Imagem: Divulgação/B3
Os mercados globais voltam a operar sob forte tensão após a escalada entre EUA e Irã reacender os receios de prolongamento do conflito no Oriente Médio. Apesar de Donald Trump afirmar que o cessar-fogo permanece em vigor e que um acordo “pode acontecer a qualquer momento”, Teerã acusa Washington de violar a trégua, enquanto avaliações da inteligência americana sugerem que o Irã ainda possui capacidade militar e econômica para sustentar o confronto por mais alguns meses.
Nesse ambiente de incerteza, o Irã atacou embarcações militares americanas e os americanos responderam com bombardeios contra alvos iranianos, movimento que levou o petróleo a retomar a trajetória de alta, com o Brent novamente acima da marca de US$ 100 por barril. Com isso, cresce no mercado a percepção de que o fechamento do Estreito de Ormuz pode se prolongar além do esperado, ampliando os riscos de um choque energético mais persistente e de novas pressões inflacionárias globais.
Ainda assim, os mercados seguem demonstrando relativa resiliência, sustentados pela expectativa de que o conflito não evolua para uma guerra de maior escala e pela esperança de retomada das negociações diplomáticas.
Os futuros de Wall Street operam em leve alta, enquanto as bolsas europeias recuam em meio às novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a União Europeia.
Na Ásia, os principais índices encerraram o pregão próximos da estabilidade, refletindo um ambiente de cautela antes da divulgação do payroll americano, indicador que ganha importância adicional em um momento no qual o Federal Reserve já reconhece que os efeitos da guerra começam a influenciar diretamente as perspectivas para inflação, atividade econômica e juros nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a recente alta do petróleo reforça o temor de que o choque de energia volte a contaminar as expectativas inflacionárias globais, levando a Agência Internacional de Energia a discutir a possibilidade de liberar reservas estratégicas para conter o avanço dos preços.
· 00:58 — Novo impulso no mercado
Ontem, o Ibovespa registrou forte queda, encerrando o pregão novamente na faixa dos 183 mil pontos, em linha com o movimento global de aversão a risco provocado pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz.
Entre os principais vetores de pressão esteve a volatilidade do petróleo, que impactou especialmente a PETR4 diante das incertezas sobre uma possível solução para o conflito no Oriente Médio.
Apesar do ambiente externo mais turbulento, o campo diplomático trouxe sinais de maior aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Em reunião de cerca de três horas na Casa Branca, os presidentes Lula e Trump buscaram reposicionar a relação bilateral em um tom mais construtivo, com foco em tarifas, comércio e minerais estratégicos.
Como principal resultado, ficou acordada a prorrogação por 30 dias das negociações comerciais para avançar na redução de tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto temas mais sensíveis da investigação da Seção 301, como etanol, desmatamento e regulação de big techs, seguem em discussão.
A pauta de minerais críticos e terras raras ganhou relevância diante do esforço americano de reduzir sua dependência da China, enquanto o Brasil sinalizou abertura para parcerias, mas defendendo maior agregação de valor local.
E, por falar em comércio exterior, o Brasil registrou em abril o maior valor mensal de exportações de sua história, beneficiado pela forte alta dos preços do petróleo em meio à guerra envolvendo o Irã. As exportações somaram US$ 34,15 bilhões no mês, avanço de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior patamar da série histórica iniciada em 1997.
Como consequência, o superávit comercial brasileiro cresceu 37,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões. Como maior produtor de petróleo da América Latina, acabamos favorecidos pela disparada das commodities energéticas provocada pelo conflito no Oriente Médio, apesar de estarmos também expostos à pressão nos preços e, consequentemente, nas expectativas de inflação.
Por fim, a Compass Gás e Energia encerrou um jejum de quase cinco anos sem IPOs na B3 ao levantar R$ 3,2 bilhões em sua oferta pública inicial de ações. A operação marcou a retomada das aberturas de capital na bolsa brasileira pela primeira vez desde dezembro de 2021 e pode representar um sinal relevante para o mercado local.
Historicamente, a reabertura de janelas de IPO costuma ocorrer em momentos associados a ciclos mais favoráveis para os ativos domésticos. Desde o Plano Real e a posterior consolidação do tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal), o Brasil nunca havia atravessado um período tão longo sem novas ofertas relevantes, refletindo um mercado de capitais que permaneceu praticamente esterilizado por anos.
A última paralisação semelhante ocorreu entre 2002 e 2004, encerrada justamente pelo IPO da Natura. Nos anos seguintes, o país viveu um dos maiores bull markets de sua história, impulsionado pelo boom de commodities, pela forte entrada de capital estrangeiro e pela expansão do mercado de capitais doméstico. Evidentemente, a história não se repete de forma idêntica, mas a reabertura da janela de IPOs volta a surgir como mais um possível indicativo de melhora estrutural para os ativos brasileiros.
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· 01:47 — Impactos econômicos
Os impactos econômicos da guerra entre Estados Unidos e Irã começam a se disseminar de forma mais ampla pela economia americana, ultrapassando o choque inicial observado nos preços da gasolina. Com o galão já em US$ 4,56 — o maior patamar desde 2022 —, cresce a preocupação entre empresas dos setores de varejo, restaurantes e bens de consumo diante de um consumidor cada vez mais pressionado pelo aumento do custo de vida e pela perda de poder de compra.
Executivos alertam que a manutenção do petróleo ao redor de US$ 100 por barril tende a prolongar as pressões inflacionárias nos próximos meses, afetando não apenas os custos de energia, mas também alimentos e diversos outros itens da cadeia de consumo.
Ainda assim, os mercados permanecem relativamente resilientes, sustentados pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial e por uma temporada de resultados robusta. Ao mesmo tempo, a volatilidade voltou a ganhar força à medida que as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz se intensificam.
Na agenda econômica, o principal destaque do dia é a divulgação do payroll de abril nos Estados Unidos, com expectativa de desaceleração relevante na criação de empregos, de 178 mil para algo entre 65 mil e 70 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.
O mercado também acompanha a divulgação do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan e, sobretudo, das expectativas de inflação de curto e longo prazo, indicadores particularmente relevantes em um ambiente de crescente sensibilidade em relação ao custo de vida nos EUA.
Além disso, dirigentes do Federal Reserve participam de painéis ao longo do dia, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas envolvendo inflação, juros e crescimento econômico. No campo político e comercial, seguem no radar as novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a União Europeia e a decisão da Justiça americana que considerou ilegais as tarifas universais impostas pela Casa Branca, adicionando mais um fator de instabilidade ao cenário global.
· 02:39 — NACHO ao invés de TACO
Os mercados voltam a operar sob pressão diante de uma nova escalada no Oriente Médio, após confrontos diretos entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz colocarem em dúvida a percepção recente de que um acordo estaria próximo.
Ataques iranianos contra destróieres americanos e a resposta militar de Washington, classificada como “autodefesa”, reacenderam o risco geopolítico, levaram o petróleo novamente para a região dos US$ 100 por barril e reforçaram a leitura de que o conflito pode se prolongar mais do que se imaginava inicialmente. Nesse contexto, começou a ganhar força em Wall Street o chamado “NACHO trade” — sigla para Not A Chance Hormuz Opens (“Nenhuma Chance de que Hormuz Abra”) —, expressão usada para descrever a aposta de investidores de que a reabertura plena do estreito não ocorrerá tão cedo.
Na prática, trata-se de uma visão mais estruturalmente altista para o petróleo, baseada na percepção de que o prêmio geopolítico da energia veio para ficar, ao menos enquanto persistirem as tensões entre Washington e Teerã.
Ainda assim, apesar da deterioração geopolítica, os investidores seguem sustentando algum apetite por risco, apoiados principalmente na força das empresas de tecnologia e no entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Os índices futuros americanos voltaram a subir, refletindo a percepção de que o ciclo positivo das big techs ainda pode compensar, no curto prazo, parte do impacto macroeconômico do choque energético. Paralelamente, o conflito acelera rearranjos estratégicos globais: o Irã amplia sua integração logística com a China por meio do comércio ferroviário, enquanto Washington intensifica preocupações sobre o envio indireto de chips avançados para Pequim, justamente às vésperas da visita de Donald Trump à China.
O pano de fundo permanece marcado por elevada incerteza, combinando guerra, disputa tecnológica e pressão política doméstica nos EUA, em um ambiente no qual o petróleo tende a carregar um prêmio geopolítico persistente e os mercados seguem altamente dependentes do noticiário para definir direção.
· 03:45 — Um Canadá mais europeu?
Nesta semana, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participou de forma inédita de uma reunião da Comunidade Política Europeia, reforçando o movimento de aproximação entre Canadá e União Europeia em meio à deterioração da ordem internacional e às tensões crescentes com os Estados Unidos.
O contexto recente, marcado por tarifas americanas, ameaças geopolíticas e maior imprevisibilidade na política externa de Washington, tem estimulado o debate sobre um alinhamento mais profundo entre Ottawa e Bruxelas, inclusive com especulações sobre uma eventual adesão canadense ao bloco europeu. Essa aproximação se apoia em afinidades históricas, institucionais e econômicas, além de laços comerciais já consolidados, como o acordo CETA, que ampliou de forma relevante o fluxo de comércio.
Apesar das vantagens potenciais, como maior acesso a mercados e aprofundamento da cooperação estratégica, uma eventual adesão enfrentaria obstáculos significativos, incluindo questões geográficas, exigências regulatórias e custos econômicos e políticos.
O Canadá teria de adotar o conjunto de normas da União Europeia, revisar políticas internas e lidar com impactos sobre comércio, orçamento e mobilidade laboral. Ainda assim, tanto a opinião pública canadense quanto a europeia demonstram abertura à ideia de maior integração, indicando que, embora a adesão plena seja improvável no curto prazo, uma parceria transatlântica mais profunda ganha força como alternativa estratégica, especialmente se persistirem as incertezas em torno das relações comerciais com os Estados Unidos.
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· 04:03 — Destaque asiático
O Japão voltou a intervir de forma relevante no mercado cambial, possivelmente com mais de US$ 30 bilhões poucos dias após uma ação anterior de US$ 24,7 bilhões, mas a dificuldade do iene em superar o nível de 155 por dólar levanta dúvidas sobre a eficácia e a sustentabilidade dessas medidas, diante da demanda persistente por dólares e das limitações de atuação sem ajustes mais estruturais de política monetária.
Ainda assim, o ambiente global recente favoreceu os ativos asiáticos, apesar da queda desta sexta-feira por conta da tensão geopolítica, com o índice MSCI da região avançando 5,6% na semana, impulsionado pelo renovado interesse em inteligência artificial, com destaque para o forte desempenho da Coreia do Sul (+14%), de Taiwan (+7%) e do Japão (+5,8%).
O movimento também se refletiu nas moedas locais e em revisões positivas de instituições financeiras, especialmente para a divisa sul coreana, embora o cenário permaneça sujeito a riscos, em particular a eventuais novos episódios de tensão entre EUA e Irã, configurando um ambiente que combina forte momentum, ainda sob uma perspectiva construtiva no curto prazo.
· 05:01 — Escala que vira margem
A Smart Fit (SMFT3) reportou bons resultados no 1T26, com receita de R$ 2,1 bilhões em linha com as expectativas, sustentada pela expansão da rede, pelo aumento do ticket médio e pelo amadurecimento das unidades mais recentes.
O principal destaque foi a margem bruta de 51,8%, acima do esperado (parte do mercado temia, inclusive, uma queda de margem bruta), refletindo a maior participação de academias maduras, que já representam 68% da base, e o avanço de frentes complementares, como Studios e TotalPass. Esse desempenho reforça um dos pilares centrais da tese: a alavancagem operacional do modelo, que tende a impulsionar a rentabilidade à medida que novas unidades atingem seu estágio de maturidade.
Sob a ótica regional, o desempenho permanece heterogêneo, mas positivo no consolidado. No Brasil, observou-se leve compressão de margens, explicada pela concentração recente de aberturas ainda em fase de maturação.
No México, a rentabilidade foi pressionada pelo aumento de custos e pela dinâmica do TotalPass. Em contrapartida, as operações nos demais países da América Latina se destacaram, com crescimento consistente de receita e margens superiores às observadas em mercados mais maduros, evidenciando os benefícios da diversificação geográfica. Adicionalmente, linhas de receita complementares, como Studios e royalties, seguem ganhando relevância e apresentam margens mais elevadas, contribuindo de forma positiva para o resultado consolidado.
No agregado, o trimestre reforça uma trajetória consistente de crescimento, com EBITDA recorde e forte expansão do lucro líquido, mesmo diante de pressões pontuais de custos e maiores investimentos. A combinação entre o amadurecimento das unidades, a diversificação de receitas e a expansão internacional sustenta uma perspectiva favorável para os próximos períodos.
Após a recente correção das ações, que trouxe os múltiplos para níveis mais atrativos, os resultados reforçam uma leitura construtiva para o papel, que segue bem posicionado para capturar ganhos adicionais de escala e rentabilidade ao longo do tempo.