(Imagem: Suphanat Khumsap/iStock)
Os mercados globais operam em tom misto nesta terça-feira, com o impasse em torno da reabertura do Estreito de Ormuz novamente no centro das atenções. As negociações entre Estados Unidos e Irã perderam força depois que Washington rejeitou as condições apresentadas por Teerã e Donald Trump passou a exigir compensações relacionadas ao conflito, reduzindo a probabilidade de um acordo rápido.
A alta dos preços da energia reacende as preocupações inflacionárias justamente às vésperas da divulgação do CPI americano de julho, prevista para amanhã. O dado poderá recalibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve, especialmente depois que o payroll mais fraco reduziu as apostas em uma nova alta de juros já em setembro.
Nesse ambiente, as bolsas apresentam desempenho mais contido. Na Ásia, os mercados chineses recuaram, enquanto Coreia do Sul e Taiwan avançaram, apoiadas pela recuperação das ações de semicondutores; o mercado japonês permaneceu fechado por feriado. Na Europa, os principais índices operam próximos da estabilidade, enquanto os futuros de Nova York também mostram pouca direção, refletindo a postura de cautela dos investidores antes da divulgação do CPI.
· 00:58 — Fraca, mas levemente acima…
No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda de 0,19%, aos 172.180 pontos, menor nível desde 8 de julho, em linha com a cautela observada nos mercados globais e com as incertezas relacionadas ao Oriente Médio. A pressão negativa foi parcialmente compensada pela alta de 3,50% da Petrobras, impulsionada pela valorização do petróleo, enquanto as ações de bancos pesaram sobre o índice.
No cenário externo, os investidores também aguardam a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira. No campo comercial, Washington aceitou iniciar consultas com o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as sobretaxas impostas a produtos brasileiros.
No ambiente doméstico, as atenções se concentraram nesta manhã na ata do Copom e no IPCA de julho. A inflação desacelerou de 0,16% para 0,07% no mês, ligeiramente acima do consenso de 0,03%, enquanto a taxa em 12 meses recuou de 4,64% para 4,44%. Apesar da pequena surpresa altista, o resultado ainda reforça uma leitura favorável para o processo de desinflação.
A ata do Copom, por sua vez, manteve uma mensagem de gradualismo e dependência dos dados. O Banco Central reconheceu sinais de moderação da atividade, do crédito e da inflação corrente, mas destacou como principais riscos o mercado de trabalho ainda aquecido, a desancoragem das expectativas e a fragilidade do quadro fiscal. Nesse contexto, permanece aberta a possibilidade de um novo corte de 25 pontos-base em setembro, para 13,75%, embora o espaço para reduções mais agressivas siga limitado enquanto o cenário fiscal continuar pressionando o prêmio de risco e as expectativas.
· 01:49 — O dia antes do CPI
Nos Estados Unidos, Wall Street perdeu fôlego na segunda-feira, com o Dow Jones recuando 0,2%, o S&P 500 caindo 0,1% e o Nasdaq cedendo 0,3%, em um movimento de maior cautela antes da divulgação do CPI de julho, amanhã. Menos da metade das ações que compõem o S&P 500 encerrou o dia em alta, enquanto papéis de empresas ligadas a semicondutores e redes ópticas, que vinham acumulando fortes valorizações, sofreram pressão mais intensa.
A alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries também contribuiu para limitar o apetite, reforçando a percepção de que os investidores demonstram pouca convicção para sustentar uma novas máximas.
Além disso, alguns investidores chamaram atenção para o fato de que a recuperação observada na semana passada ocorreu com volume reduzido e participação limitada de investidores institucionais, o que sugere um movimento menos consistente. Enquanto o investidor de varejo ajudou a impulsionar as ações, parte dos investidores profissionais teria preferido direcionar recursos para Treasuries e ouro, em uma postura mais defensiva.
A agenda agora se volta para a divulgação dos resultados de empresas como CoreWeave, Super Micro Computer e Cava, além do índice de otimismo das pequenas empresas da NFIB e dos dados de vendas de imóveis usados.
· 02:34 — Resposta dura
As negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a se deteriorar após Donald Trump apresentar novas exigências a Teerã, incluindo a defesa de que o próprio Irã indenize os americanos por ataques e conflitos ocorridos na região.
A resposta iraniana foi igualmente dura: o país reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington atenda a condições como o fim do bloqueio naval, a retirada de sanções, a liberação de ativos congelados e o pagamento de compensações pelos danos causados pela guerra. Com o distanciamento das posições de ambos os lados, diminuiu a probabilidade de um acordo rápido para reabrir a tão importante rota.
· 03:22 — Começo desafiador
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia, deixando mais de uma centena de mortos, pessoas presas sob os escombros e danos em mais de 20 municípios, incluindo áreas da importante região cafeeira do país. O desastre, o mais forte registrado na Colômbia em uma década, ocorre poucas semanas após os terremotos que devastaram a Venezuela e, além da emergência humanitária, amplia o risco de impactos econômicos, sobretudo nas regiões diretamente afetadas.
Para o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella, a tragédia impõe um início de mandato particularmente desafiador. Ele chegou ao poder prometendo reduzir os gastos públicos em 40% e avançar na descentralização do Estado, mas agora enfrenta a necessidade de mobilizar rapidamente recursos para resgate, assistência e reconstrução, inclusive em áreas que integram sua própria base eleitoral.
A demora para se pronunciar publicamente após o terremoto também colocou sua capacidade de resposta sob maior escrutínio, enquanto autoridades locais assumiram protagonismo nas primeiras horas da crise. O episódio se transforma, assim, em um primeiro grande teste de governo, no qual De la Espriella terá de conciliar disciplina fiscal, resposta eficiente à emergência, coordenação entre diferentes níveis de poder e capacidade de liderança em um ambiente ainda marcado por forte polarização.
· 04:15 — A era dos medicamentos de emagrecimento
Os medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Zepbound, deixaram de ocupar um papel restrito ao tratamento do diabetes tipo 2 e passaram a ganhar protagonismo no tratamento da obesidade, impulsionando a formação de um mercado que pode alcançar US$ 200 bilhões até 2030.
A adoção está mais avançada nos Estados Unidos, onde cerca de um em cada oito adultos afirma utilizar esses medicamentos para perda de peso, enquanto o número de usuários pode crescer dos atuais aproximadamente 10 milhões para 25 milhões até o fim da década. O Canadá também apresenta uma utilização relevante e já aprovou uma versão genérica, enquanto a Europa e outros mercados ainda registram níveis de penetração consideravelmente menores.
Esse crescimento, no entanto, permanece bastante desigual entre os países e ainda enfrenta obstáculos importantes, sobretudo relacionados a custo e acesso. Nos Estados Unidos, os tratamentos podem custar cerca de US$ 400 por mês quando não há cobertura adequada, e mais da metade dos usuários relata dificuldades para arcar com essa despesa.
Diferenças entre os sistemas de saúde, nas políticas de reembolso e na própria percepção da obesidade como uma doença crônica também ajudam a explicar o ritmo mais lento de adoção em outras regiões. Ainda assim, a expansão do conhecimento sobre esses medicamentos, o aumento da oferta e a melhora gradual da acessibilidade tendem a ampliar de forma significativa o alcance global dos GLP-1 nos próximos anos.
· 05:01 — Qualidade, caixa e disciplina na alocação de capital
A Berkshire Hathaway (B3: BERK34 | NYSE: BRK/B) mostrou, no 2T26, que a transição de liderança para Greg Abel não alterou os pilares centrais da tese de investimento. A receita avançou 10% na comparação anual, para US$ 101,8 bilhões, acima das expectativas, com destaque para o segmento de Seguros, que segue como principal motor do conglomerado, e para as operações de infraestrutura, com crescimento relevante na BNSF e na Berkshire Hathaway Energy.
Mesmo diante de alguma pressão sobre a sinistralidade da GEICO e sobre o negócio imobiliário, as margens operacionais avançaram, reforçando a capacidade da companhia de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos e ao longo de distintos ambientes econômicos.
Outro ponto construtivo foi a mudança na postura de alocação de capital. A Berkshire encerrou o trimestre com cerca de US$ 365,5 bilhões em caixa, ainda um dos maiores volumes de liquidez corporativa do mercado americano, mas Greg Abel começou a colocar parte desse capital para trabalhar de forma mais ativa. A companhia recomprou aproximadamente US$ 4,5 bilhões em ações próprias no trimestre e manteve as recompras em julho, além de ampliar investimentos em ações e anunciar aquisições relevantes.
Essa combinação entre elevada liquidez, geração operacional robusta e maior disposição para alocar capital pode se transformar em uma fonte adicional de valor para os acionistas, especialmente caso surjam oportunidades em períodos de maior volatilidade nos mercados.
Para os BDRs BERK34, a tese permanece particularmente interessante como uma forma de exposição internacional de perfil defensivo e elevada qualidade. A Berkshire reúne negócios em seguros, ferrovias, energia e atividades industriais, além de manter uma carteira relevante de ações. Ao mesmo tempo, beneficia-se de um float de seguros de US$ 177,5 bilhões, que funciona, na prática, como uma fonte de capital de baixo custo para financiar investimentos e aquisições. Negociando próxima de 1,4 vez o valor contábil, em linha com sua média histórica recente, a companhia não parece depender de uma expansão agressiva de múltiplos para gerar retorno.
O potencial está, sobretudo, na continuidade do crescimento dos lucros operacionais, nas recompras de ações, em novas aquisições e na utilização disciplinada de sua expressiva reserva de caixa. Para o investidor brasileiro, a BERK34 oferece ainda diversificação geográfica e cambial, reforçando seu papel como uma das posições mais resilientes dentro de uma carteira global.