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Investimentos

O maior comprador de bitcoin está falando em vender — isso é um sinal que você também precisa mudar

A Strategy, detentora de 4% do BTC no mundo, pode estar prestes a vender parte do investimento da moeda. Entenda o que isso significa para o criptomercado.

Por Luis Kuniyoshi

10 maio 2026, 15:00

bitcoin criptomoeda moeda digital

Imagem: iStock.com/Nuthawut Somsuk

A empresa que mais comprou Bitcoin no mundo nos últimos anos sinalizou, na última divulgação de resultados, que pode vender parte da reserva.

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É contra-intuitivo o suficiente para parar qualquer um. A Strategy, com mais de 815 mil BTC em tesouraria e uma tese construída integralmente ao redor do ativo, falando em vender? É o fim da tese?

Nesta edição, exploramos a dinâmica por trás desse movimento e como ela se conecta a uma forma mais eficiente de investir em criptoativos. Antes de chegar lá, atualizamos a leitura técnica do Bitcoin — que vem se recuperando desde os fundos de abril e já opera próximo dos US$ 81 mil — além do cenário macro, que segue construtivo, atuando silenciosamente por baixo do ruído diário do mercado. Também analisamos o avanço do Clarity Act no Senado americano, uma proposta que pode acelerar a consolidação das criptomoedas como uma classe de ativos legítima e cada vez mais integrada ao sistema financeiro tradicional.

Análise Gráfica

Fonte: Empiricus Cripto

O gráfico acima combina dois elementos. À direita, o modelo de densidade distribui o histórico de negociação por nível de preço — não por tempo. As regiões mais densas indicam onde o mercado concentrou volume ao longo dos últimos meses e funcionam como zonas naturais de suporte e resistência quando o preço retorna àquele nível. O cone projetado à esquerda indica a faixa esperada de oscilação para os próximos sete dias, com base na volatilidade realizada dos últimos 30 dias.

O Bitcoin está sendo negociado próximo de US$ 81.400. A tendência de alta desde os fundos de março e abril segue em voga, ainda, sem sinais de esgotamento. É um processo gradual, com cada semana de fechamento no positivo consolidando a estrutura.

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A próxima zona de resistência relevante fica em torno de US$ 84.500. Abaixo do preço atual, os principais suportes estão em US$ 78.400 e US$ 77 mil. Para os próximos sete dias, o cone de volatilidade projeta com um intervalo de 68% de probabilidade do ativo ficar entre US$ 77.400 e US$ 85.500.

No consolidado, seguimos com viés otimista.

O velho ditado continua valendo: em time que está ganhando, não se mexe

O pano de fundo macro não mudou do que acompanhamos nas últimas semanas.

Os juros reais americanos seguem em queda. Não porque o Federal Reserve cortou taxas, o banco central ficou parado, mas porque as expectativas de inflação de curto prazo subiram enquanto os juros nominais permaneceram relativamente estáveis. Quando isso acontece, os juros reais caem, a renda fixa perde atratividade relativa e o capital começa a buscar retorno em outros lugares.

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A isso se soma a compressão simultânea da volatilidade em múltiplas classes de ativos. O VIX (bolsas americanas), o MOVE Index (Treasuries) e a volatilidade cambial seguem em níveis baixos simultaneamente. Um choque macro não estressa um único mercado, ele costuma aparecer quando ações, bonds e câmbio oscilam com violência ao mesmo tempo.

O oposto também é verdade, quando a volatilidade cai em bloco, como agora, o sistema inteiro sinaliza ausência de estresse. Vale notar que mesmo com o petróleo voltando a subir por tensões geopolíticas, os mercados não reagiram como faziam no passado, quando crude up significava automaticamente juros mais altos e bolsas pressionadas. O choque existe, mas o mercado o interpreta como um risco localizado de oferta, não como uma ameaça inflacionária estrutural e enquanto esse mecanismo de transmissão não se reativar, o regime segue favorável.

Quando a volatilidade cai em conjunto dessa forma, o sistema financeiro aumenta exposição ao risco de forma “mecânica”. Fundos quantitativos e estratégias institucionais de alocação são calibrados por volatilidade: quando ela recua, esses modelos permitem posições maiores. O resultado prático é mais capital migrando para ativos de risco.

O resultado aparece nos fluxos. Desde o começo de abril, os ETFs de Bitcoin acumularam mais de US$ 3,7 bilhões em entradas líquidas. Ativos de risco estão subindo em bloco e criptoativos estão nessa cesta.

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Strategy: quando a maior compradora de BTC fala em vender

A Strategy é a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, com mais de 818 mil BTC em tesouraria, o equivalente a quase 4% de toda a oferta que existirá. Não é um nome novo: a empresa acelerou sua acumulação justamente durante os meses de maior ruído geopolítico, e foi esse fluxo, junto com os ETFs e outras Digital Asset Treasuries (empresas que adotaram BTC como reserva estratégica de balanço), que sustentou o preço do Bitcoin durante o período de maior incerteza. E é o mesmo fluxo que vem impulsionando a recuperação até os patamares atuais.

O que chama atenção foi sua última divulgação de resultados, a empresa sinalizou a possibilidade de vender parte da reserva. A pergunta natural: por quê?

A resposta está na evolução da estrutura de capital da Strategy e revela mais sobre o estágio de maturidade do mercado do que sobre qualquer mudança de convicção.

O modelo original da Strategy era relativamente simples: captar dinheiro no mercado, comprar Bitcoin e esperar sua valorização. O problema é que Bitcoin não gera fluxo de caixa, enquanto grande parte dessas compras foi financiada com dívida tradicional, que possui vencimentos entre 2027 e 2032. Isso criava um risco importante, se o BTC estivesse em baixa quando essas dívidas começassem a vencer, a empresa poderia ser obrigada a vender reservas em um momento desfavorável.

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Foi justamente para reduzir essa fragilidade que surgiu o STRC, um novo tipo de ação preferencial perpétua emitida pela Strategy. Diferente de uma dívida comum, ela não possui vencimento. Ou seja: a empresa não precisa devolver o principal em uma data específica. Em vez disso, os investidores recebem dividendos recorrentes e podem negociar suas ações livremente no mercado secundário.

Na prática, a Strategy está tentando transformar uma estrutura baseada em dívida de prazo definido em uma base de capital mais permanente e flexível.

E é aí que entram as possíveis vendas parciais de BTC. Elas não representam abandono da tese. Fazem parte da administração financeira do modelo. A empresa pode emitir ações, pagar dividendos e, eventualmente, vender pequenas parcelas de Bitcoin para equilibrar sua estrutura de capital.

Ainda assim, o ponto mais importante é outro: até a maior empresa do mundo focada em comprar e segurar Bitcoin precisou evoluir sua estratégia. O mercado amadureceu. Hoje, não basta apenas acumular ativos. É preciso administrar liquidez, risco, fluxo de caixa e timing de mercado.

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Esse movimento ajuda a explicar uma mudança mais ampla no próprio mercado cripto. Nos ciclos anteriores, simplesmente comprar Bitcoin e carregar posição já era suficiente para gerar retornos extraordinários. Mas, à medida que o setor se institucionaliza, cresce também a diferença entre uma gestão passiva e uma gestão ativa.

Cada vez mais, os grandes participantes buscam otimizar exposição, aumentando risco quando o ambiente é favorável, reduzindo posição em momentos de deterioração e tentando capturar os fluxos que lideram cada etapa do ciclo.

É exatamente essa lógica que orienta a Carteira Crypto Momentum: uma estratégia de gestão ativa construída para buscar retornos acima do próprio Bitcoin. A proposta não é substituir o BTC, mas reconhecer que, em um mercado mais sofisticado, existe uma camada adicional de oportunidade para quem consegue navegar os ciclos de forma mais dinâmica.

E os resultados iniciais ajudam a ilustrar isso. Durante seu primeiro mês de operação, a carteira entregou 128% do retorno do Bitcoin, aproveitando justamente um ambiente macro que continua favorável para ativos de risco e para o mercado cripto como um todo.

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Fonte: Empiricus Cripto

Micro — Clarity Act: o trilho institucional se abre

O Clarity Act, projeto de lei que propõe estrutura regulatória clara para criptoativos nos Estados Unidos, voltou a chamar atenção esta semana.

O contexto: por anos, dois órgãos reguladores americanos (a SEC e a CFTC) disputaram jurisdição sobre criptoativos, criando incerteza jurídica crônica. Qualquer gestora que quisesse construir produto cripto encarava o risco de ver aquela linha de negócio declarada ilegal por uma mudança de interpretação regulatória. O Clarity Act propõe resolver isso: divide a supervisão de forma clara, cria regras específicas para stablecoins, exchanges e DeFi, e abre caminho para que ativos saiam da zona cinzenta.

O projeto passou na Câmara em julho de 2025 com 294 votos a favor — placar incomum num Congresso polarizado. Ficou parado no Senado por um impasse sobre stablecoins, a questão era se essas moedas digitais poderiam oferecer rendimento, o que os bancos tradicionais interpretavam como concorrência direta. Nas últimas semanas, um compromisso bipartidário desbloqueou esse nó. A solução protege os bancos, mas preserva os modelos de negócio cripto baseados em utilidade real. Agora, a votação de markup no Comitê Bancário do Senado está prevista para a semana de 11 de maio.

Este é o marco regulatório mais aguardado pelo mercado e o impacto prático de uma aprovação vai além de uma vitória política. Mais clareza jurídica significa menos atrito para gestoras, corretoras, bancos e até empresas de tecnologia construírem produtos cripto. A discussão deixa de ser “se” grandes instituições participarão e passa a ser “por qual trilho” — e quantos estarão disponíveis.

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Analista de criptomoedas na Empiricus Research.