Banho Turco

Preciso começar agradecendo. Ontem, foi um escândalo. Quebramos todos os recordes possíveis com o lançamento do programa O Grande Salto. Registro aqui o meu muito obrigado […]

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Banho Turco

Preciso começar agradecendo. Ontem, foi um escândalo. Quebramos todos os recordes possíveis com o lançamento do programa O Grande Salto. Registro aqui o meu muito obrigado sincero. Alerto os interessados sobre as poucas vagas remanescentes.

Ao mesmo tempo que recebo o interesse com muita satisfação, sei da responsabilidade que me acompanha. Só posso responder com muita dedicação, atendendo a esse chamamento sabendo se tratar de verdadeira vocação. Como demonstração imediata do compromisso, mobilizei a turma aqui às pressas para fazermos hoje, às 14h, um webinar extraordinário. Nele, vou tirar todas as dúvidas sobre o projeto e mostrar por que este momento pode determinar o que vai acontecer com seu patrimônio pelos próximos oito anos pelo menos. Você pode acessá-lo através deste link.

Antes ainda de penetrarmos o escopo estrito do Day One de hoje, que se apresenta muito importante diante dos temores de contágio da crise turca sobre os mercados emergentes em geral, gostaria de corrigir uma espécie de injustiça. Embora seja meu rosto à frente deste projeto histórico para a gente, meu mérito pessoal nesse lançamento é quase nulo. Absolutamente nada disso seria possível, nem de perto, sem a genialidade – sim, este é o termo correto – do meu sócio Roberto Altenhofen. Hoje, ele atua nos bastidores da Empiricus e é uma das pessoas mais talentosas com quem já trabalhei. Não é porque você não está vendo os trabalhos por trás das cortinas que eles não existem. Mais um exemplo de que ausência de evidência não é evidência de ausência. Beto, muito obrigado por tudo!

 

“Eu acho que existe algo não devidamente compreendido na vida, e ainda mais no esporte em particular, que é o seguinte: o único lugar em que o sucesso é possível é também o lugar onde o fracasso é possível.

Nós vilificamos as pessoas por fracassarem, em vez de parabenizá-las por se colocarem numa possível situação em que também poderiam ter tido sucesso – e talvez da próxima vez elas terão sucesso, se nós dermos a elas a oportunidade e se as encorajarmos o suficiente para poderem se colocar mais uma vez diante da possibilidade de tentar de novo.”

Cate Campbell, a autora das aspas acima, chegara às Olimpíadas do Rio como recordista mundial e favorita absoluta. Segundo a imprensa especializada (isso existe?), não teria para ninguém. Resultado? Grande decepção com seu sexto lugar. Ficou arrasada. Para muitos, estava liquidada para a natação. Por muito pouco, não abandonou as piscinas. Agora, é novamente dona dos melhores tempos do mundo.

Um dos maiores erros, para mim, é acreditar que você precisa ser bem-sucedido em todos seus investimentos. Veja: é um erro disseminado, inclusive, entre os profissionais, que adoram repetir a Regra 1 de Warren Buffett: “Nunca perder dinheiro.” Para depois completar com a Regra 2: “Nunca esquecer a Regra 1”.

A minha visão é que, necessariamente, você não pode ser bem-sucedido em todos os seus investimentos. Uma boa carteira vai exigir ativos negativamente correlacionados. Ou seja, quando um sobe, o outro cai. É daí que vêm os chamados ganhos de diversificação, que renderam o Prêmio Nobel a Harry Markowitz. Se recomendo diminuir o risco de exposição em Bolsa por meio da compra de dólares, preciso necessariamente admitir que, em um dos dois ativos, vou perder dinheiro, pois eles carregam correlação negativa.

Em paralelo, para nos expormos a grandes multiplicações, precisamos incorrer em várias tentativas. Você espalha seu dinheiro em várias small caps, por exemplo, e uma delas rende dez vezes mais o capital investido; as outras podem não render muito ou até mesmo cair um pouco. Essa é uma forma inteligente de se expor a ativos que têm ganhos ilimitados e prejuízos restritos a 100% do capital.

Como qualquer outro, o processo de investimento bem feito deve obedecer à lógica da tentativa e erro, que, além dos benefícios acima, nos rende muito mais aprendizado no longo prazo. Se estivermos com a mente aberta para aprender com cada pequeno tropeço, chegaremos muito mais fortes para a próxima rodada do jogo.

Conforme definiu Ray Dalio no clássico moderno “Princípios”: “Abertura de mente e transparência radicais são inestimáveis se você deseja aprender e realizar mudanças. O aprendizado é um contínuo ciclo de feedback em tempo real – tomamos decisões, vemos as consequências e melhoramos nossa compreensão da realidade. Ser mente aberta aumenta a eficiência desses ciclos de feedback, porque torna a realização, bem como o que está por trás dela, tão clara para si quanto para os demais que não pode haver mal-entendido. Quanto mais mente aberta, menos chances de cair no autoengano – e mais chances de receber um feedback sincero. Se esses retornos vêm de pessoas críveis, aprende-se muito com eles. Indivíduos críveis são aqueles que, de maneira repetida e bem-sucedida, conseguiram algo e têm ótimas explicações sobre como conseguiram”.

Lembro do meu avô Dácio. Ele conseguiu fazer várias coisas de maneira repetida e bem-sucedida, tendo ótimas explicações para cada uma delas. Era libanês e fazia questão de marcar suas diferenças com os vizinhos da região. Ainda assim, amava um banho turco. Aliás, sempre atrelava seus sucessos a um bom banho turco.

Elogiava os efeitos terapêuticos clássicos do Hamame, bem como as contribuições para a circulação sanguínea, a renovação celular e a desintoxicação do corpo. Era rigoroso em cada uma das etapas: banho a vapor em sauna com óleos essenciais, banho de espuma em pedra aquecida, ducha horizontal para tirar a espuma, massagem com a pressão da água, massagem relaxante e hidratante.

Gostaria hoje de propor um novo ângulo sobre a avaliação do banho de sangue turco sobre os mercados emergentes visto nas últimas sessões — notadamente, na última sexta-feira.

Antes, um passo atrás?

O que caracteriza uma tendência de alta de um mercado ou de um ativo em particular? Picos e vales ascendentes.

Num bull market clássico, o índice em questão toca um máximo local, que passa a ser uma resistência, e enfrenta alguma correção, até um mínimo local (novo suporte). Então, volta a subir até um novo cume, superior ao anterior. Daí, passa por nova correção, inferior à pregressa. As correções vão sendo cada vez menores.

Se você vai cada vez menos e entra comprador novo numa determinada faixa de preço, aquilo vai dando confiança ao investidor marginal. Isso reforça a dinâmica e impede novas quedas vigorosas, por conta dessa demanda adicional.

Esse mecanismo vai sendo repetido várias e várias vezes, até que as quedas se tornam muito pequenas. Quase não há mais volatilidade no mercado. Quando isso acontece, é o fim do bull market. Estão todos muito confiantes na alta, não há mais realizações minimamente expressivas. Aí acontece o chamado “melt up”, aquela última alta rápida e intensa caracterizada pelo excesso de confiança, até que… boom!

No Brasil, dado o estágio inicial do ciclo iniciado em 2016, parecemos longe do melt up. Até mesmo ao contrário, talvez estejamos justamente com fundos ascendentes. Na correção anterior, decorrência da greve dos caminhoneiros e da preocupação com uma possível alta mais forte dos juros nos EUA, fomos ali com o Ibovespa abaixo dos 70 mil pontos.

Entrou bastante fluxo comprador, principalmente de gringo, naqueles níveis. Isso passou certa confiança de que, salvo por conta de muitas novidades negativas, iremos muito aquém desse patamar. Agora, novamente com a crise turca, mesmo ainda com stress em moedas emergentes e altas dos juros de mercado, a Bolsa rapidamente voltou a observar entrada de estrangeiros, em especial nos nomes mais líquidos típicos, em níveis superiores a 70 mil pontos.

Fora do aspecto técnico, há benefícios mais fundamentais no banho turco. Há, por exemplo, uma matéria interessante no Financial Times chamando a atenção para possível diferenciação entre mercados emergentes a partir dessa crise.

Eu, sinceramente, não acredito em diferenciação na hora do pânico. Em momentos, nego soca até a mãe e pergunta depois. Como dito ontem, o mercado é um teatro grande com uma porta pequena. Se alguém grita fogo, ninguém vai organizar: “Crianças e idosos na frente, por favor…”. Mas pode haver diferenciação no pós-pânico.

Mesmo no caos em que estamos em Pindorama, aqui não tivemos ruptura institucional nem qualquer abalo à ordem democrática, mesmo no ápice da crise, enquanto observamos avanços autocráticos em vários países emergentes, sendo a Turquia exemplo emblemático agora.

Também nos diferenciamos de uma espécie de dominância cambial. Enquanto a Argentina teve de subir sua taxa básica de juros a 45%, por aqui, ao menos por enquanto, não precisamos responder com aperto do torniquete monetário à crise na Turquia. Inflação continua baixa, não há déficit substancial em conta corrente, temos boa posição em reservas e Banco Central ainda não precisou intervir nos últimos dias.

Esses elementos compõem uma maior convicção de que as quedas dos últimos pregões mais se associam a outra correção dentro de um bull market estrutural, do que propriamente à inversão da tendência primária, com a questão da Turquia sendo mais um obstáculo de curto prazo – importante, sim, mas nada além disso.

Mercados iniciam a terça-feira em clima positivo, com alívio no comportamento da lira turca. Há rumores de que EUA e Turquia estariam chegando a acordo para soltura do pastor Andrew Brunson, foco de tensão diplomática entre os países.

Bom humor, porém, é de certa forma contido, principalmente depois de produção industrial e vendas ao varejo na China chegarem abaixo das projeções, o que derruba papéis de mineradoras no exterior.

Agenda internacional traz PIB da Zona do Euro, além de produção industrial na região. Nos EUA, saem preços dos produtos importados. Por aqui, apenas pesquisa mensal de serviços do IBGE.

Ibovespa Futuro abre em leve alta de 0,2%, dólar e juros futuros recuam.