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Investimentos

Ibovespa hoje: tensão crescente no Irã, dados de inflação e PIB nos EUA e mais; veja o que mexe com a Bolsa nesta sexta (20)

No último pregão, o Ibovespa terminou acima dos 188 mil pontos, com destaque para a Petrobras

Por Matheus Spiess

20 fev 2026, 10:27

Atualizado em 20 fev 2026, 10:34

mercados internacionais geopolítica guerras ata do fed ibovespa

2024, o ano da geopolítica. Imagem: Freepik

Na agenda do dia, o deflator do PCE americano — principal métrica de inflação acompanhada pelo Federal Reserve — deve permanecer ligeiramente abaixo de 3%, tanto no índice cheio quanto no núcleo.

A ata mais recente do Fed revelou divergências quanto à trajetória futura da inflação e, por consequência, da política monetária, mas é importante destacar que as pressões inflacionárias correntes já vêm sendo consideradas nas decisões do banco central.

Com a também a divulgação do PIB do quarto trimestre no radar, o mercado pode reforçar uma postura mais cautelosa em relação a cortes de juros, sobretudo após um relatório de emprego mais forte.

No plano geopolítico, o ambiente tornou-se mais sensível. O presidente Donald Trump elevou o tom ao estabelecer um ultimato ao Irã, intensificando as tensões no Oriente Médio e impulsionando o petróleo ao maior nível em seis meses.

Esse movimento reacende preocupações inflacionárias e pressiona as bolsas globais. Paralelamente, o mercado japonês tem sido sustentado por fluxos estrangeiros consistentes após a vitória de Sanae Takaichi, enquanto o restante da Ásia exibe um quadro misto.

· 00:51 — O rali é real, mas o dinheiro é nervoso

No Brasil, a agenda da semana concentra-se em dados de emprego, em um momento em que o IBC-Br veio acima do esperado e, com isso, elevou a probabilidade de um corte mais parcimonioso de juros — possivelmente de apenas 25 pontos-base — na reunião do mês que vem.

Seja qual for o desfecho, o ponto central é que o fluxo segue presente. No primeiro pregão completo após o Carnaval, voltamos a ver o Ibovespa acima dos 188 mil pontos, com destaque para Petrobras — que respondeu bem à alta do petróleo — e para os bancos, que também contribuíram para sustentar o índice.

O investidor estrangeiro continua mostrando apetite por ativos emergentes, em linha com a rotação global de recursos que temos observado desde o ano passado. Mesmo após a valorização recente, ainda parece haver espaço para a continuidade do movimento. Mas aqui vale um alerta importante: não confunda “fluxo” com “tranquilidade”.

Uma parcela relevante desses recursos tem perfil mais tático e especulativo e, portanto, pode sair com a mesma velocidade com que entrou — especialmente à medida que a volatilidade ligada às eleições começar a ganhar corpo.

· 01:49 — Pressão do crédito

Nos Estados Unidos, a breve sequência de alta nas bolsas foi interrompida por uma combinação de fatores de risco: o Dow Jones caiu 0,5%, o S&P 500 recuou 0,3% e o Nasdaq perdeu 0,3%, enquanto o petróleo WTI avançou 1,9%, a US$ 66,43, após o presidente Donald Trump sinalizar que pode decidir sobre uma eventual ação contra o Irã nos próximos dias.

Ao mesmo tempo, a Blue Owl Capital suspendeu resgates em um fundo de crédito privado, provocando queda de cerca de 10% em suas ações e pressionando o setor financeiro, reacendendo temores sobre riscos no mercado de US$ 1,8 trilhão de crédito privado. O ambiente de aversão a risco também reflete a expectativa pela divulgação do PCE e do PIB dos EUA, marcados para hoje, que podem nivelar melhor as expectativas dos investidores para os próximos cortes de juros.

· 02:34 — Uma decisão fundamental

O mercado acompanhou com elevada expectativa a possibilidade de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) pelo presidente Trump para fundamentar parte relevante de sua política tarifária.

Embora, nas últimas semanas, temas tenham dividido as atenções, a decisão pode ser divulgada a qualquer momento e carrega potencial significativo de impacto sobre os mercados. Isso porque estão em jogo tarifas que respondem por aproximadamente US$ 130 bilhões em arrecadação. Ainda assim, apesar da retórica protecionista e da intensidade do debate político, o déficit comercial norte-americano mostrou pouca alteração: totalizou US$ 901,5 bilhões em 2025, praticamente em linha com os US$ 903,5 bilhões registrados em 2024.

Na prática, as tarifas modificaram a geografia do comércio exterior, mas não reduziram de forma relevante seu volume agregado. O déficit com a China recuou 31%, para US$ 202 bilhões, ao passo que aumentou com outros parceiros, como Taiwan, México e Vietnã — sinal de que parte das cadeias produtivas foi redirecionada. Paralelamente, estudos do Federal Reserve de Nova York indicam que cerca de 90% do custo das tarifas foi absorvido por empresas e consumidores americanos, segundo o qual companhias de médio porte triplicaram suas despesas tarifárias em 2025.

· 03:28 — A cúpula indiana

Na cúpula de IA em Nova Delhi, o primeiro-ministro Narendra Modi defendeu um modelo de inteligência artificial mais ético e atento ao Sul Global, buscando evitar que países emergentes se tornem apenas consumidores de tecnologia ou fornecedores de dados para EUA e China.

Em meio a alertas de lideranças como Sam Altman e Emmanuel Macron sobre regulação, uso por regimes autoritários e proteção de dados, a Índia já avança com regras mais rígidas, exigindo rastreabilidade e marcas d’água em conteúdos gerados por IA. Apoiado no peso de seu mercado de 1,4 bilhão de pessoas, Modi negocia contrapartidas com as big techs — estratégia que começa a render anúncios bilionários, como a parceria entre a OpenAI e o Grupo Tata para infraestrutura de grande escala no país.

· 04:17 — Instabilidade política

Nesta semana, o Peru voltou a mergulhar em instabilidade política com a destituição do presidente interino José Jerí após apenas quatro meses no cargo, elevando para oito o número de líderes que passaram pela presidência desde 2016.

José María Balcázar assume, agora, de forma interina até as eleições de abril, que devem indicar o próximo rumo do país. Como venho comentando com vocês há algum tempo, esse episódio é um bom lembrete de que, no quadro mais amplo dos mercados emergentes, 2026 tende a ser um ano eleitoralmente decisivo para emergentes — e capaz de influenciar políticas econômicas relevantes.

No Brasil, voltamos a um ambiente de polarização semelhante ao de 2022, em que lulismo e bolsonarismo disputam espaço sobretudo pela rejeição; na Colômbia, cresce a possibilidade de uma inflexão do pêndulo político em direção à direita, como já vimos em outros países da América do Sul; e, na Hungria, uma vitória da oposição poderia reaproximar o país da União Europeia e favorecer os ativos locais, enquanto a permanência de Viktor Orbán tende a manter a pressão e o ruído.

No próprio Peru, o cenário-base aponta para um candidato de centro-direita, em linha com a tendência regional, ainda que com restrições relevantes à agenda de reformas; já na África do Sul, eleições locais devem testar a coesão do governo de unidade, com risco de aumento de tensões políticas nos próximos meses.

· 05:02 — Parceria estrutural

A parceria estratégica plurianual entre Nvidia e Meta reforça, de maneira bastante clara, o compromisso das duas companhias com a expansão estrutural da inteligência artificial. A Meta sinaliza que sua ambição em IA será sustentada por uma infraestrutura de altíssimo desempenho, com a implantação de milhões de GPUs das famílias Blackwell e Rubin, além de CPUs e soluções avançadas de rede da Nvidia.

Na prática, é um movimento que aumenta a visibilidade de demanda para a Nvidia ao longo de várias gerações de produtos e, ao mesmo tempo, consolida a Meta como um dos principais polos globais de investimento em capacidade computacional — inclusive com aplicações tangíveis, como o uso de recursos de computação confidencial no WhatsApp para viabilizar funcionalidades de IA com mais privacidade.

Do ponto de vista estratégico, o acordo também reforça o…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.