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Os mercados globais iniciam a semana em tom cauteloso, atentos à divulgação de importantes indicadores econômicos nos Estados Unidos, que devem ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve. A recente pressão sobre as ações de tecnologia, combinada à alta dos rendimentos dos Treasuries e à expectativa por novos discursos de autoridades americanas, tem reduzido momentaneamente o apetite por risco.
No Brasil, o foco permanece dividido entre o cenário eleitoral, as discussões fiscais e os sinais de perda de fôlego da atividade econômica, refletidos em indicadores recentes de crescimento e crédito.
01:15 – Um respiro após as quedas consecutivas
No Brasil, o Ibovespa subiu +1,85% na sexta-feira, aos 171.031 pontos, acumulando alta de +2,45% na semana. No câmbio, o dólar recuou para R$ 5,14, encerrando a semana com queda de 1,59%, acompanhando a perda de força da moeda americana no mercado internacional.
Parte do desempenho positivo da Bolsa na sexta-feira foi atribuída às expectativas em torno da pesquisa eleitoral do Datafolha. As especulações de uma possível redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro foram confirmadas, com o atual presidente perdendo 1 p.p. das intenções de voto em um eventual segundo turno. No levantamento, Lula marcou 47%, ante 43% de Flávio Bolsonaro.
Já no campo econômico, o destaque fica para a divulgação do IPCA-15 na quarta-feira, com expectativa de queda de 0,32%, após a alta de 0,06% na leitura anterior. Ao longo da semana, também serão divulgados novos dados do mercado de trabalho, incluindo a Pnad Contínua e o Caged, que devem oferecer sinais importantes sobre a intensidade da desaceleração da economia.
Hoje, o Boletim Focus mostrou poucas alterações nas projeções. A expectativa para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,02%, enquanto a estimativa para 2027 passou de 4,24% para 4,25%. Para a Selic, o mercado manteve as projeções de 13,75% ao fim de 2026 e 12% em 2027. Já a expectativa para o PIB de 2026 foi revisada para baixo, de 1,98% para 1,95%. Em linhas gerais, o relatório reforçou a percepção de estabilidade nas expectativas para inflação e juros, apesar do ambiente de atividade mais moderada.
Com isso, o mercado segue atento à evolução da atividade econômica, ao comportamento da inflação, ao quadro fiscal e ao cenário político, fatores que tendem a ditar a dinâmica dos ativos domésticos daqui para frente.
03:36 – Novos dados podem recalibrar expectativas
Nos Estados Unidos, os índices encerraram a semana em tom cauteloso, com o S&P 500 recuando 1,4%, enquanto o Nasdaq caiu 2,1% e o Dow Jones cedeu 0,9%.
Agora as atenções se voltam para importantes indicadores econômicos, que devem influenciar as expectativas para a próxima decisão do Fed. Entre os principais dados está o PCE, principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, com divulgação prevista para quarta-feira e estimativa de alta de 0,2% para o núcleo, acelerando frente à última leitura de 0,1%.
Também será divulgado o PIB do 2T dos Estados Unidos, com expectativa de desaceleração do crescimento, de 2,1% para 1,5%. Por fim, na sexta-feira será divulgada a revisão anual preliminar do payroll, que pode trazer ajustes na leitura sobre a evolução do mercado de trabalho americano.
Vale lembrar que os dados econômicos recentes tiveram papel importante na formação das expectativas para a política monetária americana. Além disso, na ata da última reunião do FOMC, os dirigentes indicaram que podem ser necessários novos aumentos de juros caso a inflação permaneça persistente. Dessa forma, as divulgações desta semana ganham relevância adicional, podendo influenciar as expectativas para a trajetória dos juros americanos e, consequentemente, o desempenho dos ativos de risco.
04:14 – E o Bitcoin ressurge
O Bitcoin voltou a chamar atenção dos investidores ao registrar uma forte valorização ao longo da última semana e retornar à região dos US$ 77 mil. O movimento ocorreu após um período de volatilidade excepcionalmente baixa para os padrões do próprio mercado de criptomoedas.
A recuperação foi impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a melhora do ambiente macroeconômico global, o encerramento de posições vendidas que ampliaram o movimento de alta e avanços graduais no ambiente regulatório dos Estados Unidos.
Como sempre, a elevada volatilidade do ativo exige cautela, mas a recuperação reforça sua sensibilidade às condições de liquidez global e ao cenário macroeconômico.
05:05 – Sempre um varejo, mas nem todo varejo
A recuperação judicial da Casas Bahia anunciada nos últimos dias não chegou a ser uma grande surpresa. Após um longo período de juros elevados, aumento do endividamento das famílias, mudanças nos hábitos de consumo e maior concorrência das plataformas internacionais, o ambiente para a companhia – e para parte relevante do varejo – já vinha se deteriorando há algum tempo.
Ainda que o setor seja um dos mais sensíveis a esse conjunto de desafios, algumas empresas têm conseguido se destacar mesmo em um ambiente mais adverso.
A Track & Field (TFCO4) é um dos exemplos desse movimento. A companhia tem se beneficiado de tendências estruturais ligadas à moda fitness e à adoção de hábitos mais saudáveis pela população, refletidas no crescimento da prática de atividades físicas e na maior busca por produtos voltados ao bem-estar.
Em uma temporada de resultados marcada por dificuldades para diversas varejistas de vestuário, com pressão sobre receita, vendas nas mesmas lojas e margens, a companhia apresentou crescimento de 15% da receita líquida e 17% do ebitda, preservando níveis saudáveis de rentabilidade.
Além disso, negociando próxima de seus menores níveis de valuation dos últimos anos (9x lucro projetado para os próximos 12 meses), a Track & Field combina uma tese de crescimento atrativa com fundamentos sólidos, tornando-se uma alternativa interessante para exposição ao consumo doméstico de maior qualidade.