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Investimentos

Ibovespa hoje: Após Copom reduzir Selic para 13,75% ao ano e Fed elevar juros, o que esperar nesta quinta (17)?

Banco Central do Brasil ressaltou a moderação de atividade econômico e o arrefecimento dos núcleos da inflação

Por Lais Costa

17 set 2026, 10:42

Atualizado em 17 set 2026, 10:42

taxa selic inflação juros

Imagem: iStock/ MicroStockHub

Os mercados abrem com um tom positivo nesta quinta-feira (17). Os principais índices acionários americanos sobem até 1,1%, com destaque para a alta de todas as “Sete Magníficas” e alta de 1,5% em Nvidia.

O DXY, que mede a força do dólar contra os pares desenvolvidos, fica estável e os juros de 10 anos cedem, voltando a ser negociado abaixo de 5% ao ano. O vencimento de 30 anos recua cerca de 10 pontos-base e retoma o patamar de 5,76%, o menor desde maio. O barril de petróleo se mantém acima de U$ 100, embora também mostre uma queda de 2,5% nesta manhã.

No calendário macroeconômico, as decisões de política monetária continuam movimentando as manchetes. Ontem o Federal Reserve subiu juros, o Bacen reduziu a Selic e nesta manhã o Banco Central da Inglaterra manteve as taxas inalteradas.

· 00:35 — Juros para cima entre 3,75% e 4,00%

O Banco Central americano subiu os juros em 25 pontos-base ontem (16), elevando o Fed Funds para o intervalo de 3,75%-4,00% ao ano, em linha com as estimativas de mercado.

No Sumário de Projeções Econômicas, o comitê ainda indicou mais um alta de mesma magnitude neste ano e estabilidade durante todo o ano de 2027. Dos 18 membros que apresentaram projeções, 16 esperam pelo menos mais uma alta neste ano, sendo que 12 projetam um aumento adicional e quatro antecipam duas novas altas.

Para 2027, a maioria dos membros projetam juros no nível atual ou acima dele. Já para 2028 e 2029, as projeções indicam uma normalização gradual da política monetária, com cortes de 25 pontos-base por ano. A estimativa para a taxa de juros de longo prazo também subiu de 3,06% para 3,25%, maior nível desde 2016.

Em relação à precificação de mercado, a mediana das projeções de juros foi dovish, haja vista que o mercado enxerga cerca de 80 pontos-base de alta no acumulado de 2027. Contudo, a sinalização mais clara sobre a melhora da atividade econômica e a expectativa de queda da taxa de desemprego para 4,1% neste ano e elevação da estimativa de núcleo da inflação, fizeram com que o tom geral da decisão tendesse para o lado mais duro (hawkish).

Nesse contexto, a sinalização do FOMC aponta para mais uma alta de juros em dezembro, seguida por uma trajetória bastante gradual de normalização da política monetária nos próximos anos.

· 01:51 — Juros para baixo em 13,75%

No Brasil, o Bacen cortou a Selic em 25 pontos-base, em linha com o consenso de mercado. A decisão seguiu um tom ligeiramente dovish, com poucas alterações no comunicado. O comitê ressaltou a moderação da atividade econômica e notou o arrefecimento dos núcleos da inflação embora tenha enfatizado o nível ainda muito acima da meta. A projeção de inflação para o horizonte relevante foi mantida em 3,2%, levemente abaixo do esperado pelos economistas com revisão baixista do IPCA administrados no 1T28.

A decisão deixa aberta a porta para a continuação da queda da Selic em novembro, embora não se comprometa com o próximo passo.

Nós mantemos a nossa projeção de pausa em novembro e mais uma queda de 25 pontos-base na última reunião do ano, embora reconheçamos que o viés dessa projeção seja para baixo.

· 03:01 — Juros estáveis em 3,75%

Nesta manhã, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros em 3,75%, mas deixou uma sinalização clara de que pretende voltar a elevar os juros caso o cenário econômico não apresente uma melhora relevante.

A decisão novamente teve placar de 6 votos a 3, e o comunicado reforçou que o Comitê de Política Monetária está preparado para agir conforme necessário. A principal mudança veio da avaliação dos riscos para a inflação: enquanto em julho eles eram considerados inclinados para cima, agora o BoE entende que a probabilidade de novas pressões inflacionárias aumentou, sobretudo diante da continuidade do conflito no Oriente Médio.

A mensagem dos membros do comitê sugere que uma alta de juros em novembro já está no radar, desde que não haja uma mudança significativa no cenário geopolítico ou econômico. A preocupação central é que um conflito mais prolongado possa gerar efeitos secundários sobre os preços, fazendo com que o choque inicial se espalhe pela economia e torne a inflação mais persistente. Nesse cenário, o BoE poderia precisar apertar novamente a política monetária, conforme já precificado na curva futura hoje.

Outra novidade importante veio da política de redução do balanço (quantitative tightening, ou QT). O BoE passou a adotar uma orientação para vários anos, buscando tornar o processo mais previsível. O plano prevê vendas ativas de aproximadamente £20 bilhões por ano, somadas aos vencimentos naturais dos títulos em carteira, o que implicaria uma redução média do balanço próxima de £46 bilhões anuais até 2034.

· 04:02 — Último movimento da semana

Ainda relevante, o Banco do Japão (BoJ) deve elevar as taxas para 1,25% ao ano. A autoridade monetária tem sofrido pressão dos mercados para elevação dos juros após continua depreciação do Iene. Após a elevação dos juros nos EUA, a moeda japonesa recou 1%.

O mercado já precifica uma alta adicional na reunião de dezembro, seguida de mais duas altas em 2027.

05:01 — Como capturar a descompressão das taxas futuras aqui

A intensa movimentação das taxas de juros globais continua apontando para assimetrias e potenciais de ganhos nos títulos de renda fixa. Em especial, a descompressão de juros longos nos EUA deve abrir espaço para um movimento similar no Brasil.

Vemos uma oportunidade nos juros reais longos, que pode ser capturada através do ETF PACB11.

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.