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Investimentos

Ibovespa hoje: Prévia da inflação vem acima do esperado enquanto juros americanos atingem novas máximas; veja destaques desta sexta (25)

Ainda assim, maior parte do mercado projeta mais cortes na Selic; BC afirma que decisão depende dos dados. Veja mais destaques

Por Caio Araújo

25 set 2026, 10:15

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Atualizado em 25 set 2026, 10:15

bear market ibovespa queda mercado ações

Imagem: iStock/ Mininyx Doodle

A semana termina, mas algumas das principais histórias dos últimos meses continuam exatamente onde estavam.

O Estreito de Ormuz segue fechado, o petróleo voltou para cima e os juros longos americanos renovaram máximas. A combinação mantém a inflação no centro das atenções e reforça a percepção de que os bancos centrais ainda terão pouco espaço para relaxar.

No Brasil, o teste desta manhã é o IPCA-15. O mercado continua apostando em novos cortes da Selic até dezembro, mas a alta da energia e os choques externos tornam o caminho um pouco menos confortável.

Enquanto isso, por aqui também cresce a atenção sobre o comprometimento da renda das famílias e seus efeitos sobre crédito e consumo.

00:40 – A “novidade” é que Ormuz ainda segue fechado

O petróleo retomou a trajetória de alta e fechou a quinta-feira com o Brent para dezembro em torno de US$ 106,6, alta de 3,4% no dia e de quase 4% na semana. O barril chegou a se afastar das máximas com a informação de que negociadores americanos e iranianos discutem, em Nova York, um acordo em etapas para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, mas o alívio não se sustentou.

Pelo desenho em negociação, Teerã liberaria gradualmente a navegação em troca do fim do bloqueio econômico americano. À noite, o presidente iraniano voltou a sinalizar disposição para um acordo, afirmando que a decisão está do lado americano.

01:45 – Juros americanos nas máximas

O rendimento do título de dez anos raspou os 5,2%, no nível mais alto em quase vinte anos, enquanto o de trinta anos superou os 5,4%, também em máxima de longo prazo.

O discurso dos dirigentes do Fed acompanha o movimento: a leitura predominante é de que está praticamente contratado pelo menos mais um aperto antes do fim do ano, com a inflação subjacente descrita como teimosamente alta e os choques de oferta tratados como um risco relevante para a política monetária.

Na Europa, dirigentes também falaram em efeitos mais persistentes do choque energético, que já se espalha para diesel e gás, e admitiram a possibilidade de responder com juros mais altos.

02:45 – O teste do IPCA-15

Falando em inflação, no Brasil tivemos a divulgação do IPCA-15 na manhã de hoje. O resultado foi de 0,70%, acima das consenso, que apontava alta de 0,55%.

Nesta manhã, também tivemos a divulgação do INCC-M, medido pela FGV, que registrou alta de 0,25%, contra uma estimativa de 0,32% do consenso.

As apostas em continuidade do afrouxamento seguem de pé: a maior parte do mercado projeta mais um corte de 0,25 ponto em novembro e outro em dezembro, encerrando o ano com a Selic em 13,25%. O relatório de política monetária divulgado ontem, porém, deu peso relevante aos choques de oferta, e o presidente do Banco Central reforçou que a decisão continua dependente dos dados.

03:45 – Comprometimento de renda das famílias em foco

Com juros elevados por mais tempo, o custo do crédito às famílias virou tema de política pública. O Banco Central prepara medidas para limitar a oferta predatória de linhas mais caras a consumidores que poderiam acessar modalidades mais adequadas, com implementação progressiva, mais transparência e maior rigor na contratação dessas operações.

Na mesma direção, está previsto para hoje o anúncio de um programa para limpar o nome de famílias inadimplentes, com o Tesouro comprando dívidas antigas. O desenho e os prazos ainda não estão definidos, e a Fazenda afirma que a execução caberá dentro do Orçamento, sem comprometer a trajetória fiscal.

Além disso, as discussões envolvendo as casas de apostas também dominam o noticiário, com possíveis impactos sobre o consumo e o fluxo financeiro das famílias.

05:02 – O céu está nublado para as incorporadoras do segmento econômico

As incorporadoras de baixa renda atravessam uma combinação curiosa: os fundamentos operacionais continuam relativamente saudáveis, mas as ações perderam força ao longo de setembro, com quedas de dois dígitos.

Ao longo dos últimos meses, os players do setor relataram maior lentidão — ou seletividade — da Caixa na concessão de crédito. Neste mês, a principal novidade foi a greve dos funcionários da CEF, ainda sem solução.

Para as incorporadoras, o efeito é bastante específico. As vendas continuam acontecendo e os desembolsos relacionados ao avanço das obras seguem funcionando, mas o processo de repasse dos clientes à Caixa pode ficar represado. Isso tende a afetar principalmente a geração de caixa do terceiro trimestre, ainda que parte relevante do impacto possa representar apenas uma postergação para o quarto trimestre, caso a operação seja normalizada rapidamente.

Há ainda um terceiro ruído: a chuva. São Paulo registrou volumes recordes em setembro. Para incorporadoras com obras concentradas no estado, o ambiente adiciona algum risco de produtividade e de cronograma no curto prazo.

Na Bolsa, essa combinação ajudou a abrir uma divergência relevante e favoreceu o fluxo para outras teses, em especial aquelas mais bem posicionadas para uma virada de ciclo, de olho no ambiente fiscal. A Cyrela (CYRE3), por exemplo, avança em torno de 9% no mês.

De modo geral, a conjuntura de curto prazo pode permanecer turbulenta para o setor, no aguardo do resultado eleitoral e das prévias operacionais. Embora exista um cenário de revisão de projeções, os múltiplos de empresas como Cury (CURY3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3), nossa escolha, já apresentam uma margem de segurança razoável para investimento, entre 4 e 5 vezes o lucro projetado para 2027.

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.