Imagem: Canva/ @rattanakun
Temos um cessar-fogo no Estreito de Ormuz que às vezes dá saudades dos tempos de guerra declarada.
Compre ao som dos canhões?
Bem, ainda que as perspectivas de paz no Irã estejam longe de qualquer ideal de Miss Universo, devemos reconhecer, pragmaticamente, que nunca estivemos tão perto de um acordo desde que o embate começou.
Logo, é hora de pelo menos começarmos a imaginar qual será o contexto em voga uma vez que este acordo seja assinado.
Para aquilo que interessa a nós, brasileiros, suspeito que se trata de um contexto bem diferente do atual, e mais parecido com a tônica de janeiro.
Se vier o acordo de paz e a liberação de Ormuz, a tendência é a de que o barril de petróleo volte rapidamente para USD 80 a USD 85.
Como derivada imediata, as curvas de juros cairão e os mercados voltarão a precificar cortes ao redor do mundo – em particular, nos EUA e no Brasil.
De repente, as hipóteses tenebrosas de estagflação perdem sua razão de ser.
O dólar (DXY) voltará a cair frente às principais moedas globais, com provável destaque para a apreciação do real.

Assim, são grandes as chances de retomarmos o apoio dos fluxos estrangeiros comprando bilhões de reais de Bolsa brasileira.
Conforme mostra o gráfico, essa foi exatamente a tendência cambial que imperou de 2003 a 2008 – último grande ciclo de bull market por aqui.
Isso dito, eu não sonho com esse tipo de coisa, e nem torço para que aconteça. Quero apenas estar preparado para a eventualidade de acontecer, já que as consequências seriam do tipo “maravilhoso para quem está dentro, péssimo para quem ficou de fora”.
Se eu fiquei dentro da guerra nos últimos meses, acho que é meu direito ficar dentro da paz também, assim que ela chegar.