Os mercados globais iniciam a sexta-feira ainda sob influência do impasse no Oriente Médio, que deixou para trás a fase de negociações difíceis e passou a assumir contornos de conflito mais estruturado entre Estados Unidos e Irã.
O enfraquecimento do canal diplomático, a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz e a retórica militar mais dura elevaram o prêmio de risco global, mantendo o petróleo em forte alta, com o Brent ao redor de US$ 107 por barril.
Donald Trump afirmou ter ordenado à Marinha americana que destrua embarcações envolvidas na instalação de minas na região, enquanto os Estados Unidos seguem interceptando petroleiros iranianos. Em paralelo, Israel e Líbano concordaram em estender o cessar-fogo por mais três semanas, embora a estabilidade regional permaneça frágil. Para os mercados, o principal efeito continua sendo a pressão inflacionária adicional e a maior sensibilidade dos ativos a qualquer nova manchete geopolítica.
· 00:51 — Comunicação desencontrada
No Brasil, o Ibovespa voltou a recuar e segue encontrando maior dificuldade nesta segunda metade de abril, especialmente depois de ter se aproximado da marca simbólica dos 200 mil pontos.
Em um ambiente mais desafiador no exterior, o petróleo subiu pelo quarto pregão consecutivo, com o Brent encerrando acima de US$ 105 por barril, enquanto as bolsas americanas interromperam a sequência de recordes.
Nesse contexto, o índice brasileiro caiu 0,78%, para a região dos 191 mil pontos, acumulando perda superior a 7 mil pontos em apenas seis sessões. O desempenho só não foi mais fraco porque empresas ligadas ao setor de óleo e gás ajudaram a amortecer parte das perdas. Ao mesmo tempo, o dólar voltou a superar R$ 5 e a curva de juros passou a incorporar prêmio adicional de risco, refletindo um ambiente mais cauteloso.
Sem uma agenda econômica doméstica mais robusta, o mercado deve continuar repercutindo as novas medidas anunciadas pelo governo para responder à alta dos combustíveis, cuja comunicação foi marcada por ruídos relevantes.
Inicialmente, ganhou força a expectativa de uma isenção imediata de tributos federais sobre a gasolina, o que provocou reação negativa imediata diante do temor fiscal. Posteriormente, o que de fato foi apresentado foi o envio ao Congresso de um projeto que permite utilizar receitas extraordinárias do petróleo, como royalties, dividendos e exportações, para financiar reduções temporárias de impostos sobre combustíveis.
A proposta prevê espaço potencial de queda de até R$ 0,68 por litro na gasolina, R$ 0,19 no etanol e postergação parcial no diesel, sendo que cada redução de R$ 0,10 na gasolina teria impacto estimado de R$ 800 milhões em dois meses. Ainda assim, o desenho levanta dúvidas sobre a previsibilidade da compensação fiscal e reforça a percepção de flexibilização adicional de regras já consideradas frágeis. Em última instância, medidas desse tipo tendem apenas a transferir parte da conta para frente, ampliando a necessidade de um ajuste fiscal mais consistente no próximo ano.
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· 01:45 — Rali de semicondutores
Após renovarem máximas recentes, o S&P 500 e o Nasdaq recuaram na quinta-feira, pressionados por uma rodada mista de balanços corporativos e pela falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O Nasdaq caiu 0,9%, enquanto o S&P 500 cedeu 0,4%, com a Tesla em queda após resultados recebidos sem grande entusiasmo e outras big techs também pressionadas.
No segmento de software, números mais fracos de IBM e ServiceNow pesaram sobre o setor, reforçando que, mesmo em um ambiente ainda favorável para ações, o nível de exigência dos investidores segue elevado durante a temporada de resultados.
Na direção oposta, o setor de semicondutores continuou se destacando. A Texas Instruments disparou após divulgar resultados robustos, ajudando o índice SOX a alcançar nova máxima e a registrar a mais longa sequência de altas de sua história.
Depois do fechamento, a Intel reforçou esse movimento ao apresentar números muito acima do esperado, com melhora em receita, margens e guidance, impulsionada pelo desempenho em PCs e data centers. Ao mesmo tempo, Microsoft e Meta anunciaram novos cortes de pessoal, sinalizando que as gigantes de tecnologia seguem buscando maior eficiência operacional em meio à corrida por investimentos em inteligência artificial e à necessidade de preservar rentabilidade.
· 02:39 — Nada de novo no front?
Novos desdobramentos no Oriente Médio mantêm os mercados atentos ao Estreito de Ormuz e à fronteira entre Israel e Líbano. Mesmo sob um cessar-fogo formal, o Irã continua restringindo o tráfego em Ormuz, levando Donald Trump a declarar que autorizou as forças americanas a neutralizar embarcações que tentem instalar minas em uma das principais rotas marítimas do mundo.
Ao mesmo tempo, o presidente americano anunciou a extensão por mais três semanas da trégua entre Israel e Líbano, após nova rodada de negociações realizada na Casa Branca, enquanto o Pentágono convocou uma coletiva de imprensa para atualizar o quadro militar. Ainda assim, fontes próximas às conversas indicam que novas negociações presenciais entre Washington e Teerã seguem dificultadas pelo tom mais agressivo adotado por Trump.
Apesar da persistente tensão geopolítica, os mercados vêm reagindo de forma cada vez mais pragmática. Em vez de episódios prolongados de pânico, investidores têm tratado conflitos recentes mais como eventos recorrentes do que como choques permanentes, ajustando preços com rapidez a cada novo desdobramento.
Energia, cadeias globais de suprimentos e ativos de risco mostraram resiliência superior à esperada, ainda que a volatilidade se mantenha presente, naturalmente, enquanto famílias e empresas, especialmente nas economias desenvolvidas, iniciaram 2026 com balanços relativamente robustos, preparados para o tranco. Em síntese, o cenário atual reforça um novo regime de mercado: mais sensível a manchetes no curto prazo, porém também mais adaptável a crises geopolíticas do que em ciclos anteriores.
· 03:24 — Colocou medo na Casa Branca
O debate sobre regulação da inteligência artificial ganhou nova intensidade após a Anthropic anunciar o modelo Mythos, descrito como extremamente avançado na identificação de vulnerabilidades de software e potencialmente capaz de gerar riscos relevantes à infraestrutura crítica, como bancos, hospitais e sistemas sensíveis.
Diante desse potencial, a empresa optou por restringir voluntariamente o acesso inicial a um grupo seleto de companhias. Ainda assim, surgiram relatos de que o sistema já teria alcançado usuários não autorizados. O episódio parece ter provocado uma mudança de tom na Casa Branca: poucos dias após o anúncio, autoridades econômicas e regulatórias se reuniram para discutir eventuais impactos ao sistema financeiro, enquanto a Casa Branca passou a intensificar o diálogo com executivos do setor.
Até então, a postura do governo Trump vinha sendo amplamente favorável à desregulação, sob a lógica de acelerar o avanço das empresas americanas na disputa tecnológica com a China. Agora, contudo, ganha força um dilema mais complexo entre velocidade e segurança.
De um lado, os Estados Unidos buscam preservar sua liderança global em inteligência artificial; de outro, aumentam as preocupações com riscos cibernéticos, possíveis impactos sobre empregos e a crescente resistência política ao avanço desordenado da tecnologia. Para os investidores, a principal leitura é que a IA continua sendo um vetor estrutural de crescimento, mas o mercado pode passar a conviver cada vez mais com discussões sobre supervisão, exigências de segurança e eventuais limites regulatórios para modelos cada vez mais poderosos.
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· 04:16 — Guinada japonesa
O Japão iniciou uma guinada histórica em sua política de defesa ao autorizar, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a exportação de armamentos letais, como mísseis, caças e navios de guerra. A medida, conduzida pela primeira-ministra Sanae Takaichi, busca revitalizar a indústria militar japonesa em um ambiente de ameaças crescentes vindas da China e da Coreia do Norte, ao mesmo tempo em que procura reduzir a dependência estratégica do país em relação aos Estados Unidos.
Em um contexto de forte demanda global por equipamentos de defesa, impulsionada pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, Tóquio tenta converter sua capacidade tecnológica em maior relevância geopolítica e econômica. Ainda assim, o movimento não é isento de resistência: enfrenta oposição de parte da sociedade japonesa e críticas de Pequim, que vê na iniciativa um possível afastamento do pacifismo que marcou o Japão no pós-guerra. Vivemos uma verdadeira nova corrida armamentista.
· 05:02 — Força operacional em momento favorável do setor
A Eneva divulgou uma prévia operacional bastante positiva para o 1T26, reforçando o momento favorável vivido por seus ativos de geração. O despacho médio de suas usinas alcançou 33%, frente a apenas 8% no mesmo período do ano anterior, enquanto a geração bruta somou 3,6 GWh, representando expressivo crescimento anual de 327%.
O principal destaque ficou com os ativos abastecidos por gás próprio, como o Complexo Parnaíba e Jaguatirica II, o que evidencia uma vantagem competitiva importante em momentos de maior necessidade de geração térmica. O desempenho reflete um ambiente setorial construtivo, marcado por clima mais seco no início do trimestre, limitações operacionais em fontes renováveis e maior demanda por energia nos horários em que a geração solar perde intensidade.
Mesmo com a recuperação recente dos reservatórios, o novo modelo de operação do sistema elétrico brasileiro passou a incorporar postura mais conservadora diante do risco hídrico, o que tende a sustentar preços de energia mais elevados e níveis mais consistentes de despacho térmico ao longo do tempo. Embora o complexo solar Futura 1 ainda enfrente restrições operacionais, seu peso dentro do resultado consolidado permanece limitado.
Além disso, a companhia encerrou o trimestre com reservas robustas de gás, em 47 bilhões de metros cúbicos, preservando relevante visibilidade operacional para os próximos anos. Em conjunto, a prévia reforça a qualidade de execução da Eneva, a resiliência de seu modelo integrado entre gás e energia e perspectivas construtivas para ENEV3, especialmente diante da entrada gradual de novos projetos em operação.