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Investimentos

Ibovespa hoje: Novas pesquisas eleitorais do 2º turno e juros dos EUA sob pressão; veja destaques desta quinta (8)

Mercado acompanha nova pesquisa do Datafolha e PoderData; confira mais destaques

Por Lais Costa

08 out 2026, 11:08

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Atualizado em 08 out 2026, 11:09

dinheiro investimentos mercados bolsa

Imagem: iStock/ @Muharrem huner

Os mercados começam esta quinta-feira em um ambiente de maior cautela, com o petróleo novamente no centro das atenções. O Brent voltou a subir na sessão asiática e negocia acima de US$ 105 por barril, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio e à percepção de que o risco sobre a oferta segue elevado.

Ao mesmo tempo, os juros americanos permanecem pressionados: o Treasury de 10 anos voltou para a região de 5,33%, enquanto a ata do Fed não trouxe grandes novidades e reforçou a leitura de uma pausa em outubro, sem eliminar a possibilidade de nova alta em dezembro.

Na Europa, a França continua chamando atenção pela deterioração do risco soberano, com uma parcela crescente das dívidas corporativas do país negociando a taxas inferiores às dos próprios títulos do governo.

No Brasil, o exterior deve continuar sendo o principal vetor para os ativos nesta manhã, mas a agenda política ganha importância ao longo do dia. O mercado acompanha novas pesquisas eleitorais — incluindo Datafolha e PoderData — enquanto cresce a atenção sobre a movimentação no Senado em torno da PEC que propõe o fim da escala 6×1.

Davi Alcolumbre afirmou que seguirá o rito regimental e submeterá a proposta à votação após as cinco sessões de discussão, enquanto o governo tenta acelerar o calendário e a oposição trabalha para evitar uma votação antes do primeiro turno.

Com petróleo em alta, juros globais pressionados e política doméstica ganhando peso, o pregão começa com poucos catalisadores positivos e bastante sensibilidade a qualquer mudança no noticiário.

· 01:50 — Quando empresas parecem mais seguras que o próprio governo

Na Europa, um movimento curioso ajuda a mostrar o tamanho da deterioração fiscal francesa. Cerca de € 215 bilhões em títulos corporativos franceses já negociam com rendimentos (yields) inferiores aos dos títulos do próprio governo para vencimentos semelhantes. Isso equivale a aproximadamente 38% do mercado de dívida corporativa investment grade do país, contra apenas € 12 bilhões no início do ano.

A inversão reflete menos uma mudança súbita na qualidade das empresas e mais a perda de confiança na dívida soberana. A França enfrenta déficits elevados, dificuldades para avançar no ajuste fiscal e maior incerteza política, enquanto grandes companhias com receitas internacionais e balanços sólidos continuam encontrando boa demanda por seus títulos.

O fenômeno não é totalmente inédito, mas ganhou uma dimensão excepcional: investidores começam a exigir mais prêmio do governo francês do que de empresas como L’Oréal, Sanofi e TotalEnergies.

A mensagem mais ampla é de um ambiente de deterioração fiscal nos países desenvolvidos e “soberano” deixa de ser automaticamente sinônimo de menor risco. A disciplina financeira de algumas empresas pode valer mais, aos olhos do mercado, do que a capacidade de endividamento de determinados governos.

03:25 — Waller reforça que o ciclo de alta ainda não terminou

A ata do Fed divulgada ontem reforçou que o Comitê segue bastante preocupado com a inflação e mostrou apoio amplo à alta de juros de setembro. Ao mesmo tempo, o mercado reduziu as apostas em um novo aumento já na reunião de outubro e passou a concentrar as expectativas em dezembro.

Christopher Waller ajudou a explicar essa leitura. O diretor do Fed afirmou que, se os dados continuarem evoluindo como esperado, novas altas provavelmente serão necessárias para levar a inflação de volta à meta de 2%, mas destacou que elas não precisam acontecer em reuniões consecutivas.

Segundo ele, a economia segue forte e o problema agora é evitar que a recente aceleração dos preços comece a contaminar as expectativas de inflação. Em outras palavras, o Fed parece confortável em ganhar tempo entre os movimentos, sem abandonar o viés de aperto.

O próprio dot plot de setembro já apontava nessa direção com a mediana dos dirigentes indicando mais uma alta neste ano.

Essa combinação ajuda a explicar a pressão recente sobre os juros longos. O Treasury de 10 anos chegou a 5,36%, maior nível desde 2002, antes de aliviar para 5,28% após um leilão de US$ 39 bilhões. Para as bolsas, portanto, o desafio continua sendo o mesmo: conviver com uma economia ainda forte, inflação resistente e uma taxa de desconto que permanece muito elevada.

· 05:05 — Trade eleitoral continua

À medida em que as pesquisas eleitorais voltam a tomar as manchetes, o mercado brasileiro deve continuar se descolando do exterior.

Ontem, coordenadores da campanha do Presidente Lula chegaram a admitir que é provável que as pesquisas mostrem uma vantagem ainda maior do opositor do Presidente, porém, mantiveram um tom positivo em relação a construção de uma campanha forte e efetiva ao final do segundo turno.

Embora seja esperada volatilidade dos ativos de risco até a próxima votação, continuamos vendo uma assimetria positiva para os juros longos nos níveis atuais.

Por isso, reforçamos nossa indicação de compra do ETF PACB11.

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.