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Investimentos

Ibovespa na semana: veja o que esperar dos primeiros pregões de junho após índice despencar 7% em maio

Mercado olha com entusiasmo para tecnologia e IA, preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e atenção à economia america. Leia mais.

Por Matheus Spiess

01 jun 2026, 10:21

Atualizado em 01 jun 2026, 10:21

trade ações bolsa mercado (1)

Imagem: iStock/ @phongphan5922

O início de junho mantém uma combinação já familiar para os mercados globais: entusiasmo com tecnologia e inteligência artificial, preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e atenção redobrada aos sinais emitidos pela economia americana. Apesar da retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, incluindo novos episódios militares próximos ao Estreito de Ormuz, investidores seguem relativamente confiantes de que as negociações para um acordo provisório continuarão avançando.

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Ainda assim, a falta de progresso concreto nas conversas mantém o petróleo pressionado, com o Brent voltando a se aproximar de US$ 94 por barril. Mesmo diante desse ambiente geopolítico mais delicado, Wall Street permanece nas máximas históricas, sustentada pelo desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial e pelo fluxo contínuo de capital direcionado ao setor. 

· 00:54 — Inflação piorando 

No Brasil, encerramos um mês particularmente desafiador para os ativos locais, marcado pela continuidade da saída de recursos estrangeiros e pela deterioração do humor dos investidores. O Ibovespa acumulou queda superior a 7% em maio, registrando o terceiro mês consecutivo de perdas e o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.

Agora, avançamos para a primeira semana de junho em um ritmo mais lento, devido ao feriado de Corpus Christi na quinta-feira, que manterá os mercados locais fechados. Antes disso, o destaque ficou por conta de mais uma rodada de deterioração das expectativas de inflação no Boletim Focus, divulgada logo após a divulgação de um PIB surpreendentemente forte na semana passada.

O crescimento veio ligeiramente acima do consenso de mercado e, mais importante, apresentou uma composição qualitativamente positiva, com destaque para a expansão da demanda privada, impulsionada por avanços robustos tanto dos investimentos quanto do consumo das famílias (a economia está com esteroides). 

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Paralelamente, o governo federal anunciou uma nova subvenção ao diesel de R$ 1,12 por litro, válida a partir de hoje por meio de medida provisória. A iniciativa substitui dois programas anteriores e busca mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis, poucos dias após a Petrobras reduzir em 9,59% o preço do diesel nas refinarias. Embora a medida contribua para aliviar parte das pressões de curto prazo sobre determinados índices de inflação, dificilmente será suficiente para alterar de forma relevante o quadro inflacionário mais amplo.

Em um ambiente de atividade econômica resiliente, expectativas de inflação em alta e mercado de trabalho ainda aquecido, o Banco Central continua encontrando pouco espaço para prosseguir com o ciclo de flexibilização monetária, reforçando a percepção de que uma pausa nos cortes de juros se torna cada vez mais provável nos próximos meses. 

· 01:42 — Impulso das máximas 

Os mercados americanos encerraram maio em forte alta, com os principais índices renovando máximas históricas e o Nasdaq registrando seu melhor desempenho acumulado em dois meses desde 2002. O movimento segue sustentado, principalmente, pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial, que continua impulsionando empresas de tecnologia e semicondutores, além de criar um ambiente mais favorável para IPOs e investimentos em infraestrutura digital.

Apesar da força dos índices, parte dos analistas chama atenção para a concentração do rali em poucos setores, especialmente tecnologia, enquanto diversas ações e segmentos mais ligados à economia tradicional seguem apresentando desempenho mais modesto. 

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Na agenda econômica, o foco dos investidores estará concentrado nos dados de atividade e mercado de trabalho dos Estados Unidos. O principal destaque será o relatório de emprego de maio, o payroll, com expectativa de criação de 93 mil vagas e taxa de desemprego estável em 4,3%.

Antes disso, o mercado acompanhará os PMIs de manufatura e serviços do ISM, os dados de vagas de emprego do JOLTS e a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve, em busca de sinais sobre o ritmo da economia e os próximos passos da política monetária. No campo corporativo, os resultados da Broadcom serão observados de perto para uma leitura sobre os investimentos em inteligência artificial, enquanto eventos como a Computex, em Taiwan, e a conferência Build, da Microsoft, devem trazer novos anúncios ligados a IA. 

· 02:33 — Três meses de conflito 

Três meses após o início do conflito, a relação entre Estados Unidos e Irã continua distante de uma resolução definitiva. Apesar das declarações iniciais de Washington sobre o enfraquecimento das capacidades militares iranianas, Teerã segue demonstrando capacidade de impor restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.

Autoridades americanas teriam passado a escoltar discretamente navios comerciais pela região, enquanto as negociações para um acordo permanecem marcadas por avanços e recuos. O presidente Donald Trump sinalizou recentemente um endurecimento das condições exigidas para qualquer entendimento, mantendo como prioridade impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Ao mesmo tempo, o governo iraniano insiste que continuará exercendo algum grau de controle sobre a navegação no estreito. 

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· 03:29 — Mais uma possível virada 

A eleição presidencial na Colômbia assumiu contornos de forte polarização após a surpreendente liderança de Abelardo de la Espriella no primeiro turno. Conhecido como “El Tigre”, o candidato de direita e sem trajetória política tradicional vai agora ao segundo turnos como favorito, defendendo uma agenda baseada na redução do tamanho do Estado, no endurecimento das políticas de segurança e em propostas que encontram paralelos com lideranças como Javier Milei, na Argentina, e Nayib Bukele, em El Salvador.

Do outro lado está Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, que busca preservar o legado do primeiro governo de esquerda da história colombiana. O resultado reflete uma tendência observada em diversas democracias latino-americanas, nas quais o descontentamento com o establishment político tem impulsionado candidaturas de perfil mais disruptivo (o famoso outsider). 

A segurança pública tornou-se o eixo central da disputa eleitoral no nosso continente. Após quatro anos de governo Petro, a política de “Paz Total”, baseada na ampliação das negociações com grupos armados, passou a enfrentar críticas crescentes diante do aumento da violência, dos sequestros, dos deslocamentos forçados e da expansão da produção de cocaína.

Nesse contexto, De la Espriella ganhou espaço ao defender uma estratégia mais rígida de combate ao crime organizado, enquanto Cepeda segue apostando na continuidade do modelo de diálogo e negociação, que parece não ecoar na maioria. A eleição colombiana acaba refletindo um fenômeno mais amplo que vem marcando a América Latina: o fortalecimento da polarização política, a crescente fragmentação do debate público e a disputa cada vez mais intensa entre projetos ideológicos distintos em um ambiente de elevada insatisfação social e econômica. Se confirmada, a eleição de Espriella é mais um exemplo de virada política na região. 

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· 04:15 — SoftBank e a nova hierarquia dos mercados 

A ascensão da inteligência artificial continua remodelando os mercados globais e redefinindo a hierarquia corporativa em diversos países. No Japão, o SoftBank ultrapassou a Toyota e se tornou a empresa mais valiosa do país, impulsionado pela forte valorização de suas ações e pelo crescente entusiasmo dos investidores com ativos ligados à inteligência artificial.

Parte desse movimento reflete as expectativas em torno de um possível IPO da OpenAI, da qual o grupo possui participação relevante, além dos ambiciosos planos de investimento em infraestrutura para IA, incluindo a construção de até 5 gigawatts de capacidade de data centers na França. O episódio reforça como a corrida global por poder computacional e infraestrutura digital vem se consolidando como um dos principais vetores de geração de valor nos mercados. 

Ao mesmo tempo, essa mudança de liderança ilustra o contraste cada vez mais evidente entre a nova economia digital e setores mais tradicionais da economia global. Enquanto o SoftBank se beneficia diretamente da expansão da inteligência artificial, a Toyota enfrenta desafios relacionados às interrupções nas cadeias globais de suprimentos, agravadas pelas recentes tensões no Oriente Médio. Ainda assim, a trajetória do conglomerado japonês não está isenta de riscos.

Crescem dentro da própria companhia questionamentos sobre o elevado grau de concentração de capital na OpenAI e sobre a dependência crescente do sucesso de uma única empresa em um setor que permanece altamente competitivo, dinâmico e sujeito a rápidas transformações tecnológicas. Em outras palavras, embora a inteligência artificial continue impulsionando valorizações, a sustentabilidade dessas apostas seguirá sendo um dos principais temas de debate entre investidores nos próximos anos. 

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· 05:07 — Sem energia, não existe inteligência artificial 

A crescente demanda por eletricidade impulsionada pela expansão dos data centers e pelo avanço da inteligência artificial continua fortalecendo a tese de investimento no setor de geração de energia. Nos Estados Unidos, empresas como NextEra e Constellation Energy avançam em projetos de reativação e expansão da capacidade nuclear, enquanto gigantes de tecnologia como Amazon, Meta, Microsoft e Google ampliam contratos de longo prazo para garantir o fornecimento de energia limpa necessário para sustentar o crescimento de suas operações. 

Esse movimento reforça a percepção de que tanto a energia nuclear quanto as fontes renováveis deverão desempenhar papel central na próxima etapa de expansão da infraestrutura digital global, criando oportunidades relevantes para empresas posicionadas nesses segmentos e evidenciando como a inteligência artificial está se consolidando como um importante vetor estrutural de demanda por energia nas próximas décadas. 

Nesse contexto, instrumentos como os ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e Global X Uranium ETF (URA), já recomendados neste espaço, continuam sendo alternativas relevantes para investidores que desejam capturar essa tendência de longo prazo. No mercado brasileiro, o BDR BURA39 desempenha função semelhante ao oferecer exposição ao tema por meio da B3. 

Ainda assim, por se tratar de uma tese com elevada volatilidade e forte componente temático, entendemos que exposições mais moderadas, tipicamente de até 1% do portfólio, tendem a ser suficientes para capturar seu potencial sem comprometer o equilíbrio geral da carteira. Como sempre, permanecem válidos os princípios fundamentais da boa alocação: respeitar o perfil de risco, manter uma diversificação adequada e construir um portfólio capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com consistência e disciplina. 

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.