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Investimentos

Ibovespa hoje: novo dado favorece corte da Selic e payroll mais fraco reduz pressão sobre o Fed nos EUA; veja destaques desta sexta (3)

O payroll de junho veio mais fraco do que o esperado e ajudou a diminuir a probabilidade de novas altas de juros pelo Fed. Veja mais destaques do dia.

Por Matheus Spiess

03 jul 2026, 10:10

Atualizado em 03 jul 2026, 10:10

brasil economia investimentos bolsa ibovespa

Imagem: iStock / @Gilnature

Os mercados globais encerram a semana em tom misto, com os Estados Unidos fechados pelo feriado da Independência e liquidez reduzida. Ontem, o payroll de junho, mais fraco que o esperado, ajudou a diminuir a probabilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve, embora não tenha alterado de forma decisiva o cenário de política monetária. O sentimento se mantém hoje.

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Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, lideradas pela recuperação do Kospi e pelo avanço do Nikkei, enquanto a Europa opera sem direção única nesta manhã, com dados de atividade ainda mistos. O petróleo segue no centro das atenções, mas sob menor pressão. A retomada gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, o aumento das exportações sauditas e os sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã ajudam a normalizar os mercados globais de energia.

Ainda assim, a nova ordem marítima em Ormuz continua em negociação, com Irã e Omã discutindo um sistema de taxas sobre embarcações, algo que parte das potências europeias já parece aceitar. Se acontecer, como já comentei aqui, seria uma ruptura histórica da Doutrina Carter e uma grande derrota aos EUA.

· 00:51 — Agenda fraca

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 0,64%, levemente abaixo dos 173 mil pontos, impulsionado pelo payroll americano de junho abaixo do esperado (comentaremos mais sobre o tema na sequência), que reduziu os temores de uma nova alta de juros pelo Fed e favoreceu os ativos de risco globalmente.

Pela manhã, o índice chegou a avançar mais de 1%, tocando 174.426 pontos, mas perdeu força ao longo da tarde diante da rotação de carteiras em Nova York, que pressionou as ações de tecnologia, e da abertura da curva de juros local após um leilão agressivo de prefixados do Tesouro, em um ambiente ainda marcado por forte pressão fiscal.

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No câmbio, o dólar chegou a cair mais de 1%, mas apagou as perdas e fechou praticamente estável, a R$ 5,20, em meio à cautela com commodities mais fracas, incertezas eleitorais e novos ruídos comerciais entre Brasília e Washington.

No radar doméstico, os investidores acompanharam a produção industrial de maio, que veio abaixo do esperado, com contração de 0,2% na comparação mensal. O dado tende a favorecer os vértices mais curtos da curva de juros, ao reforçar a tese de continuidade dos cortes da Selic. Também seguem no foco a balança comercial de junho e os desdobramentos políticos e comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos.

· 01:47 — Payroll mais fraco reduz pressão sobre o Fed

Nos Estados Unidos, o payroll de junho reforçou a perda de fôlego do mercado de trabalho americano. A economia criou apenas 57 mil vagas no mês, bem abaixo das cerca de 110 mil esperadas, enquanto os dados de abril e maio foram revisados para baixo, para 129 mil e 148 mil vagas, respectivamente.

A surpresa negativa ficou concentrada principalmente em lazer e hospitalidade, setor que eliminou 61 mil postos de trabalho e frustrou a expectativa de um impulso associado à Copa do Mundo.

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Ainda assim, o relatório não sugere uma ruptura do mercado de trabalho: a média móvel de três meses ficou em 111 mil vagas, a taxa de desemprego recuou para 4,2%, sobretudo pela queda na participação da força de trabalho, e os setores de saúde e assistência social continuaram sustentando parte relevante da criação de empregos. O crescimento salarial, porém, segue abaixo da inflação anual, reforçando a percepção de perda de poder de compra para os trabalhadores, o que também tira pressão.

Para os mercados, o dado foi interpretado como um relatório mais frio, mas não fraco o suficiente para reacender apostas relevantes em cortes de juros. O principal efeito foi reduzir a probabilidade de uma nova alta do Fed no curto prazo, que caiu para cerca de 18%, contra 29% no dia anterior.

As bolsas chegaram a reagir bem, mas encerraram o pregão de forma mista, com rotação para setores mais defensivos: o Dow renovou recorde, enquanto o Nasdaq caiu pressionado por nova realização em semicondutores, com o ETF iShares Semiconductor recuando pelo segundo dia consecutivo.

A leitura predominante é de que o Fed ganhou mais tempo para avaliar os próximos dados, especialmente inflação e salários, enquanto os investidores entram em uma semana mais leve de indicadores, antes do início da temporada de balanços do segundo trimestre, com destaque para os grandes bancos a partir de 14 de julho.

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· 02:34 — Os Estados Unidos aos 250 anos: uma demografia em transformação

Às vésperas de completar 250 anos, os Estados Unidos exibem uma transformação demográfica profunda desde o bicentenário, em 1976. O país deixou para trás uma composição populacional muito mais homogênea e passou a refletir fluxos migratórios mais intensos e uma diversidade étnica crescente, o que ajuda a explicar a tensão com imigrantes.

A parcela de hispânicos aumentou mais de quatro vezes, chegando a cerca de um quinto da população, enquanto os americanos de origem asiática passaram de menos de 1% no censo de 1970 para 6% em 2024. Em paralelo, a participação de brancos não hispânicos caiu de 83% para 56%, movimento explicado pela combinação entre imigração contínua, crescimento de grupos minoritários, envelhecimento populacional e menores taxas de fertilidade nesse segmento.

A leitura histórica também mostra como as políticas migratórias ajudaram a moldar a composição do país. Em 1970, apenas 4,7% da população americana havia nascido no exterior, a menor proporção já registrada, reflexo das restrições impostas pela Lei de Imigração de 1924, revogada apenas em 1965. Desde então, a reabertura migratória contribuiu para redesenhar o perfil dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, mudanças metodológicas no censo passaram a capturar melhor identidades multirraciais e, a partir de 2030, incluirão novas categorias, como pessoas de origem no Oriente Médio e no Norte da África, além de uma nova forma de classificar “latino”. O resultado é um país em permanente redefinição, cuja demografia desafia cada vez mais visões antigas sobre quem são os americanos. Mas talvez seja isso que defina o povo americano, em linha com o que o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou em coletiva recente:

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“Minha esperança para a América é a mesma de sempre. Acho que é a esperança que, espero, todos nós compartilhamos. Queremos que ela continue sendo o lugar onde qualquer pessoa, de qualquer lugar, possa alcançar qualquer coisa; onde você não seja limitado pelas circunstâncias do seu nascimento, pela cor da sua pele, pela sua etnia, mas, francamente, um lugar onde você seja capaz de superar desafios e atingir todo o seu potencial. Acho que esse deveria ser o objetivo de todos os países do mundo, francamente. Mas acredito que, nos EUA, não somos perfeitos.

Nossa história não é uma história de perfeição, mas ainda é melhor do que a história de qualquer outro país. E a nossa é uma história de melhoria perpétua. Cada geração deixou a próxima geração de americanos mais livre, mais próspera, mais segura, e esse também é o nosso objetivo. Mas é um país único e excepcional, e, ao nos aproximarmos deste aniversário de 250 anos, acho que temos muito a aprender e do que nos orgulhar em nossa história. É uma história de melhoria perpétua e contínua, em que cada geração fez sua parte para nos aproximar do cumprimento da visão que os fundadores deste país tinham no momento de sua fundação.”

· 03:28 — Superando o choque

Apesar do impacto dos preços mais altos de energia, o comércio mundial segue resiliente, com crescimento acima de 5% em termos anuais, impulsionado principalmente pela Ásia e pelo forte avanço das exportações ligadas à inteligência artificial. Algumas economias do Golfo registraram queda relevante nas exportações de petróleo e desaceleração das importações, mas a região representa apenas cerca de 3% das importações globais.

Além disso, a recente queda do petróleo reduz parte do choque negativo sobre os termos de troca, isto é, sobre a relação entre preços de exportação e importação, e deve oferecer um impulso modesto ao comércio.

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O ponto central é que o boom da IA tem compensado boa parte da pressão causada pela energia mais cara. Produtos ligados à inteligência artificial já representam cerca de um quarto das importações dos Estados Unidos, ante apenas 9% no início de 2024, sustentando tanto a demanda americana quanto as exportações de fornecedores asiáticos de tecnologia.

Sem esse impulso, o crescimento do comércio mundial teria sido muito mais fraco, em torno de 2,3% ao ano entre o segundo trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, metade do ritmo observado. O risco é que uma desaceleração da IA produza o efeito oposto. Os modelos sugerem que esse cenário poderia reduzir o crescimento do comércio global a zero em 2027, enquanto uma queda mais forte do petróleo teria impacto positivo, mas bem mais limitado.

· 04:15 — Índia e Japão estreitam laços em meio à pressão chinesa

As relações entre Índia e Japão vivem um novo ciclo de aproximação, retomando uma visão construída há cerca de duas décadas por Shinzo Abe, que enxergava Nova Délhi como parceira natural na defesa de uma ordem regional baseada em regras diante da ascensão da China.

A diferença é que, sob a liderança da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, essa aproximação parece menos conceitual e mais pragmática, com foco em segurança econômica, semicondutores, energia, minerais críticos e cadeias de suprimentos mais resilientes. Durante sua primeira viagem à Índia, Takaichi e Narendra Modi acompanharam a assinatura de mais de 100 acordos empresariais, sinalizando a tentativa de transformar afinidade estratégica em cooperação concreta.

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O pano de fundo é uma Ásia cada vez mais marcada por disputas geopolíticas, controles de exportação chineses, tensões territoriais e uma presença americana mais exigente e voltada para prioridades domésticas.

Nesse contexto, Japão e Índia buscam fortalecer também os laços de defesa, ao mesmo tempo em que calibram suas relações com Washington e Pequim. Para Takaichi, assim como para Abe, a Índia segue como peça-chave para preservar o equilíbrio regional. Para Modi, o Japão oferece tecnologia, capital e apoio estratégico sem a mesma pressão americana sobre os vínculos indianos com a Rússia. Uma relação relevante para os próximos anos…

· 05:09 — IA além das Sete Magníficas: a nova cadeia de vencedores da tecnologia

Durante muito tempo, a narrativa da inteligência artificial nos mercados ficou concentrada nas chamadas “Sete Magníficas” (Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Tesla, Nvidia e Meta). Elas foram vistas como as principais protagonistas da revolução da IA e concentraram boa parte da atenção dos investidores. No entanto, a liderança recente dentro do S&P 500 mostra que essa história se tornou mais ampla. Algumas das ações com melhor desempenho no ano não são, necessariamente, as grandes plataformas de tecnologia, mas empresas que fornecem componentes, equipamentos e infraestrutura essenciais para que essa transformação aconteça.

Essa dinâmica aparece com clareza na cadeia de fornecedores. Empresas como SanDisk, Seagate, Dell, Micron, Corning, Western Digital, Flex e Marvell têm entre seus principais clientes nomes como Nvidia, Microsoft, Amazon, Apple, Meta e Google. Mesmo companhias como Applied Materials e Intel, que aparecem como exceções parciais, também estão inseridas nessa rede, seja pela exposição direta a grandes clientes de tecnologia, seja pela ligação com fabricantes de chips e memória, como SK Hynix, Samsung, Micron, TSMC e a própria Intel.

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A conclusão é que o capex bilionário das grandes empresas de tecnologia está se transformando em receita para uma cadeia muito mais ampla de beneficiários. O que aparece como investimento pesado em inteligência artificial nos balanços das hyperscalers, as grandes provedoras globais de nuvem e infraestrutura digital, representa, do outro lado, crescimento de vendas para fornecedores de chips, memória, armazenamento, hardware, equipamentos e materiais. Por isso, a tese de IA deixou de ser apenas uma história das “Sete Magníficas” e passou a envolver também as empresas que tornam fisicamente possível essa nova infraestrutura.

Esse movimento reforça a ideia de que a inteligência artificial deixou de beneficiar apenas as grandes plataformas e passou a alcançar uma cadeia mais ampla de companhias ligadas à sua infraestrutura. Ao mesmo tempo, exige mais seletividade. Nem todos os nomes associados ao tema conseguirão sustentar crescimento, rentabilidade e geração de caixa ao longo do tempo. Por isso, o investidor precisa ir além da narrativa e identificar negócios com vantagens competitivas claras, boa capacidade de execução e exposição real ao aumento estrutural da demanda por dados, infraestrutura e aplicações de IA. Nesse contexto, os assinantes que acompanham nossa carteira Empiricus IA+Tech, antiga IA Cash estão bem posicionados para capturar movimentos como o observado nas ações da Snowflake, que, na nossa visão, pode representar apenas os estágios iniciais de uma tendência mais ampla dentro do ciclo de expansão da inteligência artificial.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.