Eu finjo ter paciência

Você está confortável com seus investimentos? Qual percentual do seu portfólio está em risco? Você tem algum seguro para sua carteira? O que já foi é passado, não há como consertar. Mas dá, sim, para se preparar melhor para a incerteza à frente.

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Eu finjo ter paciência

“Mesmo quando tudo pede 
Um pouco mais de calma 
Até quando o corpo pede 
Um pouco mais de alma… 
A vida não para”

Só tenho olhos (ou melhor, ouvidos) para o Lenine nos últimos dias.

Sua música “Paciência” é um bálsamo para as turbulências mais recentes do mercado financeiro.

Definitivamente, a vida não para. Uma semana é a Petrobras e a greve dos caminhoneiros; na outra é a BRF (com Parente ou Minerva); na seguinte, o foco volta para as eleições; na posterior, uma nova tragédia paralisa o país; e depois todo mundo se une para a Copa.

Você não precisa se sentir sozinho neste momento de tensão. Só no Brasil, há mais de 70 milhões de contas de investidores.

Mas não somos e nem devemos querer ser iguais.

Enquanto alguns perdem tempo se arrependendo do que fizeram ou do que não fizeram, o Ibovespa já passou a cair 0,4% neste ano e se distancia do patamar dos 87 mil pontos, alcançado em fevereiro. O dólar dispara 18% em 2018, perto dos 3,85 reais, e os juros sobem num ritmo intenso, se reaproximando de ganhos reais da ordem de 6% ao ano.

Pode piorar? Sinceramente, pode.

Mas de nada adianta ficar se lamentando, pensando que deveria ter alocado maior (ou pelo menos alguma) fatia em dólar para proteger seu portfólio, como repetimos aqui na Empiricus quase como um mantra. Já foi, amigo, maio passou.

E nem tente também adivinhar o que vem pela frente, à la Mãe Dináh.

Nesta semana, um economista fez um levantamento em que apontou que, dependendo do próximo presidente eleito, o Ibovespa poderá variar entre 45 mil e 170 mil pontos, com o dólar entre 3,25 e 4,40 reais, até o fim do ano. Esse tipo de “projeção” diz alguma coisa para alguém? Você vai comprar Bolsa ou moeda americana a partir dessa simulação?

A única certeza que se desenha neste momento é que tem muita gente por aí fazendo o que mais gosta: chutando o que está por vir, depois de não ter conseguido captar nem parte do movimento que já foi.

“Enquanto todo mundo 
Espera a cura do mal 
E a loucura finge 
Que isso tudo é normal… 
Eu finjo ter paciência”

Eu gostaria de ter a maior paciência do mundo para os mercados, mas, como bem disse o João ontem, o que importa é o agora.

Você está confortável com seus investimentos? Qual percentual do seu portfólio está em risco? Você tem algum seguro para sua carteira, em dólar, ouro ou opções?

O que já foi é passado, não há como consertar. Mas dá, sim, para se preparar melhor para a incerteza à frente. Sem desespero, sem perder o racional.

Alocando, contudo, um pouco nos fundos cambiais da Luciana, ou melhorando a fatia pós-fixada do seu portfólio de renda fixa, como mostramos no Você Investidor nesta semana, ou ainda seguindo as sugestões certeiras do Sergio para ver onde estão as mais seletivas oportunidades de Bolsa.

Não estou dizendo que consigo ignorar completamente o pessimismo de figuras como Rogério Xavier e Mohamed El-Erian, cujas declarações reverberam ainda hoje no mercado. Mas um pouco mais de pragmatismo é bem-vindo para não se perder nesse ambiente hostil e contraproducente.

Vamos buscar a tal da paciência. E aproveitar para ir às compras nas oportunidades e saber admitir que o que perdemos já foi. É hora de ajustes parcimoniosos.

Enquanto você dedica um tempo para analisar como está alocado seu dinheiro, os mercados iniciam o dia novamente num clima de tensão, embora com uma agenda relativamente esvaziada.

Lá fora, as atenções se voltam aos dados de auxílio-desemprego e de crédito ao consumidor nos Estados Unidos. Por aqui, o IGPā€DI de maio teve alta de 1,64%, após inflação de 0,93% em abril.

O Ibovespa futuro negocia em queda de 1,3%, enquanto dólar futuro sobe 1,5% e contratos de juros com vencimentos mais curtos seguem em alta.