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Cisnes negros também amam (mas não gostam de bacon)

Por muito tempo eu não vi. Mas no fundo eu sempre soube. “Deus é paciência. O contrário é o diabo.” Riobaldo é que sabe das […]

Cisnes negros também amam (mas não gostam de bacon)

Por muito tempo eu não vi. Mas no fundo eu sempre soube. “Deus é paciência. O contrário é o diabo.” Riobaldo é que sabe das coisas.

De novo, o problema da indução. Não acontece muito, só quando eu respiro. Ai, sempre ele…

Não é uma preferência pessoal. A maré das circunstâncias que nos empurra nessa direção, como se fôssemos arrastados por correntes poderosas contra as quais não podemos lutar. É uma tendência humana, de acharmos sempre que a observação de um determinado padrão será repetida no futuro.

Se trato da tendência à indução e dos erros a ela associados com tanta dedicação e frequência é justamente porque se trata de fonte prolífera de muitos problemas.

A autoimagem de onipotência, como se o nosso cérebro pudesse antecipar tudo o que virá, quer nos oferecer pretensas certezas. O que vemos hoje é tudo o que existe. Se nós nunca vimos algo, logo concluímos que ele não existe.

A questão, claro, não é nova. Possivelmente, remete ainda ao ceticismo pirrônico de… pasmem… Sextus Empiricus! A formalização do problema da indução, porém, viria pelo resgate de David Hume, ali pelo século 18 – obviamente, após passar pelas contribuições de Francis Bacon.

 

Leitura recomendada

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Resumidamente, quando podemos passar do particular para o geral? Quando a repetição de um comportamento passado ou presente pode ser caracterizada como um padrão a ser repetido no futuro? Quando um contexto atual pode ser projetado como estrutural e recorrente?

A resposta ontológica ao problema viria com Karl Popper, no Mito do Contexto: “Não há montante suficiente de observações de cisnes brancos que permita nos dizer que todos os cisnes são brancos (ou que a probabilidade de achar um cisne não branco é pequena). Portanto, a indução repetitiva deve ser descartada: ela não nos permite afirmar nada”.

Afirmações categóricas existem apenas para serem rejeitadas, nunca para serem confirmadas. Daí a expressão “falseacionismo popperiano”, a noção de se falsear ideias como metodologia científica estruturada formalmente por Popper.

A vida de uma ideia ou teoria é muito perigosa: ela sempre acaba morrendo.

Queremos sempre confirmar nossas opiniões e convicções, como se elas pudessem ser “cientificamente comprovadas”, essa expressão ridícula usada como estratégia de convencimento. Confundimos, assim, ausência de evidência com evidência de ausência.

Neste exato momento, é justamente assim que está a maior parte dos analistas econômicos (desculpe se a CVM quer apropriar-se do termo “analista”, mas ele, para desgosto do regulador, existe em língua portuguesa – e em várias outras também, claro – muito antes da Instrução 598, referindo-se, segundo o Aurélio, ao “que” ou a “quem” realiza análises, tendo como exemplos as químicas, as clínicas, etc.), da imprensa e dos pretensos doutores por aí.

Não é porque não estamos vendo a saída para a crise fiscal que a saída não existe. Isso é fundamental de se apreender num momento em que querem classificar pequenos desarranjos do governo Bolsonaro como um indicador de abandono da pauta liberal e da agenda de reformas.

Dois comentários metodológicos antes de prosseguir.

O primeiro: ao bom analista (e aqui me refiro a você, leitor, que diariamente faz análises sobre os acontecimentos da economia e da política brasileira e mundial), cabe separar ruído de sinal. O primeiro gera apenas flutuações aleatórias de curto prazo no preço dos ativos, criando oportunidades pontuais que merecem ser aproveitadas, pois, no tempo, serão corrigidas. O sinal é diferente: ele representa efetiva mudança dos fundamentos e das condições materiais.

O frenesi dos últimos dias sobre a verborragia do novo governo é meramente ruidoso. Na segunda, a entrevista do presidente Jair Bolsonaro ao SBT trazia uma intenção de reforma da Previdência aguada. Agora, a Folha reporta planos na direção oposta, com regras de transição muito mais rígidas. Os sinais de fato virão da equipe de Paulo Guedes, do envio concreto da reforma e das negociações com o Congresso. Vamos focar no sinal, não no ruído – a capacidade de discernir e arbitrar entre essas duas coisas é fonte inesgotável de retornos extraordinários na Bolsa.

O segundo: se eu tenho um determinado nível de complexidade, é razoável imaginar que não poderia, por exemplo, supervisionar a complexidade de um ente de complexidade superior à minha. Vale o mesmo para a inteligência. Não conseguimos aqui antecipar as medidas de uma equipe mais capacitada do que nós mesmos. O gênio é o Paulo Guedes e vários dos que o cercam. Não eu, tampouco os ternos vazios italianos e muito bem cortados da Faria Lima. Aproveitando a ideia anterior: o sinal mais concreto e objetivo é que acabou a fase da fábrica de ideias e medidas ruins. Só não sabemos (nem estamos vendo) quais serão as boas ideias, mas elas virão.

Nós não estamos aqui para falar o que já é. Mas para contemplar hipóteses sobre o que pode ser e ainda não foi devidamente refletido nos preços, traduzindo-se em alternativas assimétricas de retornos.

No momento em que a saída da crise fiscal estiver toda desenhada e escrita na capa da Folha de S.Paulo, o Ibovespa estará a 125 mil pontos.

Vamos ser diretos aqui:

  • i) embora todos estejam mais otimistas com o setor imobiliário neste ano, os FIIs já parecem um pouco caros – falo no geral, como classe de ativos, embora, claro, haja oportunidades pontuais. Yields comprimidos e preços de metros quadrados bem complacentes; e
  • ii) existe ainda algum prêmio na renda fixa, principalmente na mais longa – quando a reforma da Previdência passar, isso aqui vai andar bem ainda. Mas daí acabou, né? Deixamos de ser o paraíso do CDI e o grosso da gordura na renda fixa já foi.

Depois de O Fim do Brasil, A Virada de Mão e O Segundo Mandato Temer (metaforicamente, aposta na vitória da agenda liberal nas eleições de 2018), batizei minha nova tese macro de O Novo Fim do Brasil. Entre os seus pilares está a ideia de que o investimento em ações deixará de ser uma aberração neste país.

Conversaremos de BOVA11 enquanto tragamos Juul, andamos de patinete e vestimos happy socks. É, realmente, poderia ser melhor. Dessas quatro ações, preferia mesmo era só que uma delas fosse evidência de presença.

Mercados brasileiros iniciam a terça-feira em clima positivo, apoiados no bom humor lá fora, onde prevalece algum otimismo com negociações comerciais entre China e EUA. Depois de um dezembro trágico, Wall Street vem se recuperando neste início de 2019, espraiando menor aversão ao risco para emergentes.

Por aqui, atenção para a reunião ministerial, que pode dar detalhes sobre a agenda reformista. Produção industrial, IGP-DI, IPC-S e dados da Anfavea completam as referências do dia. Nos EUA, além das negociações com a China, vale monitorar relatório Jolts sobre tendências do emprego.

Ibovespa Futuro sobe 0,2 por cento, dólar e juros futuros recuam.