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Vomite os investimentos mornos

Confesso que nunca peguei uma bíblia para ler, assim, página por página, mas me contaram recentemente sobre uma tal carta de Jesus à Igreja em Laodiceia, que recomenda: seja quente ou seja frio, não seja morno.

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Data de publicação
4 de agosto de 2019

Confesso que nunca peguei uma bíblia para ler, assim, página por página, mas me contaram recentemente sobre uma tal carta de Jesus à Igreja em Laodiceia, que recomenda: seja quente ou seja frio, não seja morno.

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio, ou quente!

Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca.

Não há coincidência no fato de que o mercado regurgita o investidor morno.

Lucram de verdade, ao longo do tempo, apenas aqueles investidores sábios, que sabem ser frios ou quentes.

Mais precisamente, devemos ser frios e quentes, ao mesmo tempo.

É a versão bíblica daquilo que chamamos de “barbell strategy” – a estratégia da barra de pesos.

Seja você fã ou não da malhação, pense por um momento em como funciona o equilíbrio de uma barra de pesos.

Tipicamente, o halterofilista precisa segurar a barra no meio para fazer o exercício. Então, a alternativa mais óbvia, de colocar os pesos no centro (morno) de gravidade da barra, deixa de fazer sentido prático.

Com isso, resta a possibilidade de pendurar os pesos na ponta da barra. Mas esse é um esquema que só funciona se pendurarmos pesos nas duas pontas, sendo quentes e frios de maneira simultânea.

Do lado esquerdo da barra, alocamos o peso das nossas aplicações de baixíssimo risco, representadas usualmente por renda fixa, moedas fortes, ouro e instrumentos de proteção financeira.

Do lado direito da barra, escolhemos as aplicações de altíssimo retorno potencial, normalmente encontradas dentro da renda variável e das moedas digitais.

Como as aplicações de baixíssimo risco são extremamente leves, devemos alocá-las em maior quantidade.

Já para os investimentos de alto retorno, bem pesados, pequenas quantidades bastam.

Assim montamos um equilíbrio evolucionário para os nossos portfólios, minimizando a chance de morrer e maximizando a chance de reproduzir de maneira sustentável.

Nessa formatação, o alelo do baixo risco é dominante, predominando por infindáveis gerações de retornos.

Ainda assim, vez ou outra, o alelo recessivo do altíssimo retorno dá as caras, bombando o resultado consolidado das nossas apostas.

Mesmo sabendo desse valioso “segredo”, investidores mornos atribuem sua inércia à preguiça.

Mas preguiça não é mais desculpa quando temos ao nosso dispor o pacote pronto da Carteira Empiricus