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Investimentos

Ibovespa hoje: Reta final das eleições, agenda econômica dos EUA, impasse no Oriente Médio e nova alta do petróleo movimentam mercado; veja destaques desta segunda (28)

Mercado brasileiro entra na reta final da eleição em um ambiente de maior sensibilidade. Veja mais destaques

Por Matheus Spiess

28 set 2026, 10:39

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Atualizado em 28 set 2026, 11:02

brasil economia investimentos bolsa ibovespa

Imagem: iStock/ @Gilnature

A última semana de setembro começa com os mercados novamente divididos entre geopolítica, energia e política monetária. O petróleo voltou a disparar após Donald Trump rejeitar a proposta iraniana de reabertura gradual do Estreito de Ormuz, levando o Brent novamente para perto de US$ 108 por barril e recolocando no radar o risco de uma nova rodada de pressão sobre combustíveis, fretes e inflação.

Ao mesmo tempo, os Treasuries seguem pressionados depois de atingirem máximas de vários anos, enquanto a melhora pontual nas relações entre Estados Unidos e China oferece algum contraponto: a cúpula entre Trump e Xi Jinping resultou na extensão por dois meses da trégua comercial e abriu espaço para novas negociações sobre tarifas e inteligência artificial.

É um cenário em que qualquer avanço diplomático pode retirar rapidamente parte do prêmio de risco dos ativos, mas no qual energia cara e inflação persistente continuam limitando o espaço para uma normalização mais tranquila dos juros.

Por isso, a agenda desta semana será especialmente importante. Nos Estados Unidos, o mercado acompanha o JOLTS na terça-feira, seguido, na quarta, pelo ADP e pelo PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, antes do principal teste da semana: o relatório oficial de empregos de setembro, na sexta-feira. A leitura conjunta de atividade, mercado de trabalho e preços ajudará a calibrar até onde o Fed ainda precisará levar o aperto monetário, sobretudo se o choque de energia continuar contaminando as expectativas de inflação.

Na Europa, novas falas de Christine Lagarde também ajudarão a medir o grau de tolerância do BCE a esse ambiente. No Brasil, o calendário ganha uma camada adicional de sensibilidade: faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, deixando Bolsa, câmbio e curva de juros particularmente atentos às expectativas para o cenário econômico e fiscal pós-eleitoral.

· 00:52 — Brasil na reta final: inflação, juros e eleições no centro do debate

A menos de uma semana do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o mercado brasileiro entra na reta final da eleição em um ambiente de maior sensibilidade aos dados domésticos, ao quadro fiscal e às expectativas em torno da condução da política econômica. O Ibovespa encerrou a última sexta-feira em queda de 0,27%, aos 183.477 pontos, acumulando recuo de 0,95% na semana, enquanto o dólar fechou a R$ 5,1810, com alta de 0,72% no período.

Ao mesmo tempo, a economia segue desacelerando mais do que o esperado, com projeções de crescimento de 1,7% em 2026 e 1,2% em 2027, em meio a juros ainda elevados e inadimplência pressionada. O quadro fiscal também permanece desafiador: o número de beneficiários do BPC deve alcançar 6,45 milhões em 2027, com despesa estimada em R$ 153,3 bilhões, enquanto o 4º Relatório Bimestral reduziu o bloqueio de despesas, mas manteve restrições relevantes ao gasto. Nesse contexto, o próximo governo deverá lidar com uma combinação delicada de baixo crescimento, expansão das despesas obrigatórias e necessidade de reconstruir a credibilidade fiscal.

A inflação voltou a tornar esse cenário mais complexo. O IPCA-15 de setembro avançou 0,70%, bem acima das expectativas, com uma composição qualitativa pior do que o previsto. A média dos cinco núcleos acelerou de 3,8% para 4,2% na média móvel trimestral anualizada, enquanto os serviços subjacentes passaram de 4,5% para 5,1% e os serviços intensivos em trabalho avançaram de 6,8% para 7,1%. Em contrapartida, os bens industriais subjacentes mantiveram trajetória mais favorável, desacelerando de 3,4% para 1,8%.

Diante dessa leitura, as projeções para o IPCA foram revisadas para 5,3% em 2026 e 4,8% em 2027, refletindo, principalmente, a pressão dos combustíveis e um impulso fiscal mais forte associado ao reajuste do Bolsa Família. A deterioração reforça a expectativa de que a Selic permaneça em 13,75% no curto prazo, mesmo após o Copom reconhecer uma desaceleração mais clara da atividade e manter aberta a possibilidade de retomada dos cortes ao longo de 2027.

Com a eleição entrando em seus últimos dias, essa combinação tende a ampliar a sensibilidade da Bolsa, do câmbio e da curva de juros a qualquer mudança na percepção sobre o cenário pós-eleitoral. Uma inflação mais pressionada reduz o espaço para uma flexibilização monetária mais rápida, enquanto a desaceleração da atividade e as incertezas fiscais aumentam a importância das sinalizações sobre ajuste das contas públicas, trajetória da dívida e produtividade.

Em outras palavras, o mercado chega à votação diante de forças conflitantes: o crescimento mais fraco favorece a discussão sobre cortes de juros, mas a persistência inflacionária e o risco fiscal limitam esse movimento. Por isso, mais do que oscilações pontuais de preço nesta reta final, o foco tende a se concentrar na capacidade do próximo governo de construir um ambiente fiscal e macroeconômico capaz de sustentar uma redução mais duradoura dos prêmios de risco.

· 01:45 — Mercados avançam, mas juros e energia mantêm a pressão

Apesar de uma semana marcada por forte volatilidade, Wall Street encerrou sexta-feira no campo positivo: o Dow Jones avançou 0,28%, o S&P 500 subiu 1,21% e o Nasdaq ganhou 2,06%. O desempenho ocorreu mesmo diante da alta dos Treasuries, com o rendimento do título de 10 anos chegando a 5,18%, o maior nível desde 2007, e em meio à persistente pressão dos preços de energia. Parte do alívio veio das expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

Ao mesmo tempo, a inflação segue como fonte de preocupação: a confiança do consumidor americano recuou para o menor nível em quatro meses, enquanto as expectativas de inflação subiram para 4,6% em um ano e 3,4% no horizonte de cinco a dez anos, refletindo, em boa medida, o impacto da alta do diesel e da gasolina sobre o custo de vida.

Na frente comercial, a cúpula entre Trump e Xi Jinping resultou na extensão por dois meses da trégua tarifária e em um acordo limitado para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos de ambos os países (totalizando US$ 60 bilhões de comércio bilateral).

Nesta semana, o foco dos mercados volta a se concentrar em inflação, emprego e política monetária. Na quarta-feira, será divulgado o núcleo do PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, enquanto, na sexta-feira, sai o relatório de empregos de setembro, com expectativa de criação de 100 mil vagas, abaixo das 162 mil registradas em agosto. A combinação entre um mercado de trabalho ainda firme e uma inflação persistentemente acima da meta ajuda a explicar por que os investidores passaram a precificar mais dois aumentos de 25 pontos-base nos juros até janeiro.

O noticiário de inteligência artificial também deve permanecer relevante, com o DevDay da OpenAI, discussões regulatórias em Washington e novas preocupações após a suspensão do treinamento de agentes de IA que acessaram sites do governo americano. No campo corporativo, Micron Technology, Nike, Accenture, Carnival e CarMax divulgam resultados, enquanto a possibilidade de restrições às exportações americanas de diesel adiciona uma nova camada de incerteza ao cenário global de energia, inflação e juros.

· 02:31 — O impasse no Oriente

No Oriente Médio, o impasse entre Estados Unidos e Irã mantém o Estreito de Ormuz no centro das atenções. Teerã sustenta que a reabertura da passagem depende de uma solução diplomática e do atendimento às condições apresentadas pelo país, enquanto Donald Trump rejeitou a proposta iraniana de retomada gradual do tráfego ao longo de sete dias, embora tenha afirmado esperar novas conversas ainda nesta semana.

O plano previa redução da pressão militar americana, alívio das sanções sobre o petróleo e encerramento do bloqueio naval. Embora as exportações dos principais produtores do Golfo tenham se recuperado para cerca de 12,8 milhões de barris por dia, apoiadas pelo uso de rotas alternativas, esse volume ainda não compensa integralmente as restrições em Ormuz, por onde passava aproximadamente um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.

A permanência desse impasse voltou a pressionar os preços do Brent e do WTI, reforçando o risco de transmissão para combustíveis, fretes, alimentos e inflação de serviços. A tensão também continua elevada no Iêmen, onde a coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado mísseis e drones lançados pelos houthis, grupo apoiado pelo Irã.

Esse ambiente torna a leitura dos bancos centrais mais complexa: quanto mais persistente for o choque energético, maior tende a ser a sensibilidade das expectativas de juros aos preços dos derivados de petróleo, sobretudo se o mercado concluir que será necessário compensar a inflação vinda da energia com uma política monetária mais restritiva em outros segmentos da economia. Ao mesmo tempo, Trump avalia uma possível proibição das exportações americanas de diesel, acrescentando uma nova camada de incerteza ao mercado global de combustíveis.

· 03:29 — Preocupações

As preocupações com os riscos da inteligência artificial aumentaram após novas falhas de segurança em sistemas avançados. A OpenAI informou que um modelo com capacidade de agir de forma autônoma saiu de um ambiente que deveria estar isolado, acessou a internet e interagiu com um chatbot externo, levando a empresa a suspender parte do treinamento.

O episódio ocorre em meio a uma pressão regulatória crescente: Donald Trump deve se reunir com Dario Amodei, da Anthropic, enquanto Amodei e Sam Altman foram chamados a prestar esclarecimentos ao Senado australiano. Ao mesmo tempo, os efeitos econômicos da IA começam a aparecer de forma desigual. Setores mais expostos à tecnologia vêm registrando ganhos de produtividade e, em alguns casos, salários mais altos, mas a relação está longe de ser uniforme. Parte relevante dos benefícios parece estar sendo apropriada pelos lucros corporativos e pelos acionistas, enquanto os ganhos para os trabalhadores permanecem mais limitados.

O outro ponto de atenção é a sustentabilidade do atual ciclo de investimentos. O capex ligado à IA já representa cerca de 27% do investimento fixo dos Estados Unidos no segundo trimestre, e o investimento acumulado no setor superou 2% do PIB americano em três anos, um ritmo comparável apenas a alguns dos maiores booms tecnológicos da história.

O problema é que os retornos econômicos ainda não aparecem de forma suficientemente clara: o crescimento da produtividade segue aquém do que as expectativas de mercado parecem embutir, enquanto várias empresas do setor operam com fluxo de caixa livre negativo.

Isso não significa que a IA precise fracassar para que ocorra uma correção relevante; basta que os resultados fiquem abaixo das expectativas hoje muito elevadas. Lucros menores, produtividade decepcionante, demanda mais fraca, regulação mais dura ou juros americanos mais altos podem funcionar como gatilhos para uma reprecificação, com esses riscos potencialmente ganhando força à medida que 2027 se aproxima.

· 04:17 — Potências médias

As chamadas “potências médias” ganharam espaço no debate internacional ao defenderem maior cooperação multilateral em um contexto de crescente rivalidade entre Estados Unidos e China. Países como Canadá, França, Japão, Brasil e membros da União Europeia buscam ampliar sua autonomia estratégica, mas ainda enfrentam duas limitações centrais: divergências internas e ausência de poder coercitivo comparável ao das grandes potências.

Isso ajuda a explicar por que essas coalizões conseguem oferecer apoio financeiro, militar ou humanitário em momentos de crise, mas encontram dificuldade para produzir soluções decisivas em temas como Ucrânia, Irã ou inteligência artificial.

Ainda assim, há espaço para avanços quando esses países concentram esforços em objetivos mais específicos. A cooperação europeia em defesa e o exemplo da ASEAN mostram que alianças entre potências médias tendem a funcionar melhor em áreas delimitadas, especialmente quando evitam confrontar diretamente Washington ou Pequim.

O Canadá, sob Mark Carney, tornou-se um dos exemplos mais claros dessa estratégia: após os choques comerciais com os Estados Unidos, Ottawa passou a buscar maior diversificação de parceiros e uma aproximação mais estreita com a União Europeia, tentando preservar sua soberania sem, necessariamente, construir um “terceiro bloco” rival.

A iniciativa canadense, porém, enfrenta obstáculos relevantes. A União Europeia não dispõe hoje de um mecanismo claro para uma associação desse tipo, o CETA ainda não foi totalmente ratificado e há tensões entre a ambição europeia de ampliar sua influência e o interesse do Canadá em evitar um processo de integração excessivamente profundo. Além disso, Ottawa pretende atrair outros países, como Reino Unido e Austrália, para uma rede mais flexível de cooperação em áreas estratégicas, como defesa e minerais críticos.

No fundo, o principal desafio das potências médias será transformar discurso em capacidade efetiva de coordenação. Como alertou António Guterres, a multipolaridade pode ampliar as possibilidades de cooperação, mas também aumentar a fragmentação e a ocorrência de conflitos menores caso não existam regras e objetivos minimamente compartilhados.

· 05:02 — Uma nova fronteira geopolítica

A geopolítica ganhou uma nova fronteira no espaço. Os Estados Unidos confirmaram que colocaram uma arma em órbita, enquanto a China também avança no desenvolvimento de capacidades militares espaciais. Esse movimento ocorre em um contexto no qual os satélites já se tornaram essenciais para sistemas de GPS, comunicações, serviços financeiros e outras infraestruturas críticas.

Ao mesmo tempo, a Lua, os asteroides e outros corpos celestes concentram recursos estratégicos, incluindo minerais valiosos, o que amplia o interesse de dezenas de países pela nova corrida espacial.

O problema é que o arcabouço regulatório não acompanhou essa transformação. O Tratado do Espaço Sideral de 1967 proíbe a instalação de armas nucleares e de destruição em massa no espaço e impede reivindicações de soberania sobre corpos celestes, mas deixa diversas zonas cinzentas em temas como armas convencionais, exploração de recursos e ocupação de posições estratégicas.

Os Acordos de Artemis buscam preencher parte dessas lacunas, especialmente no que diz respeito à exploração lunar, mas China e Rússia não aderiram à iniciativa, mantendo divergências relevantes sobre como o espaço deve ser utilizado e regulado.

Nesse contexto, a disputa não envolve apenas território, mas também posições de vantagem estratégica. A Lua pode funcionar como uma plataforma de reabastecimento e acesso a recursos, enquanto os Pontos de Lagrange oferecem posições privilegiadas para comunicação, observação e futuras operações espaciais. Como esses pontos são limitados, podem se transformar em novos “gargalos” geopolíticos.

A questão central, portanto, é saber se as grandes potências conseguirão estabelecer regras comuns antes que a competição por armas, recursos e posições estratégicas transforme o espaço em mais um campo aberto de disputa.

Nesse cenário, o Global X Space Tech ETF (Nasdaq: ORBX | B3: ORBX39) oferece uma forma diversificada de exposição à cadeia espacial, reunindo empresas ligadas a sistemas de lançamento, foguetes reutilizáveis, componentes, softwares, transporte orbital, comunicações por satélite, análise de dados e exploração espacial. O fundo reúne 37 companhias, cobra taxa de administração de 0,50% e mantém exposição predominantemente aos Estados Unidos, combinando empresas mais consolidadas com negócios ainda em fase de expansão.

Trata-se de uma tese estruturalmente promissora, mas também intensiva em capital e sujeita a elevada volatilidade, dependência de contratos públicos, riscos tecnológicos e longos períodos de maturação. Por essa razão, enxergamos o ORBX como uma posição temática e complementar dentro de uma carteira diversificada, voltada à captura do potencial de crescimento de longo prazo da economia espacial.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.