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Crypto Pulse

Bitcoin (BTC) em queda e Strategy fragilizada: isso vai acabar bem?

O Bitcoin (BTC) rompeu abaixo dos US$ 60 mil na última semana, e levou junto a tese de Strategy, uma de suas maiores compradoras institucionais; qual a melhor estratégia no mercado cripto agora?

Por Luis Kuniyoshi

28 jun 2026, 15:00

O Bitcoin (BTC) voltou a perder força e rompeu o patamar dos US$ 60 mil na última semana. Mais do que uma simples correção pontual de preço, o movimento reforça uma deterioração dos fundamentos no curto prazo: fluxos mais fracos, perda de momentum e maior cautela em relação aos principais veículos de exposição institucional ao ativo, como temos discutido em nossas últimas edições.

Entre eles, a Strategy, maior compradora marginal do ativo digital, voltou ao centro da discussão. A companhia é uma das maiores detentoras de Bitcoin e ajudou a sustentar parte relevante da demanda institucional pelo ativo. Agora, porém, a mesma estrutura que potencializou a tese durante a alta está ampliando a fragilidade em um ambiente de queda.

Nesse contexto, em nossa leitura, a avaliação mais prudente é reduzir a volatilidade da carteira e manter uma parcela maior em caixa. Esse movimento já vem sendo aplicado na carteira Crypto Momentum, que executa nossa estratégia de forma automatizada: busca uma exposição mais agressiva quando o Bitcoin está em tendência favorável, priorizando ativos com performance relativa superior, e aumenta a posição em caixa em momentos de maior estresse.

Essa dinâmica tem sido especialmente positiva no cenário atual. Quando o mercado perde força, a carteira tende a defender melhor o capital ao reduzir exposição; quando o Bitcoin volta a performar bem, a estratégia busca capturar esse movimento de forma potencializada, selecionando altcoins com maior momentum relativo. Até aqui, esse modelo vem se mostrando eficiente frente aos seus principais benchmarks, como o Bitcoin e o NCI.

Fonte: Empiricus Crypto

Para quem busca exposição ao mercado cripto de forma mais simples, com acesso facilitado e uma estratégia 100% automatizada, a Crypto Momentum pode ser uma alternativa interessante, especialmente em um momento em que o Bitcoin já acumula um drawdown relevante em relação ao topo, mas ainda sem uma confirmação clara de virada de mercado.

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Nesta edição, exploramos de forma mais aprofundada como funciona a engrenagem da Strategy, e porque uma postura mais defensiva parece adequada neste momento.

Leitura Gráfica: Bitcoin (BTC)

Do ponto de vista gráfico, o Bitcoin perdeu um nível importante.

O preço rompeu a faixa dos US$ 60 mil, que vinha funcionando como uma referência técnica relevante nas últimas semanas, explicada com maior profundidade na última edição. A partir daqui, caso o BTC recupere essa região com consistência, podemos tratar o movimento recente como um fakeout.

Por ora, a tendência é de baixa e o próximo suporte relevante se encontra apenas na faixa entre US$ 50 mil e US$ 52 mil, sugerindo uma correção adicional de aproximadamente 16,7%.

BTC/USDT

Fonte: TradingView

Engenharia financeira: Strategy

A Strategy, antiga MicroStrategy, não é apenas uma empresa com Bitcoin em caixa. Ao longo dos últimos anos, a companhia se consolidou como um dos principais veículos de exposição institucional ao ativo e se tornou uma das maiores compradoras marginais de BTC do mercado.

Seu modelo consiste em captar recursos no mercado — por meio da emissão de ações, dívida conversível e ações preferenciais — e usar esse capital para comprar mais Bitcoin. O objetivo é aumentar a quantidade de BTC por ação ao longo do tempo, transformando a empresa em uma espécie de exposição alavancada ao ativo.

Durante o ciclo de alta, essa engrenagem funcionou de forma favorável. Com o Bitcoin em valorização e o mercado confiante na tese, a ação da Strategy passou a negociar com prêmio em relação ao valor dos Bitcoins detidos pela companhia. Esse prêmio permitia novas captações em condições atrativas, que eram usadas para comprar mais BTC, reforçando a narrativa de acumulação institucional e sustentando parte relevante da demanda pelo ativo.

Na última edição, a Strategy entrou em nossa lista de pontos de atenção, ao lado das saídas dos ETFs e da postura mais vendedora das mineradoras. Nos últimos dias, porém, a companhia ganhou protagonismo: entre os vetores de risco acompanhados, foi aquele que apresentou a deterioração mais relevante e, por isso, merece uma análise mais detalhada.

O ponto central é que essa deterioração não ocorre de forma linear, mas amplificada. A mesma estrutura que potencializa os ganhos em um mercado favorável também pode intensificar a pressão em momentos de queda, lateralização ou perda de confiança.

Quando o Bitcoin cai ou permanece lateralizado por um período prolongado, o prêmio da Strategy tende a diminuir, a ação passa a sofrer de forma mais intensa do que o próprio BTC e o mercado começa a questionar a capacidade da companhia de seguir financiando novas compras em condições favoráveis.

Strategy

Fonte: TradingView

Foi nesse contexto que as ações preferenciais ganharam importância na estrutura de capital da empresa.

As ações preferenciais são instrumentos que pagam um dividendo fixo e possuem prioridade de recebimento em relação às ações ordinárias, uma nova arquitetura para manter o negócio vivo. A mais comentada, a STRC, paga uma taxa anual sobre um valor de referência de US$ 100. O ponto relevante é que, quando o preço do papel cai, o retorno efetivo exigido pelo mercado sobe. Se a STRC paga US$ 11,50 por ano e negocia a US$ 100, o retorno é de 11,5% ao ano. Caso o preço caia para US$ 80, esse retorno efetivo sobe para aproximadamente 14,4%.

Para o investidor que compra o papel, esse aumento pode parecer atrativo. Para a companhia, no entanto, ele sinaliza uma piora nas condições de financiamento. Na prática, o mercado passa a exigir uma remuneração maior para assumir o risco de crédito da Strategy.

Isso é especialmente relevante porque o Bitcoin, diferentemente de um ativo produtivo, não gera caixa recorrente. Ele pode se valorizar, mas não paga juros nem dividendos. Portanto, para honrar os pagamentos das ações preferenciais, a empresa depende de novas captações, emissões adicionais, dívida adicional ou, em um cenário mais extremo, da venda de parte dos próprios Bitcoins.

Nos últimos dias, a STRC renovou mínimas consecutivas, reforçando a percepção de maior aversão ao risco em relação à estrutura da companhia. Isso não significa que a Strategy esteja prestes a vender seus Bitcoins, mas levanta uma questão relevante: por quanto tempo a empresa conseguirá sustentar sua política de acumulação caso o custo de financiamento continue subindo e o Bitcoin permaneça pressionado?

Ação preferencial

Fonte: TradingView

A companhia detém mais de 840 mil BTC e, por anos, foi uma das principais compradoras marginais do ativo. Por isso, qualquer sinalização de venda teria impacto relevante sobre o mercado. Em um ambiente de demanda mais fraca, a possibilidade de uma nova fonte de oferta poderia pressionar ainda mais os preços e incentivar outros investidores a se anteciparem ao movimento.

É por esse motivo que a fragilidade da Strategy passou a ocupar um lugar central em nosso radar. Mais do que uma história isolada de uma companhia, ela representa um possível catalisador negativo para o próprio Bitcoin, especialmente em um momento em que os fluxos seguem mais fracos e a confiança na tese de curto prazo está mais sensível.