Dinheiro, simplicidade e cisnes negros

“A simplicidade é a maior das sofisticações” Leonardo da Vinci “Vá a uma mesa de blackjack; mantenha uma contagem; comece do zero; some um para […]

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Dinheiro, simplicidade e cisnes negros

“A simplicidade é a maior das sofisticações”
Leonardo da Vinci

“Vá a uma mesa de blackjack; mantenha uma contagem; comece do zero; some um para cartas fortes; diminua um para cartas fracas; e nada para as outras. É mentalmente fácil ir aumentando ou diminuindo a aposta pouco a pouco – apostar mais quando o número for alto, menos quando for baixo –, e uma estratégia como essa pode ser aplicada de imediato por qualquer pessoa capaz de amarrar os sapatos ou de encontrar um cassino num mapa. Mesmo no caso do uso de computadores vestíveis na roleta, decretar a vantagem era simples, tão simples que seria possível fazer isso durante um exercício com uma bola de pilates.”

Isso é Nassim Taleb falando do método de Ed Thorp, no prefácio de “Um homem para todos os mercados”. Thorp é, entre outras coisas, o sujeito que “quebrou a banca”, além de mega investidor. A partir de um método simples (a extensão formal do chamado Kelly Criterion), chegou a resultados absolutamente surpreendentes. Entre as descobertas derivadas das suas brincadeiras, descobriu antes de Black-Scholes-Merton a fórmula para precificação das opções – como seus cálculos não eram suficientemente sofisticados, acabaram classificados como simples demais, sem que ninguém pudesse perceber seu real poder.

Se você recuperar a edição de ontem do Melhores Ações da Bolsa com as ideias do gênio Luiz Alves Paes de Barros, perceberá o quanto aquilo é simples. Chega a ser impressionante o poder de um método simples e prático gerar bilhões de reais em Bolsa.

Volto ao prefácio de Taleb:

“Agora vamos falar de gestão financeira – algo crucial para quem aprende se expondo a lucros e perdas. Ter uma vantagem e sobreviver são duas coisas bem diferentes: a primeira depende da segunda. Como disse Warren Buffett, ‘para ter sucesso, primeiro você precisa sobreviver’. Você precisa evitar a ruína. A todo custo.

E existe uma dialética entre você e seus lucros/prejuízos: você começa apostando pouco (uma proporção do capital inicial), e o seu controle de riscos – a dosagem – também controla a sua descoberta da vantagem. É como tentativa e erro, o que leva você a revisar devagar tanto o seu apetite pelo risco quanto a avaliação que vem fazendo de suas probabilidades.

Estudiosos de finanças não entenderam que evitar a ruína torna as estratégias de jogo e de investimento muitíssimo diferentes daquilo que se propõe na literatura acadêmica. Professores universitários são pagos por administradores para tornar a vida mais complicada, não mais simples. Eles inventaram algo inútil chamado de teoria da utilidade (dezenas de milhares de artigos seguem aguardando leitores de verdade). E inventaram a ideia de que uma pessoa poderia saber de antemão o comportamento coletivo dos preços futuros com detalhes infinitos – coisas como correlação, que poderiam ser identificadas hoje e que jamais mudariam no futuro. (…) Se já seria sorte adivinhar o que vamos comer amanhã no almoço, como conseguiríamos descobrir o funcionamento dessa dinâmica até o fim dos tempos?

O método de Thorp não exige nada disso. Na prática, você precisa saber da proporção entre o lucro esperado e o retorno no pior cenário possível – ajustada de maneira dinâmica (ou seja, a cada aposta) para evitar a ruína. Só isso.

Apesar de seu atrativo prático, suas ideias foram rejeitadas pelos economistas, em virtude do amor que estes sentem por teorias gerais que expliquem os preços de todos os ativos, a dinâmica do mundo, etc.(…) Em última instância, nenhum trabalho desses economistas vai sobreviver: estratégias que permitem a sobrevivência não são a mesma coisa que a capacidade de impressionar colegas.

Assim, o mundo hoje está dividido entre dois grupos que usam métodos distintos. O primeiro é o dos economistas que tendem a falir em de vez em quando ou a enriquecer cobrando taxas para gerir finanças alheias, mas não especulando diretamente. Lembre que o LTCM, que contou com o crème de la crème dos economistas da área financeira, faliu de modo espetacular em 1998, perdendo muitas vezes o total de dinheiro que eles previam perder no pior cenário possível.

O segundo grupo é dos teóricos da informação, de que Ed foi pioneiro. Ele é praticado por traders e traders-cientistas. Todo especulador que sobrevive usa explícita ou implicitamente esse método (provas: Ray Dalio, Paul Tudor Jones, Renaissance Technologies, até o Goldman Sachs!). Digo ‘todo especulador’ porque quem não faz isso uma hora ou outra acaba quebrando.”

Desculpe a longa citação. Normalmente não gosto disso, mas precisei do longo trecho para expor a essência da coisa.

Há uma falsa crença de que quanto mais sofisticado você for, mais dinheiro vai ganhar. Isso é mentira. Os “técnicos” adotam uma sofisticação exagerada em suas apresentações simplesmente para parecerem mais inteligentes ou, ainda pior, para tentar expulsar o interlocutor da discussão, disfarçando assim a sua própria fraqueza.

A Economia, num claro esforço de autoafirmação, adotou a hipótese de ergodicidade (já falo dela) como tentativa de se aproximar do hard science (da Física, da Matemática) e afastar-se da História e de outras ciências sociais. Assim, supostamente, a partir da matematização e da formalização cuspir resultados isentos, blindados do viés do observador e do cientista.

Esquecem-se de que a construção dos modelos, sua parametrização, sua especificação e suas premissas passam necessariamente pelo critério do cientista. Uma vez construída, a formalização, de fato, é fria, blindada dos vieses e das crenças do pesquisador. Mas sua construção, não. Ao contrário, ela enfrenta rigorosamente os mesmos problemas, de tal sorte que a matematização não é nada mais do que a descrição quantitativa da subjetividade do analista.

Apenas para não passar em branco (você pode pular esta parte chata mais técnica sem nenhum problema): ergodicidade é basicamente a capacidade de uma determinada variável preservar suas propriedades estatísticas elementares ao longo do tempo. É isso que permite o uso da Econometria (de métodos estatísticos aplicados à Economia). Em alguma instância, pode também ser vista como a possibilidade de a realidade ser representada por um modelo, uma construção simplificada sem perda de generalidade.

Quanto mais formal, matematizado e sofisticado um determinado método, mais impressionante ele parece. Ao mesmo tempo, pode ser também mais problemático. Isso porque a modelagem, ao tentar simplificar e pasteurizar a realidade, joga fora toda sua complexidade, a incerteza e a aleatoriedade a ela associadas, que são justamente os elementos mais relevantes. O bebê vai embora junto com a água do banho.

Não há nada mais sofisticado do que ser simples para investir. A minha regra pessoal para gestão de recursos obedece a regras tremendamente simples:

1 – Jamais adote qualquer estratégia que lhe imponha risco de ruína/falência/ser expulso do jogo. Não importa o retorno potencial – mesmo que ele seja infinito, você não entra. Não importa se a probabilidade de ruína é muito baixa – a probabilidade de morrer amanhã é mesmo baixa para qualquer estimativa que você traçar; mesmo assim, você não pode se dar ao luxo de ir por esse caminho definitivo.

2 – Antes de decidir investir ou especular em qualquer coisa, se pergunte: quanto eu posso perder aqui no pior cenário possível? Compare isso com o quanto você pode ganhar no melhor cenário possível. Se as perdas potenciais superarem os ganhos potenciais no caso extremo, evite a estratégia. Shortear (apostar na queda) de uma ação não é igual a comprar com um sinal de menos na frente. Se você comprar uma ação e estiver errado sobre aquilo, vai perder 100 por cento do que investiu. Se você shortear uma ação e estiver errado, pode perder quanto? 1.000 por cento? Basta uma desta para você morrer financeiramente. É melhor ter caixa ou comprar put, transformando uma ideia côncava (vender ação) em convexa (comprar opção de venda).

3 – Ao participar de uma rodada específica de blackjack (ou de investimento), você estará muito sujeito à incidência da aleatoriedade. Jamais vai poder saber qual o resultado daquilo. Agora, se tiver um método consistente e jogar aquilo repetidas vezes, chegará ao final com um resultado positivo. Claro, isso só funciona se, de fato, o jogo foi repetido por rodadas suficientes. Para fazer valer a chamada Lei dos Grandes Números, você vai precisar chegar vivo até o final do processo, até a repetição exaustiva de rodadas. Então, precisa calibrar adequadamente quanto apostar em cada rodada. Aí voltamos a Ed Thorp, que formalizou isso a partir da aplicação do Kelly Criterion.

Se você gostaria de saber mais sobre o Critério de Kelly, hoje faço o convite para se cadastrar no meu mais novo projeto, que batizei de Cisne Negro. Nele, vou disponibilizar um material proprietário sobre Kelly Criterion. O cadastro é totalmente gratuito e, entre outras coisas, colocará você frente a frente com o atual Prêmio Nobel de Economia. Aqui também estará meu método prático e eficiente para você ganhar dinheiro com ações. Nada mais simples.

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No mercado de moedas, libra sofre perda mais intensa, após fraqueza da inflação no Reino Unido arrefecer apostas em alta adicional do juro pelo BoE.

Agenda doméstica traz fluxo cambial semanal e segunda prévia mensal do IGP-M, em alta de 0,40 por cento, contra estimativas de 0,33. Nos EUA, saem Livro Bege do Fed e uma bateria de resultados corporativos.

Ibovespa Futuro abre em alta de 0,5 por cento, dólar cai contra o real e juros futuros recuam.