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Investimentos

Em cenário de ruptura, fiscal pode derrubar o Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos e elevar o dólar acima dos R$ 7, apontam analistas 

Analistas da Empiricus e do BTG Pactual traçam possíveis cenários caso o governo não ajuste as contas públicas; entenda em detalhes

Por Maria Luiza Araujo

01 set 2026, 10:00

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Atualizado em 04 set 2026, 14:21

brasil real ações brasileiras queda ibovespa

Imagem: iStock.com/NatanaelGinting

Juros perto de 20% ao ano, dólar acima de R$ 7 e Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos. Esse é um dos possíveis cenários para o Brasil caso o país não consiga fazer um ajuste fiscal crível em 2027 e enfrente uma “ruptura de confiança”, segundo analistas da Empiricus e do BTG Pactual. 

No relatório “E se o Governo não ajustar as contas públicas”, os especialistas avaliam os impactos que o abandono das regras fiscais, a expansão do gasto público e a perda de credibilidade monetária poderiam provocar sobre os mercados e a economia brasileira. 

Com as eleições de 2026 cada vez mais perto, o investidor busca a resposta para a seguinte pergunta: “se o presidente eleito não for capaz de endereçar o problema fiscal e frear a trajetória crescente da dívida pública, onde eu deveria investir o meu dinheiro?“. 

Onde investir caso governo não ajuste o fiscal? Veja agora como você pode se posicionar diante de uma possível crise

Aumento das receitas e contenção dos gastos não resolvem problema, afirmam analistas 

A dívida bruta do governo alcançou 82,5% do PIB nos últimos 12 meses até julho de 2026, segundo dados do Banco Central.  

De acordo com o relatório, a estabilização da dívida exigiria do próximo governo um superávit primário próximo de 2,1% do PIB. Hoje, o Brasil possui um déficit primário de 0,67% do PIB.  

Na prática, isso significaria uma melhora aproximada de 2,7 a 3 pontos percentuais para se equilibrar as contas públicas. 

Fato é que, segundo os analistas, esse ajuste não seria factível apenas via aumento de receitas ou congelamento de novos gastos. E sem um endereçamento claro da questão, a percepção do mercado começa a se deteriorar. 

“O choque surgiria quando os investidores passassem a incorporar a percepção de que, sem mudanças nas despesas obrigatórias e sem superávits primários recorrentes, a dívida pública não será estabilizada em horizonte razoável”, explicam. 

Analistas revelam como investidores podem alocar seus recursos diante do agravamento da crise fiscal; saiba mais aqui

Da adversidade a ruptura: o que aconteceria se Brasil mergulhasse na crise fiscal? 

Para entender os efeitos do aprofundamento da crise fiscal nos juros, câmbio e bolsa, os analistas desenharam três cenários possíveis, que levam em consideração projeções econômicas, dados históricos e diferentes hipóteses. 

E que, portanto, devem ser interpretadas como um exercício de estresse e reprecificação, e não como projeções pontuais.  

  1. Cenário adverso 

Em uma conjuntura em que a confiança do mercado se enfraquece, mas não chega a ser perdida, o governo ainda conseguiria cumprir parte das metas fiscais recorrendo a receitas temporárias, abatimentos e aperto nos gastos discricionárias. 

O resultado primário efetivo permaneceria deficitário e a dívida avançaria para perto de 90% do PIB. Nesse caso, o contrato de DI jan/2031, que forma a curva de juros futuros, o dólar e a bolsa passariam a ser pressionados: 

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

Nesse patamar, “o diferencial de juros ainda ofereceria algum suporte ao real, enquanto exportadoras e empresas pouco alavancadas funcionariam como proteção relativa”, ressaltam os analistas no documento. 

  1. Cenário severo 

Já o cenário severo pressupõe que o mercado abandone a hipótese de estabilização da dívida, o que levaria a uma reprecificação ampla dos ativos. Aqui, o dólar poderia passar dos R$ 6,60, enquanto o Ibovespa encostaria nos 116 mil pontos:  

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“A dívida caminharia para 95% do PIB e, posteriormente, para 100%, enquanto o Banco Central teria de interromper cortes ou retomar o aperto monetário. A queda da bolsa refletiria tanto uma taxa de desconto maior quanto revisões negativas dos lucros”, destaca o relatório. 

  1. Cenário de ruptura 

Esse seria o cenário mais extremo: exigiria flexibilização profunda do arcabouço, desancoragem inflacionária e ambiente externo desfavorável. 

Neste ponto, a curva de juros futuros (DI jan/2031) poderia chegar a 20%, o dólar alcançar o patamar dos R$ 7,50 e a bolsa amargar uma queda profunda, aos 89 mil pontos: 

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“O risco mais provável não seria um calote clássico, pois a dívida é majoritariamente emitida em reais e o país possui reservas. O dano ocorreria por inflação mais alta, juros reais persistentes, repressão financeira e destruição gradual do valor dos ativos domésticos“, afirmam os analistas no relatório. 

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Exterior, metais, crédito e mais: os ativos para se proteger caso governo não ajuste o fiscal 

Para os analistas, o mercado não precisa esperar uma crise de financiamento para impor custos. A percepção de que o problema continuará já pode elevar o juro neutro, enfraquecer o câmbio e reduzir os múltiplos da bolsa. 

Diante disso, o investidor deve priorizar uma estratégia de investimentos direcionada para uma diversificação internacional, liquidez e ativos alternativos de proteção. 

No relatório completo (leia aqui), os analistas revelam em quais ativos investir para montar uma carteira capaz de amortecer os efeitos da crise fiscal. A estratégia leva em consideração classes e ativos como: 

  • Internacional: quatro ações com qualidade, crescimento e exposição ao dólar; 
  • Renda Fixa Global: quatro ETFs com exposição ao Tesouro dos EUA; 
  • Metais e Estruturados: ativos que buscam diversificação e assimetria; 
  • Caixa e crédito: debêntures e fundos com carrego, liquidez e renda; 
  • Proteção: ativos defensivos na abertura da curva e queda da bolsa; 

É importante ressaltar que os analistas da Empiricus e do BTG Pactual são especialistas do mercado financeiro e construíram esse portfólio de investimento sob medida a possível crise que o Brasil pode enfrentar.  

Caso você queira ler a tese completa do relatório e acessar a lista dos ativos, basta fazer seu cadastro no Empiricus+, assinatura que dá acesso a todas as recomendações de investimentos dos analistas da Empiricus.  

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Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), já trabalhou como jornalista na CNN Brasil e atualmente é redatora dos portais Seu Dinheiro e Money Times.