Seja o próximo brasileiro a investir em ações

Mais brasileiros não investem em ações porque os brasileiros não investem em ações. No início da década de 1970, também era inconcebível imaginar uma pessoa correndo na rua por esporte.

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Seja o próximo brasileiro a investir em ações

Por que não temos ainda 5 milhões de brasileiros investindo em ações?

Há várias causas, é claro. Confesso que tenho dificuldade de entender efeitos com múltiplas causas. Vou escolher uma só, minha preferida por enquanto.

Mais brasileiros não investem em ações porque os brasileiros não investem em ações.

Eu sei, eu sei, tem todo o jeito de uma tautologia, uma verdade em si mesma, um argumento circular. Só que não é não. Explico-me.

Aqueles leitores do Day One acima de 50 anos podem testemunhar rigorosamente, mas o fato é que, no início da década de 1970, era inconcebível imaginar uma pessoa correndo na rua por esporte.

Meu pai mesmo conta que a primeira vez que ele viu um sujeito fazendo cooper na rua, com shortinho e regata, ficou pasmo, paralisado. “O que esse cara tá fazendo? Ele não tem carro, moto, bicicleta? Onde ele quer chegar? Que doidão!”

Reportagens sobre programas de corrida para mulheres grávidas despertavam extrema revolta em famílias cujas grávidas fumavam um maço de Charm por dia.

Veja que nada – absolutamente nada – impedia as pessoas de vestirem um calçado qualquer e saírem correndo pelas ruas antes da década de 1970.

Ainda assim, ninguém fazia. Por quê?

Ninguém fazia pois ninguém fazia.

Existe sempre uma enorme “barreira à entrada” contra fazer coisas que a maioria das outras pessoas não faz.

Dois dos principais protocolos evolutivamente inseridos em nossos cérebros são o de copiar normas sociais e o de cultivar hábitos previamente adquiridos.

Logo, nossas próprias preferências nunca são independentes das preferências das pessoas que vivem à nossa volta (normas sociais), e nem do nosso comportamento passado (hábitos adquiridos).

É irônico, mas nem sempre somos capazes de escolher nossas preferências. Boa parte delas toma conta de nós por meio do contágio coletivo e da inércia.

Felizmente, as mesmas forças que sustentam essa barreira à entrada trabalham para derrubá-la assim que ultrapassamos um tipping point no qual uma minoria começa a tomar corpo.

Você provavelmente tem pelo menos cinco conhecidos que agora investem em Bolsa, e não investiam cinco anos atrás. Quem sabe em 2023 não seremos 5 milhões?

Em 2018, a ideia de negócio da Empiricus soa completamente maluca para a maioria das pessoas. Estamos cientes disso. Por que o investidor brasileiro médio – viciado em poupança e imóveis – vai querer se informar sobre as Melhores Ações da Bolsa?

Hoje, a concepção de um “vendedor de eletricidade” também soa completamente maluca. No entanto, por muitas e muitas décadas, na Europa e nos EUA, vendedores profissionais pegavam suas pastinhas e batiam à porta das casas de consumidores céticos para tentar convencê-los a comprar energia elétrica.

Aquilo que é maluco em um contexto pode ser lúcido em outro, e vice-versa.

Sim, eu sou louco para conhecer as Melhores Ações da Bolsa