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Investimentos

Ibovespa aguarda 1º turno das eleições, payroll dos EUA no radar do mercado e pressão fiscal na França; veja destaques desta sexta (2)

O resultado das eleições altera as expectativas para Congresso, trajetória fiscal, dívida e política econômica a partir de 2027

Por Caio Araújo

02 out 2026, 10:02

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Atualizado em 02 out 2026, 10:03

eleições 2026 brasil economia investimentos bolsa ibovespa

Imagem: iStock / @Gilnature

Chegamos à sexta-feira com bastante coisa para acompanhar — e não apenas por aqui.

Nos Estados Unidos, o payroll pode ajudar a definir o tom para a próxima reunião do Fed, enquanto o petróleo mantém a inflação no radar. Do outro lado do Atlântico, a França virou mais um exemplo de como dívida, déficit e política voltaram a ocupar espaço relevante nas telas.

No Brasil, o calendário fala mais alto. Esta é a última sessão antes do primeiro turno, marcado para domingo.

01:00 – Payroll no radar

Os mercados chegam à sexta-feira em compasso de espera pelo payroll americano. O consenso aponta uma desaceleração relevante na criação de vagas em setembro, para algo próximo de 81 mil postos, depois do número forte de agosto.

Uma eventual alta do desemprego seria um ponto importante para a decisão do Fed na reunião de outubro.

Enquanto isso, os preços da energia seguem em escalada. Com a hipótese de uma nova ofensiva de grande escala contra o Irã de volta à mesa, o Brent para dezembro fechou a quinta-feira em alta de 4,4%, a US$ 102,3. Pela manhã, as cotações apontam para certo alívio.

01:40 – Atenção para a França

Na Europa, a França virou o principal foco de estresse, com investidores cada vez mais atentos à combinação entre déficit elevado, dívida crescente e dificuldade política para implementar um ajuste fiscal.

O rendimento dos títulos franceses de dez anos chegou aos maiores níveis desde 2008. O governo apresentou um orçamento para 2027 com cortes de gastos e aumento de receitas, mas o calendário político do próximo ano adiciona uma camada extra de incerteza.

É mais um lembrete de que, em um mundo de juros elevados, o fiscal voltou a ser preço de mercado. Hoje, a França é o exemplo mais evidente dessa sensibilidade.

02:15 – Brasil na véspera

O Brasil atravessa a última sessão antes do primeiro turno com os ativos em alta. A Bolsa aproveitou o rali do petróleo, puxada pela Petrobras, e rompeu os 187 mil pontos.

Ao longo de setembro, o investidor estrangeiro voltou a comprar ativos brasileiros, com saldo próximo de R$ 9 bilhões.

A proximidade da votação naturalmente aumenta a sensibilidade dos preços. O que está em jogo para o mercado não é apenas a ordem de chegada no domingo, mas como o resultado altera as expectativas para Congresso, trajetória fiscal, dívida e política econômica a partir de 2027.

03:40 – Fim da greve dá algum alívio às incorporadoras

Depois de quase três semanas de paralisação, a greve dos funcionários da Caixa chegou ao fim. O TST determinou o retorno imediato ao trabalho, e o banco retomou integralmente o funcionamento das agências nesta quarta-feira. O movimento remove um dos principais ruídos recentes para o mercado de baixa renda.

Durante a paralisação, alguns mecanismos importantes foram interrompidos, em especial o repasse, que tem efeito direto sobre a geração de caixa das companhias.

Além disso, a CEF já vinha adotando critérios mais rígidos na concessão de financiamentos, provocando desaceleração das vendas e potencial aumento dos distratos.

Embora a greve tenha “manchado” o terceiro trimestre, com o retorno dos funcionários, a tendência é de normalização dessa esteira e de transferência de parte dos recebimentos atrasados para o quarto trimestre.

Para as incorporadoras listadas mais expostas ao segmento econômico, o fim da greve elimina um problema operacional importante no curto prazo.

05:03 – Uma operação para o primeiro turno

Às vésperas do primeiro turno, a eleição chega mais aberta do que parecia alguns meses atrás. O incumbente ainda aparece à frente em alguns levantamentos, enquanto a oposição reduziu a distância e figura em empate técnico em outros.

Para o mercado, o foco começa a migrar da simples ordem das pesquisas para o que o resultado pode significar para Congresso, trajetória fiscal, dívida, juros longos, câmbio e custo de capital.

Com os dois principais candidatos concentrando grande parte das intenções de voto, a reta final ganha importância. Abstenção, voto útil e a eventual migração de eleitores de candidaturas menores podem alterar não apenas a ordem de chegada, mas também a leitura sobre o segundo turno.

Para os ativos, o principal canal de transmissão continua sendo o fiscal. Um resultado que leve os investidores a revisar suas expectativas sobre a política econômica pode provocar uma rápida reprecificação de Bolsa, juros e câmbio, mesmo antes de a eleição estar definida.

A importância da agenda fiscal para a percepção dos investidores sobre o Brasil também aparece nas avaliações de gestores internacionais.

Por isso, a leitura de domingo será menos sobre “acertar o vencedor” e mais sobre entender como o mercado passa a atribuir peso aos diferentes cenários econômicos para 2027. De acordo com estudo do BTG, o histórico aponta para pregões favoráveis após primeiros turnos anteriores.

E, aproveitando esse ambiente de maior volatilidade, ainda nesta manhã enviaremos uma nova operação no Empiricus+, estruturada justamente para explorar uma possível reprecificação dos ativos domésticos. Confira em sua área logada!

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.