Rendimento Poupança (Guia Completo) – Hoje, Mensal e Anual

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Rendimento Poupança (Guia Completo) – Hoje, Mensal e Anual

Vamos direto ao ponto: o rendimento da poupança é baixo e dificilmente vai melhorar a ponto de valer a pena manter seu dinheiro nela.

Você precisa abandonar a caderneta, mas sabemos que essa não é uma decisão fácil. Afinal, o produto costuma ser a porta de entrada do brasileiro para o mundo dos investimentos.

Mas o que você vai ver a partir de agora são fatos que comprovam que o rendimento mensal da poupança é tão insatisfatório, que chega a ser heresia chamá-la de investimento.

“Então, se é assim, por que tanta gente ainda a utiliza?”

A explicação é histórica e cultural, e não exatamente financeira.

Por incrível que pareça, “poupar dinheiro” e destiná-lo a uma aplicação que paga juros é algo inerente ao brasileiro. Fazemos isso há 156 anos.

A história da caderneta de poupança começou junto com o penhor, a partir da criação da Caixa Econômica Federal e do Monte de Socorro em 12 de janeiro de 1861.

Quem a decretou foi o imperador Dom Pedro II, que também definiu o rendimento da poupança anual em 6% (não muito diferente do que observamos hoje, séculos depois).

Em todos esses anos que se passaram, a poupança oscilou, mas seguiu como a aplicação financeira preferida do brasileiro.

A explicação talvez seja pelo fato de muita gente não a ver mesmo como investimento, mas como uma conta bancária gratuita e correção monetária. Aliás, ainda há pessoas que não usam conta-corrente, apenas conta-poupança.

Assim, se é para deixar o dinheiro parado, que ao menos seja em um lugar que renda um pouquinho.

E há ainda outro aspecto, que se mantém desde a sua origem: a caderneta sempre foi a queridinha especialmente da população de baixa renda.

Lá no início, historiadores contam que ela foi importante para escravos terem alguma renda, guardarem economias e, com sorte, comprarem a própria carta de alforria.

Hoje, para boa parte do seu público, colocar dinheiro na poupança é uma conquista, pois significa ter gastado menos do que se ganha no mês.

É a cara de um país que ainda patina na inclusão financeira e possui altos índices de desigualdade social e econômica.

Como você vai ver ao longo deste guia, tal qual em 1861, o rendimento da poupança em 2017 não rompe a barreira de um dígito.

Assim, de Dom Pedro II a Michel Temer, passando por mais de três dezenas de presidentes, evoluímos apenas ao abrir poupança on-line. Como investidores, entretanto, ainda estamos engatinhando.

Se você faz parte do grupo que acha que não consegue se desvincular da poupança, este guia é para você.

Vamos mostrar motivos incontestáveis sobre a péssima opção de investimento que é a poupança.

Mas também vamos apresentar a você soluções de fácil aplicação e tão seguras quanto a tradicional caderneta.

Está na hora de você ajudar o seu dinheiro a render mais!

Rendimentos da poupança em 2017

Os rendimentos da poupança em 2017 estão sendo melhores que os de anos anteriores.

O ano de 2017 tem sido especial para a poupança, que volta e meia reaparece no noticiário nacional.

Ainda que com míseros ganhos de no máximo 0,5% mais TR ao mês, há quem defenda um aumento da sua competitividade sobre fundos de renda fixa, por exemplo.

De fato, há um ponto positivo neste ano com relação à caderneta: ela está “menos ruim” do que em anos anteriores.

Mas isso ainda não faz dela – nem fará – uma boa opção de investimento, nem mesmo para proteção do patrimônio.

Vamos entender o porquê?

O segredo está no formato da remuneração da poupança, influenciada por uma combinação de fatores.

Um deles é a Selic, a famosa taxa básica de juros da economia, que também é figura frequente na mídia.

A Selic vem despencando desde outubro de 2016, quando se encontrava em 14,25% ao ano. Hoje, ela está em 7,5% ao ano.

Além da Selic, outro indicador que interfere no rendimento da poupança é a chamada TR (taxa referencial).

A TR é um tanto imprevisível, tem cálculo complexo e, na prática, quase não faz diferença. Confira a seguir a variação anual da TR nos últimos anos:

Fonte: Quantum Axis
*Até o dia 20 de outubro.

Entendidos esses dois fatores, veja quais são os dois cenários de remuneração da caderneta:

Cenário 1: se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende a TR + 0,5% ao mês.

Cenário 2: se a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, a poupança rende a TR + 70% da Selic.

O rendimento é minúsculo, mesmo. A única vantagem sobre outras modalidades da renda fixa é a isenção do Imposto de Renda e de quaisquer taxas.

Só que, ao considerar no cálculo o Tesouro Direto, por exemplo, um investimento mais seguro do que a poupança, a rentabilidade dos títulos públicos é superior à da caderneta, mesmo após o desconto do Imposto de Renda, que varia conforme o tempo de aplicação, de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias), e da taxa de custódia, de 0,3% ao ano.

Captação da poupança

A melhor receptividade do mercado à caderneta de poupança aparece também na análise quanto à captação de recursos. Esse é outro indicador que é divulgado na imprensa em geral, que indica o saldo líquido mensal da poupança a partir da diferença entre depósitos e saques realizados.

Vale lembrar que, como uma conta bancária, a modalidade permite que você movimente recursos com liberdade, ainda que o resgate afete a rentabilidade.

Há três meses que a poupança registra captação líquida positiva. Ou seja, o volume de dinheiro aplicado na caderneta cresceu.

Vale fazer a ressalva de que, no acumulado do ano, os saques ainda superam os depósitos em aproximadamente R$ 4 bilhões. Isso tudo mesmo depois de recuperar o fôlego nos últimos meses, com captação líquida de R$ 2,1 bilhões, em agosto, e de R$ 3,6 bilhões, em setembro.

Rendimento da poupança: hoje, mensal e anual

Lembra do que falamos há pouco sobre os cenários 1 e 2 de rendimento da poupança?

A TR de agosto de 2017, por exemplo, registrou variação em torno de 0,0509%, inferior aos 0,0623% de julho. Naquele mês, a Selic ainda estava acima de 8,5%, ou seja, o cálculo do período considerava o cenário 1.

Dessa forma, quem aplicou R$ 1 mil na poupança em 25 de julho e não movimentou esse dinheiro até 25 de agosto, teve um ganho de 0,5509% (0,5% + TR) em 25 de agosto, data na qual o investimento completa um mês.

Ou seja, seu saldo seria de R$ 1.005,51 nesse dia.

O dinheiro aplicado na poupança só recebe a correção passados 30 dias do depósito.

Na prática, significa que, se você depositar R$ 500 em 26 de agosto e fizer um saque de R$ 400 em 25 de setembro, terá os juros calculados apenas sobre R$ 100.

Se você tirar um extrato da sua conta e notar pequenas movimentações de crédito nela, saiba que cada uma corresponde à remuneração do período.

Ou seja, é referente aos juros aplicados sobre um depósito realizado há 30 dias. Esse é o rendimento da poupança mensal.

É bom deixar claro: não existe um rendimento diário na poupança.

Além disso, é preciso encontrar a TR acumulada – que nem nos melhores sonhos de quem ainda aposta na caderneta chega a 1%.

Há ainda outro fator importante, sobre o qual falaremos detalhadamente mais à frente. Ele diz respeito ao rendimento real da poupança, que significa o saldo após descontar a inflação.

Como calcular a rentabilidade da poupança

Descubra como é calculado o rendimento da caderneta de poupança.

Ao entender como calcular o rendimento da poupança, você facilmente identifica por que ela não vale a pena como investimento, independentemente do cenário da economia.

Em primeiro lugar, é preciso entender algo básico sobre a caderneta, que ainda não foi dito.

Diferentemente de outras aplicações financeiras, os bancos não têm liberdade para praticar cálculos de juros diferentes na poupança. Ou seja, você pode mudar a sua aplicação da instituição A para a instituição B, mas os resultados das poupanças serão os mesmos.

Isso acontece porque quem define as regras é o governo federal, e ele já decretou que a poupança jamais vai chegar aos dois dígitos.

Quer entender por quê?

Vamos recapitular:

  • Cenário 1: com a Selic acima de 8,5%, o rendimento da poupança é de 0,5% no mês + TR.
  • Cenário 2: com a Selic igual ou abaixo de 8,5%, ela rende 70% da Selic + TR.

Agora, vamos partir de um investimento de R$ 10 mil na poupança, realizado há um ano, e acompanhar os resultados.

Cálculo da poupança quando a Selic está acima de 8,5%

Considerando as regras dos juros compostos, o índice de 0,5% chega ao fim de 12 meses em 6,17% a.a. A esse percentual, é preciso somar a TR.

Quem a define, cabe lembrar, é o governo federal, a partir de um cálculo bem complexo, que envolve indiretamente a Selic.

Então, considerando o melhor cenário possível para a TR, após um ano, o rendimento da poupança seria de 7,17%. Já no pior, ficaria em 6,17%.

Ou seja, sua aplicação de R$ 10 mil valeria hoje entre R$10.617,00 e R$10.717,00.

Seus ganhos, então, ficariam entre R$ 600 e R$ 700 no período.

Agora, vamos calcular seus rendimentos no outro cenário possível de remuneração.

Com a Selic igual ou abaixo de 8,5%

A queda da Selic tem sido noticiada como positiva para os rendimentos na poupança.

Vamos entender como isso influencia a caderneta.

Aqui, a TR é a mesma, variando entre 0% e 1% ao ano.

Já o outro indicador aplicado é o de 70% da Selic.

Com 7,5% ao ano, uma aplicação de R$ 10 mil teria, ao fim de 12 meses, um saldo total entre R$10.525,00 e R$10.625,00.

Com regras bem amarradas pelo governo, um rendimento de dois dígitos é ilusão apenas.

Simulador de poupança

No exemplo que acabamos de apresentar, consideramos um investimento de R$ 10 mil.

Ele foi utilizado apenas como hipótese para explicação do cálculo. Nós não recomendamos que você invista na poupança, muito menos uma quantia que talvez faça falta no seu orçamento e que, no fim das contas, terá um rendimento tão baixo.

Seja qual for a quantia que você tem aplicada ou deseja aplicar na caderneta, é importante fazer o cálculo para que possa entender a remuneração alcançada e a forma como ela é construída.

Para isso, você não precisa pegar papel e caneta nem calculadora.

Basta usar um simulador de poupança, que faz o cálculo automaticamente para você. É só inserir os valores da sua aplicação.

Há diversos modelos de simuladores online, que você pode encontrar fazendo uma busca simples na internet.

Não recomendamos que entre em sites desconhecidos, tampouco que busque informações em fontes não confiáveis.

Uma opção válida, bastante fácil de usar, é a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central em seu site.

Confira o passo a passo:

1. Acesse a Calculadora do Cidadão neste link;

2. No campo Data Inicial, insira o dia, o mês e o ano em que realizou a aplicação;

3. No campo Data Final, coloque o dia, o mês e o ano para conhecer o saldo;

4. No campo Valor a ser corrigido, informe o valor aplicado;

5. Em regra de correção, selecione Nova –  exceto se os seus recursos foram depositados na caderneta em data anterior a 3 de maio de 2012;

6. Clique em Corrigir valor e, na nova página, confira as informações detalhadas.

Veja no exemplo abaixo uma simulação de rendimento da poupança para quem aplicou R$ 1.000 em 1º de agosto de 2016 e resgatou exatamente um ano depois.

 

Na mesma ferramenta, você pode conferir a correção do valor pela TR e pela taxa Selic.

Remuneração básica

Ao visitar seu banco, talvez o gerente de contas lhe apresente a poupança como uma oportunidade de investimento.

Se assim o fizer, ele pode utilizar como argumento o fato de a caderneta ter duas formas de remuneração.

Cuidado! Quem faz uma análise superficial pode ser induzido a acreditar que os ganhos são duplos.

Quando se fala em remuneração básica, a intenção é se referir ao acréscimo que seu saldo aplicado recebe pela TR.

Remuneração adicional

Se a TR é a remuneração básica da poupança, qual será a adicional?

Se você pensou na Selic, acertou. A taxa de juros corresponde à segunda parte de rendimento da poupança.

Ou seja, pode ser de 0,5% ao mês ou de 70% do seu valor anual.

Então, não se engane: não existem ganhos dobrados com a poupança.

Como funcionam os juros da poupança

Os juros da poupança são definidos de acordo com a regulação pelo governo federal.

Em qualquer investimento, ou mesmo ao tomar um empréstimo ou financiamento, os juros são o aspecto que costuma causar a maior quantidade de dúvidas.

Com a poupança, é justamente o contrário. Afinal, os juros não variam conforme o banco, como explicamos anteriormente.

Definidos pelo governo federal (tanto na TR quanto na Selic), cabe às instituições financeiras simplesmente aplicar os índices para fins de remuneração do valor investido na caderneta.

Mas talvez você esteja se perguntado agora: como o governo estabelece tais índices?

Essa é uma boa questão.

A Selic é mais fácil de entender, embora não tenha critérios exatamente objetivos.

Sua meta é revisada a cada 45 dias por membros do Comitê de Política Monetária, o Copom, que é vinculado ao Banco Central.

Nessas reuniões, os analistas consideram uma série de fatores econômicos para reajustar a meta para cima ou para baixo ou mesmo para mantê-lo, como já ocorreu muitas vezes.

Já a Meta Selic é definida pelo Banco Central por meio do Comitê de Política Monetária (COPOM).

Como já comentado, para 2017, a previsão é de fechamento da Selic em 7% – mesmo índice projetado para o fim de 2018.

Histórico dos investimentos na poupança

Lá se vão quase 30 anos em que a caderneta de poupança não tem um rendimento que possa ser considerado satisfatório.

Foi ainda na década de 1990 que a aplicação foi corrigida por juros maiores.

Em 1995, por exemplo, no mês de dezembro, a poupança teve rentabilidade de 12,9%.

Veja que, em apenas um mês, ela rendeu mais do que todo um ano atualmente.

É uma diferença abissal, que não há nem como comparar com o cenário em que vivemos hoje.

Mas atenção: nem mesmo com tal desempenho a poupança era atrativa.

O problema, na época, é que a inflação abocanhava qualquer ilusão de lucro com o investimento.

Desde então, sua rentabilidade variou bastante, mas foi nos últimos anos, especialmente, que a poupança acabou acumulando destaque negativo.

O principal fator que pesa contra a caderneta enquanto investimento se dá ao analisarmos o retorno real que ela oferece, ou seja, depois de descontarmos o índice de inflação.

Em 2015, por exemplo, quem deixou seu dinheiro parado na poupança perdeu poder de compra.

O que ocorreu foi que a poupança rendeu menos do que a inflação registrada no período.

Vamos apresentar um exemplo para que entenda melhor.

Se no fim de 2014 você aplicou um valor com o qual comprava 100 tomates na época, ao retirá-lo da conta um ano depois só poderia comprar 97 ou 98 tomates.

Em vez de o seu dinheiro render, ele perdeu valor na caderneta.

É uma dura realidade, não é mesmo?

Para 2017, a tendência aponta para um ganho real na poupança. Ainda que não seja expressivo, pelo menos você não vai perder dinheiro (mas vai deixar de ganhar mais, como veremos à frente).

Veja na tabela abaixo alguns exemplos que consideram a remuneração da poupança ao longo de 12 meses, em anos diferentes, a partir de uma aplicação de R$ 1 mil.

Por que NÃO investir na poupança?

Entenda por que não vale a pena investir na poupança.

Acreditamos que você não precise de mais motivos para mudar de investimento e abandonar a poupança. Mas, caso deseje saber mais sobre as desvantagens da caderneta para fazer seu dinheiro render, aqui vão elas:

1. Porque a rentabilidade é mais baixa do que outros investimentos com características similares, como Tesouro Selic, grande parte dos CDBs pós-fixados e fundos DI com baixas taxas de administração;

É só para reforçar. Não vamos nos alongar para não nos tornarmos repetitivos.

2. Porque o banco usa o seu dinheiro

Se você acha a caderneta ótima porque ela não lhe custa nada, saiba que há uma razão para a ausência de taxas de manutenção.

O dinheiro que você aplica nela é utilizado como captação do banco para financiamento imobiliário. Você recebe uma remuneração baixíssima, enquanto o banco cobra caro pela taxa do crédito imobiliário. Alguém está ganhando dinheiro com isso, e não é você.

3. Porque a liquidez é menor do que parece

Quando você ler sobre as vantagens da poupança, lá verá que ela é um investimento de alta liquidez, pois você pode resgatá-lo a qualquer momento.

Isso é verdade, mas não sem perdas.

Acontece o seguinte: todo depósito que você fizer receberá os juros no “aniversário”, ou seja, dentro de 30 dias. Realizar um saque antes desse período significa abrir mão de qualquer rentabilidade.

Assim, se você aplicar R$ 1 mil e retirar daqui a 29 dias, não terá recebido nada de juros e ainda terá perdido poder de compra em razão da inflação.

Um fundo DI ou um título Tesouro Selic, por outro lado, podem ser resgatados a qualquer momento, com juros valendo até o momento da retirada. Eles têm liquidez e rentabilidade diárias.

4. Porque a segurança não é total

Ao perguntar sobre a poupança ao seu gerente, você ouvirá que ela é o investimento mais seguro que existe, pois conta com a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos.

Para entender: esse é um mecanismo mantido pelas instituições financeiras para uso em caso de quebra de uma instituição financeira.

Se o banco no qual você tem conta-poupança falir, você tem seus recursos garantidos até o limite de R$ 250 mil por CPF, por conglomerado financeiro.

Essa é a teoria, mas, na prática, o fundo pode não ter os recursos necessários para bancar a quebra de um grande banco. E ele só é obrigado a ressarcir investidores dentro das condições de seu patrimônio.

Além disso, valores acima de R$ 250 mil não estão cobertos.

5. Porque menos é menos mesmo

Não pagar Imposto de Renda sobre o investimento é ótimo, concorda?

Você pode sacar o valor com juros após o aniversário da aplicação e não precisa prestar contas com o Leão.

Não basta analisar a poupança isoladamente como investimento. Ainda que você não tenha isenção do tributo em outra aplicação que escolher, vale mais a pena pagar o IR e ter uma rentabilidade maior.

É só fazer a escolha certa, adequada ao seu perfil.

E adivinhe só: não será a caderneta.

Análise Empiricus sobre a poupança, por Beatriz Cutait, especialista CFP®

A especialista da Empiricus Research Beatriz Cutait, que assina o relatório Você Investidor, é enfática: “A poupança é um investimento realmente muito ruim”.

Para ela, é um engano achar que você pode garantir seu futuro a partir do rendimento da poupança ou utilizá-la para proteção do patrimônio.

Como justificativa, Beatriz cita o retorno real da aplicação, quando descontado o índice da inflação.

Ao analisar o desempenho em anos recentes, ela identifica que, no melhor cenário, manter dinheiro na poupança foi pouco melhor do que o guardar embaixo do colchão. No pior, foi efetivamente perder dinheiro, como ocorreu em 2015. “Isto porque a inflação foi tão alta que consumiu toda a rentabilidade que o investidor poderia ter tido com a aplicação”, explica.

Confira na imagem abaixo o rendimento da poupança em comparação com a inflação e o CDI, uma taxa usada como referência para investimentos.

 

*Descontada a taxa de custódia de 0,3% ao ano e um Imposto de Renda de 22,5% **De 1997 até abril de 2012, foi utilizada a regra antiga de remuneração da poupança (0,5% ao mês mais TR). A partir de então, o cálculo considerou a regra mais “nova” (com retorno equivalente a 70% da meta mensalizada da Selic, quando a taxa básica de juros for inferior a 8,5% ao ano, mais TR) ***Até 08/06/2017

Para quem tem um perfil conservador e está aprendendo a investir, Beatriz indica ativos praticamente tão líquidos quanto a poupança, como o Tesouro Selic e fundos DI selecionados.

“Dedique alguns minutos a entender o funcionamento deles e dê o pontapé inicial em uma vida financeira mais promissora”, diz.

Investimentos com maior rentabilidade que a poupança

Estamos quase chegando ao fim do nosso guia sobre o rendimento da poupança e, até aqui, espero que você já tenha se convencido a abandoná-la de vez.

Mas isso não deve desanimá-lo de investir. Muito pelo contrário!

Como indicado pela especialista da Empiricus, o segredo está em encontrar a opção que reúna as mesmas qualidades que você vê na caderneta.

Acredite: se você deseja segurança e liquidez, há aplicações bem mais atrativas, que reúnem essas características e têm rendimento maior.

Já se o seu perfil tolera alguns riscos, é possível mirar rentabilidades ainda maiores.

Como pode ver, tudo é questão de encontrar o investimento que mais combina com você.

Vamos falar sobre algumas possibilidades?

CDB – Certificado de Depósito Bancário

Título de renda fixa que coloca o investidor como credor de bancos. O dinheiro aplicado é utilizado pelas instituições para a realização de empréstimos e retorna com juros.

Na modalidade prefixada, o valor a receber já é conhecido no momento da contratação, quando é estabelecida uma taxa fixa.

Assim, sem surpresa, quando chega o momento do resgate, você terá de volta o valor que investiu mais os juros que definiu ao aplicá-lo.

Já na modalidade pós-fixada do CDB, o rendimento só é descoberto no fim da aplicação, pois o cálculo depende dos resultados de um indexador, o CDI.

Se o retorno acumulado do CDI for de 14% no ano, e você contratar um CDB que pague 100% do CDI, por exemplo, isso significa que seu retorno, nesse mesmo período, seria de 14%.

O CDI fica sempre próximo à Selic.

No longo prazo, um título vinculado à inflação é interessante para quem busca proteger seu ganho real.

Normalmente, quanto mais longo o período de aplicação, maior a taxa de juros oferecida.

O CDB tem a proteção do FGC de até R$ 250 mil, exatamente como a poupança, e liquidez variada para o resgate, dependendo de cada emissor.

Há alguns CDBs com liquidez diária (neste caso, os CDBs são melhores que a poupança, já que o rendimento é calculado “pro rata”) e outros com resgate apenas no vencimento, que pode ser de até cinco anos.

Este tipo de aplicação sofre a tributação do Imposto de Renda – IR, seguindo a tabela regressiva da renda fixa, de 22,5%, para aplicações feitas em até 180 dias, a 15%, para aplicações feitas em mais de 720 dias. Para quem deixa o dinheiro por menos de 30 dias, há também a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras – o IOF.

Geralmente, as corretoras não cobram outras taxas.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é a aplicação mais segura do mercado financeiro brasileiro, já que é garantida pelo governo federal. Um calote aqui culminaria na ruína de todo o sistema (incluindo a queridinha poupança).

Em termos de rentabilidade, ele oferece taxas nos mesmos modelos do CDB: prefixada, pós-fixada e híbrida.

Considerando a liquidez, o Tesouro Direto também é bastante interessante, pois você pode vender seus títulos a qualquer momento e receber o dinheiro no dia útil seguinte.

Há que se considerar que o substituto ideal para a poupança, para quem busca uma aplicação de resgate a qualquer momento, é o Tesouro Selic, que paga os juros da taxa básica e não sofre marcação a mercado.

Já os títulos vinculados à inflação e prefixados têm volatilidade até o vencimento. Ou seja, quem os compra pode perder dinheiro se precisar vender antes da hora – caso o título esteja desvalorizado na data.

Por outro lado, também é possível ganhar mais do que a taxa contratada se o título se valorizar. Tudo isso graças à marcação a mercado, que é explicada em detalhes pela analista Marília Fontes, em seu livro Renda Fixa Não é Fixa.

Ao contrário do CDB, o Tesouro Direto tem uma taxa de custódia de 0,3% ao ano sobre o valor total investido. Além disso, há corretoras e bancos que cobram uma taxa extra para aplicar o dinheiro nesse tipo de título. Fuja disso! Prefira corretoras custo zero para Tesouro Direto.

O IR é o mesmo que o do CDB, de 22,5% a 15%. Há ainda o IOF para aplicações resgatadas antes dos 30 dias.

LCA/LCI – Letra de Crédito do Agronegócio e Letra de Crédito Imobiliário

Esses dois investimentos, LCA e LCI, são normalmente mencionados em conjunto por apresentarem características bastante semelhantes. A principal diferença é o destino dos recursos aplicado: agronegócio, no caso das LCAs, e imóveis, no caso das LCIs.

Para o investidor, o que importa é a isenção do IR e de taxas, além dos rendimentos superiores aos da poupança.

Na comparação com o CDB, apesar da isenção do IR, é preciso calcular a rentabilidade líquida para definir o melhor destino para o seu dinheiro.

Em termos de liquidez, LCA e LCI têm prazo mínimo de três meses, normalmente, e costumam ser títulos mais longos. Os melhores retornos ficam nos papéis com acima de dois anos de prazo.

LC – Letra de Câmbio

A Letra de Câmbio funciona de maneira muito semelhante ao CDB. A diferença é que a LC é emitida por uma financeira, e não por um banco.

Trata-se de um investimento de renda fixa, porém com risco maior.

A LC também conta com o aval do FGC, dentro dos mesmos moldes da proteção da poupança: até R$ 250 mil por CPF, por conglomerado financeiro. O prazo mínimo de investimento é de 360 dias.

A LC oferece rentabilidade interessante em comparação com outras alternativas de renda fixa, mas tem liquidez, normalmente, apenas no vencimento.

Como se trata de um emissor menor do que bancos tradicionais, é importante fazer uma boa busca no mercado para avaliar as instituições com rating de crédito mais elevado.

O IR segue a tabela da renda fixa, de 22,5% a 15%, e o IOF também vale para aplicações inferiores a 30 dias.

Geralmente, as corretoras não cobram outras taxas.Não há custos extras.

Bolsa de Valores

A Bolsa de Valores não é um substituto da poupança. Mas ela deve ser, sim, lembrada, porque remete a um conceito muito importante: a diversificação.

Você não deve tirar todos os seus recursos da poupança e destiná-los exclusivamente a um CDB de cinco anos, por exemplo.

É preciso criar uma carteira de investimentos que contemple o longo prazo. E nesse horizonte mais distante, a Bolsa de Valores aparece como um elemento importante, de alto potencial de ganhos.

Assim, mesmo que você tenha um perfil mais conservador, vale observar a renda variável e, começando aos poucos, destinar um percentual pequeno do seu portfólio para as ações.

Uma maneira de fazer isso é encontrar fundos de investimento de ações e multimercados que tenham boa performance e gestores focados em encontrar bons papéis à disposição.

Dessa forma, você ingressa na renda variável aos poucos e se acostuma às flutuações inerentes a esse mercado.

Conclusão: como sair da poupança?

Para sair da poupança, é só começar.

Neste guia, você teve informações definitivas sobre a baixa atratividade da caderneta e outras falhas que a comprometem como proposta de investimento.

Quem deseja ver o dinheiro rendendo e trabalhando a seu favor não pode se limitar a deixá-lo parado, que é o que ocorre na prática ao deixá-lo preso à poupança.

Se você deseja uma saída segura, opte pela transição.

Não tire todo o seu dinheiro da caderneta para investir em um só produto financeiro diferente. Um dos segredos dos investidores de sucesso é diversificar seu portfólio.

Vale experimentar as opções mais conservadoras e seguras quanto à poupança e, depois, se achar necessário, aumentar o risco em busca de um retorno maior.

Isso talvez seja importante para que possa perder o medo de ganhar dinheiro, que é comum entre aqueles que veem o mercado financeiro com algum receio.

Hoje, você deu um passo rumo ao amadurecimento como investidor.

Agora, se permita ir além.

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