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As ações das incorporadoras registraram queda relevante nos últimos pregões, interrompendo um movimento de forte desempenho relativo observado nos últimos dois meses.
Desde abril, o setor vinha superando o mercado com alguma folga, especialmente entre as companhias mais expostas ao segmento econômico, beneficiadas por uma combinação de resultados sólidos, boa percepção sobre demanda, geração de caixa e expectativa de continuidade de dividendos.
No entanto, o início da temporada de prévias operacionais do 2T26 trouxe uma leitura mais mista para o setor. Ainda que os números não indiquem uma deterioração estrutural da demanda, alguns pontos específicos ficaram abaixo das expectativas de mercado e serviram como gatilho para uma realização de lucros mais intensa, em um pregão mais desafiador no ambiente macro.
Tenda, Cury, Moura Dubeux: como foram as incorporadoras na prévia do 2T26?
Entre os destaques, a Tenda (TEND3)apresentou distratos acima do esperado, impactados por um efeito pontual relacionado a um empreendimento com licença ambiental em discussão. Além disso, a companhia reportou recuo na VSO, reflexo da estratégia de reprecificação dos imóveis ao longo do trimestre, com foco na preservação de margens em um ambiente de maior pressão de custos. Apesar disso, os números gerais foram saudáveis, o que sugere manutenção da disciplina comercial e capacidade de repasse.
Na Cury (CURY3), a prévia também veio marginalmente abaixo das expectativas, com desaceleração da VSO em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a geração de caixa permaneceu robusta, reforçando a tese de boa capacidade de distribuição de dividendos.
No caso da Moura Dubeux (MDNE3), além da conjuntura setorial mais desafiadora, a menor participação de projetos de incorporação — voltados ao segmento econômico — e o consumo de caixa, desconsiderando a alienação de recebíveis, podem ter contribuído para uma leitura mais cautelosa da prévia pelo mercado.
Além dos fatores operacionais, discussões envolvendo funding também aumentaram a percepção de risco para o setor. A eventual utilização de recursos do FGTS para finalidades não imobiliárias e as contestações envolvendo títulos privados isentos, que também funcionam como fonte relevante de financiamento para o mercado imobiliário, adicionam incerteza ao custo futuro do crédito. Qualquer mudança regulatória nesse sentido poderia encarecer o financiamento imobiliário e reduzir a atratividade marginal do setor.
Reação exagerada oferece oportunidade de entrada
Nossa leitura é que o movimento recente reflete, em grande parte, uma combinação de realização de lucros após forte valorização relativa e prévias operacionais com sentimento misto, mais do que uma mudança estrutural na tese das incorporadoras econômicas. O ambiente segue exigindo seletividade, especialmente diante de múltiplos que já haviam se expandido em algumas companhias.
Nesse contexto, seguimos vendo Direcional (DIRR3) como uma das alternativas mais interessantes do setor. A companhia ainda não divulgou sua prévia operacional do 2T26, mas já negocia em um múltiplo historicamente mais favorável para entrada, após a correção recente.

Em nossa visão, a combinação de execução operacional consistente, exposição ao segmento econômico, geração de caixa e valuation mais atrativo reforça uma assimetria positiva para o papel. Desta forma, as ações de DIRR3 permanecem entre as recomendações da Empiricus.