadas caso as negociações fracassem. Hoje, o presidente americano se encontra com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Apesar de a distensão ter provocado uma forte queda nas cotações do petróleo, o risco de uma nova escalada permanece elevado, mantendo a volatilidade geopolítica no radar dos investidores. Esse ambiente de incerteza antecede uma semana decisiva para os mercados, marcada pela reunião do Federal Reserve, que começa hoje e terá seu resultado divulgado amanhã, além da publicação dos balanços das principais empresas de tecnologia nos próximos dias.

· 00:56 — Muito abaixo do esperado

Por aqui, o Ibovespa encerrou a segunda-feira em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos, beneficiado pela melhora do apetite ao risco global após a pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã e a consequente queda dos preços do petróleo. O movimento, no entanto, ocorreu com volume financeiro abaixo da média e pressionou as ações das companhias petrolíferas. O dólar avançou 0,60%, para R$ 5,11, apesar do ambiente externo mais favorável, refletindo a ausência de suporte das commodities. Na agenda corporativa, as atenções se voltam para o relatório de produção e vendas da Petrobras, na noite de hoje, enquanto os investidores também acompanham os dados do setor externo e a deterioração da confiança do consumidor.

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No campo macro, o principal destaque é o IPCA-15 de julho. As projeções apontavam alta próxima de 0,22%, abaixo dos 0,41% registrados em junho, com desaceleração da inflação acumulada em 12 meses para cerca de 4,68%. O resultado, porém, veio significativamente abaixo do esperado: o indicador avançou apenas 0,06% no mês e acumulou alta de 4,52% em 12 meses. A composição também apresentou melhora, com menor pressão dos núcleos de inflação e dos bens industriais, embora serviços, energia elétrica e passagens aéreas ainda permaneçam elevados.

O dado reforça um ambiente mais favorável para a próxima reunião do Copom. Apesar de mantermos a expectativa de um corte de 25 pontos-base na próxima semana, não seria surpreendente que a discussão sobre uma redução de 50 pontos-base voltasse à mesa, ainda que a probabilidade desse movimento continue, em nossa avaliação, bastante baixa. Ao mesmo tempo, o cenário comercial ganhou relevância após o Brasil acionar a OMC contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que podem atingir 23,1% das exportações brasileiras, enquanto o governo busca preservar o diálogo diplomático em meio à escalada das tensões.

· 01:45 — Entre a cautela com a IA e a incerteza sobre o Fed

Os mercados americanos iniciaram a segunda-feira em alta, favorecidos pela queda do petróleo após a pausa nos ataques dos Estados Unidos ao Irã. O alívio, no entanto, perdeu força ao longo do pregão, à medida que novas preocupações em torno da inteligência artificial voltaram ao centro das atenções. As ações de semicondutores recuaram de forma acentuada, levando o Nasdaq a encerrar o dia em queda de 0,2%, enquanto o S&P 500 permaneceu praticamente estável e o Dow Jones avançou 0,5%, ou 263 pontos.

Em sentido oposto, o rendimento dos Treasuries de dez anos recuou para 4,6%, acompanhando a acomodação dos preços do petróleo. As atenções se voltam agora para uma semana movimentada no calendário corporativo, com quase um terço do S&P 500 divulgando seus balanços, entre elas Microsoft, Meta, Apple e Amazon, além de companhias dos setores de transportes, consumo e energia.

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No campo macroeconômico, o principal evento da semana será a decisão do Federal Reserve, prevista para quarta-feira. Embora a resiliência da atividade econômica, a estabilidade do mercado de trabalho e a recente desaceleração da inflação sustentem a expectativa de manutenção da taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, o mercado atribuía uma probabilidade de 38% a uma elevação, acima dos 16% registrados na semana anterior. Essa menor previsibilidade também reflete a postura de Kevin Warsh, menos inclinado a oferecer orientações antecipadas sobre os próximos passos da política monetária.

Na quinta-feira, o índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, deverá registrar queda de 0,1% na comparação mensal e desaceleração de 4,1% para 3,6% em doze meses. Já o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, é projetado em alta de 0,2% no mês e de 3,3% na comparação anual. No mesmo dia, a estimativa preliminar do PIB do segundo trimestre deverá apontar crescimento anualizado de 2,5%, acima dos 2,1% no trimestre anterior, sustentado pelo consumo e pelos investimentos em IA.

· 02:39 — Europa sob pressão: oposição, reformas e disputa pelo poder

Na Turquia, a criação do Yeni Parti por Özgür Özel redesenhou o campo oposicionista e ampliou a pressão sobre o presidente Recep Tayyip Erdoğan. Após ser afastado judicialmente da liderança do CHP, Özel reuniu mais de 90 ex-parlamentares da legenda e assumiu o comando do maior bloco de oposição no parlamento. O novo partido enfrenta agora uma escolha estratégica: aproveitar o atual impulso político para defender a antecipação das eleições ou evitar um movimento que também poderia favorecer Erdoğan.

Embora o presidente já tenha alcançado o limite constitucional de dois mandatos, uma eleição antecipada convocada pelo parlamento permitiria que ele voltasse a disputar o cargo. Com o próximo pleito presidencial previsto apenas para maio de 2028, a definição do calendário eleitoral tornou-se, portanto, uma peça central na estratégia de ambos os lados.

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A reorganização da oposição turca ocorre em um contexto europeu mais amplo, marcado pelo avanço da insatisfação popular, pelo desgaste dos governos e pelo fortalecimento de forças políticas contestatórias. Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz apresentou um amplo pacote de reformas com o objetivo de reativar a economia, recuperar a competitividade do país e conter o avanço da extrema-direita. As propostas incluem redução de impostos para famílias de baixa e média renda, elevação da idade de aposentadoria, restrições às licenças médicas, maior flexibilidade nas relações de trabalho e digitalização da administração pública. Apesar das diferenças institucionais e econômicas entre os dois países, Turquia e Alemanha enfrentam um desafio semelhante: responder com rapidez ao desgaste político, econômico e institucional antes que a insatisfação se converta em uma alteração mais profunda no equilíbrio de poder.

· 03:23 — A repatriação de capital e seus efeitos sobre os mercados globais

A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, defendeu que o Fundo de Investimento de Pensões do Governo aumente sua exposição a ativos domésticos, com o objetivo de fortalecer o iene e dar maior sustentação ao mercado local. Como o GPIF administra mais de US$ 1,8 trilhão, mesmo uma repatriação parcial desses recursos poderia ter impactos relevantes, contribuindo para a valorização da moeda japonesa e ampliando a demanda por títulos públicos do país, que se tornaram mais atrativos à medida que o Banco do Japão reduz gradualmente sua atuação no mercado. Em contrapartida, essa mudança de alocação poderia retirar uma importante fonte de liquidez dos mercados globais, historicamente beneficiados pelos fluxos persistentes de capital japonês direcionados ao exterior.

· 04:14 — O avanço chinês testa os limites da euforia com IA

A onda global de vendas em ações de semicondutores se intensificou na Ásia, refletindo uma combinação de novos avanços tecnológicos da China e dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade dos gastos em inteligência artificial. A notícia de que uma estatal chinesa iniciou a produção em massa de máquinas de litografia ultravioleta profunda por imersão elevou o temor de aumento da concorrência e de excesso de capacidade no setor, enquanto os cerca de US$ 750 bilhões em contratos de infraestrutura de IA da Nvidia reforçaram as preocupações com endividamento e retorno sobre o capital.

O movimento atingiu principalmente as ações que mais se valorizaram com o ciclo de IA: Samsung Electronics e SK Hynix recuaram mais de 10%, enquanto os índices Kospi, Nikkei 225 e Taiex também sofreram fortes quedas. A SK Hynix, mesmo às vésperas de divulgar outro trimestre de lucros recordes, já acumula perda de 47% desde a máxima de junho, ilustrando a mudança no sentimento.

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Ao mesmo tempo, a estreia da ChangXin Memory Technologies, a CXMT, evidenciou a crescente ambição chinesa no mercado global de memórias. As ações dispararam 466% no primeiro pregão em Xangai, elevando a companhia ao posto de empresa mais valiosa listada na China continental e reforçando as apostas na expansão da demanda ligada à IA.

A possível adoção de seus chips pela Apple em dispositivos vendidos na China e a expectativa de um IPO da Yangtze Memory Technologies ainda neste ano aumentam a perspectiva de concorrência para Micron, Samsung e SK Hynix. O cenário sugere que o setor continuará se beneficiando de uma demanda estruturalmente forte, mas com mais participantes, maior capacidade produtiva e pressão crescente sobre margens, participação de mercado e avaliações.

· 05:06 — Margens resilientes reforçam uma visão construtiva

A Weg (WEGE3) apresentou um 2T26 com receita ligeiramente abaixo das expectativas, mas com margens melhores do que o mercado temia. A receita líquida consolidada recuou 0,6% na comparação anual, para R$ 10,1 bilhões, pressionada principalmente pela queda de 22,9% nas vendas de equipamentos de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD) no mercado interno, em razão da desaceleração dos projetos de energia solar no Brasil. Por segmentos, GTD caiu 9%, para R$ 3,7 bilhões, apesar do avanço de 6% nas vendas externas; Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais cresceram 6%, para R$ 5,2 bilhões, apoiados pela maior atividade industrial doméstica; Motores Comerciais e Appliance recuaram 4%, para R$ 777 milhões; e Tintas e Vernizes avançaram 6%, para R$ 424 milhões.

O principal destaque positivo veio da rentabilidade. A margem bruta avançou 1,6 ponto percentual em relação ao 1T26, embora ainda tenha recuado 0,5 ponto frente ao 2T25, enquanto a margem Ebitda caiu apenas 0,3 ponto percentual na comparação anual, desempenho melhor do que o esperado diante das tarifas, da desvalorização do dólar e da fraqueza de GTD. O Ebitda recuou 2,1%, para R$ 2,2 bilhões, e o lucro líquido também caiu 2,1%, para R$ 1,5 bilhão, ambos acima das estimativas, enquanto o ROIC permaneceu elevado, em 33,6%. Após um primeiro trimestre mais fraco, os números do 2T26 sugerem uma operação mais resiliente e reforçam uma visão construtiva para o segundo semestre e para 2027, especialmente diante do histórico de execução da companhia, das avenidas de crescimento ainda relevantes e da negociação a cerca de 23 vezes os lucros esperados para o próximo ano.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.