Conheça por dentro. Critique depois.

“Como se proteger do caso Antonio Kandir? Felipe, boa tarde! A exemplo da sua sugestão feita nas eleições e que deu um ótimo retorno, não […]

Conheça por dentro. Critique depois.

Como se proteger do caso Antonio Kandir?

Felipe, boa tarde!

A exemplo da sua sugestão feita nas eleições e que deu um ótimo retorno, não seria interessante montar novamente uma estratégia com call e put da Petrobrás para a reforma da previdência?

Você comentou hoje no Day One para shortear capa da Exame. Existe ainda essa revista? Alguém lê? kkkkkk

Acho que a maldição agora passou para a Infomoney. Quando o site começa a ter muitas matérias sobre um determinado investimento, é hora de cair fora. Em 2013, o site só falava dos FIIs, resultado? Topo. Depois veio bitcoin e aconteceu a mesma coisa. Forja Taurus, idem. O gestor X começou a aparecer direto no segundo semestre do ano passo e o que aconteceu com os fundos dele? Mais recentemente vi algumas matérias do gestor de ações Y e já fiquei preocupado com meu investimento no seu fundo. kkkk. A conferir. Espero nunca te ver no Infomoney. kk.

Você recomenda a compra de puts para hedge da carteira. Mas como saber se o preço da put é justo? Tem alguma fórmula ou planilha?

Em relação aos COEs, como fazer para descobrir as taxas embutidas?

No que tange à reforma da previdência, todo mundo está meio que dando como certo sua aprovação, variando apenas na intensidade, mas e se não for aprovada? Seria o fim do bull market? Como se proteger? Na dúvida, comprei call de dólar a 4,05 para junho.

Abraço.

Recebi esse e-mail ontem de um dos quatro leitores desta newsletter. Está colado na íntegra aqui, ipsis litteris, preservados os erros de digitação inclusive. O título do e-mail, a pergunta inicial, se refere ao caso do então deputado Antonio Kandir, que errou a digitação de seu voto na reforma da Previdência de 1998 – em vez da manifestação favorável à matéria, confundiu-se pela abstenção, sendo incapaz de corrigir o erro a tempo. O placar final ficou 307 votos a favor do governo, 148 contra e 11 abstenções. Eram necessários 308 votos para aprovação da matéria. Sim, é de chorar.

 

Leitura recomendada

Luciana Seabra mostra como lucrou (e ajudou os leitores a lucrarem) muito com ações sem precisar comprar ações. Ela ensina os assinantes da sua séria a investirem da mesma forma que os maiores investidores profissionais do mercado financeiro. E tudo depende de uma simples atitude, que pode te mostrar esse novo mundo de rentabilidade em menos de 24 horas. Veja aqui o recado que ela gravou.
 

Se ainda não entendeu o papel da aleatoriedade nas coisas e a total falsidade da ideia de materialismo histórico, está aí mais um argumento. Se não fosse por essa banalidade, a tal idade mínima para se aposentar já estaria valendo há mais de 20 anos. Seria um outro Brasil.

Omiti os nomes do e-mail para evitar constrangimentos. Sabe como é: linguagem moderada, serena, comedida. Novas diretrizes para tempos de paz. Confesso: o pior de tudo é que X e Y são amigos; daí já viu. Melhor evitar, né?

Não sei você, mas eu ri com a correspondência eletrônica. O péssimo hábito do bom humor e do riso fácil. Na Faria Lima, vale andar de patinete usando terno, gravata e happy socks; mas bom humor não vale! As carinhas felizes e sorridentes estão rigorosamente restritas às meias mesmo. No rosto que é bom, nem pensar. Saudades do seu sorriso. Rapidinho: você também está preocupado com a galera andando de patinete por aí neste carnavalzão de meu Deus? Para mim, a bolha não passa da Quarta-feira de Cinzas – algum atropelado vai ter, eu acho. Desculpa, minha opinião. Basta uma capa da Folha com sangue sobre um patinete caído em frente ao Pirajá para acabar a nova moda.

Reflito sobre o e-mail. Fico emocionado. Explico.

O investidor de varejo no Brasil é visto como uma espécie de “café com leite”, como se ele estivesse destinado a jogar a série B dos investimentos. Ou como se precisasse de uma comunicação nível Homer Simpson. “Se é para você que não tem formação na área, este aqui basta.”

A gente sempre combateu essa ideia. Nunca tratamos a pessoa física como não inteligente. Ela poderia, sim, ser leiga. Às vezes, poderia ser preguiçosa também. Na verdade, talvez preguiçosa não seja o termo preciso. Acho que a palavra certa seria acomodada, aqui no sentido de estar meio paralisada diante de um tema que, a priori, considera complexo. Precisaria irromper contra uma certa inércia e sair de sua zona de conforto, ligada ao comodismo de atender passivamente as intenções de seu gerente.

Sempre achamos que o investidor de varejo no Brasil era inteligente – não necessariamente bem informado e versado em finanças; são coisas bem diferentes. Sagacidade e conhecimento técnico passam longe de sinônimos; por vezes, estão mais perto de antônimos. A inteligência de rua de Fat Tony se choca com a caretice e os pensamentos dentro da caixa de Dr. John – Fat Tony e Dr. John são personagens de Nassim Taleb; o primeiro é um cara esperto, confiante, criativo, dionisíaco e altamente inteligente, com soluções práticas para os mais variados problemas. Curiosa e coincidentemente, lembra o personagem gordo de Tony Lip (Viggo Mortensen) no filme Green Book. O segundo (Dr. John) é um nerd dedicado, que possui os vícios e as virtudes de… um nerd dedicado.

Identificamos a capacidade da pessoa física de aprender, executar e, por isso, sempre estivemos empenhados na mais profunda e ampla educação financeira, a única em que acreditamos: na prática, fazendo, “learn by doing”. O mercado financeiro pertence aos praticantes, aos investidores (não aos teóricos), como os pássaros que voam sem precisar de lições de aerodinâmica – estudei todas as Leis de Newton e, não sei por qual razão, ainda não consegui levitar por aí. Também estou bastante decepcionado porque comprei o DVD do Zico e, vendo aquilo várias e várias vezes, não consigo bater falta como o Galinho de Quintino.

Estamos muito felizes com o que temos visto. A ideia de que o investidor de varejo pode aplicar seu dinheiro tão bem ou até melhor do que o profissional está se verificando na prática. O original nem é meu – Peter Lynch, o mitológico gestor do fundo Magellan, tem uma longa defesa do mesmo argumento. O e-mail de abertura é um exemplo claro do fenômeno.

Se lido com a devida atenção e profundidade, o e-mail resume tudo. O cara entendeu a nossa cabeça. Ele viu a Matrix. Agora, pode até continuar se alimentando de nossos peixes dados em cada publicação, mas claramente já consegue pescar sozinho. Veja a profundidade do e-mail. O varejo é mesmo burro como querem me fazer acreditar? Sou eu mesmo que estou errado na tese de que, sim, podemos fazer melhor por essa classe de investidores?

Ali está nossa postura compradora de volatilidade. A preocupação obstinada em comprar proteções para a carteira, em beliscar-se a todo momento, em saber que podemos estar errados, em nunca se dedicar a apostas do tipo “all-in”, em sempre procurar diversificar e equilibrar o portfólio, inclusive diversificar-se de si mesmo, perseguindo ideias contrárias às suas próprias convicções.

Também está ali uma certa paranoia com a possibilidade de as coisas darem errado, porque, de fato, elas podem estar erradas. Aqui de longe, sendo apenas um rapaz latino-americano, humildemente sempre achei que o brilhantismo do Stuhlberger se devia, entre outras várias coisas, ao fato de ele ter medo.

Lembro de Bobby Axelrod: “É o gosto que eu sinto. Medo no fundo da minha garganta. Sabe, a maioria das pessoas tenta ficar longe do medo, tenta tirá-lo de suas vidas assim que podem. Eu? Eu o cultivo. Tento reconhecê-lo e usá-lo. Foi assim que eu sobrevivi quando estava crescendo e ainda vivo assim, escutando com atenção o meu medo”.

Um pouco de paranoia é bom.

Outros pontos importantes do e-mail: o ceticismo com o que se vê por aí, a impossibilidade de se acreditar em tudo que está no jornal, o pedido por mais transparência nas taxas dos serviços e produtos financeiros (se o que vocês oferece é mesmo bom, por que não dar transparência de todas as taxas cobradas do investidor?), a descrença nos super-heróis do momento, normalmente os vilões do próximo ciclo – a arrogância dos campeões é a semente da destruição futura.

“Ah, mas você fala isso agora, em que estamos em trajetória de alta desde 2016.”

Não posso negar que estamos sempre submetidos à maré das circunstâncias. Só posso escrever hoje sob a influência da conjuntura corrente. Mas faço o convite para perguntarem aos gestores indicados pela Luciana Seabra sobre a qualidade do “passivo da Empiricus” (tecnicamente, não há um “passivo da Empiricus”, é óbvio; nós somos apenas uma publicadora de ideias e informações, falo assim só pra facilitar o entendimento). Se sua amostra for igual à minha, terá como resposta “é bem melhor que o da XP”.

E o tal risco Antonio Kandir pode acontecer de novo? Claro que pode. Estamos no Brasil.

Fora a contabilização dos votos da Previdência em si, há outros riscos bem importantes no horizonte. Lá fora, tanto em termos geopolíticos como econômicos, em especial a dificuldade de retirar estímulos monetários, sob a faca de Dâmocles da ameaça da recessão iminente. Aqui, listo principalmente a chance de aguarem a reforma da Previdência, a possibilidade real de o PIB seguir frustrando as projeções, o tal papo da relação com as milícias e os adolescentes folclóricos e verborrágicos do governo e de seu entorno (para ficar nos exemplos mais emblemáticos: Ricardo Vélez, Ernesto Araújo, Damares Alves, os filhos do presidente e outros membros da matilha de pitbulls – com o devido respeito à liturgia do cargo, o próprio presidente Jair Bolsonaro poderia evitar comentários desidratando a Previdência antes da hora).

E, claro, existem os “unknown unknowns” de Donald Rumsfeld, justamente os mais perigosos. O que sequer não sabemos que não sabemos. Daí é sempre chumbo grosso, porque é o que não estamos esperando de jeito nenhum e, portanto, para do que estamos menos preparados para nos proteger.

Bom, por fim, qual a resposta para a pergunta original? Não tem muita mágica ou segredo. Diversificação, equilíbrio no portfólio e aqueles 10 por cento de sempre para posições em seguros – ouro é meu favorito, mas sempre sobra um espacinho para o dólar e um espacinhozinho para as puts (opções de venda, que se beneficiam da queda dos mercados e das ações).

Se você quer investir assim, aqui está a Carteira Empiricus. Hoje, ela faz aniversário. Há quatro anos, entrega retornos superiores a 200 por cento do CDI (contabilizados, apurados e publicados toda a semana para a devida checagem). Há quatro anos, ela está ajudando o investidor de varejo a ter retornos superiores àqueles dos profissionais.

Nesta data comemorativa, convidamos todos para a festa, abrindo totalmente as portas da Casa. Ao assinar a Carteira nesta sexta-feira, você ganha acesso a todo o conteúdo da Empiricus até dia 8 de março (isso mesmo, todas as nossas séries até dia 8, pelo preço de apenas uma assinatura). Conheça por dentro. Critique depois.

Mercados iniciam a sexta-feira em clima positivo, empurrados por bom humor no exterior. Bons indicadores na China animam o ambiente, depois da frustração com dados da indústria na véspera. PMI/Caixin subiu para 49,9 pontos em fevereiro, acima dos 49 previstos.

Agenda nos EUA traz dados de renda pessoal, PMI Markit, sentimento do consumidor e ISM. Por aqui, balança comercial de fevereiro, IPC-S e PMI Markit também.

Ibovespa Futuro abre em alta de 0,5 por cento, dólar e juros futuros sobem moderadamente.

P.S.: Para quem acha que o e-mail inicial é uma exceção, trago outros dois, também recebidos ontem. Tirem suas próprias conclusões.

Oi Felipe,

Td bem?

Escrevo pra tentar dialogar sobre o texto dessa 5a feira.

Se eu soubesse quem são os outros três leitores, talvez o fizesse com algum deles. Porem, posto que nao sei quem são, só me resta escrever pra ti.

Li a notícia quando o Rodolfo e o Felipe foram pra Columbia aprender a avaliar empresas (ações) de tecnologia.

Depois desse treinamento o Rodolfo passou a escrever: “precisamos aprender a avaliar as ações pelo que elas são”.

Lendo teu texto de hoje, me pergunto se eu devia ainda guardar algum resquício dos ensinamentos daquele autor, aquele… Aram? Braham? Graham?

O pai do value investing desenvolveu (e atualizou) sua teoria numa época em que não havia internet, as informações estavam trancadas nas gavetas e escaninhos dos escritorios, nao publicamente postadas nos Fundamentos.com da vida.

O modus operandi das empresas não eh mais o mesmo, e o foco das empresas que mais se desenvolvem com certeza nao eh mais o mesmo – antes era vender o produto, agora eh atender ao cliente.

Nessa “nova” época em que vivemos, questiono se os princípios por ele desenvolvidos ainda tem utilidade, e vejo que tu também tem essa pergunta bem viva.

Sou investidor iniciante, me dou o direito de não entender muito de balanços e projeções de fluxo de caixa.

Porém, penso que de tudo o que se pode tentar ver e projetar, a única coisa real eh a situação da empresa hoje, seu time de gestão, os objetivos que este tem e a credibilidade e competência para levar a cabo o planejado (tbm li sobre OKRs, fiquei emocionado por saber que estou lendo um material que tu já leste, e sem a tua recomendação).

O resto tudo, está no passado, portanto devidamente sabido, ou no futuro, que só a Deus pertence.

Posso contratar um profissional sabendo quem ele eh, quais são seus valores, quais aptidões ele tem e se tem algum histórico de fracassos+derrotas+aprendizado.

Depois a gente contrata e acompanha a geração de resultados.

Me parece que investir em ações passa a ser feito da mesma maneira. As novas perguntas são:

I) Qual o setor? Quero entrar?

II) Quem eh a pessoa (time de gestao) por tras?

III) Quais são seus objetivos?

IV) Tem condições/aptidões/ histórico para entregar os resultados que propõe?

V) Topo a aposta com o valor de um lote (100, 200, 350…) de acoes?

Se a resposta for “sim” para essas 5 perguntas, entramos no barco e aguardamos os resultados (dividendos ou crescimento do preco das acoes).

Adoro ler as análises dos profissionais da Empiricus (meus favoritos são o Max e o Sergio Oba). O que eles escrevem me traz informações sobre o time de gestão e o plano de ação da empresa. Depois, vejo qto custa o lote de 100, e se topo perder esse tanto pra ter o benefício de, se tudo der certo, receber aquele dividendo ou ver o preço da ação subir.

O resto, e’ um grande “leap of faith”; pagando pra ver.

Adorei a publicação do Palavra dessa semana. Opcionalidades pra quem topa perder um pouco (OIBR3 a R$ 1.8, jura?) e, quem sabe, ganhar muito.

Grande abraco,

(Aguardando aquela conversa por Skype com o Tiago Veras. Tinha ficado pra Fevereiro, mas acho que vai ser só depois do Carnaval, kkk… Ainda assim, gostaria de ter aquela conversa, avisa ele pra mim, por favor)

Olá Felipe, tudo bem?

Já tentei te enviar e-mail antes, pedi um amigo para mandar uma mensagem me indicando e o Thiago até entrou em contato comigo, ficamos de marcar um café…que nunca aconteceu. Mas infelizmente, sou insistente e não vou desistir. Vi que tem estado bastante ativo no Linkedin ultimamente e decidi tentar contato por aqui desta vez.

Indo direto ao ponto: todo grande investidor teve um grande mentor e eu gostaria muito que o meu fosse você! Admiro muito tanto suas ideias quanto seus ideais. Sua postura em reconhecer a ignorância do gestor em relação a movimentos de preços futuros é muito difícil de se encontrar por aí. Também sou do time de que preço alvo é balela, da minha época de M&A, afirmo com tranquilidade que um DFC aceita qualquer coisa. Para mim, a humildade de reconhecer o que está fora do seu controle e gastar energia com aquilo que realmente pode e merece ser analisado, permite ao gestor alcançar outro patamar.

Além disto, a Empiricus, principalmente via sua persona, assumiu um protagonismo na causa que sempre me importo, a educação financeira no Brasil. Uma sociedade que ainda está acostuma a ter poupança e imóveis como únicos “investimentos”. Pelo menos, a mamata dos juros de dois dígitos acabou e, mesmo que não por livre iniciativa, os investidores brasileiros terão que evoluir. Já estou acostumado a receber o preconceito dos pares do mercado financeiro ao mencionar a Empiricus nas conversas, mas acredito que por essa missão, a briga vale a pena. Talvez o ódio dos inimigos até deixe as coisas um pouco mais divertidas…rs…

Acabei de me formar mestre em finanças pela FGV (seguindo seus passos já) e faço CFA L2 agora em junho, apesar de saber que a academia não nos ensina nada sobre investimentos. Desenvolvi um trabalho mostrando que nosso mercado ainda não é eficiente na forma semiforte para as small e mid caps brasileiras, caso tenha interesse, posso te enviar. Me desliguei recentemente da gestora em que era sócio, devido ao excesso de trades e de confiança nos números mágicos cuspidos pelas planilhas, numa pequena casa, que se vende como fundamentalista e de longo prazo. Invisto desde que me formei, já achei que fosse ficar multimilionário antes dos 25 com day trade de opções, aí veio a vitória da Dilma nas eleições em 2014 e me colocou no meu lugar, perdi tudo que ganhei, além de todo o capital do imóvel que vendi para operar na bolsa. Mas faz parte, isso me permitiu ser o investidor realmente focado no longo prazo, buscando exposição ao risco e diversificação adequada, que sou hoje. Comecei a gerir novamente minha carteira própria em 2017 e os resultados estão vindo, 40% desde fev/17. Atualmente vivo somente dos rendimentos dela.

Enfim, se chegou até aqui, muito obrigado por ler esta mensagem. Espero que possamos marcar um bate papo um dia para nos conhecermos pessoalmente.

Grande abraço de seu fã.


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