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Investimentos

Em tempos de inflação, 5 ações podem se sair ‘vencedoras’, segundo analistas da Empiricus; entenda o porquê

Analistas indicam que correção recente na bolsa brasileira, mesmo em meio às incertezas econômicas, abriu janela de oportunidade em um grupo de ações de qualidade que, agora, negociam com descontos atrativos

Por Anna Larissa Zeferino

10 jul 2026, 11:00

Atualizado em 10 jul 2026, 11:25

Ações, juros, inflação, bolsa, ibovespa

(Imagem: iStock.com/Edson Souza)

O ano de 2026 já passou da metade, e o mercado segue operando sob tons de incerteza – especialmente quando o assunto é ações e demais ativos de risco. O conflito no Oriente Médio segue sem previsão de encerramento, e a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz ainda é posta sob dúvidas. Ambos os fatores devem reverberar na economia global por tempo indeterminado.

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A disrupção na cadeia global de suprimentos (devido ao conflito) deu maior protagonismo à inflação, que voltou a ocupar papel central na alocação dos investidores – especialmente os brasileiros, segundo analistas da Empiricus Research.

“A inflação voltou a ser uma variável estrutural, e não apenas cíclica, na construção de portfólios”, afirmam os analistas em relatório publicado na última segunda-feira (6). “[O Brasil] historicamente amplifica movimentos globais de juros, câmbio, commodities e apetite por risco”.

Voltando-se para o Brasil, mesmo com leituras mais recentes da inflação indicando um leve alívio (como o IPCA-15 de junho, que veio levemente abaixo das expectativas do mercado), os analistas comentam que, somado aos fatores externos, um agravante doméstico entra na equação: a fragilidade fiscal, sem previsão para ser endereçada pelo governo.

Narrativas mais otimistas para com a bolsa brasileira deram lugar a um sentimento de aversão ao risco. Após um período de rali no mês de abril, o Ibovespa devolveu ganhos e, até a quarta-feira (8), negociava na casa dos 170 mil pontos, sem tendência clara de alta ou de baixa, mesmo com desempenho positivo no acumulado de 2026.

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Porém, em um cenário em que tudo pode até parecer “jogar contra” os ativos de riscos brasileiros, os analistas indicam que os preços descontados na bolsa abrem uma oportunidade, justamente, para investir e buscar lucros. Mas não de forma generalista: é preciso disciplina.

“Esse quadro não elimina oportunidades na bolsa. Pelo contrário, pode criá-las. Mas exige uma seleção mais criteriosa”, afirmam. “Em ambientes mais difíceis, a bolsa deixa de ser um bloco homogêneo.”

O modus operandi de investidores em tempo de inflação: o que fazer no mercado de ações?

“Em um cenário de inflação relevante, juros altos e maior volatilidade, a exposição genérica à bolsa deixa de ser suficiente.”

Enquanto alguns investidores pessoa física optam por um posicionamento mais conservador, abstendo-se totalmente da bolsa em prol de títulos de renda fixa, ou defensivo, mirando em ativos de proteção, como o ouro, a Empiricus indica essa pode ser uma boa chance de investir em um seleto grupo de ações de qualidade por preços mais baixos.

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“A oportunidade aparece quando empresas de qualidade passam a negociar com desconto, mas seguem preservando os atributos que sustentam a tese: geração de caixa, dividendos, previsibilidade, balanço sólido e capacidade de repasse de preços.”

5 ações ‘vencedoras’ para tempos de inflação: três representam o mesmo setor

Nem todo investidor está apto a fazer um stock picking por conta própria, sabendo exatamente em quais ações investir. Por isso que, nesses momentos, faz-se ainda mais relevante acompanhar as indicações de analistas especializados.

No relatório, os analistas apontam 5 ideias de investimento em ações que, em sua visão, são as mais promissoras para investidores em busca de um portfólio resiliente em tempos de inflação:

  • Itaú (ITUB4);
  • Axia Energia (AXIA6);
  • Copel (CPLE3);
  • Compass (PASS3);
  • Cury (CURY3).

Tratando-se de Itaú (ITUB4), os analistas destacam a “elevada capacidade de gestão de risco ao longo dos ciclos”, além da alta recorrência de resultados e dividendos. Para Cury (CURY3),a incorporadora tem se beneficiado, atualmente, do forte momentum do programa Minha Casa, Minha Vida, apresentando forte crescimento e geração de caixa, além de bons dividendos.

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Porém, chama atenção o fato de o restante das ações escolhidas representarem um mesmo setor da economia: o de serviços básicos. No caso, papéis ligados serviços indispensáveis do cotidiano, como energia elétrica, saneamento ou gás.

Axia Energia (AXIA6)

Para os analistas, a Axia (AXIA6), antiga Eletrobras, se diferencia pela relevância de seu portfólio de ativos, além de seu “profundo processo de transformação pós-privatização”.

“A empresa vem se destacando pela estratégia de manter boa parte da capacidade de geração descontratada, o que tem garantido boa captura de receita em um ambiente de preços elevados de energia. Além disso, negocia por múltiplos atrativos em comparação ao restante do setor.”

Copel (CPLE3)

Outra representante do ramo de energia elétrica, a Copel (CPLE3) “apresenta forte presença em distribuição, com uma agenda de transformação pós-privatização, potencial de captura de ganhos de eficiência e evolução de governança. Além disso, negocia em níveis atrativos frente ao potencial de geração de valor, e ainda distribui bons dividendos.”

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Compass (PASS3)

Segundo analistas, a Compass (PASS3), parte do grupo Cosan, já se destaca por um perfil defensivo, de crescimento consistente e valuation atrativo em seu setor. Além disso, “combina ativos regulados de distribuição, com geração de caixa previsível e proteção inflacionária, e uma plataforma integrada de gás que amplia oportunidades via comercialização e infraestrutura”.

Por que o setor de serviços básicos se destaca, afinal?

Isabelle Oliveira, uma das analistas responsáveis pelo relatório, destaca que “o diferencial das teses ligadas a serviços básicos é a capacidade de retorno real do setor mesmo em períodos macroeconômicos conturbados”, por conta de três fatores:

  • Reajustes de receita atrelados à inflação;
  • Alto poder de repasse aos acionistas;
  • Elevada previsibilidade de caixa.

“Neste cenário de incertezas globais, inflação elevada e juros altos, que atrapalham o consumo e atividade econômica, essas teses voltam a ganhar atratividade relativa, frente a outras mais cíclicas.”

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Apesar desse relatório em especial dar destaque a 5 ações, vale ressaltar que a diversificação segue sendo um dos principais pilares para quem deseja criar um portfólio de ações de forma a mitigar riscos.

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Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.