O Bitcoin (BTC) voltou a perder força e rompeu o patamar dos US$ 60 mil na última semana. Mais do que uma simples correção pontual de preço, o movimento reforça uma deterioração dos fundamentos no curto prazo: fluxos mais fracos, perda de momentum e maior cautela em relação aos principais veículos de exposição institucional ao ativo, como temos discutido em nossas últimas edições.
Entre eles, a Strategy, maior compradora marginal do ativo digital, voltou ao centro da discussão. A companhia é uma das maiores detentoras de Bitcoin e ajudou a sustentar parte relevante da demanda institucional pelo ativo. Agora, porém, a mesma estrutura que potencializou a tese durante a alta está ampliando a fragilidade em um ambiente de queda.
Nesse contexto, em nossa leitura, a avaliação mais prudente é reduzir a volatilidade da carteira e manter uma parcela maior em caixa. Esse movimento já vem sendo aplicado na carteira Crypto Momentum, que executa nossa estratégia de forma automatizada: busca uma exposição mais agressiva quando o Bitcoin está em tendência favorável, priorizando ativos com performance relativa superior, e aumenta a posição em caixa em momentos de maior estresse.
Essa dinâmica tem sido especialmente positiva no cenário atual. Quando o mercado perde força, a carteira tende a defender melhor o capital ao reduzir exposição; quando o Bitcoin volta a performar bem, a estratégia busca capturar esse movimento de forma potencializada, selecionando altcoins com maior momentum relativo. Até aqui, esse modelo vem se mostrando eficiente frente aos seus principais benchmarks, como o Bitcoin e o NCI.

Para quem busca exposição ao mercado cripto de forma mais simples, com acesso facilitado e uma estratégia 100% automatizada, a Crypto Momentum pode ser uma alternativa interessante, especialmente em um momento em que o Bitcoin já acumula um drawdown relevante em relação ao topo, mas ainda sem uma confirmação clara de virada de mercado.
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Nesta edição, exploramos de forma mais aprofundada como funciona a engrenagem da Strategy, e porque uma postura mais defensiva parece adequada neste momento.
Leitura Gráfica: Bitcoin (BTC)
Do ponto de vista gráfico, o Bitcoin perdeu um nível importante.
O preço rompeu a faixa dos US$ 60 mil, que vinha funcionando como uma referência técnica relevante nas últimas semanas, explicada com maior profundidade na última edição. A partir daqui, caso o BTC recupere essa região com consistência, podemos tratar o movimento recente como um fakeout.
Por ora, a tendência é de baixa e o próximo suporte relevante se encontra apenas na faixa entre US$ 50 mil e US$ 52 mil, sugerindo uma correção adicional de aproximadamente 16,7%.
BTC/USDT

Engenharia financeira: Strategy
A Strategy, antiga MicroStrategy, não é apenas uma empresa com Bitcoin em caixa. Ao longo dos últimos anos, a companhia se consolidou como um dos principais veículos de exposição institucional ao ativo e se tornou uma das maiores compradoras marginais de BTC do mercado.
Seu modelo consiste em captar recursos no mercado — por meio da emissão de ações, dívida conversível e ações preferenciais — e usar esse capital para comprar mais Bitcoin. O objetivo é aumentar a quantidade de BTC por ação ao longo do tempo, transformando a empresa em uma espécie de exposição alavancada ao ativo.
Durante o ciclo de alta, essa engrenagem funcionou de forma favorável. Com o Bitcoin em valorização e o mercado confiante na tese, a ação da Strategy passou a negociar com prêmio em relação ao valor dos Bitcoins detidos pela companhia. Esse prêmio permitia novas captações em condições atrativas, que eram usadas para comprar mais BTC, reforçando a narrativa de acumulação institucional e sustentando parte relevante da demanda pelo ativo.
Na última edição, a Strategy entrou em nossa lista de pontos de atenção, ao lado das saídas dos ETFs e da postura mais vendedora das mineradoras. Nos últimos dias, porém, a companhia ganhou protagonismo: entre os vetores de risco acompanhados, foi aquele que apresentou a deterioração mais relevante e, por isso, merece uma análise mais detalhada.
O ponto central é que essa deterioração não ocorre de forma linear, mas amplificada. A mesma estrutura que potencializa os ganhos em um mercado favorável também pode intensificar a pressão em momentos de queda, lateralização ou perda de confiança.
Quando o Bitcoin cai ou permanece lateralizado por um período prolongado, o prêmio da Strategy tende a diminuir, a ação passa a sofrer de forma mais intensa do que o próprio BTC e o mercado começa a questionar a capacidade da companhia de seguir financiando novas compras em condições favoráveis.
Strategy

Foi nesse contexto que as ações preferenciais ganharam importância na estrutura de capital da empresa.
As ações preferenciais são instrumentos que pagam um dividendo fixo e possuem prioridade de recebimento em relação às ações ordinárias, uma nova arquitetura para manter o negócio vivo. A mais comentada, a STRC, paga uma taxa anual sobre um valor de referência de US$ 100. O ponto relevante é que, quando o preço do papel cai, o retorno efetivo exigido pelo mercado sobe. Se a STRC paga US$ 11,50 por ano e negocia a US$ 100, o retorno é de 11,5% ao ano. Caso o preço caia para US$ 80, esse retorno efetivo sobe para aproximadamente 14,4%.
Para o investidor que compra o papel, esse aumento pode parecer atrativo. Para a companhia, no entanto, ele sinaliza uma piora nas condições de financiamento. Na prática, o mercado passa a exigir uma remuneração maior para assumir o risco de crédito da Strategy.
Isso é especialmente relevante porque o Bitcoin, diferentemente de um ativo produtivo, não gera caixa recorrente. Ele pode se valorizar, mas não paga juros nem dividendos. Portanto, para honrar os pagamentos das ações preferenciais, a empresa depende de novas captações, emissões adicionais, dívida adicional ou, em um cenário mais extremo, da venda de parte dos próprios Bitcoins.
Nos últimos dias, a STRC renovou mínimas consecutivas, reforçando a percepção de maior aversão ao risco em relação à estrutura da companhia. Isso não significa que a Strategy esteja prestes a vender seus Bitcoins, mas levanta uma questão relevante: por quanto tempo a empresa conseguirá sustentar sua política de acumulação caso o custo de financiamento continue subindo e o Bitcoin permaneça pressionado?
Ação preferencial

A companhia detém mais de 840 mil BTC e, por anos, foi uma das principais compradoras marginais do ativo. Por isso, qualquer sinalização de venda teria impacto relevante sobre o mercado. Em um ambiente de demanda mais fraca, a possibilidade de uma nova fonte de oferta poderia pressionar ainda mais os preços e incentivar outros investidores a se anteciparem ao movimento.
É por esse motivo que a fragilidade da Strategy passou a ocupar um lugar central em nosso radar. Mais do que uma história isolada de uma companhia, ela representa um possível catalisador negativo para o próprio Bitcoin, especialmente em um momento em que os fluxos seguem mais fracos e a confiança na tese de curto prazo está mais sensível.