Imagem: Adobe Stock/Reprodução - Montagem: Giovanna Figueredo
A Weg (WEGE3) divulgou seus resultados do 1º trimestre de 2026 (1T26), com números abaixo das expectativas, impactados principalmente pela operação no Brasil e por pressões de custos.
A receita operacional líquida (ROL) da Weg no mercado doméstico somou R$ 3,57 bilhões. Esse é um recuo de -19,5% no comparativo anual, impactada principalmente pela frente de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD) de energia, em função da ausência de projetos relevantes de geração solar centralizada, especialmente considerando a base comparativa elevada do 1T25.
Mesmo com um ambiente ainda desafiador no cenário global e impacto negativo do câmbio, a companhia conseguiu manter crescimento no mercado externo. A receita líquida internacional somou R$ 5,9 bilhões (+4,5% no comparativo anual – a/a), com crescimento de 16,1% em moeda constante, evidenciando uma demanda ainda saudável, especialmente em segmentos como óleo & gás e soluções para data centers.
No consolidado, a ROL internacional do 1T26 foi de R$ 9,6 bilhões (-6,1% a/a), abaixo da expectativa de mercado (R$ 9,7 bilhões).
Olhando as frentes de negócios, a vertical de Equipamentos Elétricos Industriais (EEI) apresentou leve crescimento no mercado doméstico, com receita de R$ 1,39 bilhão (+1,7% a/a), sustentada pelas entregas de equipamentos de ciclo longo. No exterior, a receita somou R$ 3,27 bilhões (+6,2% a/a), com destaque para a demanda em segmentos industriais e boa entrada de pedidos.
A frente de GTD foi novamente o principal detrator de desempenho no trimestre. No Brasil, a receita foi de R$ 1,52 bilhão (-36,4% a/a), ainda impactada pela ausência de projetos solares. No exterior, a receita atingiu R$ 2,11 bilhões (+3,2% a/a), impulsionada por entregas de transformadores e projetos de infraestrutura elétrica, especialmente nos EUA.
O segmento de Motores Comerciais e Appliance (MCA) apresentou desempenho mais fraco, com receita de R$ 331 milhões no Brasil (-7,1% a/a) e R$ 446 milhões no exterior (-1,7% a/a), refletindo uma demanda mais moderada.
Já a divisão de Tintas e Vernizes (T&V) registrou receita de R$ 330 milhões no mercado doméstico (+2,2% a/a) e R$ 66 milhões no exterior (+13,8% a/a), com destaque para o crescimento internacional.
Por sua vez, a margem bruta recuou para 31,6%, queda de -1,3 ponto percentual (p.p.) na visão anual (a/a) e -2,4 pontos percentuais na visão trimestral (t/t), impactada pelo aumento de custos de matérias-primas (especialmente cobre), tarifas de importação nos EUA e menor alavancagem operacional.
Weg (WEGE3): apesar da pressão, fundamentos sólidos seguem sustentando recomendação de compra
O Ebitda totalizou R$ 2,1 bilhões (-3,2% a/a), mas com melhora na margem, que atingiu 22,2% (+0,6 p.p. a/a), em função de um melhor mix de produtos e reversão da provisão de participação de resultados. Assim, o lucro líquido foi de R$ 1,46 bilhão no trimestre (-5,7% a/a), também abaixo do esperado (vs. consenso de R$ 1,57 bilhão).
Apesar do resultado pressionado em crescimento e margens, a companhia segue apresentando fundamentos sólidos, com destaque para o ROIC 12 meses, que atingiu 33,1% (-0,1 p.p. a/a e + 0,6 p.p. t/t), que mostra que a empresa continua gerando valor ao acionista.
A geração de caixa livre foi de R$ 63 milhões, permanecendo positiva mesmo com as pressões mencionadas. O destaque positivo foi o fluxo de caixa operacional, que somou R$ 1,2 bilhão, ante R$ 541 milhões no 1T25.
Olhando para frente, entendemos que o cenário de curto prazo permanece desafiador, com pressão cambial e menor dinamismo no mercado doméstico impactando os resultados ao longo de 2026. No entanto, o mercado segue de olho na melhora estrutural a partir de 2027, impulsionada pela expansão de capacidade e pela continuidade dos investimentos em infraestrutura elétrica global.
Por 27,5x lucros para os próximos 12 meses, WEGE3 segue entre as recomendações da Empiricus.
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