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Depois de um mês de agosto muito volátil, os mercados começam setembro em clima de aversão a risco com notícias de ataques a dois petroleiros em Ormuz, que levaram o brent para cima de US$ 90/barril, reforçando receios de aperto monetário ao redor do mundo. O rendimento dos treasuries de 30 anos atingem o maior nível em vinte anos.
Na agenda externa teremos a divulgação de uma série de indicadores de atividade industrial e o relatório Jolts de julho nos Estados Unidos.
O mau humor internacional não ajuda o mercado brasileiro, que digere a divulgação do Projeto de Lei Orçamentária do próximo ano e o PIB divulgado nesta manhã.
00:53 – Desacelerou
Nesta terça-feira (1) foi divulgado o PIB do 2T26, com crescimento de 0,5% na comparação com o primeiro trimestre.
O número marcou uma desaceleração para a expansão de 1,1% apresentada no 1T26, o que já era esperado por conta da Selic elevada.
Apesar de ter ficado ligeiramente acima das expectativas (o mercado esperava alta de 0,4%), a composição não deve alterar a perspectiva de corte de juros no Brasil, dado que o número foi puxado principalmente pelo crescimento do agronegócio, enquanto o consumo das famílias mostrou contração no período. Lembrando que teremos Copom em setembro, e a expectativa é de corte de 25 bps.
02:16– Superávit primário em 2027?
O governo enviou ontem ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2027. A expectativa é de um superávit de R$ 18,6 bilhões, equivalente a 1% do PIB. Se concretizado, esse seria o primeiro superávit do governo em cinco anos.
Mas já aprendemos que existe uma diferença muito grande entre os números projetados e os que são entregues de fato. Por exemplo, para entregar o superávit o PLOA estima um crescimento de 2,4% do PIB, contra uma estimativa bem menos otimista do mercado (+1,5%). Em outras palavras, ainda é cedo para descartar a possibilidade de um déficit no ano que vem.
03:20 – Empate com sabor de vitória
O Ibovespa fechou agosto com uma queda 0,33%, uma variação que nem de longe representa a volatilidade do período. O índice chegou a cair mais de 6% na primeira metade do mês com receios fiscais, resultados corporativos e guerra no Oriente Médio, mas se recuperou com a tese de enfraquecimento do dólar ganhando força e um cenário eleitoral mais favorável.
O retorno quase zerado do índice no mês fechado não parece muito promissor, mas o ânimo melhora bastante quando sabemos que o índice fechou o mês com nove pregões consecutivos de alta acumulada de 6,5%.
Entre terminar o mês com uma sequência de quedas ou subindo 6% eu prefiro muito mais a segunda opção. É como buscar um empate difícil no jogo de ida, que te deixa com muita moral para o jogo de volta. Que venha o mês de setembro.
05:10 – Não é coincidência
Apesar da remontada do Ibovespa, nem todas as empresas terminaram agosto com a moral elevada. Entre as dez maiores quedas do índice, quatro são de varejistas e isso não é coincidência.
Juros elevados, restrição ao crédito e maior endividamento das famílias dificultam o consumo e têm feito o mercado revisar para baixo as perspectivas de lucros das companhias do setor. Não à toa, temos exposição muito limitada ao varejo. Neste momento preferimos teses geradoras de caixa e pagadoras de dividendos, com modelos de negócios menos afetados pela permanência dos juros elevados por mais tempo. Na verdade, na Carteira Empiricus Dividendos de setembro inserimos uma seguradora que pode até se beneficiar desse cenário.