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Donald Trump retomou a construção de sua barreira tarifária ao impor alíquotas de 10% a 12,5% sobre as importações provenientes de cerca de 60 parceiros comerciais, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas. A medida substitui a tarifa global temporária de 10%, passa a se apoiar na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e mantém isenções para itens como petróleo, gás, fertilizantes, determinados alimentos e produtos já alcançados por tarifas de segurança nacional. Essa nova rodada representa a iniciativa comercial mais ampla de Washington desde que a Suprema Corte derrubou uma parcela relevante das tarifas anunciadas no chamado “Dia da Libertação”.
Ao mesmo tempo, a escalada no Oriente Médio voltou a dominar o comportamento dos mercados. O petróleo Brent chegou aos US$ 100 por barril após os ataques dos houthis a petroleiros sauditas no Mar Vermelho e as novas ameaças de Donald Trump contra o Irã, enquanto os Estados Unidos completaram a 13ª noite consecutiva de operações militares. O aumento dos riscos sobre o Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb reacendeu as preocupações inflacionárias, pressionou ações e títulos e elevou as expectativas de novos apertos monetários por parte do Federal Reserve e do Banco Central Europeu, que manteve os juros em 2,25% ao ano, mas reconheceu que o choque de energia ainda não foi integralmente transmitido à inflação e que os riscos permanecem inclinados para cima, alimentando a possibilidade de uma nova alta de 0,25 ponto percentual em setembro.
· 00:58 — Petróleo, tarifas e fiscal pressionam o mercado brasileiro
No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda de 0,46%, aos 176.724 pontos, pressionado por um ambiente externo mais adverso. A valorização das ações de Petrobras e Vale ajudou a conter as perdas, enquanto o dólar avançou 0,65%, para R$ 5,08, acompanhando o fortalecimento global da moeda americana em meio ao aumento das preocupações inflacionárias. O mercado também repercute a nova rodada de tarifas anunciada por Donald Trump contra 60 parceiros comerciais.
O Brasil foi submetido a uma alíquota adicional de 12,5% que, para grande parte das exportações, será somada aos 25% já em vigor, elevando a taxação total para 37,5%. O governo brasileiro classificou a medida como arbitrária e ilegal, anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio e iniciará os procedimentos para acionar a Lei da Reciprocidade. Representantes do setor produtivo, por sua vez, defendem cautela para evitar uma escalada comercial. Uma lista de 471 produtos, incluindo café, petróleo, gás, fertilizantes, carnes, medicamentos e insumos estratégicos, ficou isenta, o que limita o impacto econômico agregado da medida.
Na agenda doméstica, as atenções se concentram nas falas de Dario Durigan e Gabriel Galípolo durante um evento em São Paulo, nas reuniões trimestrais do Banco Central com economistas e na divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre, acompanhada de entrevista coletiva com representantes dos ministérios da Fazenda e do Planejamento. O mercado também monitora a pesquisa Datafolha sobre a avaliação do governo e as intenções de voto para a eleição presidencial, que pode representar um divisor de águas para a oposição.
No campo fiscal, Durigan reiterou o compromisso com a estabilização da dívida pública até 2030, com expectativa de superávits primários entre 2028 e 2029. Em contrapartida, a Instituição Fiscal Independente identificou uma deterioração relevante da situação financeira de parte das estatais federais nos últimos oito anos. Paralelamente, o governo prorrogou os subsídios de R$ 0,44 por litro para a gasolina e de R$ 1,12 por litro para o diesel, recuando do plano de redução dos benefícios diante da volatilidade dos preços internacionais do petróleo.
· 01:45 — Dúvidas sobre o caixa
Os mercados americanos entraram em modo de aversão ao risco após a combinação de dois choques: a disparada do petróleo e a renovação das dúvidas sobre os gastos das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial. Nesse ambiente, o Nasdaq caiu 2,1%, o S&P 500 recuou 1,2% e o Dow Jones perdeu 507 pontos, apesar de os pedidos iniciais de auxílio-desemprego terem atingido o menor nível desde 1969, reforçando a percepção de força do mercado de trabalho americano.
A pressão foi particularmente intensa sobre as “Sete Magníficas”, que registraram a maior queda diária desde abril de 2025 e perderam entre US$ 797 bilhões e US$ 889,3 bilhões em valor de mercado, conforme a métrica utilizada. Alphabet e Tesla recuaram 7,1% e 14,5%, respectivamente, após seus resultados ampliarem o ceticismo sobre a sustentabilidade dos investimentos em IA: a Alphabet elevou sua previsão de capex para até US$ 205 bilhões e registrou fluxo de caixa livre negativo no trimestre, enquanto a Tesla apresentou lucro abaixo do esperado e sinalizou investimentos massivos em 2026.
Em contraste, a Intel avançou após divulgar receita de US$ 16,1 bilhões, lucro ajustado de US$ 0,42 por ação e crescimento de 59% nos segmentos de data center e IA, além de uma projeção para o terceiro trimestre acima das estimativas. Ainda assim, o aumento previsto do capex para mais de US$ 20 bilhões em 2026 reforçou o principal debate de Wall Street: até que ponto os investimentos em IA continuarão sendo bem recebidos quando começarem a superar a geração operacional de caixa.
· 02:31 — Petróleo sob pressão: uma nova frente no Oriente Médio
A escalada no Oriente Médio ganhou uma nova frente após os houthis, grupo apoiado pelo Irã e que controla grande parte do Iêmen, atacarem dois petroleiros sauditas nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb, como tenho aventado ser possível há alguns dias. O episódio ampliou o risco de interrupção simultânea de duas rotas essenciais para o comércio global de energia: o Estreito de Ormuz, já pressionado pelo conflito, e Bab el-Mandeb, utilizado pela Arábia Saudita para escoar uma parcela crescente de sua produção.
Nesse contexto, o Brent chegou aos US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio e acumulou alta próxima de 20% em cinco dias. Um bloqueio mais prolongado poderia retirar cerca de 4% do petróleo mundial do mercado e obrigar os navios a contornar o Cabo da Boa Esperança, acrescentando de duas a três semanas às viagens e aproximadamente US$ 1 milhão aos custos de cada trajeto.
Apenas para ilustrar, os efeitos desse choque já começam a aparecer nos mercados e na economia americana. O preço da gasolina nos Estados Unidos ultrapassou US$ 4 por galão, enquanto a American Airlines reduziu sua projeção de lucro após estimar um aumento de US$ 1,6 bilhão nos custos com combustível. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos Treasuries de dez anos avançaram para níveis superiores a 4,7%.
Com a alta da energia reacendendo as pressões inflacionárias, os investidores elevaram para quase 40% a probabilidade de o Federal Reserve aumentar os juros em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, ante menos de 12% uma semana antes. Ainda assim, o patamar atual do petróleo não representa, necessariamente, um gatilho imediato de pânico: em episódios anteriores, sinais mais claros de estresse sobre ações e títulos surgiram quando o Brent ultrapassou US$ 110 por barril.
· 03:28 — Debate nuclear aquecido
Dois acordos nucleares firmados pelos Estados Unidos enfrentam obstáculos políticos e jurídicos distintos. No caso da Arábia Saudita, que comentei ontem, Donald Trump condicionou o avanço do acordo à adesão do Reino aos Acordos de Abraão e à normalização das relações com Israel, exigência que esbarra na posição saudita de só prosseguir mediante um caminho irreversível para a criação de um Estado palestino. O projeto permitiria a venda de reatores e tecnologia nuclear americana, possivelmente incluindo enriquecimento doméstico de urânio, o que alimenta críticas sobre salvaguardas insuficientes e risco de proliferação regional.
No Japão, porém, o impasse é mais diretamente financeiro e regulatório: Tóquio estaria reconsiderando um acordo de US$ 40 bilhões para financiar dois pequenos reatores modulares nos Estados Unidos por receio de assumir responsabilidades em caso de acidente nuclear. Embora Washington tenha dado garantias verbais de que os reatores seriam de propriedade e operação exclusivamente americanas, o trauma de Fukushima continua a moldar a postura japonesa, levando o governo a exigir uma proteção formal e por escrito. A negociação dessa emenda poderia levar anos, enquanto os EUA pressionam por uma conclusão antes das eleições de meio de mandato, evidenciando como a aversão japonesa ao risco nuclear pode atrasar um acordo considerado importante para a expansão dos SMRs americanos. É o debate nuclear cada vez mais aquecido.
· 04:15 — Encerrando a semana para baixo
Os mercados asiáticos encerram a semana em clima de cautela, pressionados pela combinação de tensões comerciais, escalada militar e dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial. A venda global de ações de tecnologia ganhou força na Ásia, com quedas próximas de 7% em Samsung Electronics e SK Hynix, enquanto a alta do petróleo Brent para perto de US$ 100 por barril voltou a alimentar preocupações inflacionárias e pressionou os títulos globais.
O movimento reflete os ataques houthis a petroleiros no Mar Vermelho, a possibilidade de uma ofensiva americana mais ampla contra o Irã e as novas tarifas impostas por Donald Trump a 60 economias. Na Ásia, as medidas foram classificadas como injustificadas, embora não tenham provocado retaliações imediatas. A China, sujeita a uma tarifa efetiva estimada em 22,2%, também pode adotar uma postura mais cautelosa antes da possível visita de Xi Jinping aos Estados Unidos, em setembro.
Ao mesmo tempo, por outro lado, como tenho falado já há alguns dias, o lançamento do Kimi K3, da chinesa Moonshot AI, reforçou a percepção de que os laboratórios chineses estão se aproximando rapidamente dos líderes americanos, mesmo sem acesso aos chips mais avançados dos Estados Unidos. Esse avanço alimenta a avaliação de que os controles de exportação podem ter acelerado o desenvolvimento de capacidades próprias na China, em vez de contê-lo.
O problema central, porém, vai além da competição tecnológica: a capacidade regulatória segue distante do ritmo de evolução dos modelos, enquanto aumentam os riscos cibernéticos, biológicos e de alinhamento. A tendência é de maior participação dos governos, inclusive com mecanismos de intervenção e controle sobre empresas de IA, mas a adoção de modelos chineses de baixo custo por startups americanas mostra que a governança dessa tecnologia precisará ser tratada em escala global.
· 05:06 — Liquidez com método e eficiência
Manter uma posição adequada de caixa não representa falta de convicção, mas sim a preservação da capacidade de decisão. Em períodos de maior volatilidade, essa reserva reduz a necessidade de vender ativos em momentos desfavoráveis, facilita o rebalanceamento da carteira e permite aproveitar novas oportunidades sem desmontar posições estratégicas. Para cumprir bem essa função, o caixa deve combinar preservação de capital, liquidez, previsibilidade e remuneração compatível com os juros de curto prazo, evitando que uma parcela relevante do portfólio permaneça improdutiva.
A escolha do instrumento é tão importante quanto o tamanho da reserva. Um bom veículo de caixa deve apresentar baixo risco de crédito, oscilações limitadas, custos competitivos e simplicidade operacional. Também é fundamental compatibilizar o prazo de liquidação com a finalidade dos recursos: valores destinados a oportunidades futuras ou a rebalanceamentos podem permanecer em uma solução com liquidação em D+1, enquanto despesas imediatas exigem disponibilidade no mesmo dia. Essa distinção contribui para transformar o caixa em uma posição planejada, e não apenas em recursos temporariamente sem destinação.
Nesse contexto, o LIQB11 se destaca por oferecer, em uma única cota negociada em bolsa, exposição a uma carteira integralmente composta por títulos públicos federais. O ETF busca acompanhar o ITBR Selic 750 e, na composição de 20 de julho de 2026, mantinha 91,02% em títulos ligados à Selic e 8,98% em títulos indexados ao IPCA, com rebalanceamento semanal, taxa de administração de 0,15% ao ano, duration de 1,16 ano e liquidação em D+1. A predominância das LFTs busca manter o desempenho próximo ao DI, enquanto a parcela menor de NTN-Bs acrescenta diversificação e potencial de retorno, embora também introduza alguma sensibilidade à marcação a mercado. Por essas características, o produto pode cumprir o papel de caixa tático e remunerado, ainda que não substitua uma reserva de disponibilidade imediata e exija atenção ao volume negociado, ao spread entre compra e venda e à aderência ao índice, especialmente por se tratar de um ETF lançado recentemente.