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A partir de agora, o trade eleitoral se encaminha para sua fase mais decisiva, na qual o efeito possibilidade passa a se transmutar em efeito certeza.
Enquanto as últimas pesquisas apontam empate técnico no 2o turno entre os dois principais candidatos, o jogo ainda segue em aberto; muita coisa pode acontecer num pequeno recorte de tempo.
Em particular, pedimos atenção à janela de 20 dias que antecede o 1o turno, em 4 de outubro, pois ela costuma gestar um cluster extremo de volatilidade política.
Apertemos os cintos, porque o próximo passeio será com emoção.
O que exatamente vai acontecer depende de decisões tomadas no Lago Paranoá ou na Lagoa dos Cisnes, sejam eles cinzas ou negros. Mas a leitura do passado recente permite certas ilações probabilísticas.
Do lado do status quo, o PT parece razoavelmente tranquilo diante da piora de popularidade do presidente Lula, acompanhada da ascensão de Flávio nas pesquisas.
Isso talvez indique que “tudo o que podíamos fazer já foi feito”, e agora só resta torcer e não cometer novos erros. Ou pode prenunciar a iminência de um golpe final contra a concorrência.
Durante o 7 de Setembro organizado na Paulista, Flávio disse ter medo de uma “terceira facada”, e revelou que faz campanha com colete à prova de balas.
Em se tratando de uma metáfora, a terceira facada remete à possibilidade de um novo vazamento indigesto, na cara do gol, de modo a minar definitivamente as chances de virada eleitoral.
Por orientação metodológica, se estamos preparados para qualquer tipo de cenário, devemos estar preparados também para esse cenário específico.
Vamos imaginá-lo então, um pouco mais em detalhes.
Para fins didáticos, podemos supor três níveis de impacto a partir deste evento dramático:
- Impacto neutro -> trata-se de um vazamento sem grandes novidades em relação ao que já foi ventilado, e/ou que fica em segundo plano diante da gravidade das denúncias envolvendo Alexandre de Moraes, Lulinha ou quem quer que seja associado ao PT.
- Impacto moderado -> o vazamento é suficiente para subtrair entre 5 e 10 pontos de Flávio, mas insuficiente para transferir esses pontos integralmente à terceira via; ainda assim, o 1o turno de Lula não estaria garantido, e haveria um mínimo de tempo hábil para os opositores buscarem recuperação no 2o turno.
- Impacto máximo -> Flávio é atingido por uma bomba atômica, de modo que perde completamente sua competitividade e viabiliza por tabela um candidato da terceira via.
Bem, se estamos certos nesse exercício de decomposição, parece razoável afirmar que nenhum dos três níveis implica necessariamente um “golpe final”.
O nível neutro preservaria a competitividade atual, enquanto o nível máximo poderia ser inclusive pior para Lula, na medida em que ressuscitaria um candidato alternativo com rejeição menor que a de Flávio.
Por fim, o nível moderado, embora seja o melhor dos três para a campanha petista, dificilmente sacramenta a disputa. Vem com o agravante de uma bomba que tem que explodir em dose cuidadosamente calculada; isso depende não só das componentes bombásticas, mas sobretudo de quão inflamável é o eleitorado em questão.
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