‘Flipar’ IPOs é dinheiro fácil

Saudades enormes dos bons anos de 2006 e 2007 em que comprar ações de IPOs com o objetivo de vendê-las no dia seguinte, era ganho na certa.

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‘Flipar’ IPOs é dinheiro fácil

Você já parou para pensar o que é um IPO (Initial Public Offer, ou oferta pública inicial)?
Pense bem.
Um empresário (e acionistas minoritários) se juntam a um banco de investimento (ou a vários bancos) para preparar uma empresa e produzir informações sobre ela.
Lembrando que os banqueiros são vendedores hábeis — produzem lindas apresentações repletas de gráficos que apontam para cima.
Sempre para cima!
Ou seja, esses dois tipos produzem quase todas as informações a que você terá acesso e fazem um tipo de leilão para determinar o preço da oferta (o bookbuilding).

O que os acionistas e banqueiros não dizem
Claramente, o interesse do acionista (e do banqueiro) é conseguir o maior preço possível, certo?
Então, não é bem assim…
O mercado, o conjunto de investidores, só gosta de ações que sobem.
(Quem gosta de ação largada é consultoria estratégica, pois elas rendem ótimos honorários para os “pastinhas”.)
Para que as ações subam pós-IPO, os banqueiros precisam convencer os investidores de que as ações valem muito mais que o preço que estão cobrando na oferta.
Se são bem-sucedidos, os banqueiros conseguem que as ações abram em alta. E o mercado gosta de ações que sobem.
Se sobem, todo o mercado fica de olho naqueles papéis — a liquidez aumenta, mais corretoras emitem opiniões sobre as ações, mais investidores analisam…
Se as ações sobem pós-IPO, cria-se um enorme ciclo virtuoso.

O glorioso ano de 2007
Você se lembra de 2007?
O Brasil era o país do futuro, a economia estava bombando, o céu era mais azul, a água mais pura, o trabalho mais prazeroso e “flipar” IPOs era ganho na certa…
Em 2007, flipar IPOs era ganho na certa.
Indicávamos 10x o volume de ações que gostaríamos de levar, logo, sobrava apenas poucos papéis para cada investidor pessoa física.
Mas tudo valia a pena, pois vendíamos as ações no primeiro dia de negociação com 10, 20 ou até 30% de ganho.
Isso em apenas um dia!
Bons tempos. E tínhamos, em média, mais de um IPO por semana, como podemos ver no gráfico abaixo:

 

Que saudades de 2007!
Confesso que quando olhei os dados esperava muito mais de 2017.
Todo esta animação com o mercado e apenas oito ofertas de novas empresas?

Vamos flipar mais uma vez?
Depois de olhar com saudosismo para os anos de 2006 e 2007, vamos analisar o que aconteceu mais recentemente.
Desde 2014, tivemos os seguintes IPOs:

Vale dizer que atualmente não temos só IPOs, temos também os re-IPOs… mas vamos nos ater aos primeiros…
Olhe para a tabela… Que histórico péssimo!
De 11 ofertas desde outubro de 2014, apenas em quatro as ações estão ganhando do índice pós-IPO.
E com exceção de Hermes Pardini (PARD3, o melhor retorno), a média de ganhos dos IPOs mais recentes é apenas metade da média de retorno do Ibovespa.
Teriam os IPOs se tornado uma péssima ideia para os investidores?

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O sonho acabou?
Uma de duas coisas está acontecendo.
Ou os acionistas vendedores estão almejando preços muito elevados por uma fatia de suas companhias, ou as ações sendo ofertadas agora são de pior qualidade.
Ou as duas coisas.
Difícil fazer afirmações genéricas assim.
Fato é que produzimos relatórios completinhos para todos os IPOs desde Alliar (AALR3), no fim de 2016.
Se as ações irão decolar no primeiro dia de negociação é impossível saber.
Mas das três recomendações de compra que fizemos este ano, acertamos a melhor delas e só erramos em Biotoscana (GBIO33).
Perdemos Azul (AZUL4), mas não nos arrependemos nem um pouco da decisão — aliás, continuamos de fora.
Não sabemos se a flipada será bem-sucedida, mas conseguimos separar os bons negócios dos ruins. As boas oportunidades das âncoras.
O segredo é não acreditar em nada do que dizem os vendedores e os banqueiros — estratégia que funciona muito bem para Warren Buffett desde 1956.
Se funciona, por que mudar?

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