1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Day One

Behind the curve, mas só porque ele jogou a curva à frente

O corte sequencial de 25 bps para hoje à noite está praticamente garantido; a dúvida paira sobre a reunião de setembro.

Por Rodolfo Amstalden

05 ago 2026, 13:00

lupa investidor mercado

Imagem: iStock/ @deepblue4you

Encomendado pelos bons deuses da Odisseia, o Focus dessa semana trouxe um pouco de paz para a trajetória da inflação esperada, jogando 2026 para baixo e estabilizando os próximos dois anos.

Mesma coisa para a produção industrial de junho que saiu ontem, aquém do esperado.

Assim, o corte sequencial de 25 bps para hoje à noite está praticamente garantido; a dúvida paira sobre a reunião de setembro.

Nós entendemos que existe espaço para pelo menos mais um corte de 25 bps, e achamos que esse é um ritmo sensato diante de tantas incertezas internas e externas.

No entanto, o eventual corte de setembro está ainda muito longe das altas garantias do ajuste de hoje.

Ele dependerá, naturalmente, da próxima rodada de indicadores macro. E dependerá ainda mais do discurso escolhido pelo Copom para referendar seu arcabouço decisório.

Nisso, talvez Galípolo (que é um sujeito esperto) já esteja aprendendo com as primeiras lições de Kevin Warsh no comando do Fed.

Desde que assumiu a cadeira, Warsh vem trabalhando para eliminar o forward guidance e adotar uma gestão mais purista de política monetária, na qual o juiz influencia o mínimo possível no resultado do jogo.

Essa ideia não vem da cabeça dele, mas segue uma corrente teórica solidificada por Mervyn King, ex-comandante do Bank of England e agora consultor do Fed para nuances de comunicação com o mercado.

A premissa é muito simples: o mercado sempre reage ao que se espera que o Banco Central vá fazer em seus próximos passos.

Assim, a maior parte do serviço de apertar ou afrouxar as condições de crédito é feita pelo próprio mercado; ele só precisa de um empurrãozinho bem direcionado.

Tomando como exemplo o último discurso de Warsh, foi exatamente o que aconteceu. O Fed preferiu não subir juros em seu último encontro de julho, mas Warsh (inteligentemente) abriu flancos em seu pronunciamento de modo a fomentar uma escalada da curva, feita pelo próprio mercado. Então, foi uma decisão possivelmente dovish, acompanhada de uma retórica bem hawkish, de modo a neutralizar os riscos da decisão no tempo.

Para ser capaz de fazer algo assim, um presidente de Banco Central tem que cultivar um ego budista, que aceite não ser o centro das atenções. Em troca, ele consegue fazer o seu trabalho com bem menos esforço.

Veremos, portanto, se Galípolo espelhar-se-á em Warsh.

Ironicamente, quanto mais duro (ou “não mole”) o tom e ata da decisão do Copom desta noite, maiores as chances de poder cortar de novo em setembro.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.