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Investimentos

Ibovespa hoje: Trump anuncia prorrogação do cessar-fogo no Oriente Médio, mas Estreito de Ormuz segue pressionado; veja destaques do dia

No Brasil, começa hoje o período de silêncio do BC antes da próxima reunião do Copom; expectativa é de redução de 0,25% na Selic

Por Matheus Spiess

22 abr 2026, 10:04

Atualizado em 22 abr 2026, 10:05

Estreito de Ormuz Oriente Médio

(Imagem: Suphanat Khumsap/iStock)

Donald Trump anunciou a prorrogação por prazo indeterminado do cessar-fogo com o Irã, em uma tentativa de preservar o canal diplomático e evitar a retomada imediata das hostilidades. Apesar da extensão da trégua, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio naval aos portos iranianos e seguiram pressionando o Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o fluxo global de petróleo.

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O Irã, por sua vez, sinaliza disposição para retornar às negociações, mas condiciona avanços concretos a algum relaxamento dessas restrições. Dessa forma, embora a reação inicial dos mercados tenha sido positiva, permanece a leitura de que o conflito continua sem solução definitiva e ainda sujeito a novos episódios de instabilidade.

· 00:52 — Orçamento limitado

No Brasil, antes do anúncio de prorrogação do cessar-fogo, os mercados em Nova York passaram o dia reagindo ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, movimento que também influenciou os ativos brasileiros mesmo durante o feriado local. O ETF iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) recuou 1,22%, acompanhando perdas em ADRs relevantes, como Vale S.A., refletindo uma postura mais cautelosa por parte dos investidores globais.

Na direção oposta, Petrobras avançou cerca de 2%, beneficiada pela manutenção do petróleo próximo de US$ 100 por barril. O mercado ainda assimila a possibilidade de um choque de oferta mais persistente no setor de energia, o que pode gerar pressões adicionais sobre a inflação. Soma-se a isso o debate climático envolvendo o fenômeno El Niño, que também pode impactar preços no segundo semestre. Ainda assim, a trajetória-base segue apontando para continuidade do ciclo de cortes de juros no Brasil, embora possivelmente em ritmo mais moderado, como já sugerido pelo Banco Central do Brasil e pelo Boletim Focus.

Hoje, inclusive, começa o período de silêncio do Banco Central antes da próxima reunião de política monetária, na qual a expectativa predominante é de redução de 25 pontos-base na taxa Selic. Em um segundo momento, eventuais sinalizações eleitorais ou avanços fiscais poderiam abrir espaço para cortes adicionais.

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Nesse contexto, a equipe econômica ligada a Flávio Bolsonaro discute um ajuste fiscal, como indicado pela Folha de S.Paulo, equivalente a 2 pontos do PIB, cerca de metade dos 4 pontos do PIB que parte dos especialistas considera necessários para estabilizar a dívida pública.

Entre as propostas estão mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação e alterações nas regras de reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais. Estimativas mencionam economia potencial de até R$ 1,9 trilhão em dez anos, o que poderia aliviar a percepção de risco e contribuir para a queda dos juros longos, embora dependa de mudanças constitucionais e enfrente elevada resistência política.

Ao mesmo tempo, o Brasil ganha relevância estratégica no setor energético: com o petróleo em patamares elevados, a América do Sul poderia adicionar 2,1 milhões de barris diários até 2035, com destaque para Brasil, Guiana e Suriname. Trata-se de uma janela de oportunidade relevante para a região em um mundo que segue demandando segurança energética.

· 01:48 — Falou ao Congresso

Nos Estados Unidos, a combinação entre o alívio geopolítico no Oriente Médio e a divulgação de indicadores domésticos ainda consistentes ajudou a preservar o apetite por risco, levando o S&P 500 a renovar máximas recentes em meio à temporada de resultados corporativos.

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Parte importante desse movimento reflete a percepção de que a economia americana segue crescendo, sem sinais evidentes de recessão no horizonte imediato, ao mesmo tempo em que a inflação, embora ainda resistente, deixou de mostrar deterioração adicional na margem. Ainda assim, o mercado parece já ter incorporado boa parte desse cenário mais favorável aos preços dos ativos, o que torna os próximos passos cada vez mais dependentes da agenda macroeconômica.

No campo da política monetária, os holofotes se voltaram para Kevin Warsh, indicado para liderar o Federal Reserve. Em audiência no Senado, Warsh procurou enfatizar sua independência em relação a Donald Trump e adotou um tom relativamente mais brando ao tratar da inflação, chegando inclusive a defender uma revisão das métricas utilizadas pelo banco central americano.

Na prática, o mercado interpretou sua postura como marginalmente mais dovish — isto é, mais inclinada a admitir cortes de juros no futuro — embora permaneçam dúvidas relevantes sobre sua autonomia e sobre eventual influência política em sua condução. Para as bolsas, qualquer sinalização de um Fed menos restritivo tende a favorecer especialmente empresas de tecnologia e setores mais sensíveis aos juros, ainda que a preservação da credibilidade institucional continue sendo elemento central dessa discussão.

Já os dados de vendas no varejo reforçaram a percepção de que o consumidor americano segue resiliente. O indicador cheio avançou 1,7% no mês, impulsionado em parte pela alta dos preços da gasolina, enquanto o núcleo também surpreendeu positivamente, revelando força disseminada entre diferentes segmentos do consumo.

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O resultado sugere que a demanda das famílias continua oferecendo importante sustentação para a economia, beneficiada por um mercado de trabalho robusto, restituições de impostos e condições financeiras ainda administráveis.

Para a política monetária, contudo, isso traz um dilema: uma atividade mais firme reduz a urgência de cortes imediatos de juros. Para as ações, o efeito líquido permanece positivo no curto prazo, já que crescimento e lucros continuam prevalecendo, mas a atual temporada de resultados será decisiva para confirmar se o otimismo se sustenta.

· 02:36 — Para onde foi o acordo?

Donald Trump anunciou a prorrogação por prazo indefinido do cessar-fogo com o Irã, mesmo após o fracasso de uma nova rodada de negociações, ao mesmo tempo em que manteve o bloqueio no Estreito de Ormuz.

O episódio reforça a ambiguidade que marca o atual momento geopolítico: de um lado, Washington preserva canais diplomáticos e evita o rompimento total das conversas; de outro, continua recorrendo à pressão militar e econômica como instrumento para extrair concessões. Teerã, por sua vez, também sinaliza disposição para negociar, desde que haja algum alívio no bloqueio e redução do tom hostil por parte dos Estados Unidos.

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Enquanto isso, o conflito já avança para sua oitava semana, mantendo relevantes os riscos para os preços de energia, para a dinâmica inflacionária e para o crescimento global. Ainda assim, Wall Street reagiu com relativa serenidade, sugerindo que parcela importante dos investidores segue apostando em algum tipo de distensão gradual mais à frente.

Apesar dessa resiliência observada nos mercados financeiros, a situação no terreno permanece sensível. Petroleiros ligados ao Irã continuam buscando formas de contornar as restrições americanas, embarcações foram alvo de ataques no Estreito de Ormuz e o petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril.

Em paralelo, a tensão regional ganhou um novo foco após Israel acusar o Hezbollah de violar o cessar-fogo no sul do Líbano, reacendendo o risco de abertura de uma segunda frente de conflito. Em resumo, a trégua permanece existente no plano formal, mas ainda distante de uma solução definitiva. O cenário mais provável continua sendo o de avanços limitados, recuos recorrentes e elevada volatilidade, embora cresçam gradualmente as chances de alguma acomodação mais consistente no médio prazo.

· 03:24 — Saída de um gigante

A Apple se prepara para uma transição relevante, com a saída de Tim Cook do comando da companhia e a ascensão de John Ternus, atual chefe de engenharia de hardware. A mudança simboliza o encerramento de um ciclo histórico: sob a liderança de Cook, a empresa ampliou de forma notável seu ecossistema, fortaleceu receitas recorrentes e consolidou-se como um dos maiores grupos de tecnologia do mundo, alcançando valor de mercado na casa dos trilhões de dólares.

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Agora, o desafio da nova liderança será conduzir a Apple em um ambiente cada vez mais dominado pela inteligência artificial, justamente em um momento em que o mercado cobra da companhia uma resposta mais ambiciosa e competitiva nessa frente. Por isso, a transição será acompanhada de perto pelos investidores, especialmente à luz dos próximos resultados trimestrais e das eventuais novidades estratégicas em IA ao longo dos próximos meses.

· 04:19 — Onde está a Revolução Verde?

A chamada Revolução Verde ampliou fortemente a produção global de alimentos no século XX, mas também criou uma dependência estrutural de fertilizantes industriais, especialmente os nitrogenados, como ureia e nitrato de amônio. Como muitos desses insumos são produzidos a partir do gás natural, a agricultura moderna passou a depender diretamente da oferta de hidrocarbonetos.

Com a recente disparada dos preços de petróleo e gás em meio ao conflito entre EUA, Israel e Irã, além das interrupções no comércio global de fertilizantes, essa fragilidade voltou a ficar evidente. Os reflexos já aparecem nos preços: energia, alimentos e fertilizantes subiram de forma relevante, aumentando o risco de insegurança alimentar, sobretudo em países mais vulneráveis da África e da Ásia.

Ao mesmo tempo, o Oriente Médio tornou-se peça central dessa engrenagem. Grandes estatais de energia da região, como Saudi Aramco e Adnoc, usaram receitas bilionárias do petróleo para avançar na cadeia química e se transformar em importantes fornecedoras de amônia, matéria-prima essencial para fertilizantes.

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Hoje, cerca de 30% das exportações globais de amônia saem do Oriente Médio, com forte dependência de países como Índia e Marrocos. Em outras palavras, parte relevante da produção de alimentos no Sul global depende diretamente da estabilidade geopolítica e energética do Golfo Pérsico, o que mostra como conflitos regionais podem rapidamente se transformar em pressão inflacionária e risco social no mundo.

· 05:05 — Parceria estratégica

A Amazon aprofundou de forma relevante sua parceria estratégica com a Anthropic, startup responsável pelo modelo de inteligência artificial Claude, ao anunciar um novo investimento de US$ 5 bilhões, montante que pode alcançar até US$ 20 bilhões ao longo do tempo. O movimento reforça a intensidade da disputa global pela liderança em IA e fortalece o posicionamento da AWS, divisão de computação em nuvem da companhia.

Em contrapartida ao capital e à infraestrutura disponibilizados pela Amazon, a Anthropic se comprometeu a consumir mais de US$ 100 bilhões em tecnologias da AWS nos próximos dez anos, incluindo chips proprietários Trainium, processadores Graviton e ampla capacidade de data centers. Além disso, clientes da AWS passarão a acessar a plataforma Claude diretamente dentro do ecossistema da Amazon, simplificando a adoção corporativa e ampliando a integração comercial.

Os números operacionais também impressionam. A Anthropic informou que sua receita anualizada já supera US$ 30 bilhões, evidenciando a velocidade com que a demanda por soluções de inteligência artificial vem se expandindo. Embora desafios naturais de infraestrutura, escalabilidade e capacidade acompanhem esse crescimento, o anúncio reforça que a corrida pela IA permanece em plena aceleração — e que a Amazon segue muito bem posicionada para capturar valor em múltiplas frentes: nuvem, chips proprietários, softwares corporativos e serviços.

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Trata-se de um desenvolvimento estrategicamente relevante, pois consolida a Amazon não apenas como participante desse ciclo, mas como uma das principais plataformas habilitadoras da revolução tecnológica em curso. Em um ambiente no qual a demanda por processamento, armazenamento e modelos avançados tende a continuar crescendo, a companhia reúne escala, capacidade de investimento e ativos únicos para se beneficiar desse movimento por muitos anos.

Por isso, seguimos com visão construtiva para as BDRs AMZO34, como uma forma eficiente de exposição a uma das líderes globais da transformação impulsionada pela inteligência artificial.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.