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Investimentos

Ibovespa sente pressão pela saída de capital estrangeiro, enquanto CPI dos EUA mostra alívio na inflação; veja destaques desta quinta (13)

Mais de R$ 7 bilhões deixaram a bolsa brasileira em agosto, em meio a cautela com o processo eleitoral. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

13 ago 2026, 10:20

Atualizado em 13 ago 2026, 10:20

dinheiro investimentos mercados bolsa

Imagem: iStock/ @Muharrem huner

Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira, com as ações de tecnologia e inteligência artificial oferecendo sustentação às bolsas, enquanto a inflação mais branda nos Estados Unidos ajuda a aliviar parte das preocupações em relação aos próximos passos do Federal Reserve.

O principal destaque vem da Ásia, especialmente da Coreia do Sul. No Japão, o Nikkei também avançou, enquanto China e Hong Kong encerraram o pregão no campo negativo. Na Europa, os índices operam de forma mista, refletindo uma combinação de dados econômicos relativamente resilientes, como o crescimento de 0,4% do PIB britânico no segundo trimestre, e novas pressões inflacionárias, como a aceleração do CPI espanhol para 3,6%.

Nos Estados Unidos, os futuros avançam moderadamente antes da divulgação do PPI, que será importante para calibrar as expectativas de juros após o alívio proporcionado pelo CPI. A geopolítica, porém, continua sendo uma fonte relevante de risco. O impasse entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz permanece sem avanços significativos, enquanto Washington volta a intensificar a pressão econômica sobre Teerã.

· 00:56 — Atividade levemente mais forte

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, acumulando a sétima sessão consecutiva de perdas e a pior sequência em cerca de um ano. A pressão continua vindo principalmente da redução da exposição de investidores estrangeiros aos ativos brasileiros, em meio ao aumento da cautela com o processo eleitoral e seus possíveis desdobramentos fiscais.

Mais de R$ 7 bilhões deixaram a bolsa em agosto até o dia 10, enquanto bancos e Petrobras figuraram entre as principais contribuições negativas para o índice. O dólar também avançou, aproximando-se de R$ 5,18, refletindo tanto o fortalecimento global da moeda americana quanto a deterioração do humor doméstico e os relatos de maior demanda de investidores estrangeiros por proteção.

No campo macroeconômico, os dados recentes ainda apontam para uma perda gradual de fôlego da atividade. A Pesquisa Mensal de Serviços avançou 0,4% no segundo trimestre, mas mostrou sinais de enfraquecimento no encerramento do período e deixou um carregamento praticamente nulo para o terceiro trimestre, enquanto os serviços prestados às famílias apresentaram desempenho mais fraco na margem. A Pesquisa Mensal do Comércio de junho, por sua vez, surpreendeu na direção oposta, registrando aceleração em relação ao mês anterior e desempenho acima das expectativas.

Ainda assim, mantemos a perspectiva de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, embora a proximidade das eleições, os riscos fiscais e a saída de capital estrangeiro continuem limitando uma recuperação mais consistente dos ativos domésticos.

· 01:42 — Inflação alivia, mas o Fed ainda não está livre para cortar

Nos Estados Unidos, Wall Street encerrou a sessão anterior em leve alta, apoiada por uma leitura considerada benigna do CPI de julho e por resultados positivos de empresas ligadas à inteligência artificial. A inflação ao consumidor registrou alta de 0,1% no mês e de 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% na comparação mensal e 2,5% na anual, reforçando a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro.

Ainda assim, a composição do indicador não confirmou um processo de desinflação disseminado, uma vez que os preços de bens mostraram alguma pressão e parte do alívio observado nos serviços esteve concentrada em componentes mais voláteis. Nesse contexto, as atenções se voltam agora para o PPI de julho, especialmente para os componentes que entram diretamente no cálculo do núcleo do PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Fed, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego e das falas de Beth Hammack e Tom Barkin.

O pano de fundo fiscal também vem ganhando relevância crescente. O governo americano registrou déficit de US$ 432 bilhões em julho, recorde para o mês, elevando o rombo acumulado nos dez primeiros meses do ano fiscal para US$ 1,799 trilhão, valor superior ao registrado em todo o ano de 2025. Esse cenário ajuda a explicar por que, apesar do alívio observado na ponta curta da curva dos Treasuries após a divulgação do CPI, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo continuam pressionados.

Assim, embora os dados de inflação tenham reduzido a urgência de uma nova alta de juros em setembro, a decisão do Federal Reserve permanece em aberto e dependerá das próximas leituras de PPI, PCE, CPI e payroll, além das sinalizações que surgirem durante o simpósio de Jackson Hole.

· 02:34 — Sem perspectiva

A disputa em torno do Estreito de Ormuz permanece sem solução, com Estados Unidos e Irã trocando acusações sobre o descumprimento das condições acordadas anteriormente e reivindicando controle sobre uma das principais rotas globais de petróleo e gás. O número de travessias caiu para o menor nível em três semanas, enquanto Teerã mantém a reabertura condicionada ao fim do bloqueio a seus portos, à suspensão das sanções e a outras concessões por parte de Washington.

Diante da perspectiva de um conflito prolongado e intermitente, ganha força a expectativa de que o Brent permaneça na faixa intermediária de US$ 80 por barril ao longo do restante de 2026. Ainda assim, os preços podem recuar gradualmente à medida que os exportadores ampliem rotas alternativas, os estoques globais elevados ajudem a amortecer o choque de oferta e a demanda chinesa permaneça moderada.

Ao mesmo tempo, a crise vem acelerando uma reorganização estrutural das rotas energéticas. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão expandindo oleodutos capazes de reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, enquanto a China avalia alternativas como a Rota do Mar do Norte. Apesar desses esforços, os riscos continuam elevados: a Agência Internacional de Energia (AIE) estima um déficit global de 1,8 milhão de barris por dia neste trimestre, mais que o dobro do projetado anteriormente, enquanto o Irã vem sinalizando preparação para um confronto prolongado.

A retomada das tensões também começa a produzir efeitos em outras frentes, com novas pressões sobre energia, fertilizantes e preços globais de alimentos, revertendo parte da tendência desinflacionária observada nos meses anteriores.

· 03:28 — Transformação econômica

As importações chinesas evidenciam como a inteligência artificial vem assumindo um papel cada vez mais relevante na transformação econômica do país. Bens ligados ao ecossistema de IA, como semicondutores, computadores, equipamentos de armazenamento e redes, processadores e chips de memória, responderam por quase metade do crescimento recente das importações, refletindo a forte integração das empresas chinesas às cadeias globais de tecnologia.

Em contraste, as importações de energia, mais diretamente relacionadas à dinâmica da economia doméstica, seguem em queda em valor na comparação anual, mesmo diante dos choques recentes de preços e oferta provocados pelas tensões no Oriente Médio.

Esse avanço, no entanto, traz consigo um desafio relevante: a disponibilidade de energia. Os provedores chineses de serviços de dados já consomem 45% mais eletricidade do que há um ano, ritmo muito superior ao crescimento de 6,9% do consumo nacional, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura elétrica e torna mais complexos os esforços de descarbonização.

Embora fontes como carvão, gás natural e energia solar permitam expandir a capacidade de geração com maior rapidez, os centros de dados exigem fornecimento contínuo e confiável. Ao mesmo tempo, grande parte do potencial de geração de energia limpa está localizada longe dos principais polos tecnológicos do país, como Guangdong, Jiangsu, Zhejiang, Xangai e Pequim, criando um desafio adicional para sustentar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

· 04:15 — Postura firme

No Japão, cresce a expectativa de que o Banco do Japão adote uma postura mais firme para conter a fraqueza persistente do iene. O governo de Sanae Takaichi estaria mais receptivo a uma alta de juros já em setembro ou outubro, em sintonia com a preocupação do BOJ de que a desvalorização cambial alimente a inflação e com o esforço conjunto de Japão e Estados Unidos para sustentar a moeda.

O desafio é que um aperto monetário mais rápido pode pressionar uma economia ainda frágil, especialmente diante da queda dos gastos das famílias, obrigando governo e banco central a equilibrar estabilidade cambial e preservação do crescimento.

Na Ásia, o desempenho das ações de tecnologia segue bastante desigual. O Kospi acumula forte recuperação desde a mínima de julho, apoiado pela retomada do entusiasmo com empresas de hardware ligadas à inteligência artificial e pela continuidade dos elevados investimentos das Big Techs.

Na China, a Lenovo disparou após reportar crescimento de 43% na receita trimestral, reforçando o otimismo com a demanda associada à IA. Em sentido oposto, a Tencent caiu após mais que dobrar seus gastos com inteligência artificial, evidenciando que a corrida tecnológica também vem acompanhada de custos crescentes e maior pressão sobre a rentabilidade no curto prazo.

· 05:09 — Crescimento, rentabilidade e valuation atrativo

A Direcional (DIRR3) entregou mais um trimestre robusto no 2T26, reforçando a consistência operacional observada nos últimos períodos. Os lançamentos somaram R$ 2,1 bilhões em VGV, alta de 8% em relação ao 2T25 e mais que o dobro do volume do trimestre anterior, enquanto as vendas líquidas alcançaram R$ 1,65 bilhão, praticamente estáveis na comparação anual e 5% acima do 1T26.

Na demonstração financeira, a receita líquida atingiu recorde de R$ 1,28 bilhão, avanço de 20% em 12 meses, e chegou a R$ 1,60 bilhão quando consideradas também as SPEs não consolidadas. A rentabilidade permaneceu elevada, com margem bruta ajustada de 42,8%, 110 pontos-base acima do ano anterior, enquanto a receita a apropriar cresceu 21%, para R$ 4,1 bilhões, oferecendo boa visibilidade para os próximos trimestres.

Mesmo com o aumento das despesas comerciais, o EBITDA ajustado avançou 27%, para R$ 348 milhões, com margem de 27,2%, e o lucro líquido operacional cresceu 10%, para R$ 202 milhões. O ROE anualizado de 35% continua colocando a Direcional entre as companhias mais rentáveis do setor.

A qualidade do trimestre também aparece na geração de caixa e na evolução da estrutura de capital. A companhia gerou R$ 130 milhões em caixa no período e, mesmo excluindo cessões de recebíveis, operações societárias e efeitos ligados aos repasses da Caixa Econômica Federal, apresentou geração operacional positiva de R$ 80 milhões. Com isso, a dívida líquida recuou para R$ 492 milhões, equivalente a apenas 18% do patrimônio líquido.

Em nossa leitura, os números reforçam uma tese construtiva para DIRR3, sustentada por crescimento, margens elevadas, alta rentabilidade e desalavancagem. Após a pressão recente sobre as ações, o anúncio de um programa de recompra de até 32 milhões de papéis também sinaliza confiança da administração na geração de valor. Negociando a cerca de 5,5 vezes o lucro projetado para o próximo ano, DIRR3 permanece com valuation atrativo diante da qualidade operacional apresentada e do potencial de continuidade dos resultados.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.