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Investimentos

Em cenário de ruptura, fiscal pode derrubar o Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos e elevar o dólar acima dos R$ 7, apontam analistas 

Analistas da Empiricus e do BTG Pactual traçam possíveis cenários caso o governo não ajuste as contas públicas; entenda em detalhes

Por Maria Luiza Araujo

01 set 2026, 10:00

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Imagem: iStock.com/NatanaelGinting

Juros perto de 20% ao ano, dólar acima de R$ 7 e Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos. Esse é um dos possíveis cenários para o Brasil caso o país não consiga fazer um ajuste fiscal crível em 2027 e enfrente uma “ruptura de confiança”, segundo analistas da Empiricus e do BTG Pactual

No relatório “E se o Governo não ajustar as contas públicas”, os especialistas avaliam os impactos que o abandono das regras fiscais, a expansão do gasto público e a perda de credibilidade monetária poderiam provocar sobre os mercados e a economia brasileira. 

Com as eleições de 2026 cada vez mais perto, o investidor busca a resposta para a seguinte pergunta: “se o presidente eleito não for capaz de endereçar o problema fiscal e frear a trajetória crescente da dívida pública, onde eu deveria investir o meu dinheiro?“. 

Onde investir caso governo não ajuste o fiscal? Veja agora como você pode se posicionar diante de uma possível crise

Aumento das receitas e contenção dos gastos não resolvem problema, afirmam analistas 

A dívida bruta do governo alcançou 82,5% do PIB nos últimos 12 meses até julho de 2026, segundo dados do Banco Central.  

De acordo com o relatório, a estabilização da dívida exigiria do próximo governo um superávit primário próximo de 2,1% do PIB. Hoje, o Brasil possui um déficit primário de 1,19% do PIB.  

Na prática, isso significaria uma melhora superior a 3 pontos percentuais para se equilibrar as contas públicas. 

Fato é que, segundo os analistas, esse ajuste não seria factível apenas via aumento de receitas ou congelamento de novos gastos. E sem um endereçamento claro da questão, a percepção do mercado começa a se deteriorar. 

“O choque surgiria quando os investidores passassem a incorporar a percepção de que, sem mudanças nas despesas obrigatórias e sem superávits primários recorrentes, a dívida pública não será estabilizada em horizonte razoável”, explicam. 

Analistas revelam como investidores podem alocar seus recursos diante do agravamento da crise fiscal; saiba mais aqui

Da adversidade a ruptura: o que aconteceria se Brasil mergulhasse na crise fiscal? 

Para entender os efeitos do aprofundamento da crise fiscal nos juroscâmbiobolsa, os analistas desenharam três cenários possíveis, que levam em consideração projeções econômicas, dados históricos e diferentes hipóteses. 

E que, portanto, devem ser interpretadas como um exercício de estresse e reprecificação, e não como projeções pontuais.  

  1. Cenário adverso 

Em uma conjuntura em que a confiança do mercado se enfraquece, mas não chega a ser perdida, o governo ainda conseguiria cumprir parte das metas fiscais recorrendo a receitas temporárias, abatimentos e aperto nos gastos discricionárias. 

O resultado primário efetivo permaneceria deficitário e a dívida avançaria para perto de 90% do PIB. Nesse caso, o contrato de DI jan/2031, que forma a curva de juros futuros, o dólar e a bolsa passariam a ser pressionados: 

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

Nesse patamar, “o diferencial de juros ainda ofereceria algum suporte ao real, enquanto exportadoras e empresas pouco alavancadas funcionariam como proteção relativa”, ressaltam os analistas no documento. 

  1. Cenário severo 

Já o cenário severo pressupõe que o mercado abandone a hipótese de estabilização da dívida, o que levaria a uma reprecificação ampla dos ativos. Aqui, o dólar poderia passar dos R$ 6,60, enquanto o Ibovespa encostaria nos 116 mil pontos:  

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“A dívida caminharia para 95% do PIB e, posteriormente, para 100%, enquanto o Banco Central teria de interromper cortes ou retomar o aperto monetário. A queda da bolsa refletiria tanto uma taxa de desconto maior quanto revisões negativas dos lucros”, destaca o relatório. 

  1. Cenário de ruptura 

Esse seria o cenário mais extremo: exigiria flexibilização profunda do arcabouço, desancoragem inflacionária e ambiente externo desfavorável. 

Neste ponto, a curva de juros futuros (DI jan/2031) poderia chegar a 20%, o dólar alcançar o patamar dos R$ 7,50 e a bolsa amargar uma queda profunda, aos 89 mil pontos: 

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“O risco mais provável não seria um calote clássico, pois a dívida é majoritariamente emitida em reais e o país possui reservas. O dano ocorreria por inflação mais alta, juros reais persistentes, repressão financeira e destruição gradual do valor dos ativos domésticos“, afirmam os analistas no relatório. 

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Exterior, metais, crédito e mais: os ativos para se proteger caso governo não ajuste o fiscal 

Para os analistas, o mercado não precisa esperar uma crise de financiamento para impor custos. A percepção de que o problema continuará já pode elevar o juro neutro, enfraquecer o câmbio e reduzir os múltiplos da bolsa. 

Diante disso, o investidor deve priorizar uma estratégia de investimentos direcionada para uma diversificação internacional, liquidez e ativos alternativos de proteção. 

No relatório completo (leia aqui), os analistas revelam em quais ativos investir para montar uma carteira capaz de amortecer os efeitos da crise fiscal. A estratégia leva em consideração classes e ativos como: 

  • Internacional: quatro ações com qualidade, crescimento e exposição ao dólar; 
  • Renda Fixa Global: quatro ETFs com exposição ao Tesouro dos EUA; 
  • Metais e Estruturados: ativos que buscam diversificação e assimetria; 
  • Caixa e crédito: debêntures e fundos com carrego, liquidez e renda; 
  • Proteção: ativos defensivos na abertura da curva e queda da bolsa; 

É importante ressaltar que os analistas da Empiricus e do BTG Pactual são especialistas do mercado financeiro e construíram esse portfólio de investimento sob medida a possível crise que o Brasil pode enfrentar.  

Caso você queira ler a tese completa do relatório e acessar a lista dos ativos, basta fazer seu cadastro no Empiricus+, assinatura que dá acesso a todas as recomendações de investimentos dos analistas da Empiricus.  

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Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), já trabalhou como jornalista na CNN Brasil e atualmente é redatora dos portais Seu Dinheiro e Money Times.