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Investimentos

Ibovespa apresenta melhora técnica e respira aliviado com espaço para negociação no Oriente Médio; veja destaques desta terça (25)

Índice mantém terceiro dia de recuperação depois de quedas mais fortes. Veja mais destaques

Por Matheus Spiess

25 ago 2026, 10:05

Atualizado em 25 ago 2026, 10:05

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

A segunda-feira foi um daqueles dias em que o mercado praticamente respirou antes de entrar em uma semana bem mais importante. Trump havia prometido um “Dia D Econômico” contra o Irã, mas o que veio foi uma sinalização de novas sanções financeiras, sem alvos ou prazos concretos, e com espaço ainda para negociação. O mercado leu isso rapidamente: o Brent caiu 2,35%, para US$ 92,17, interrompendo seis sessões de alta. 

E isso resume bem o ambiente. O mercado continua reagindo muito mais ao que efetivamente acontece do que às ameaças. E, a partir de agora, teremos bastante coisa para acontecer: Nvidia amanhã, PCE e PIB americano na quarta, revisão anual do payroll na sexta e, também na sexta, o primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do Fed em Jackson Hole. 

Ou seja, a semana começa tranquila, mas termina com potencial para mexer bastante com juros, dólar e bolsa. 

00:35 — Brasil: Ibovespa melhora, mas ainda está em uma recuperação 

O Ibovespa subiu 0,86% ontem, para 171.906 pontos, mantendo o terceiro dia de recuperação depois das quedas mais fortes. 

Tecnicamente, tivemos uma melhora. O índice voltou a trabalhar acima da média de 21 períodos, em 170.982 pontos, e o RSI reagiu para 51,26. Mas logo acima temos a média de 50 períodos, na região de 172.560 pontos, e depois a média de 200, em 174.246. 

Então, ainda é cedo para falar em mudança de tendência. O mercado está recuperando, mas precisa mostrar que consegue superar essas resistências e, principalmente, sustentar o movimento. 

Na parte de baixo, 167.600 pontos continua sendo a principal referência de suporte. 

E isso conversa diretamente com o nosso screening. Das 78 ações do Ibovespa, 22 estão em condição técnica positiva, 11 negativa e 45 neutra. Em termos do índice, temos 28% positivas, 14% negativas e 58% neutras. 

É uma melhora, mas ainda não é uma melhora generalizada. Por isso, mais do que simplesmente olhar para o Ibovespa, o momento continua pedindo seleção. 

01:05 — Small Caps e dólar mostram que a recuperação ainda é seletiva 

No SMLL, a reação também apareceu, mas a estrutura continua mais frágil. O índice fechou em 2.080 pontos, muito próximo do suporte em 2.069, e o IFR reagiu para 45,29. 

O problema é que o índice continua abaixo das médias de 21, em 2.093, de 50, em 2.152, e principalmente da média de 200, em 2.325 pontos. Então, enquanto o Ibovespa já recuperou algumas referências de curto prazo, as small caps ainda precisam de mais trabalho para mostrar uma mudança estrutural. 

E o dólar ajuda a completar essa leitura. 

O DOLFUT fechou em 5.166 pontos, abaixo da média de 21, em 5.177, e muito abaixo da média de 200, em 5.384. O RSI está praticamente neutro, em 48,41. Na prática, o dólar segue consolidado. A região de 5.101 é o principal suporte e 5.177 é a primeira resistência de curto prazo. 

Por enquanto, bolsa recuperando, small caps ainda frágeis e dólar acomodado. É um cenário de melhora, mas ainda sem uma confirmação ampla de mudança de tendência. 

02:10 — Exterior: futuros melhoram, mas petróleo pesa 

Lá fora, Nasdaq caiu 0,76%, S&P 500 recuou 0,28% e Dow Jones subiu 0,26% na sessão anterior. Mas, olhando para o mercado agora, o cenário é um pouco mais construtivo, com o S&P500, Nasdaq e Dow Jones em uma leve alta neste início de terça-feira. 

O mercado sugere uma abertura com viés mais positivo para tecnologia e, de maneira geral, um ambiente um pouco mais confortável para ativos de risco. O VIX recua, reforçando a redução momentânea da aversão ao risco. 

E isso é importante para o Brasil. O ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos também aparece levemente positivo, enquanto o dólar permanece praticamente estável. Portanto, o exterior, neste momento, não impõe um grande obstáculo para a recuperação da bolsa brasileira na abertura. 

Por outro lado, o petróleo continua sendo o principal ponto de atenção. O WTI cai mais de 3%, enquanto o Brent recua cerca de 2,7%, reforçando a percepção de redução do prêmio geopolítico. Isso pode favorecer uma abertura mais tranquila para inflação e juros, mas tende a pesar especificamente sobre Petrobras e outras ações ligadas à commodity. 

Ou seja, a leitura para hoje é de um exterior relativamente construtivo para bolsa, com tecnologia ajudando e volatilidade menor, mas com commodities pressionadas. Mais uma vez, o cenário favorece seleção. 

O mesmo vale para os juros americanos. A Treasury de 10 anos recuou para 4,70% e o título de 30 anos ficou em 5,23%. O Tesouro americano vem ampliando as recompras de títulos e existe a possibilidade de utilizar recursos da sua Conta Geral para aumentar essa atuação. 

Isso ajuda a aliviar a ponta longa, mas não resolve o problema fiscal americano. Por isso, o de 30 anos continua sendo um dos principais termômetros do mercado. Se voltar acima de 5,27%, esse alívio recente começa a perder força. Enquanto permanecer abaixo, o ambiente para ativos de risco continua um pouco mais confortável. 

E é exatamente por isso que PCE, PIBpayroll e o discurso de Warsh serão tão importantes nos próximos dias. 

03:45 — Petróleo e Irã: o prêmio geopolítico diminuiu, mas não desapareceu 

No petróleo, a queda para US$ 92,17 mostra que o mercado está dando mais peso à possibilidade de negociação entre Estados Unidos e Irã. E, nesta manhã, a pressão continua: o Brent já trabalha abaixo dos US$ 90, enquanto o WTI recua para a região dos US$ 82. 

Mas o risco físico permanece. 

O Estreito de Ormuz segue com fluxo bastante reduzido, a retórica entre os dois países continua dura e ainda existe risco de novas medidas americanas. 

Então, US$ 92 passa a ser uma região importante para acompanhar. Abaixo disso, o mercado começa a sinalizar que o prêmio geopolítico está diminuindo. Acima de US$ 95, esse prêmio volta a ganhar força. 

E aqui aparece outra conexão importante: se o petróleo continuar cedendo, Petrobras pode continuar sentindo, mas isso pode ajudar inflação e ativos de risco de maneira mais ampla. Já uma nova alta do petróleo teria impacto justamente sobre inflação, juros e percepção de risco. 

É por isso que commodity hoje não pode ser analisada isoladamente. 

04:30 — EUA e China: a disputa está migrando para as cadeias produtivas 

Outro tema que merece atenção é a disputa entre Estados Unidos e China. E não estamos falando apenas de tarifas. A questão das terras raras mostra isso muito bem. A China não domina somente a mineração. O grande diferencial está no processamento, separação, refino e fabricação de ímãs. É justamente essa parte da cadeia que o restante do mundo não consegue simplesmente replicar com uma tarifa ou uma nova mina. 

O mesmo raciocínio vale para cobre e alumínio. Isso cria uma tendência estrutural de diversificação das cadeias produtivas, mas também cria custos. A capacidade fora da China leva anos para ser construída e, nesse período, segurança de oferta pode passar a valer mais. 

Para o Brasil, isso é interessante porque temos exposição relevante a commodities e recursos naturais. Mas é uma tese estrutural, não algo para transformar em operação de curto prazo. 

E tem uma consequência ainda mais interessante: os próprios mercados emergentes estão ficando mais concentrados em tecnologia. O MSCI Emerging Markets já tem mais de 40% do índice em tecnologia, principalmente semicondutores

Ou seja, quando compramos “emergentes”, estamos cada vez mais comprando também o ciclo global de inteligência artificial. 

05:15 — Nvidia, ouro e bitcoin: a semana vai testar o apetite por risco 

E amanhã temos o principal teste dessa tese: Nvidia. O mercado continua olhando para a demanda por inteligência artificial, mas começa a prestar mais atenção nos custos de infraestrutura, principalmente memória e componentes

Se a demanda continuar forte e as empresas conseguirem repassar custos, o ciclo permanece saudável. Se as margens começarem a ser pressionadas, a discussão muda rapidamente. Isso importa porque Nvidia e outras empresas de tecnologia têm peso enorme nos índices globais. Um resultado fraco pode mudar a rotação que hoje beneficia commodities e emergentes. 

Enquanto isso, ouro e bitcoin continuam mostrando comportamentos diferentes. O ouro permanece praticamente estável nesta manhã, enquanto o bitcoin segue próximo dos US$ 80 mil. Os dois refletem, cada um à sua maneira, um ambiente de maior liquidez e menor pressão nos juros longos. 

Mas com uma distinção: ouro continua tendo uma função mais estrutural de proteção, enquanto o bitcoin permanece muito mais dependente de fluxo e posicionamento. 

O que eu faria hoje? 

Se tivesse que resumir o cenário, eu diria que o mercado melhorou, e os futuros americanos indicam uma abertura relativamente construtiva, principalmente em tecnologia, enquanto a queda do petróleo e a menor volatilidade ajudam a reduzir a pressão sobre os ativos de risco. Ainda assim, essa melhora não é suficiente para aumentar risco de maneira indiscriminada. 

Por isso, menos preocupação em tentar adivinhar o próximo movimento e mais atenção à reação do mercado aos níveis que estamos acompanhando. Nesse contexto, vale destacar B3SA3, que faz parte da nossa série de Trade Ideas para swing trade de curto e médio prazo, e começa a apresentar uma melhora da estrutura técnica após romper a média de 200 períodos. A sustentação acima dos R$ 15,69 pode favorecer a retomada do fluxo comprador, com espaço para buscar inicialmente R$ 17,43 e, posteriormente, R$ 18,23. 

A ideia não é aumentar risco de maneira indiscriminada, mas buscar operações em ativos que já estejam entregando confirmação técnica. B3SA3 entra justamente nessa lógica, como uma alternativa para capturar uma possível aceleração do movimento comprador. 

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.