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Os preços do petróleo se estabilizaram após três sessões consecutivas de alta, mesmo diante da intensificação dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã e do aumento dos riscos no Estreito de Ormuz. Washington atingiu um petroleiro sancionado nas proximidades do principal terminal de exportação iraniano e prolongou a campanha militar pelo quinto dia consecutivo, enquanto Teerã descartou a retomada das negociações e ameaçou novas retaliações. Com isso, o risco geopolítico continua elevado.
Nesse ambiente, os mercados globais operam de forma mista, divididos entre o alívio proporcionado pela desaceleração da inflação nos Estados Unidos e a forte realização nas ações de semicondutores. As bolsas asiáticas foram pressionadas, especialmente na Coreia do Sul, onde o Kospi recuou 6,37%, com perdas expressivas de Samsung Electronics e SK Hynix, apesar dos resultados acima das expectativas divulgados pela TSMC.
O movimento reflete questionamentos sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial e sobre um possível excesso de capacidade entre as grandes empresas de computação em nuvem. Na Europa, as bolsas também recuam, enquanto os investidores aguardam a divulgação dos dados de vendas no varejo e do mercado de trabalho americano. Paralelamente, permanecem no radar as novas tarifas de 25% americanas as importações brasileiras, embora produtos relevantes, como café e carne bovina, tenham sido preservados.
· 00:51 — Atividade perde força, enquanto o fiscal volta ao centro do risco
No Brasil, o Ibovespa recuou 0,36% na quarta-feira, embora tenha se mantido acima dos 176 mil pontos, em um movimento de descolamento em relação ao desempenho positivo dos mercados globais. A pressão veio principalmente do ambiente doméstico, marcado por baixa liquidez, queda das principais ações do índice e maior desconforto com os cenários fiscal e eleitoral.
A pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, com 37%, ampliando a vantagem de seis para oito pontos percentuais. Para o mercado, porém, o principal canal de transmissão continua sendo o fiscal: quanto menor a probabilidade de um ajuste mais profundo nas contas públicas, maior tende a ser a percepção de risco. O dólar encerrou o dia praticamente estável, mesmo diante do enfraquecimento global da moeda americana, refletindo as incertezas domésticas.
Na atividade econômica, a Pesquisa Mensal de Serviços veio abaixo das expectativas e reforçou a percepção de desaceleração no segundo trimestre, embora os serviços prestados às famílias tenham preservado alguma resiliência. As atenções se voltaram, em seguida, para as vendas no varejo, que apresentaram na manhã de hoje recuperação após a queda de abril, mas também ficaram aquém do esperado.
No campo fiscal, permanecem as preocupações com a PEC da aposentadoria especial dos agentes de saúde, cujo impacto estimado é de R$ 27 bilhões em dez anos, além da possível capitalização dos Correios e do risco de criação de novas despesas obrigatórias. Com isso, o esforço necessário para o ajuste fiscal de 2027 se torna cada vez mais desafiador. Ao mesmo tempo, o mercado segue avaliando os efeitos do tarifaço americano, cuja lista ampliada de exceções reduziu parte do impacto inicialmente esperado sobre as exportações brasileiras.
· 01:45 — Mais um tarifaço
Os Estados Unidos confirmaram a aplicação, a partir de 22 de julho, de uma tarifa adicional de 25% sobre grande parte das importações brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A medida alcança milhares de produtos, entre eles vestuário, calçados, máquinas agrícolas e industriais, papel, aço e equipamentos elétricos. Ainda assim, foi mantida uma lista com mais de 2.100 exceções, que abrange café, carne bovina, produtos agropecuários, petróleo, celulose, aeronaves e componentes aeronáuticos, medicamentos, insumos farmacêuticos e terras raras.
Segundo o USTR, a decisão busca responder a práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais. Washington, no entanto, sinalizou que as negociações com o Brasil poderão prosseguir mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas.
O governo brasileiro classificou a medida como injustificada e afirmou que poderá recorrer tanto à Organização Mundial do Comércio quanto aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. Apesar da relevância política da decisão, a avaliação predominante é de que seu impacto macroeconômico tende a ser limitado, em razão da ampla lista de exceções, da preparação prévia das empresas e da possibilidade de redirecionamento de parte das exportações para outros mercados, especialmente a China.
Como os Estados Unidos respondem por cerca de 11% das vendas externas brasileiras, equivalentes a menos de 2% do PIB, os efeitos agregados sobre a atividade econômica devem permanecer relativamente moderados. O principal risco está em uma segunda investigação, relacionada ao uso de trabalho forçado, que poderá acrescentar 12,5 pontos percentuais às tarifas aplicadas a determinados produtos, elevando a alíquota efetiva para 37,5%.
· 02:39 — De volta ao radar
As chamadas Sete Magníficas voltaram a ocupar o centro das atenções após a forte correção das ações de semicondutores e de outras empresas que vinham liderando o mercado. O ETF Roundhill Magnificent Seven avançou 2,3% na quarta-feira e acumula alta superior a 7% em julho, enquanto Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft registraram ganhos expressivos.
Na prática, essas cinco companhias passaram a desempenhar um papel relativamente defensivo dentro do setor de tecnologia, beneficiadas tanto pela migração de capital em períodos de maior pressão sobre as fabricantes de chips quanto pela perspectiva de custos mais baixos caso os preços das memórias recuem. Esse movimento ajudou a sustentar o S&P 500, mesmo com o índice de semicondutores PHLX acumulando queda de 13% no mês.
Ao mesmo tempo, a estratégia de momentum — baseada na compra de ações que vêm apresentando desempenho superior — enfrenta um teste relevante. O ETF Invesco S&P 500 Momentum recuou mais de 2,4% na quarta-feira e acumula perda de 7,1% em julho, pressionado pelas quedas acentuadas de empresas como Corning, Teradyne, Sandisk e Intel. Analistas técnicos ainda identificam espaço para uma recuperação, desde que os principais índices de momentum preservem suas médias móveis, mas uma ruptura desses níveis aumentaria o risco de uma reversão mais profunda.
No campo macroeconômico, Kevin Warsh reafirmou a independência do Federal Reserve, embora tenha oferecido poucas indicações sobre os próximos passos da política monetária. Paralelamente, a temporada de resultados permanece forte, com destaque para o desempenho recorde das mesas de negociação de ações do Morgan Stanley. A agenda segue movimentada, com balanços de grandes companhias, dados de vendas no varejo e indicadores do mercado imobiliário americano.
· 03:26 — Novo dia, novo ataque
Os Estados Unidos intensificaram os ataques contra o Irã e ampliaram o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, chegando a atingir um superpetroleiro próximo ao principal terminal de exportação iraniano. Washington condiciona a redução da ofensiva à interrupção dos ataques iranianos contra embarcações e à liberação da passagem, enquanto Teerã ameaça responder em larga escala caso usinas, pontes e outras infraestruturas estratégicas sejam atingidas.
A escalada já começa a produzir efeitos sobre o comércio global: a Índia orientou armadores a suspender o envio de tripulações pela região, os preços do GNL na Ásia avançaram e o Irã passou a ameaçar também o estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, ampliando o risco de comprometimento simultâneo das duas principais rotas de energia do Oriente Médio.
O cenário mais provável é de um impasse prolongado, marcado por baixo volume e elevada oscilação no tráfego pelo Estreito de Ormuz. Embora nenhum dos lados pareça interessado em um fechamento completo da passagem, ambos buscam utilizar a rota como instrumento de pressão. Nesse contexto, empresas de transporte marítimo tendem a limitar suas operações, enquanto os países do Golfo aceleram os esforços de diversificação logística, reduzindo gradualmente a dependência do estreito.
Ainda que o mercado de petróleo esteja hoje mais preparado para absorver choques de oferta do que no passado, interrupções recorrentes podem manter o barril acima de US$ 80 por vários trimestres. Em um cenário mais severo de perturbação prolongada, o petróleo poderia alcançar aproximadamente US$ 130 por barril e reduzir o crescimento da economia mundial para menos de 2% no próximo ano.
· 04:13 — Melhorou a imagem
A imagem internacional da China melhorou de forma significativa e, segundo uma pesquisa do Pew Research Center, o país passou a ser visto de maneira mais favorável do que os Estados Unidos pela primeira vez em quase 20 anos. Essa mudança também se manifesta entre vizinhos tradicionais dos americanos, como Canadá e México, e é particularmente evidente entre os mais jovens.
Parte importante desse avanço decorre da perda de popularidade dos EUA sob Donald Trump, em meio à adoção de tarifas comerciais, ao aumento das tensões com aliados, às disputas envolvendo a Groenlândia e à guerra contra o Irã. Nesse ambiente, Xi Jinping e a diplomacia chinesa têm procurado apresentar o país como uma força de estabilidade em um mundo mais fragmentado, apoiando essa narrativa no crescimento econômico, na liderança em veículos elétricos e energia solar e nos avanços em inteligência artificial.
Esse ganho de influência representa uma vitória relevante de poder de atração para Xi, ainda que conviva com fragilidades importantes. A melhora da percepção externa parece, ao menos por enquanto, reduzir o peso de temas como o apoio chinês à Rússia, as tensões comerciais com a Europa e o excesso de exportações direcionadas a outros mercados.
Ao mesmo tempo, os dados mais recentes mostraram o desempenho econômico mais fraco da China em mais de três anos, em um contexto de baixa confiança do consumidor, crise imobiliária prolongada e dificuldades no mercado de trabalho. Assim, a melhora da imagem internacional oferece a Pequim um importante trunfo diplomático justamente em um momento de recuperação doméstica desigual. É apenas mais um capítulo desta Guerra Fria 2.0 que vivemos atualmente.
· 05:04 — TSMC amplia sua liderança no coração da inteligência artificial
A ASML ocupa uma posição central na cadeia global de semicondutores por ser a única fabricante das máquinas de litografia mais avançadas, indispensáveis à produção dos chips utilizados em aplicações de inteligência artificial. A valorização de aproximadamente 75% de suas ações no ano reflete a expectativa de que os investimentos de empresas como Microsoft e Alphabet em infraestrutura de IA continuem impulsionando a demanda por equipamentos de fabricação.
Essa perspectiva ganhou força adicional após a companhia elevar, pela segunda vez no ano, sua projeção de vendas anuais para uma faixa entre US$ 49,3 bilhões e US$ 51,6 bilhões, significativamente acima das estimativas do mercado.
Os resultados da TSMC, divulgados na manhã de hoje, reforçam essa visão construtiva para o ciclo de semicondutores, apesar da reação negativa das ADRs listadas em NY no pre-market da manhã de hoje. A maior fabricante terceirizada de chips do mundo registrou lucro líquido recorde de NT$ 706,56 bilhões (US$ 21,9 bilhões) no segundo trimestre, avanço de 77,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e resultado superior aos NT$ 632,64 bilhões esperados.
A receita alcançou NT$ 1,27 trilhão, o equivalente a aproximadamente US$ 39,45 bilhões, com crescimento anual de 36%. As tecnologias mais avançadas, de 7 nanômetros ou menos, responderam por 77% da receita com wafers, com destaque para os processos de 5 nanômetros, que representaram 33% do total, e de 3 nanômetros, responsáveis por outros 30%.
A companhia também elevou suas projeções e ampliou o orçamento de investimentos, sinalizando confiança na continuidade da demanda de clientes como Nvidia, Apple e Broadcom. Para o terceiro trimestre, a TSMC projeta receita entre US$ 44,6 bilhões e US$ 45,8 bilhões, com margem operacional de 56% a 58%.
O orçamento de capital foi elevado para uma faixa entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões, enquanto os investimentos no Arizona deverão aumentar em mais US$ 100 bilhões, levando o total destinado ao estado a US$ 265 bilhões. Os recursos serão direcionados à construção de novas fábricas para a produção de chips de 2 nanômetros e de unidades de empacotamento avançado, ampliando a capacidade local para atender à demanda de longo prazo dos principais clientes americanos.
Embora persistam dúvidas sobre a sustentabilidade do ritmo de investimentos das grandes empresas de tecnologia e sobre uma eventual expansão excessiva da capacidade dos data centers, os números da TSMC indicam que a demanda relacionada à inteligência artificial permanece robusta e respaldada por resultados concretos.
A companhia combina liderança tecnológica, poder de precificação, margens elevadas e uma posição estratégica na produção dos chips mais avançados do mundo. Nesse contexto, a expansão da capacidade produtiva e o fortalecimento de sua presença nos Estados Unidos reforçam as perspectivas de crescimento de longo prazo, sustentando uma visão construtiva para as ações negociadas em Nova York sob o código TSM e, em especial, para os BDRs TSMC34 no mercado brasileiro.