Rendimento da Poupança (Guia Completo) Hoje, Mensal e Anual

Rendimento da Poupança (Guia Completo) Hoje, Mensal e Anual

Rendimento da Poupança (Guia Completo) Hoje, Mensal e Anual

Vamos direto ao ponto: o rendimento da poupança é baixo, e ele não vai melhorar a ponto de valer a pena manter seu dinheiro nela.

Você precisa deixar a caderneta, mas sabemos que essa não é uma decisão fácil.

Afinal, ela costuma ser a porta de entrada do brasileiro no mundo dos investimentos.

Mas o que você vai ver a partir de agora são fatos que comprovam que o rendimento da poupança mensal é tão insatisfatório, que chega a ser heresia chamá-la de investimento.

Então, se é assim, por que tanta gente ainda a utiliza?

A explicação é histórica e cultural, e não exatamente financeira.

Por incrível que pareça,  “poupar dinheiro” e destiná-lo a uma aplicação que paga juros é algo inerente ao brasileiro. Fazemos isso há 156 anos.

A história da caderneta de poupança começou junto com o penhor, a partir da criação da Caixa Econômica Federal e Monte de Socorro, em 12 de janeiro de 1861.

Quem a decretou foi o imperador Dom Pedro II, que também definiu o rendimento da poupança anual em 6% (não muito diferente do que observamos hoje, séculos depois).

Em todos esses anos que se passaram, a poupança oscilou, mas seguiu como a aplicação financeira preferida do brasileiro.

A explicação talvez seja pelo fato de muita gente não a ver mesmo como investimento, mas como uma conta bancária com menores taxas e correção monetária. Aliás, ainda há pessoas que não usam conta corrente, apenas conta poupança.

Assim, se é para deixar o dinheiro parado, que ao menos seja em um lugar que renda um pouquinho.

E há ainda outro aspecto, que se mantém desde a sua origem: a caderneta sempre foi a queridinha especialmente para a população de baixa renda.

Lá no início, historiadores contam que ela foi importante para escravos terem alguma renda, guardarem economias e, com melhor sorte, comprarem a própria carta de alforria.

Hoje, para boa parte do seu público, colocar dinheiro na poupança é uma conquista, pois significa ter gastado menos do que ganha no mês.

É a cara de um país que ainda patina na inclusão financeira e possui altos índices de desigualdade social e econômica.

Como você vai ver ao longo deste guia, tal qual em 1861, o rendimento da poupança em 2017 não rompe a barreira de um dígito.

Assim, de Dom Pedro II a Michel Temer, passando por mais de três dezenas de presidentes, evoluímos apenas ao abrir a conta poupança online.

Mas, como investidores, ainda estamos engatinhando.

Se você faz parte do grupo que acha que não consegue se desvincular da poupança, este guia é para você. Vamos mostrar motivos incontestáveis sobre a péssima opção de investimento que é a poupança. Mas também vamos te apresentar soluções de fácil aplicação e tão seguras quanto a tradicional caderneta. Está na hora de você ajudar o seu dinheiro a render mais.

 

Rendimentos Poupança 2017


Os rendimentos da poupança em 2017 estão sendo melhores que os anos anteriores.

 

O ano de 2017 tem sido especial para a poupança, que volta e meia reaparece no noticiário nacional.

Ainda que com míseros ganhos de 0,55% ao mês, há quem defenda um aumento da sua competitividade sobre fundos de renda fixa, por exemplo.

De fato, há um ponto positivo neste ano com relação à caderneta: ela está “menos do ruim”do que em anos anteriores.

Mas isso ainda não faz dela – e nem fará – uma boa opção de investimento, nem mesmo para proteção do patrimônio.

Em rentabilidade líquida, a poupança só vence dela mesma e do FGTS (outro mico que alguns chamam de investimento), na comparação com seu passado recente.

Vamos entender o porquê?

O segredo está no formato de remuneração da poupança, que usa uma combinação de fatores.

Um deles é a Taxa Selic, a famosa taxa básica de juros da economia, que também é figura frequente na mídia.

A Selic vem despencando desde setembro de 2016, quando se encontrava em 14,15% ao ano. Hoje, ela está em 9,25% ao ano.

Além da Selic, outro indicador que interfere no rendimento da poupança é a chamada TR, a Taxa Referencial.

A TR é um tanto imprevisível, tem cálculo complexo e, na prática, quase não faz diferença.

Entendidos esses dois fatores, veja quais são os dois cenários de remuneração da caderneta:

Cenário 1:

Se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende a TR + 0,5% ao mês.

Cenário 2:

Se a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, a poupança rende a TR + 70% da Selic.

Hoje – e há muito tempo tem sido assim -, ela é remunerada pelo cenário 1.

Nele, quanto mais alta a Selic, pior se torna o investimento na caderneta na comparação com outras aplicações de renda fixa.

É por isso que há quem destaque o bom momento da aplicação financeira, que só é bom, não custa repetir, na comparação com ela própria.

Mas o que há de especial em 2017 para a poupança?

Há expectativa de novos cortes na Taxa Selic, o que alteraria a fórmula de cálculo da caderneta para o cenário 2.

Isso não acontece desde 2013. Mais precisamente, foi no período entre 12 de julho de 2012 e 10 de julho de 2013 a última vez que a poupança pagou a TR + 70% da Selic.

Segundo analistas do Banco Central, a meta Selic para o fechamento de 2017 é de 7,5%.

Caso isso se confirme, a poupança pagará no ano a TR + 5,25%.

O rendimento é minúsculo, mesmo. A única vantagem sobre outras modalidades da renda fixa é a isenção do Imposto de Renda e de quaisquer taxas.

Só que, ao considerar no cálculo o Tesouro Direto, por exemplo, um investimento mais seguro do que a poupança, a rentabilidade dos títulos públicos é superior à da caderneta, mesmo após o desconto do Imposto de Renda, que varia conforme o tempo de aplicação, de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias), e da taxa de custódia, de 0,3% ao ano.

 

Captação Poupança

A melhor receptividade do mercado à caderneta de poupança aparece também na análise quanto à captação de recursos.

Esse é outro indicador que é divulgado na imprensa em geral.

Ele indica o saldo mensal da poupança a partir da diferença entre depósitos e saques realizados.

Vale lembrar que, como uma conta bancária, a modalidade permite que você movimente recursos com liberdade, ainda que isso afete a rentabilidade.

Há três meses que a poupança registra captação líquida positiva. Ou seja, o volume de dinheiro aplicado na caderneta cresceu.

Embora, para o governo, esse resultado seja influenciado pela queda da inflação e pelos resgates do FGTS de contas inativas, é um indicativo de força da poupança (mais uma vez, na relação com ela própria).

Vale fazer a ressalva, pois no acumulado do ano, os saques ainda superam os depósitos em aproximadamente R$ 10 bilhões. Isso tudo depois de recuperar o fôlego em R$ 6,1  bilhões em junho e R$ 2,3 bilhões em junho.

A razão está principalmente em 2016, ano em que a captação líquida da caderneta ficou negativa em R$ 40,7 bilhões – queda motivada pelos saques recordes que somaram R$ 1,98 trilhão.

 

Rendimento da poupança: Hoje, Mensal e Anual

Lembra do que falamos há pouco sobre os cenários 1 e 2 de rendimento da poupança?

Então, hoje, a caderneta se enquadra no cenário 1 e, assim, paga 0,5% ao mês mais a TR.

A TR de agosto de 2017, por exemplo, registrou algo em torno de 0,0509%, um índice inferior aos 0,0623% de julho.

Mas é importante saber que a taxa oscila diariamente.

Isso significa, então, que quem aplicou R$ 1 mil na poupança em 25 de julho, se não movimentou esse dinheiro, teria um ganho de 0,5509% (0,5% + TR) em 25 de agosto, data na qual o investimento completa um mês.

Ou seja, seu saldo seria de R$ 1.005,51 neste dia.

O dinheiro aplicado na poupança só recebe a correção passados 30 dias do depósito.

Na prática, significa que, se você depositar R$ 500 em 26 de agosto e fizer um saque de R$ 400 em 25 de setembro, terá os juros calculados apenas sobre R$ 100.

Se você tirar um extrato da sua conta e ver pequenas movimentações de crédito nela, saiba que cada uma delas corresponde à remuneração do período.

Ou seja, é referente aos juros aplicados sobre um depósito realizado há 30 dias. Esse é o rendimento da poupança mensal.

 

Não existe um rendimento diário na poupança, é bom deixar claro

Já quando se fala em rendimento anual, é preciso somar os ganhos obtidos nos 12 meses do ano, que é quando a poupança é, de fato, remunerada.

Além disso, é preciso encontrar a TR acumulada – que nem nos melhores sonhos de quem ainda aposta na caderneta chega a 1%

Mas há ainda outro fator importante, sobre o qual iremos falar detalhadamente mais à frente.

Ele diz respeito ao rendimento real da poupança, que significa o saldo após descontar a inflação.

Confira, no gráfico abaixo, a evolução da rentabilidade da caderneta, comparando o seu retorno absoluto e o retorno real.

 

Gráfico de rentabilidade da poupança

 

Como calcular a rentabilidade da poupança

Descubra como é calculado o rendimento da caderneta de poupança.

 

Ao entender como calcular o rendimento da poupança, você facilmente identifica porque ela não vale a pena como investimento, não importa o cenário da economia.

Em primeiro lugar, é preciso entender algo básico sobre a caderneta, e que ainda não foi dito.

Diferentemente de outras aplicações financeiras, os bancos não têm liberdade para praticar cálculos de juros diferentes na poupança.

Ou seja, você pode mudar a sua aplicação da instituição A para a instituição B, mas os resultados das poupanças serão os mesmos.

Isso acontece porque quem define as regras é o governo federal e ele já decretou que a poupança jamais vai chegar aos dois dígitos.

Quer entender por quê?

Vamos recapitular:

  • No cenário 1, com a Selic acima de 8,5%, o rendimento da poupança é de 0,5% no mês + TR
  • No cenário 2, com a Selic igual ou abaixo de 8,5%, ela rende 70% da Selic + TR.

Agora, vamos partir de um investimento de R$ 10 mil na poupança, realizado há um ano, e acompanhar os resultados.


Com a Selic acima de 8,5%

No cenário atual, que é de Selic acima de 8,5%, dá até para adivinhar qual será o saldo no final, se nenhum saque for realizado.

Considerando as regras dos juros compostos, o índice de 0,5% chega ao final de 12 meses em 6,17%.

A esse percentual, é preciso somar a TR.

Quem a define, cabe lembrar, é o governo federal, a partir de um cálculo bem complexo, que envolve indiretamente a Selic.

Na prática, no entanto, ela não fica abaixo de zero e não ultrapassa 1%.

Então, considerando o melhor cenário possível para a TR, após um ano, o rendimento da poupança seria de 7,17%.

Já no pior, ficaria em 6,17%.

Entenda que jamais a poupança ficará acima ou abaixo disso, pois a TR exerce baixa influência no cálculo.

Ou seja, sua aplicação de R$ 10 mil valeria hoje entre R$ 10.617,00 e 10.717,00.

Seus ganhos, então, ficariam entre R$ 600 e R$ 700 no período, não importa se a Selic está em 9% ou em 100% ao ano.

Agora, vamos calcular seus rendimentos no outro cenário possível de remuneração.


Com a Selic igual ou abaixo e 8,5%

A queda da Selic tem sido noticiada como positiva para os rendimentos na poupança.

Mas não é bem assim que acontece.

Nesse segundo cenário, quanto menor a Selic, mais a caderneta se torna uma péssima opção.

Vamos entender?

Aqui, a TR é a mesma, variando entre 0% e 1% ao ano.

Já o outro indicador aplicado é de 70% da Selic.

Isso significa que o melhor resultado para a poupança é a manutenção da Selic em 8,5%, o que geraria um rendimento de 5,95% + TR.

Ou seja, seu investimento teria ganhos variando entre 5,95% e 6,95% – abaixo, portanto, do que se obtém no cenário de Selic alta.

Então, como já destacamos antes, se confirmada a previsão de Selic a 7,5% no fim de 2017, os 70% da taxa básica irão significar apenas 5,25%.

A cada nova queda, menos o seu dinheiro vale na poupança.

Com 7,5% ao ano, uma aplicação de R$ 10 mil teria, ao final de 12 meses, um saldo total entre R$ 10.525,00 e R$ 10.625,00.

Veja, mais uma vez, que não há cenário positivo para a caderneta, nem com Selic alta, nem com Selic baixa.

Com regras bem amarradas pelo governo, um rendimento de dois dígitos é ilusão apenas.

 

Simulador de Poupança

No exemplo que acabamos de apresentar, consideramos um investimento de R$ 10 mil.

Ele foi utilizado apenas como hipótese para explicação do cálculo. Nós não recomendamos que você invista na poupança, em especial uma quantia que talvez faça falta no seu orçamento e que, ao final, terá um rendimento tão baixo.

Seja qual for a quantia que você tem aplicada ou deseja aplicar na caderneta, é importante fazer o cálculo para que possa entender a remuneração alcançada e a forma como ela é construída.

Para isso, você não precisa pegar papel e caneta ou uma calculadora.

Basta usar um simulador de poupança, que faz o cálculo automaticamente para você. É só inserir os valores da sua aplicação.

Há diversos modelos de simuladores online, que você pode encontrar fazendo uma busca simples na internet.

Nós não recomendamos que entre em sites desconhecidos nem busque informações em fontes não confiáveis.

Uma opção válida é a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central em seu site.

Ela é bastante fácil de usar:

1. Acesse a Calculadora do Cidadão neste link

2. No campo Data Inicial, insira o dia, mês e ano em que realizou a aplicação

3. No campo Data Final, coloque o dia, mês e ano para conhecer o saldo

4. No campo Valor a ser corrigido, informe o valor aplicado

5. Em regra de correção, selecione Nova, exceto se os seus recursos estão depositados na caderneta em período anterior a 3 de maio de 2012

6. Clique em Corrigir valor e, na nova página, confira as informações detalhadas.

7. Na mesma ferramenta, você pode conferir a correção do valor pela TR e pela Taxa Selic.

 

Remuneração básica

Ao visitar seu banco, talvez o gerente de conta lhe apresente a poupança como uma oportunidade de investimento.

Se assim o fizer, ele pode utilizar como argumento o fato de a caderneta ter duas formas de remuneração.

Cuidado: quem faz uma análise superficial pode ser induzido a acreditar que os ganhos são duplos.

Quando se fala em remuneração básica, a intenção é se referir ao acréscimo que seu saldo aplicado recebe pela TR, a Taxa Referencial.

Como já explicado, ela nunca fica abaixo de zero e, nos melhores rendimentos, pode alcançar 1%.

 

Remuneração adicional

Se a TR é a remuneração básica da poupança, qual será a adicional?

Se você pensou na Selic, acertou.

A taxa de juros corresponde à segunda parte de rendimento da poupança.

Ou seja, pode ser de 0,5% ao mês ou de 70% do seu valor anual.

Então, não se engane: não existe ganhos dobrados com a poupança.

 

Como funcionam os juros da poupança

Os juros da poupança são definidos de acordo com a regulação pelo Governo Federal.

 

Em qualquer investimento ou mesmo ao tomar um empréstimo ou financiamento, os juros são o aspecto que costuma causar a maior quantidade de dúvidas.

Com a poupança, é justamente o contrário.

Afinal, os juros não variam conforme o banco, como explicamos antes.

Definidos pelo governo federal (tanto na TR quanto na Selic), cabe às instituições financeiras simplesmente aplicar os índices para fins de remuneração do valor investido na caderneta.

Mas talvez você esteja se perguntado agora: como o governo estabelece tais índices?

Essa é uma boa questão.

A Selic é mais fácil de entender, embora não tenha critérios exatamente objetivos.

Seu índice é revisado a cada 45 dias por membros do Comitê de Política Monetária, o Copom, que é vinculado ao Banco Central.

Nessas reuniões, os analistas consideram uma série de fatores econômicos para reajustar o índice para cima ou para baixo ou mesmo mantê-lo, como já ocorreu muitas vezes.

Apesar de ser uma decisão exclusiva do Copom, o mercado costuma antecipar-se bem e raramente é surpreendido pelo resultado dessas reuniões.

Já a Meta Selic é uma previsão divulgada também por analistas do Banco Central, mas agora semanalmente, no relatório que recebe o nome de Boletim Focus.

Como já comentado, para 2017, a previsão é de fechamento da Selic em 7,5% – mesmo índice projetado para o final de 2018.

E a TR?

A Taxa de Referência é de definição um pouco mais complexa que a Selic.

Se você topar com a fórmula utilizada, é capaz de fugir dela.

Na prática, porém, a TR corresponde a uma média ponderada dos juros diários que são cobrados pelas 30 principais instituições financeiras do país em títulos prefixados de CDBs, os Certificados de Depósitos Bancários.

Cabe destacar que os juros do CDB sofrem influência direta da Selic.

Caso tenha curiosidade para acompanhar a evolução diária da TR, uma boa referência é o Portal Brasil.

Considerando os resultados de agosto, por exemplo, a TR ficou zerada nos dias 5, 10 a 13, 17 e 18.

Seu melhor desempenho recente no mês foi registrado logo no dia 1º de agosto de 2017, com 0,0509%

 

Histórico dos investimentos em poupança

Lá se vão quase 30 anos em que a caderneta de poupança não tem um rendimento que possa ser considerado satisfatório.

 

Foi ainda na década de 90 que a aplicação foi corrigida por juros maiores.

Em 1995, por exemplo, no mês de dezembro, a poupança teve rentabilidade de 12,9%.

Veja que, em apenas um mês, ela rendeu mais do que todo um ano atualmente.

É uma diferença abissal, que não há nem como comparar com o cenário em que vivemos hoje.

Mas atenção: nem mesmo com tal desempenho a poupança era atrativa.

O problema, na época, é que a inflação abocanhava qualquer ilusão de lucro com o investimento.

Desde então, sua rentabilidade variou bastante, mas foi nos últimos anos, especialmente, que a poupança acabou acumulando destaque negativo.

O principal fator que pesa contra a caderneta enquanto investimento se dá ao analisarmos o retorno real que ela oferece.

Ou seja, depois de descontarmos o índice de inflação.

Em 2015 por exemplo, quem deixou seu dinheiro parado na poupança perdeu poder de compra.

O que ocorreu foi que a poupança rendeu menos do que a inflação registrada no período.

Vamos apresentar um exemplo para entender melhor.

Se, no fim de 2014, você aplicou um valor com o qual comprava 100 tomates na época, ao retirá-lo da conta um ano depois, só poderia comprar 97 ou 98 tomates.

Em vez do seu dinheiro render, ele perdeu valor na caderneta.

É uma dura realidade, não é mesmo?

Para 2017, a tendência aponta para um ganho real na poupança. Ainda que não seja expressivo, pelo menos você não vai perder dinheiro (mas vai deixar de ganhar mais, como veremos à frente).

Veja na tabela abaixo alguns exemplos que consideram a remuneração da poupança ao longo de 12 meses, em anos diferentes, a partir de uma aplicação de R$ 1 mil.

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Data da aplicação Data do saque Valor inicial Valor final
31/12/1994 31/12/1995 R$ 1 mil R$ 1.372,07
31/12/1999 31/12/2000 R$ 1 mil R$ 1.077,47
31/12/2004 31/12/2005 R$ 1 mil R$ 1.083,87
31/12/2009 31/12/2010 R$ 1 mil R$ 1.062,18
31/12/2012 31/12/2013 R$ 1 mil R$ 1.052,37
31/12/2013 31/12/2014 R$ 1 mil R$ 1.064,35
31/12/2014 31/12/2015 R$ 1 mil R$ 1.072,95
31/12/2015 31/07/2016 R$ 1 mil R$ 1.075,67
31/07/2016 31/07/2017 R$ 1 mil R$ 1.071,08

 

Vale a Pena Investir na Poupança com a Queda da Selic?

Qual o melhor cenários da taxa Selic para investir na poupança?

 

Se você chegou até aqui, já sabe a resposta.

A queda da Selic não eleva o rendimento da poupança. Esse é um fato contra o qual não se pode brigar.

Ao contrário disso. Como vimos, a redução na taxa de juros para um índice igual ou menor que 8,5% ao ano prejudica a caderneta.

Para a poupança, o melhor cenário é o de Selic em 8,75%.

Embora não afete o seu rendimento diretamente, isso a torna um produto financeiro “menos ruim” em razão do ambiente econômico de juros menores.

Mas, então, por que a imprensa tem “festejado” a poupança com a Selic despencando?

A razão para isso não está na caderneta, mas em outros investimentos.

Títulos de renda fixa atrelados à Selic, por exemplo, se tornam menos atrativos conforme a taxa fica menor.

Mas essa “pequena derrota”, se é que podemos chamar assim, não altera o resultado final e é isso que precisa ficar claro.

Mesmo que a Selic feche o ano em 7,5%, investir em títulos do Tesouro, CDBs e LCIs/LCAs de bancos médios, por exemplo, ainda será um melhor negócio para quem tem perfil conservador.

Em resumo: não há cenário visível (ou invisível) em que a poupança se torne um bom investimento.

 

Por que NÃO investir na poupança?

Entenda porque não vale a pena investir na poupança.

 

Acreditamos que você não precise de mais motivos para mudar de investimento e abandonar a poupança.

Mas caso deseje saber mais sobre as desvantagens da caderneta para fazer seu dinheiro render, aqui vão elas.

 

1. Porque a rentabilidade é a mais baixa entre todos investimentos

É só para reforçar.

Não vamos nos alongar para não nos tornarmos repetitivos.

 

2. Porque o banco usa o seu dinheiro

Se você acha a caderneta ótima porque ela não lhe custa nada, saiba que há uma razão para a ausência de taxas de manutenção.

O dinheiro que você aplica nela é utilizado como captação do banco para financiamento imobiliário. Você recebe uma remuneração baixíssima, enquanto cobra caro pela taxa do crédito imobiliário. Alguém está ganhando dinheiro com isso e não é você, é o banco.

 

3. Porque a liquidez é menor do que parece

Quando você ler sobre as vantagens da poupança, lá verá que ela é um investimento de alta liquidez, pois você pode resgatá-lo a qualquer momento.

Isso é verdade, mas não sem perdas.

Acontece o seguinte: todo depósito que você fizer receberá juros no seu “aniversário”, ou seja, dentro de 30 dias.

Realizar um saque antes disso significa abrir mão de qualquer rentabilidade.

Assim, se aplicar R$ 1 mil e retirar daqui a 29 dias, não terá recebido nada de juros e ainda terá perdido poder de compra em razão da inflação.

Um fundo DI ou um título Tesouro Selic, por outro lado, podem ser resgatados a qualquer momento, com juros valendo até o momento da retirada. Eles têm liquidez e rentabilidade diárias.

4. Porque a segurança não é total

Ao perguntar sobre a poupança ao seu gerente, você ouvirá que ela é o investimento mais seguro que existe, pois conta com a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito.

Para entender: esse é um mecanismo mantido pelas instituições financeiras para uso em caso de quebra de uma instituição financeira.

Se o banco no qual você tem conta-poupança falir, então, você tem seus recursos garantidos até o limite de R$ 250 mil por CPF por conglomerado financeiro.

Essa é a teoria, mas, na prática, o fundo pode não ter os recursos necessários para bancar a quebra de um grande banco. E ele só é obrigado a ressarcir investidores dentro das condições de seu patrimônio.

Além disso, valores acima de R$ 250 mil não estão cobertos.

 

5. Porque menos é menos mesmo

Não pagar Imposto de Renda sobre o investimento é ótimo, concorda?

Você pode sacar o valor com juros após o aniversário da aplicação e não precisa prestar contas com o Leão.

Não basta analisar a poupança isoladamente como investimento. Ainda que você não tenha isenção do tributo em outra aplicação que escolher, vale mais a pena pagar o IR e ter uma rentabilidade maior.

É só fazer a escolha certa, adequada ao seu perfil.

E adivinhe só: não será a caderneta.

Análise Empiricus sobre a poupança, por Beatriz Cutait, especialista CFP

A especialista da Empiricus Research, Beatriz Cutait, que assina o relatório Você Investidor, é enfática: “A poupança é um investimento realmente muito ruim”, afirma.

Para ela, é um engano achar que você pode garantir o futuro a partir do rendimento da poupança ou utilizá-la para proteção do patrimônio.

Como justificativa, Beatriz cita o retorno real da aplicação, quando descontado o índice da inflação.

Ao analisar o desempenho em anos recentes, ela identifica que, no melhor cenário, manter dinheiro na poupança foi pouco melhor que o guardar embaixo do colchão.

No pior, foi efetivamente perder dinheiro, como ocorreu em 2015. “Isto porque a inflação foi tão alta que consumiu toda a rentabilidade que poderia ter tido”, explica.

Confira na imagem abaixo o rendimento da poupança na comparação com a inflação e o CDI, uma taxa usada como referência em investimentos.

 

 

Finalizando, Beatriz deixa claro que não faz sentido você ter dinheiro na poupança e que a caderneta não é uma boa opção para investimentos.

Para quem tem o perfil conservador e está aprendendo a investir, ela indica ativos tão líquidos quanto a poupança, como o Tesouro Selic e os Fundos DI.

“Dedique alguns minutos a entender o funcionamento deles e dê o pontapé inicial em uma vida financeira mais promissora”, diz.

Investimentos com maior rentabilidade que a poupança

Estamos quase chegando ao final do nosso guia sobre o rendimento da poupança e, até aqui, espero que você já tenha se convencido a abandoná-la de vez.

Mas isso não deve desanimá-lo a investir. Muito pelo contrário.

Como indicado pela especialista da Empiricus, o segredo está em encontrar a opção que reúna as mesmas qualidades que você vê na caderneta.

Acredite: se você deseja segurança e liquidez, há aplicações bem mais atrativas, que reúnem essas características e têm rendimento maior.

Já se o seu perfil tolera alguns riscos, é possível mirar rentabilidades ainda maiores.

Como pode ver, tudo é questão de encontrar o investimento que mais combina com você.

Vamos falar sobre algumas possibilidades?

 

CDB – Certificado de Depósito Bancário

Título de renda fixa que coloca o investidor como credor de bancos. O dinheiro aplicado é utilizado pelas instituições para a realização de empréstimos e retorna com juros.

Na modalidade prefixada, o valor a receber já é conhecido no momento da contratação, quando é estabelecida uma taxa fixa.

Assim, sem surpresa, quando chega o momento do resgate, você terá de volta o valor que investiu mais os juros que definiu ao dar seguimento à aplicação.

Já na modalidade pós-fixada do CDB, o rendimento só é descoberto ao final, pois depende dos resultados de um indexador, o CDI.

Se o CDI for de 14% e você contratar um CDB que pague 100% do CDI, por exemplo, isso significa que seu retorno será de 14%.

O CDI fica sempre próximo à Selic, já que se trata da taxa de juros interbancária. Além dessas duas formas de rendimento, há uma terceira, um pouco mais rara, que é uma combinação delas: na rentabilidade híbrida, há o pagamento de um juro fixo acrescido da variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do período.

No longo prazo, um título vinculado à inflação é interessante para quem busca proteger seu ganho real.

Normalmente, quanto mais longo o vencimento, maior a taxa de juros oferecida.

O CDB tem a proteção do FGC de até R$ 250 mil, exatamente como a poupança, e liquidez variada para o resgate, dependendo de cada emissor.

Há CDBs com liquidez diária (nesse caso, maior do que a poupança, já que ela remunera apenas uma vez ao mês) e outros com resgate apenas no vencimento, que pode ser de até cinco anos.

Esse tipo de aplicação sofre a tributação do Imposto de Renda, seguindo a tabela da renda fixa, de 22,5% a 15%, de acordo com o tempo de investimento, de menos de 180 dias a mais de 720 dias. Para quem deixa o dinheiro por menos de 30 dias, há cobrança do Imposto Sobre Operações Financeiras, o IOF.

Não há outros custos.

 

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é a aplicação mais segura do mercado financeiro brasileiro, já que é garantida pelo Governo Federal. Um calote aqui culminaria na ruína de todo o sistema (incluindo a queridinha poupança).

Em termos de rentabilidade, ele oferece taxas nos mesmos modelos do CDB: prefixada, pós-fixada e híbrida.

Considerando a liquidez, o Tesouro Direto também é bastante interessante, já que você pode vender seus títulos a qualquer momento e receber o dinheiro no dia útil seguinte.

Há que se considerar que o substituto ideal para a poupança, para quem busca uma aplicação de resgate a qualquer momento, é o Tesouro Selic, que paga os juros da taxa básica e não sofre marcação a mercado.

Já os títulos vinculados à inflação e prefixados têm volatilidade até o vencimento. Ou seja, quem os compra pode perder dinheiro se precisar vender antes da hora e o título estiver desvalorizado.

Por outro lado, também é possível ganhar mais do que a taxa contratada se o título se valorizar. Tudo isso graças à marcação a mercado, que é explicada em detalhes pela analista Marília Fontes, em seu livro Renda Fixa Não é Fixa.

Ao contrário do CDB, o Tesouro Direto tem uma taxa de custódia, de 0,3% ao ano sobre o valor total investido. Além disso, há corretoras e bancos que cobram uma taxa extra  para aplicar o dinheiro nesse tipo de título. Fuja disso. Prefira corretoras custo zero para Tesouro Direto.

O Imposto de Renda é o mesmo que o do CDB, de 22,5% a 15%. Há ainda o IOF para aplicações inferiores a 30 dias.

LCA/LCI – Letra de Crédito do Agronegócio e Letra de Crédito Imobiliário

Esses dois investimentos, LCI e LCA, são normalmente mencionados em conjunto, por apresentarem características bastante semelhantes. A principal diferença é o destino dos recursos aplicado, agronegócio e imóveis.

Para o investidor, o que importa é a isenção do Imposto de Renda, a isenção de taxas e rendimentos superiores aos da poupança.

Na comparação com o CDB, apesar da isenção do IR, é preciso calcular a rentabilidade líquida para definir o melhor destino para o seu dinheiro.

Em termos de liquidez, LCI e LCA têm prazo mínimo de três meses, normalmente, e costumam ser títulos mais longos. Os melhores retornos ficam nos papéis acima de dois anos.

 

Letra de Câmbio

A Letra de Câmbio (LC) funciona de maneira muito semelhante ao CDB. A diferença é que a LC é emitida por uma financeira, e não por um banco.

Trata-se de um investimento considerado seguro, já que conta com o aval do Fundo Garantidor de Crédito, dentro dos mesmos moldes da proteção da poupança, até R$ 250 mil por CPF por conglomerado financeiro.

A LC tem prazo de investimento mínimo de 360 dias, oferece rentabilidade interessante na comparação com outras alternativas de renda fixa, mas tem liquidez, normalmente, apenas no vencimento.

Como se trata de um emissor menor do que bancos tradicionais, é importante fazer uma boa busca no mercado para avaliar as instituições com rating de crédito mais elevado.

O Imposto de Renda segue a tabela da renda fixa, de 22,5% a 15%, e o IOF também vale para aplicações inferiores a 30 dias.

Não há custos extras.

 

Bolsa de Valores

A Bolsa de Valores não é um substituto imediato da poupança. Mas ela deve ser lembrada, sim, porque remete a um conceito muito importante: a diversificação.

Você não deve tirar todos os seus recursos da poupança e destiná-los exclusivamente a um CDB de cinco anos, por exemplo.

Você precisa criar uma carteira de investimentos que contemple o longo prazo. E nesse horizonte mais distante, a Bolsa de Valores aparece como um elemento importante, de alto potencial de ganhos.

Assim, mesmo que você tenha um perfil mais conservador, vale observar a renda variável e, começando aos poucos, destinar um percentual pequeno do seu portfólio para as ações.

Uma maneira de fazer isso é encontrar fundos de investimento de ações e multimercados que tenham boa performance e gestores focados em encontrar bons papéis à disposição.

Dessa forma, você ingressa na renda variável aos poucos e se acostuma às flutuações inerentes a esse mercado.

 

Conclusão: Como Sair da Poupança?

Para sair da poupança, é só começar.

Neste guia, você teve informações definitivas sobre a baixa atratividade da caderneta e outras falhas que a comprometem como proposta de investimento.

Quem deseja ver o dinheiro rendendo e trabalhando a seu favor não pode se limitar a deixá-lo parado, que é o que ocorre na prática ao ficar preso à poupança.

Se você deseja uma saída segura, opte pela transição.

Não tire todo o seu dinheiro da caderneta para investir em um só produto financeiro diferente.

Um dos segredos dos investidores de sucesso é diversificar seu portfólio.

Vale experimentar as opções mais conservadora e segura quanto à poupança e depois, se achar necessário, aumentar o risco em busca de um retorno maior..

Isso talvez seja importante para que possa perder o medo de ganhar dinheiro, que é comum entre aqueles que veem o mercado financeiro com algum receio.

Hoje, você deu um passo rumo ao amadurecimento como investidor.

Agora, se permita ir além.

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