Siga Warren Buffett pela avenida Amazonas

“O Jadson é craque ou sonolento? Até hoje não sei.” “Sei lá. Os dois, acho.” “Muito churrasco. Só pode.” “Mais uma?” “Ainda tem aqui. Brigado.” […]

Siga Warren Buffett pela avenida Amazonas

“O Jadson é craque ou sonolento? Até hoje não sei.”
“Sei lá. Os dois, acho.”
“Muito churrasco. Só pode.”
“Mais uma?”
“Ainda tem aqui. Brigado.”
“Mata aí pra eu buscar outra mais gelada. To indo lá.”
“Uhum. Tó.”

Ele vai até a cozinha e abre a porta do congelador. Pega duas Heinekens segurando-as pelas pontas, algo que se habituou a fazer na época em que acompanhava o tio Dácio servir fregueses no bar Xodó. “Se pegar no meio, congela. Olha como ela tá toda suada, molhadinha.”

Volta com as duas garrafas verdes capturadas pelo longo pescoço. Uma está entre o dedo indicador e o médio; outra entre o médio e o anelar. Estica o braço e entrega a primeira para Fabrício. “Valeu.”

Sente um pouco de fome e saca uma barra de proteína no bolso. Oferece a Fabrício. “Que merda é essa? Esse é o tira-gosto servido nesta casa agora? Cadê o amendoim? O salame? Já foi melhor, hein? Até azeitona eu topava.”

Ele também acha que já foi melhor. A mensagem disparada contra si junto à imagem de dois marmanjos vendo o Majestoso — a forma com que os mais antigos chamam o clássico entre Corinthians e São Paulo — remete aos tempos em que seguia o Timão com fé religiosa na companhia de Tom. Ambos eram perdidamente apaixonados pelo clube alvinegro e orgulhavam-se de suas coleções de camisas, algumas delas autografadas por Rivelino, Sócrates, Vladimir, Casagrande, Ronaldo (o goleiro; não o Fenômeno), Neto, Biro-Biro, Ezequiel, Márcio Bittencourt, Paulo Sérgio, Tupãzinho e Carlos Tévez.

Lembranças inesquecíveis em que ele e seu irmão mais novo perdiam-se na multidão miscigenada enquanto comiam um calabresa sem cebola regado a bastante pimenta. Eram dois e meio para cada, ainda insuficientes para satisfazer toda a larica estimulada pelo que haviam consumido na arquibancada. Até do odor forte e desagradável de urina, típico das escadarias sujas e pichadas do Pacaembu, ele sente falta.

 

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Enquanto Márcio não superar de maneira estrutural a culpa pela morte do irmão, cada tempestade psíquica escorrerá pelos mesmos sulcos tortuosos e torturantes de sempre. O pathos vai sendo pago aos poucos, conforme a correnteza vai limpando os vestígios deixados por temporais anteriores. Tenta se convencer de que coisas na vida apenas acontecem, como se vivêssemos muito mais na voz passiva do que nosso desejo de controle gostaria de supor. Auden é seu poeta favorito. “We are lived by powers we pretend to understand.”

O esforço é inócuo. Até procura motivos para dizer “sou feliz por isso”, alternando momentos em que tenta se propor ser feliz “a despeito disso”, o que não acha mais possível depois dos últimos acontecimentos. Um divórcio, a perda da mãe e a morte do irmão em menos de dois anos são muitos “a despeito de” concentrados em um curto intervalo de tempo. “Acho que pra mim não dá mais.”

A autoimagem de herói ainda não permite livrar-se da autopunição psíquica, embora o acerto na dose do antidepressivo, que também contém efeito hipnótico importante para ajudá-lo a dormir (sempre teve dificuldade para pegar no sono), e do estabilizador de humor venha contribuindo. O dia oferece céu azul e sol amarelo intenso. Isso no exterior. Internamente, ainda está cinza e nublado.

Fagner recebe a bola em profundidade e cruza em arco com a chapa do pé, fazendo efeito para dentro, com a redonda fugindo do goleiro e pegando o atacante de frente, pronto para ir ao encontro da bola e testar a criança com força e precisão para o fundo do gol. O camisa 9 o faz como manda o figurino. Cabeceia para baixo. A bola quica um pouco para frente da linha da pequena área e sobe caprichosamente para bater no travessão. O São Paulo pega o rebote. O narrador insiste, como sempre, na importância de pegar “a segunda bola, aquela que sobra perto da linha da grande área após o ataque.” O volante liga o meia canhoto aberto pela direita. Ele dribla para dentro fazendo o facão e, usando a visão periférica, observa a passagem do lateral pelas costas. Enfia a bola para a corrida do companheiro. O lateral ameaça cruzar para os atacantes que entram correndo em alta velocidade, mas desvia e rola a bola para o meio e para trás, depois de ver toda a defesa corinthiana passando lotado. O volante são-paulino chega batendo de peito de pé. A bola ainda desvia em um dos zagueiros e vai para a rede. Um a zero São Paulo, depois de um bombardeio do Corinthians. Três bolas na trave, uma dúzia de milagres do goleiro e gols perdidos inacreditáveis. O jogo termina após o único chute tricolor a gol.

Fabrício está revoltado com a derrota. Há tempos não via um jogo de seu time de coração estando em São Paulo. Márcio já não liga tanto. Está mais preocupado com a doença da cachorra. Há vários anos, percebeu o quanto o futebol é decidido por forças aleatórias. Segundo ele, é o esporte em que a sorte desempenha o maior papel. A pontuação baixa, com a partida sendo definida apenas com um ou dois lances, faz com que a randomicidade das coisas cumpra um papel enorme. “No basquete ou no vôlei, o melhor quase sempre ganha. Porque se a sorte ajuda num determinado arremesso ou cortada, no próximo ela atrapalha ou ajuda o outro time. A repetição dos eventos de pontuação implica um certo respeito ao Teorema do Limite Central e à Lei dos Grandes Números.” Apesar da maior ligação com as ciências humanas por conta da influência da mãe, Elza, Márcio sempre teve apreço pela matemática e facilidade com estatística e probabilidade.

“Os torcedores são grandes iludidos pelo acaso”, gostava de repetir quando o ainda presente bom humor lhe oferecia refinada ironia. “Fica difícil torcer com muito vigor quando você descobre que o melhor jogador em campo é a deusa Fortuna. It’s all random, saca?”

Aquele é um dia nostálgico. Não somente pelas memórias desenterradas pela transmissão do jogo de futebol. Mas também pela visita duradoura de Fabrício. O amigo raramente volta à São Paulo. Desde que seus pais se separaram, há mais de 20 anos, foi morar no interior de Minas. Ele assumiu, ao menos formalmente, a administração das fazendas do pai — entre as fofocas da cidade, porém, corre que quem manda mesmo ainda é o velho. Eles acabam de vender a maior de suas fazendas por um preço inimaginável para a mineradora anglo-americana cujos negócios vêm se expandindo a passos largos na região de Guanhães, Serro e Conceição do Mato Dentro. Seu pai manteve relação histórica com o pessoal do banco suíço estabelecido na região do Itaim. Esse é o motivo da vinda de Fabrício à Pauliceia Desvairada.

Com a centena de milhões de liquidez gerados com seu desinvestimento, ele precisa de informações para alocar essa grana. Amanhã será o evento do private banking do banco. Todos os grandes gestores estarão lá e será uma oportunidade relevante para ele. Talvez consiga uma one-on-one com um ou outro gestor. Os menores, com mais chances, claro. Só de ouvir as mesas de debate já será um avanço.

Pediu um ingresso a mais para Márcio, ao saber que o amigo também agora está se dedicando às finanças. Não são os 100 milhões de Fabrício, é evidente, mas a dezena de milhões torna Márcio um cliente em potencial. “Claro, pode trazer seu amigo. Será um prazer enorme recebê-lo.”

Chegam ao evento um pouco atrasados. Márcio está um tanto envergonhado. Ele não gosta de desrespeitar horários. Mas não é só isso. Não se encaixa muito bem naquele lugar. “Isso aqui não tem muito a ver comigo.”

Márcio tem uma ética própria. A sensação só piora quando se lembra que está ali forçadamente — não vai sair de seu banco de varejo tradicional e a percepção de estar enganando o potencial banker, que o trata com excessiva atenção, reforça o desconforto. As roupas caipiras de Fabrício também não ajudam. “Caramba, como ele pode mudar tanto?”, pergunta para si mesmo, sem conseguir conter um sorriso de canto de boca. “Que foi que tá rindo?” “Nada, viajei aqui.”

Assistem com atenção a todas as palestras. Algumas são empolgantes e carregam ideias sagazes. A mais aguardada reserva ironias, alusão ao polvo Paul e metáforas precisas para descrever a situação brasileira. Outras beiram o tédio. Márcio resiste ao sono e sai para um café. Ao final, ambos estão convencidos da genialidade dos gestores. Não há dúvida quanto a isso. Mas divergem quanto ao resultado prático.

Fabrício faz referência a uma das palestras mais incisivas. O sotaque carioca lhe havia ficado marcado.

“Vou ganhar muito dinheiro com este cara. Você viu como ele explica com clareza e contundência?”
“Acho que vai dar merda.”
“Como assim?”
“Ué, vai dar merda. Eu não investiria. Não concordo com o jeito que o cara pensa.”
“Cê não sabe nada de investimento. Não tá em condição de julgar como o gestor pensa. O cara é bom pra caralho. Você não achou ele inteligente?”
“Achei. Isso é inegável.”
“Então…”
“Então o quê?”
“Pô, o cara é brilhante, baita histórico de resultado, respeitado por todo mundo.”
“Muito confiante.”
“Que bom, né? Sinal de que está convicto nas posições. Tá vendo coisa boa, concentrado em umas paradas que vão dar muito dinheiro.”
“Não compro. Cara, te falei ontem. It’s all random. O futebol, a vida, a economia, os mercados. É tudo aleatório. Não dá pra você ser tão confiante assim. Uma hora você erra, porque as coisas mudam do dia pra noite, sem capacidade de antevisão. E o cara muito confiante erra grande.”
“Como assim tudo aleatório? Olha o histórico do fundo. Você não é o Sr. Sabe Tudo de Probabilidade? Qual a chance de isso ser sorte?”
“A chance de apontar ex-ante qual o próximo sortudo é mesmo baixa, quase zero. Mas a chance de ter um gestor entre milhares é enorme. Alguém precisava ocupar o posto de fundo mais rentável. Calhou de ser ele. Com sete bilhões de macacos à frente do computador por muito tempo, um escreveria os Lusíadas. Ele pode ter sido apenas o escolhido pela querida Fortuna.”
“Agora estamos no plano certo da conversa. Estamos falando dos deuses. Pra mim, é isso que o cara é.”
“Ah, pronto. Aquele seu lance de estar sempre atrás de uma divindade. Um super-herói para chamar de seu.”
“Cala a boca. Agora o fato de eu ter fé é problema?”
“Relaxa. Não é nada exclusivo seu. É do homem. É Schopenhauer.”
“Hã?”
“É, Schopenhauer. Essa constante e insuperável tentativa de preencher nosso vazio ontológico, existencial a partir de um Deus, um herói, um gestor, uma paixão.”
“Olha, neste caso, você pode falar o que quiser. Se o assunto é grana, eu prefiro rezar pra esse cara aí do que pra Deus.”
“Aí não posso tirar sua razão. O Deus que me apresentaram detestava a usura. E ele era vingativo. Nossa, como era vingativo. O seu parece melhor pra ganhar dinheiro mesmo.”
“Deixa de ser idiota. O cara é reconhecidamente um gênio.”
“Pior ainda. Inteligência e genialidade reforçam o excesso de confiança. Tough ain’t enough. Inteligência e talento não são garantia de nada. É o passe livre pra fazer merda.”
“Você voltou a fumar maconha? Tá louco.”

Ele inclina um pouco a cabeça para trás e respira um pouco mais fundo, como se tentasse buscar uma dose adicional de serenidade dentro daquela manhã desconfortável. Passa o braço direito sob o ombro e, com alguma dificuldade, alcança o zíper da mochila pregada em suas costas. Abre a mala da Nike e arranca um livro bege, com a imagem de um cérebro colorido na capa. Está escrito em negrito: “Mindset”, seguido de “A nova psicologia do sucesso”.

Corre as folhas até a página 131. Lê dois trechos grifados pela caneta marca-texto laranja: “Jeff Skilling (CEO da Enron) não era apenas inteligente; dele se dizia ser ‘a pessoa mais inteligente que já conheci’, de ‘um brilho incandescente’. No entanto, utilizava a capacidade mental não para aprender, mas para intimidar. Quando se achava mais inteligente do que os outros, o que acontecia quase sempre, tratava-os rudemente. Qualquer pessoa que discordasse dele simplesmente não era suficientemente inteligente para ‘sacar’”.

“Na qualidade de gênio da empresa, Skilling tinha confiança absoluta em suas ideias. (…) Essa é uma extensão radical do mindset fixo: “meu gênio não apenas me define e me legitima. Também define e legitima a empresa. É isso que cria valor. Minha genialidade é lucro. Uau! (…) Se gênio e lucros eram a mesma coisa, não importava que às vezes executivos da Enron desperdiçassem milhões de dólares competindo uns com os outros”.

A tentativa de lacração do amigo não funcionou. Fabrício responde com ironia e desdém:

“Falou então, Bonitão do mindset flexível. Você quer comparar a gestora com a Enron? Esse cara tem uma reputação absurda. Acha que ele mancharia a reputação dele?”

Márcio tenta manter a calma. Os impactos do exagero do álcool na véspera reduzem o efeito do Seroquel e do Depakote. Dizem que ele não poderia beber com tais remédios. Ignora os alertas.

“Acho que avancei rápido demais”, responde ao ímpeto do amigo. Ainda de posse do livro na mão, volta algumas folhas para trás. Para na página 123, em mais umas linhas com pano de fundo laranja:

“Tipicamente, os líderes de empresas usadas como comparação se preocupavam com sua ‘reputação de grandeza pessoal’, tanto que, com frequência, preparavam a falência da firma quando seu tempo na direção terminava. Assim diz Collins: ‘Afinal, haverá melhor prova de sua grandeza pessoal do que a falência da firma depois que você a deixa? Em mais de dois terços desses líderes, os pesquisadores reconheceram ‘um ego pessoal de proporções gigantescas’, que ou apressava a ruína da empresa ou a mantinha lá embaixo no ranking. (…) Não se esqueçam que esses grandes gênios tampouco querem ter grandes equipes. Pessoas de mindset fixo desejam ser os únicos mandachuvas, para que, ao se compararem com os que estão à sua volta, se sintam superiores.”

Fabrício desta vez se sensibiliza um pouco mais. Nas últimas semanas, desde a efetivação da tal venda da fazenda, vem notando o ego do pai excessivamente inflado.

“Aí, você tem um ponto. O ego mata o cidadão. Papai fica se gabando ultimamente, todo orgulhoso.”

Márcio suspeita de um certo ciúme, como se Fabrício não admitisse para si que o mérito continua sendo do velho Randolfe, com seu protagonismo sendo incapaz de sair do formalismo dos documentos. Fabrício ainda é um mero coadjuvante, segundo Márcio ouviu de seus conhecidos daquelas bandas. Não quer entrar no mérito. Ali, divide-se apenas entre encontrar alguma boa ideia para fazer a herança recebida da mãe render melhor e a tentativa de evitar um dízimo all-in do fiel Fabrício ao deus gestor de multimercado. Com o amigo confrontado com a tentação e à beira de morder a maçã, Márcio decide não entrar na essência do conflito familiar. Adota a postura conciliadora de apenas alinhar-se ao amigo, como se concordasse com a sua posição, ainda que isso fira um pouco seus princípios de transparência radical:

“Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio. Seu pai é muito católico, não é? Apela pro Santo Agostinho.”
“Vou fazer isso. Precisa desinflar o ego.”
“Quando as pessoas começam a se preocupar mais com a própria reputação do que com o que é certo para as suas empresas ou seus clientes, aquilo é o princípio do fim.”
“A reputação é para os escravos, para quem precisa da aprovação de terceiros porque não tem a própria de forma natural, não é? Essa você já me ensinou. Daquele cara que você gosta.”
“Isso. Do Taleb.”
“Esse aí. Era boa a época em que papai só se preocupava em fazer o que achava certo, não aquilo que os outros iam achar certo.”
“Maldito Facebook. O objetivo de vida do cidadão agora é bater o próprio recorde pessoal de likes no dia.”
“Que merda.”
“Vambora?”
“Preciso só passar no banheiro.”

Enquanto espera, vai buscar outro café. Desde que parou de fumar, o líquido estimulante virou sua companhia para disfarçar a timidez e a inquietude dessas situações. Com efeito, beberia qualquer coisa para não precisar conversar com estranhos que se fingem conhecidos. Poucas coisas geraram nele maior identificação recentemente quanto a frase do protagonista do filme “Lucky”, algo mais ou menos assim: só há uma coisa mais embaraçosa do que o silêncio constrangedor, que é uma conversa constrangedora. Não quer falar do clima, do trânsito, de como andam as crianças, nem tampouco de sua avaliação do governo.

Sem querer, acaba ouvindo uma conversa entre dois ternos italianos bem cortados, preenchidos apenas com camisas azuis por baixo. Nunca havia visto antes duas roupas vazias dialogando e aquilo lhe gera uma estranha curiosidade. Sem se fazer perceber, arremessa a orelha de leproso para o meio dos dois e, ainda que passivamente, passa a se sentir um participante da conversa.

O terno preto vira a tela de seu celular para o terno cinza e mostra sua conta no Twitter aberta na página da CNBC: “Berkshire Hathaway has been buying shares of Amazon, Warren Buffett says”.

“Caramba! O Buffett comprando Amazon?”
“O value investor clássico comprando um case de tecnologia tipicamente associado ao growth investing.”
“Vai dar nó na cabeça de muita gente. A nata do value investing pira.”
“A próxima é a Tesla.”
“Aí já é demais.”
“Já estou vendo o processo ITR da Tesla estampando: Miliravi.”
“Hahahahaha.”

Entre outras coisas, Márcio era um darwinista. Não entendeu muito bem as diferenças entre value e growth investing, muito menos Miliravi, que depois foi consultar no Google e achou um barato. Conseguiu capturar a essência da coisa. Ficou pensando sobre a capacidade adaptativa e a evolução do velho Warren Buffett.

Estava feliz com o desempenho de seu portfólio, composto por 90 por cento aplicados no fundo DI do BTG Pactual Digital e 10 por cento espalhados numa carteira de small caps, composta por SMLS3, PRIO3, BPAC11, ENEV3, EVEN3, OIBR3, LINX3, JPSA3 e ALSC3. Sempre foi talebiano na vida e na arte. Agora também o era nos investimentos, adotando o Barbell Strategy para seu dinheiro. O portfólio anteriormente continha BIDI4, mas a posição foi encerrada seguindo indicação da Empiricus.

Apesar da geral satisfação, há um pequeno desconforto no ar. Sente a lombar pinçando e isso nunca é bom sinal. Há um processo intuitivo em que ele somatiza suas aflições na parte inferior das costas. Ele pensa em Warren Buffett, na Amazon, no seu portfólio. Encontra a razão para a dor no ciático: ele é um dinossauro caipira com investimentos totalmente concentrados em ativos brasileiros. Há um completo viés local, não há moeda forte, quase não há tecnologia, sendo que o mundo caminha pra isso — até o Buffett caminhou para isso.

Ele é tomado pela euforia típica das epifanias. Precisa fazer algo imediatamente, empurrando sua ideia para fora da cabeça antes que ela exploda seu cérebro com tanta pulsação obsessiva presa dentro da caverna psíquica. Manda uma mensagem para Márcio: “Acho que você se trancou aí. Desculpa. Preciso ir”.

Sai de lá e vai correndo abrir uma conta na corretora Avenue — agora ele pode investir no exterior de forma tão simples quanto comprar uma ação aqui na B3. É um passo importante. Começa, claro, pelas ações da própria Amazon, ciente de que precisará diversificar os investimentos também lá fora. Repete para si, sorrindo com uma leveza que há tempos não sentia: it’s always Day One.

Mercados iniciam a sexta-feira em clima predominantemente positivo. A expectativa pela publicação do importante Relatório de Emprego nos EUA impede variações mais pronunciadas.

Por ora, bons balanços corporativos e avanço dos metais garantem otimismo no exterior. Por aqui, produção industrial desabou 1,3 por cento, vindo bem pior do que o esperado e levando juros futuros a recuar. Alimenta preocupação com ritmo de crescimento econômico, enquanto flerta com possibilidade de redução da Selic mais à frente — embora dependência da Previdência pareça chave para isso. Cenário corporativo traz resultado do Itaú com lucro em linha com projeções e oferta de ações da Totvs.

Ibovespa Futuro registra alta de 0,3, dólar cai contra o real.

P.S.: Lançamos hoje uma promoção relâmpago muito especial. A Bia detalha tudo aqui neste link. Vale a pena ao menos passar os olhos nisso antes de partir para o final de semana.


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