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Investimentos

Microsoft (MSFT34) tem resultados surpreendentes em temporada sem espaço para erros

Microsoft encerrou ano fiscal de 2026 com lucro líquido ajustado de US$ 128,8 bi, alta de 22% na comparação anual

Por Matheus Spiess

30 jul 2026, 10:46

Atualizado em 30 jul 2026, 10:46

microsoft

(Imagem: iStock.com/jewhyte)

Ontem (29), após o fechamento dos mercados, a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) apresentou os balanços do quarto trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado em junho). Os resultados vieram acima das projeções dos analistas e, em meio a uma temporada muito mais exigente, animaram a ação no after-market, com alta na faixa de 9%.

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A receita no trimestre foi de US$ 90,0 bilhões, alta de 18% (+17% desconsiderando a variação cambial) e acima do consenso de cerca de US$ 87,6 bilhões.

Confira resultados da Microsoft por segmento no trimestre

Analisando por linha de negócio, Productivity and Business Processes (P&BP) gerou US$ 37,8 bilhões (+14% a/a), enquanto o principal vetor de crescimento continua sendo a Intelligent Cloud (IC), com receita de US$ 39,3 bilhões (+32% a/a). Já a divisão More Personal Computing (MPC) reportou vendas de US$ 12,9 bilhões, queda de 4% na comparação anual.

O destaque ficou com o Microsoft Azure, que acelerou o crescimento para 43% na comparação anual. Ao mesmo tempo, as obrigações contratuais comerciais (commercial remaining performance obligation, ou RPO) saltaram 84%, para US$ 678 bilhões, sinalizando demanda contratada ainda elevada à frente.

O aumento dos custos com infraestrutura de nuvem e inteligência artificial pressionou levemente as margens da companhia. Ainda assim, a margem bruta ficou em 67,2% (−1,4 p.p. a/a), enquanto a margem operacional encerrou o período em 45,1%, alta de 0,2 p.p. na comparação anual. O destaque segue sendo a P&BP, que continua como a divisão mais lucrativa da empresa, com margem próxima de 58% (+0,5 p.p. a/a).

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Na linha final, o lucro líquido ajustado (excluindo o impacto das participações na OpenAI) totalizou US$ 35,3 bilhões, ou US$ 4,74 por ação ajustada, alta de 23% na comparação anual e acima do consenso, de aproximadamente US$ 4,24.

Veja os resultados da Microsoft no acumulado do ano

Já em relação ao ano fiscal de 2026 como um todo, a receita da Microsoft totalizou US$ 331,8 bilhões, alta de 18% na comparação anual (+16% em moeda constante), fechando o ciclo em ritmo próximo ao crescimento visto no trimestre.

Analisando por linha de negócio no acumulado do ano, Productivity and Business Processes somou US$ 140,0 bilhões (+16% a/a), enquanto Intelligent Cloud avançou para US$ 137,8 bilhões (+30% a/a), consolidando-se como o principal motor de expansão. Já More Personal Computing ficou praticamente estável, em US$ 54,1 bilhões (−1% a/a), refletindo a fraqueza relativa de Windows, dispositivos e Xbox ao longo do período.

A Microsoft Cloud acumulou US$ 214,4 bilhões no ano (+27% a/a), e o Azure cresceu 41% no ano fiscal, o que ajuda a explicar o salto do backlog comercial e a confiança nos investimentos por infraestrutura de IA.

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Mesmo com a pressão de custos na nuvem, a margem bruta consolidada do ano ficou em 67,9% (−0,9 p.p. a/a), enquanto a margem operacional avançou para 46,8% (+1,2 p.p.), com lucro operacional de US$ 155,2 bilhões (+21% a/a).

Na linha final do ano fiscal, o lucro líquido ajustado chegou a US$ 128,8 bilhões, equivalente a um lucro por ação ajustado de US$ 17,28, alta de 22% na comparação anual.

Microsoft: recomendação de compra

Esse fechamento do ano fiscal ajuda a contextualizar a assimetria entre a trajetória da ação e os resultados. Nos últimos 12 meses, boa parte das quedas veio do receio de que a inteligência artificial pudesse canibalizar os softwares tradicionais da companhia e da preocupação com o nível de gastos no ciclo de infraestrutura.

Os números, porém, mostram que as receitas dessas frentes seguem resilientes e avançando, e os produtos de cloud mantêm a Microsoft extremamente bem posicionada para a próxima era da tecnologia, reforçando seu papel como uma das empresas mais relevantes do mundo corporativo.

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Com isso, o múltiplo também ficou mais atrativo: a companhia negocia a cerca de 18x os lucros projetados para os próximos 12 meses, enquanto a média dos últimos cinco anos está próxima de 28,5x. Diante disso, mantemos a recomendação de compra para a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT), uma das principais posições nas carteiras internacionais da casa.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.