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Investimentos

Nvidia (NVDC34): mesmo gigante, ainda continua surpreendendo os mercados com salto de 140% no lucro por ação; confira

Mesmo com resultados acima do consenso e crescimento de 2.400% nos dividendos, reação ao trimestre da Nvidia foi mais contido

Por Enzo Pacheco, CFA

21 maio 2026, 11:27

Atualizado em 21 maio 2026, 11:47

Nvidia (NVDA/NVDC34) mercado

Imagem: Divulgação/Nvidia

Ontem, quarta-feira (20), após o fechamento do pregão, a Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA) reportou os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 (encerrado em abril).

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Dado a importância da companhia (dona do posto de empresa mais valiosa do mundo), não é de se surpreender que os investidores estavam ansiosos para ver os números e como eles poderiam ditar os humores dos mercados.

E mais uma vez ela conseguiu surpreender os analistas, divulgando resultados melhores do que o esperado.

Confira os números da Nvidia (NVDC34) no trimestre

No período a receita reportada foi de US$ 81,615 bilhões, 85% maior comparado ao mesmo período do ano anterior. Interessante notar que é o quarto trimestre consecutivo de aceleração nas vendas da companhia.

Quando analisado por segmento, a parte de Compute & Networking acumulou US$ 74,550 bilhões, crescimento de 88% na comparação anual. Já a frente de Graphics totalizou US$ 7,065 bilhões (+58% vs. 1T26).

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A companhia alterou a forma de reportar as vendas por plataforma de mercado

Antes ela abriu o faturamento por Data Center (dos quais, divididos em Compute e Networking), Gaming, Visualização Profissional, Automotivo e Outros.

Contudo, a companhia se tornou a metonímia quando o assunto é IA. Assim, a direção entendeu que faz mais sentido dividir sua receita por plataforma em dois grupos: Data Center e Edge Computing.

Nesta nova divisão, a parte de Data Center reportou vendas de US$ 75,246 bilhões, aumento de 92% na comparação anual, sendo US$ 37,869 bilhões (+115% vs. 1T26) proveniente dos Hyperscalers (as grandes provedoras de computação em nuvem, como Amazon, Microsoft e Alphabet) e US$37,377 bilhões (+74%) da parte AI Clouds, Industrial, & Enterprise.

Já a plataforma de Edge Computing (que compreende dispositivos para IA física e agêntica, incluindo PCs, games, automotivo, robótica, entre outros) apresentou receita de US$ 6,369 bilhões. O valor foi 29% maior ante o mesmo trimestre do ano passado.

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A alta demanda por seus produtos somado ao mix de preços favorável a companhia permitiu a companhia reportar uma margem bruta ajustada de 75%. Ou seja, 14,2 pontos percentuais maior do que o divulgado um ano atrás.

Desaceleração nas vendas para a China

Entretanto, importante salientar que o número do 1T26 foi impactado negativamente com a proibição da venda de chips para a China. Por conta disto, a companhia precisou reconhecer uma baixa contábil de mais de US$4 bilhões naquele período.

Tanto que, quando comparado com o trimestre imediatamente anterior (4T26), a margem bruta permaneceu praticamente estável (-0,1 p.p.).

Aliado a bom controle das despesas operacionais, que expandiram em menor magnitude comparado à receita, a empresa reportou um lucro operacional ajustado de US$ 53,783 bilhões. Isto representa um crescimento de 147% em relação a um ano atrás.

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Na linha final de resultado, o lucro líquido ajustado no trimestre foi de US$ 45,548 bilhões (o equivalente a uma margem líquida de quase 60%), ou US$1,87 por ação, valor 140% maior na comparação anual.

Nvidia (NVDC34) também supreendeu no guidance para o segundo trimestre

Além dos números acima do esperado pelos analistas, a direção também surpreendeu com projeções melhores do que as expectativas para o segundo trimestre do ano fiscal de 2027. A companhia espera divulgar receitas próximas dos US$ 91 bilhões, quase US$4 bilhões acima do consenso e o que representaria um crescimento de quase 95% em relação ao 2T26.

Importante salientar que esse valor ainda não considera a retomada de vendas de chips para a China. Assim, a empresa a reportar um crescimento ainda maior caso isso aconteça nos próximos meses. Além disso, a empresa espera manter sua margem bruta ajustada nos 75%, demonstrando um forte poder de barganha da companhia ante seus clientes.

Um aumento de 2.400% nos dividendos

Por último, mas não menos importante, a companhia reforçou a intenção de remunerar seus acionistas, com o aumento no dividendo (que passou de US$0,01/ação para US$0,25/ação). Há também um plano adicional de recompra de ações no valor de US$ 80 bilhões.

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Dentre os diversos pontos positivos do resultado, a mudança na forma de divulgação dos números é um que pode amenizar as preocupações de parte dos investidores com a tese.

Isso porque a abertura das vendas voltadas para Data Centers entre Hyperscalers e AI Cloud, Industrial & Enterprise busca mostrar que a demanda não está concentrada apenas nas Big Techs (apesar de ainda representarem metade das vendas dessa linha de negócio).

Contudo, ainda que o crescimento anual tenha sido maior no primeiro grupo (+115% vs. 74% ante o 1T26), quando analisado o trimestre imediatamente anterior o momento está mais focado no segundo (31% vs. 12% ante o 4T26), mostrando que outras empresas e indústrias estão buscando as soluções da companhia.

Outro ponto importante foi que durante a teleconferência com os analistas a diretoria reiterou a confiança de que conseguirão suprir toda esta demanda crescente, com o objetivo de vendas de US$ 1 trilhão entre 2025 e 2027 mantido. Para a companhia, a expectativa é de que o capex anual voltado a IA fique entre US$3 trilhões e US$4 trilhões até o final da década.

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Mesmo com o resultado surpreendente, a reação do mercado foi ‘discreta’

Apesar dos números extremamente positivos, a forte alta no papel desde o final de março (ganhos de mais de 30%) parece ter contido a animação dos investidores, com a ação estável na abertura dos mercados dessa quinta.

Contudo, considerando os números divulgados, a ação segue negociando na casa das 25 vezes seus lucros projetados para o ano, levemente acima do nível do mercado (com o S&P 500 na 22 vezes P/L projetado), mas com um perfil de crescimento e rentabilidade muito melhor do que a média das empresas do índice.

Dessa forma, mesmo com um valor de mercado de US$5,4 trilhões, entendo que a ação da Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA) segue em patamares atrativos para os investidores interessados em diversificar seus portfólios — sendo uma das principais ideias nas séries internacionais aqui da Empiricus.

Administrador pela Universidade Federal do Espírito Santo com pós-graduação em Operador de Mercado Financeiro pela FIA, Enzo Pacheco atua desde 2017 com análise de investimentos nos mercados internacionais. Hoje, é responsável pela série MoneyBets, voltada para os investidores brasileiros que querem expandir as fronteiras dos seus portfólios. Possui certificações CFA e CNPI.