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Day One

Quem está por cima, e quem está por baixo?

Mesmo sem veia empreendedora, pequenos milagres também podem ocorrer quando o ambiente econômico e político joga a favor

Por Rodolfo Amstalden

02 set 2026, 13:00

[Imagem: serggn/Getty Images]

(Imagem: serggn/Getty Images)

Em meio ao clássico debate sobre se as melhores análises são top-down (privilegiando o macro) ou bottom-up (começando pelo micro), a resposta mais óbvia é a de que precisamos andar nas duas direções, respeitando um processo iterativo entre o individual e o coletivo.

Se fôssemos aqui realmente obrigados a escolher apenas uma abordagem, escolheríamos a bottom-up. Acreditamos na capacidade de uma veia empreendedora fazer pequenos milagres, mesmo quando o ambiente econômico e político joga contra.

No entanto, é preciso reconhecer que existem momentos no ciclo em que a análise macro importa muito, enquanto a micro deve ser colocada temporariamente em segundo plano; e há razões para acreditar que estamos vivendo um desses momentos.

Como insight rápido, se pegarmos o balanço da temporada 2T26 no Brasil, encontraremos resultados pouco animadores, para usar um eufemismo.

Fonte: BTG

A visão consolidada é salva basicamente pela contribuição bélica de Petrobras. Porém, à medida que aplicamos os devidos filtros, vemos os deltas minguarem YoY, até chegarmos a um recorte de Domésticos com queda (!) dos lucros.

Logo, sob tal ótica, qualquer decisão bottom-up para se investir em Bolsa parece pouco convidativa.

Mas não é a toa que o Ibovespa conseguiu se levantar por meio de dez pregões consecutivos de alta, deixando para trás as perdas do início de agosto.

As chances de guinada eleitoral voltaram à pauta, e um próximo corte de Selic ganhou embasamento por meio de leituras de inflação e – sobretudo – desaceleração da atividade.

HFTs, players gringos e institucionais começam a montar estruturas de opções com vencimentos de outubro a dezembro, visando colher uma eventual vol do bem.

É assim que tudo geralmente se inicia, pois essas estruturas são leves, permitindo uma exposição em que perdas limitadas podem ser oferecidas em troca de ganhos elevados.

Difícil acreditar?

Mesmo sem veia empreendedora, pequenos milagres também podem ocorrer quando o ambiente econômico e político joga a favor.

PS.: Aos investidores desejosos de conhecer uma dessas estruturas de opções, recomendo ler a edição de amanhã da nossa Carteira de Small Caps.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.