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Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira, com as ações de tecnologia e inteligência artificial oferecendo sustentação às bolsas, enquanto a inflação mais branda nos Estados Unidos ajuda a aliviar parte das preocupações em relação aos próximos passos do Federal Reserve.
O principal destaque vem da Ásia, especialmente da Coreia do Sul. No Japão, o Nikkei também avançou, enquanto China e Hong Kong encerraram o pregão no campo negativo. Na Europa, os índices operam de forma mista, refletindo uma combinação de dados econômicos relativamente resilientes, como o crescimento de 0,4% do PIB britânico no segundo trimestre, e novas pressões inflacionárias, como a aceleração do CPI espanhol para 3,6%.
Nos Estados Unidos, os futuros avançam moderadamente antes da divulgação do PPI, que será importante para calibrar as expectativas de juros após o alívio proporcionado pelo CPI. A geopolítica, porém, continua sendo uma fonte relevante de risco. O impasse entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz permanece sem avanços significativos, enquanto Washington volta a intensificar a pressão econômica sobre Teerã.
· 00:56 — Atividade levemente mais forte
No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, acumulando a sétima sessão consecutiva de perdas e a pior sequência em cerca de um ano. A pressão continua vindo principalmente da redução da exposição de investidores estrangeiros aos ativos brasileiros, em meio ao aumento da cautela com o processo eleitoral e seus possíveis desdobramentos fiscais.
Mais de R$ 7 bilhões deixaram a bolsa em agosto até o dia 10, enquanto bancos e Petrobras figuraram entre as principais contribuições negativas para o índice. O dólar também avançou, aproximando-se de R$ 5,18, refletindo tanto o fortalecimento global da moeda americana quanto a deterioração do humor doméstico e os relatos de maior demanda de investidores estrangeiros por proteção.
No campo macroeconômico, os dados recentes ainda apontam para uma perda gradual de fôlego da atividade. A Pesquisa Mensal de Serviços avançou 0,4% no segundo trimestre, mas mostrou sinais de enfraquecimento no encerramento do período e deixou um carregamento praticamente nulo para o terceiro trimestre, enquanto os serviços prestados às famílias apresentaram desempenho mais fraco na margem. A Pesquisa Mensal do Comércio de junho, por sua vez, surpreendeu na direção oposta, registrando aceleração em relação ao mês anterior e desempenho acima das expectativas.
Ainda assim, mantemos a perspectiva de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, embora a proximidade das eleições, os riscos fiscais e a saída de capital estrangeiro continuem limitando uma recuperação mais consistente dos ativos domésticos.
· 01:42 — Inflação alivia, mas o Fed ainda não está livre para cortar
Nos Estados Unidos, Wall Street encerrou a sessão anterior em leve alta, apoiada por uma leitura considerada benigna do CPI de julho e por resultados positivos de empresas ligadas à inteligência artificial. A inflação ao consumidor registrou alta de 0,1% no mês e de 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% na comparação mensal e 2,5% na anual, reforçando a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro.
Ainda assim, a composição do indicador não confirmou um processo de desinflação disseminado, uma vez que os preços de bens mostraram alguma pressão e parte do alívio observado nos serviços esteve concentrada em componentes mais voláteis. Nesse contexto, as atenções se voltam agora para o PPI de julho, especialmente para os componentes que entram diretamente no cálculo do núcleo do PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Fed, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego e das falas de Beth Hammack e Tom Barkin.
O pano de fundo fiscal também vem ganhando relevância crescente. O governo americano registrou déficit de US$ 432 bilhões em julho, recorde para o mês, elevando o rombo acumulado nos dez primeiros meses do ano fiscal para US$ 1,799 trilhão, valor superior ao registrado em todo o ano de 2025. Esse cenário ajuda a explicar por que, apesar do alívio observado na ponta curta da curva dos Treasuries após a divulgação do CPI, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo continuam pressionados.
Assim, embora os dados de inflação tenham reduzido a urgência de uma nova alta de juros em setembro, a decisão do Federal Reserve permanece em aberto e dependerá das próximas leituras de PPI, PCE, CPI e payroll, além das sinalizações que surgirem durante o simpósio de Jackson Hole.
· 02:34 — Sem perspectiva
A disputa em torno do Estreito de Ormuz permanece sem solução, com Estados Unidos e Irã trocando acusações sobre o descumprimento das condições acordadas anteriormente e reivindicando controle sobre uma das principais rotas globais de petróleo e gás. O número de travessias caiu para o menor nível em três semanas, enquanto Teerã mantém a reabertura condicionada ao fim do bloqueio a seus portos, à suspensão das sanções e a outras concessões por parte de Washington.
Diante da perspectiva de um conflito prolongado e intermitente, ganha força a expectativa de que o Brent permaneça na faixa intermediária de US$ 80 por barril ao longo do restante de 2026. Ainda assim, os preços podem recuar gradualmente à medida que os exportadores ampliem rotas alternativas, os estoques globais elevados ajudem a amortecer o choque de oferta e a demanda chinesa permaneça moderada.
Ao mesmo tempo, a crise vem acelerando uma reorganização estrutural das rotas energéticas. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão expandindo oleodutos capazes de reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, enquanto a China avalia alternativas como a Rota do Mar do Norte. Apesar desses esforços, os riscos continuam elevados: a Agência Internacional de Energia (AIE) estima um déficit global de 1,8 milhão de barris por dia neste trimestre, mais que o dobro do projetado anteriormente, enquanto o Irã vem sinalizando preparação para um confronto prolongado.
A retomada das tensões também começa a produzir efeitos em outras frentes, com novas pressões sobre energia, fertilizantes e preços globais de alimentos, revertendo parte da tendência desinflacionária observada nos meses anteriores.
· 03:28 — Transformação econômica
As importações chinesas evidenciam como a inteligência artificial vem assumindo um papel cada vez mais relevante na transformação econômica do país. Bens ligados ao ecossistema de IA, como semicondutores, computadores, equipamentos de armazenamento e redes, processadores e chips de memória, responderam por quase metade do crescimento recente das importações, refletindo a forte integração das empresas chinesas às cadeias globais de tecnologia.
Em contraste, as importações de energia, mais diretamente relacionadas à dinâmica da economia doméstica, seguem em queda em valor na comparação anual, mesmo diante dos choques recentes de preços e oferta provocados pelas tensões no Oriente Médio.
Esse avanço, no entanto, traz consigo um desafio relevante: a disponibilidade de energia. Os provedores chineses de serviços de dados já consomem 45% mais eletricidade do que há um ano, ritmo muito superior ao crescimento de 6,9% do consumo nacional, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura elétrica e torna mais complexos os esforços de descarbonização.
Embora fontes como carvão, gás natural e energia solar permitam expandir a capacidade de geração com maior rapidez, os centros de dados exigem fornecimento contínuo e confiável. Ao mesmo tempo, grande parte do potencial de geração de energia limpa está localizada longe dos principais polos tecnológicos do país, como Guangdong, Jiangsu, Zhejiang, Xangai e Pequim, criando um desafio adicional para sustentar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
· 04:15 — Postura firme
No Japão, cresce a expectativa de que o Banco do Japão adote uma postura mais firme para conter a fraqueza persistente do iene. O governo de Sanae Takaichi estaria mais receptivo a uma alta de juros já em setembro ou outubro, em sintonia com a preocupação do BOJ de que a desvalorização cambial alimente a inflação e com o esforço conjunto de Japão e Estados Unidos para sustentar a moeda.
O desafio é que um aperto monetário mais rápido pode pressionar uma economia ainda frágil, especialmente diante da queda dos gastos das famílias, obrigando governo e banco central a equilibrar estabilidade cambial e preservação do crescimento.
Na Ásia, o desempenho das ações de tecnologia segue bastante desigual. O Kospi acumula forte recuperação desde a mínima de julho, apoiado pela retomada do entusiasmo com empresas de hardware ligadas à inteligência artificial e pela continuidade dos elevados investimentos das Big Techs.
Na China, a Lenovo disparou após reportar crescimento de 43% na receita trimestral, reforçando o otimismo com a demanda associada à IA. Em sentido oposto, a Tencent caiu após mais que dobrar seus gastos com inteligência artificial, evidenciando que a corrida tecnológica também vem acompanhada de custos crescentes e maior pressão sobre a rentabilidade no curto prazo.
· 05:09 — Crescimento, rentabilidade e valuation atrativo
A Direcional (DIRR3) entregou mais um trimestre robusto no 2T26, reforçando a consistência operacional observada nos últimos períodos. Os lançamentos somaram R$ 2,1 bilhões em VGV, alta de 8% em relação ao 2T25 e mais que o dobro do volume do trimestre anterior, enquanto as vendas líquidas alcançaram R$ 1,65 bilhão, praticamente estáveis na comparação anual e 5% acima do 1T26.
Na demonstração financeira, a receita líquida atingiu recorde de R$ 1,28 bilhão, avanço de 20% em 12 meses, e chegou a R$ 1,60 bilhão quando consideradas também as SPEs não consolidadas. A rentabilidade permaneceu elevada, com margem bruta ajustada de 42,8%, 110 pontos-base acima do ano anterior, enquanto a receita a apropriar cresceu 21%, para R$ 4,1 bilhões, oferecendo boa visibilidade para os próximos trimestres.
Mesmo com o aumento das despesas comerciais, o EBITDA ajustado avançou 27%, para R$ 348 milhões, com margem de 27,2%, e o lucro líquido operacional cresceu 10%, para R$ 202 milhões. O ROE anualizado de 35% continua colocando a Direcional entre as companhias mais rentáveis do setor.
A qualidade do trimestre também aparece na geração de caixa e na evolução da estrutura de capital. A companhia gerou R$ 130 milhões em caixa no período e, mesmo excluindo cessões de recebíveis, operações societárias e efeitos ligados aos repasses da Caixa Econômica Federal, apresentou geração operacional positiva de R$ 80 milhões. Com isso, a dívida líquida recuou para R$ 492 milhões, equivalente a apenas 18% do patrimônio líquido.
Em nossa leitura, os números reforçam uma tese construtiva para DIRR3, sustentada por crescimento, margens elevadas, alta rentabilidade e desalavancagem. Após a pressão recente sobre as ações, o anúncio de um programa de recompra de até 32 milhões de papéis também sinaliza confiança da administração na geração de valor. Negociando a cerca de 5,5 vezes o lucro projetado para o próximo ano, DIRR3 permanece com valuation atrativo diante da qualidade operacional apresentada e do potencial de continuidade dos resultados.