Imagem: iStock/ MicroStockHub
Os mercados abrem com um tom positivo nesta quinta-feira (17). Os principais índices acionários americanos sobem até 1,1%, com destaque para a alta de todas as “Sete Magníficas” e alta de 1,5% em Nvidia.
O DXY, que mede a força do dólar contra os pares desenvolvidos, fica estável e os juros de 10 anos cedem, voltando a ser negociado abaixo de 5% ao ano. O vencimento de 30 anos recua cerca de 10 pontos-base e retoma o patamar de 5,76%, o menor desde maio. O barril de petróleo se mantém acima de U$ 100, embora também mostre uma queda de 2,5% nesta manhã.
No calendário macroeconômico, as decisões de política monetária continuam movimentando as manchetes. Ontem o Federal Reserve subiu juros, o Bacen reduziu a Selic e nesta manhã o Banco Central da Inglaterra manteve as taxas inalteradas.
· 00:35 — Juros para cima entre 3,75% e 4,00%
O Banco Central americano subiu os juros em 25 pontos-base ontem (16), elevando o Fed Funds para o intervalo de 3,75%-4,00% ao ano, em linha com as estimativas de mercado.
No Sumário de Projeções Econômicas, o comitê ainda indicou mais um alta de mesma magnitude neste ano e estabilidade durante todo o ano de 2027. Dos 18 membros que apresentaram projeções, 16 esperam pelo menos mais uma alta neste ano, sendo que 12 projetam um aumento adicional e quatro antecipam duas novas altas.
Para 2027, a maioria dos membros projetam juros no nível atual ou acima dele. Já para 2028 e 2029, as projeções indicam uma normalização gradual da política monetária, com cortes de 25 pontos-base por ano. A estimativa para a taxa de juros de longo prazo também subiu de 3,06% para 3,25%, maior nível desde 2016.
Em relação à precificação de mercado, a mediana das projeções de juros foi dovish, haja vista que o mercado enxerga cerca de 80 pontos-base de alta no acumulado de 2027. Contudo, a sinalização mais clara sobre a melhora da atividade econômica e a expectativa de queda da taxa de desemprego para 4,1% neste ano e elevação da estimativa de núcleo da inflação, fizeram com que o tom geral da decisão tendesse para o lado mais duro (hawkish).
Nesse contexto, a sinalização do FOMC aponta para mais uma alta de juros em dezembro, seguida por uma trajetória bastante gradual de normalização da política monetária nos próximos anos.
· 01:51 — Juros para baixo em 13,75%
No Brasil, o Bacen cortou a Selic em 25 pontos-base, em linha com o consenso de mercado. A decisão seguiu um tom ligeiramente dovish, com poucas alterações no comunicado. O comitê ressaltou a moderação da atividade econômica e notou o arrefecimento dos núcleos da inflação embora tenha enfatizado o nível ainda muito acima da meta. A projeção de inflação para o horizonte relevante foi mantida em 3,2%, levemente abaixo do esperado pelos economistas com revisão baixista do IPCA administrados no 1T28.
A decisão deixa aberta a porta para a continuação da queda da Selic em novembro, embora não se comprometa com o próximo passo.
Nós mantemos a nossa projeção de pausa em novembro e mais uma queda de 25 pontos-base na última reunião do ano, embora reconheçamos que o viés dessa projeção seja para baixo.
· 03:01 — Juros estáveis em 3,75%
Nesta manhã, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros em 3,75%, mas deixou uma sinalização clara de que pretende voltar a elevar os juros caso o cenário econômico não apresente uma melhora relevante.
A decisão novamente teve placar de 6 votos a 3, e o comunicado reforçou que o Comitê de Política Monetária está preparado para agir conforme necessário. A principal mudança veio da avaliação dos riscos para a inflação: enquanto em julho eles eram considerados inclinados para cima, agora o BoE entende que a probabilidade de novas pressões inflacionárias aumentou, sobretudo diante da continuidade do conflito no Oriente Médio.
A mensagem dos membros do comitê sugere que uma alta de juros em novembro já está no radar, desde que não haja uma mudança significativa no cenário geopolítico ou econômico. A preocupação central é que um conflito mais prolongado possa gerar efeitos secundários sobre os preços, fazendo com que o choque inicial se espalhe pela economia e torne a inflação mais persistente. Nesse cenário, o BoE poderia precisar apertar novamente a política monetária, conforme já precificado na curva futura hoje.
Outra novidade importante veio da política de redução do balanço (quantitative tightening, ou QT). O BoE passou a adotar uma orientação para vários anos, buscando tornar o processo mais previsível. O plano prevê vendas ativas de aproximadamente £20 bilhões por ano, somadas aos vencimentos naturais dos títulos em carteira, o que implicaria uma redução média do balanço próxima de £46 bilhões anuais até 2034.
· 04:02 — Último movimento da semana
Ainda relevante, o Banco do Japão (BoJ) deve elevar as taxas para 1,25% ao ano. A autoridade monetária tem sofrido pressão dos mercados para elevação dos juros após continua depreciação do Iene. Após a elevação dos juros nos EUA, a moeda japonesa recou 1%.
O mercado já precifica uma alta adicional na reunião de dezembro, seguida de mais duas altas em 2027.
05:01 — Como capturar a descompressão das taxas futuras aqui
A intensa movimentação das taxas de juros globais continua apontando para assimetrias e potenciais de ganhos nos títulos de renda fixa. Em especial, a descompressão de juros longos nos EUA deve abrir espaço para um movimento similar no Brasil.
Vemos uma oportunidade nos juros reais longos, que pode ser capturada através do ETF PACB11.