Imagem: Divulgação/Fed
“I won’t see you next time” (não nos veremos da próxima vez). Foi assim que Jerome Powell encerrou sua última coletiva à frente do Federal Reserve (Fed), na última quarta-feira (29). Uma despedida discreta, de quem passou oito anos no posto mais influente da política monetária global, atravessando uma pandemia, um ciclo de alta de juros sem precedentes no pós-crise e, agora, uma saída marcada por pressão política aberta da Casa Branca.
Nessa semana, o comitê do Fed responsável pela definição da taxa de juros nos Estados Unidos (FOMC) voltou a se reunir. Trata-se de uma das decisões mais acompanhadas pelos mercados. Juros são, em essência, o preço do dinheiro e, dado o papel central do dólar no sistema financeiro global, qualquer sinalização tende a se refletir nos preços dos ativos ao redor do mundo.
Desta vez, porém, a decisão teve impacto limitado, e há uma razão simples para isso: o resultado já era amplamente esperado e, quando isso acontece, o mercado se antecipa. Dessa forma, o evento em si perde força como catalisador.
Nesse caso, o Fed manteve os juros inalterados, preservando a dinâmica explanada em nossa última edição. A inflação de energia avançou no curto prazo, mas ainda não se disseminou para o núcleo, o que sustenta uma postura mais cautelosa por parte da autoridade monetária.
Nesse contexto, os juros reais seguem em trajetória de acomodação, um ambiente historicamente favorável para ativos de risco, incluindo criptomoedas.
Contudo, esse quadro tende a ganhar novos contornos à frente. A transição na liderança do Fed adiciona um novo vetor de incerteza, com implicações diretas para a trajetória de juros, liquidez e, consequentemente, para os mercados.
Nesta edição, atualizamos a leitura técnica do mercado e discutimos como a chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed pode influenciar o cenário para os criptoativos.
Análise gráfica do Bitcoin (BTC)

Com o pano de fundo mantido, iniciamos esta edição sob uma leitura mais técnica. Acima, o gráfico combina dois elementos. À direita, em azul, estão as zonas de maior negociação histórica do Bitcoin, regiões que concentram volume e, por isso, funcionam como referências naturais de suporte e resistência. Já o cone projetado à frente do preço indica a faixa esperada de oscilação com base na volatilidade dos últimos 30 dias, oferecendo uma leitura probabilística para a próxima semana.
Em suma, o viés permanece otimista. O Bitcoin segue em tendência de alta tanto no curto quanto no médio prazo, mesmo que apresente uma correção após a sequência recente de fechamentos no positivo, um movimento de realização de lucro natural dentro dessa estrutura. Ainda assim, o preço se mantém acima dos US$ 75 mil, patamar que segue atuando como principal zona de suporte.
Acima, o próximo patamar relevante está em US$ 84 mil. Já o cone de volatilidade, no intervalo de 68% de probabilidade, projeta uma oscilação entre US$ 71.974 e US$ 79.777 nos próximos sete dias.
O pano de fundo para o Bitcoin segue construtivo. A liquidez não secou, o crédito continua funcionando e o Fed não adicionou aperto ao sistema. E para quem quer capturar esse movimento do mercado cripto de forma automatizada, sem monitorar o mercado de hora em hora, existe uma alternativa que vem entregando resultados melhores que o BTC desde o seu lançamento: a Empiricus Crypto Momentum.
QUERO CONHECER A CARTEIRA EMPIRICUS CRYPTO MOMENTUM
“The last dance”: o fim de uma era no Federal Reserve
Além da decisão em si, esta semana marca o fim de uma era. Foi a última reunião no Fed presidida por Jerome Powell, cujo mandato como chair expira em 15 de maio. Kevin Warsh, já com a indicação avançada no Senado, deve assumir a cadeira em junho.
A transição, porém, não será uma troca limpa: Powell anunciou que permanece no conselho do Fed como governador até 2028. Warsh herda um comitê dividido e uma agenda própria — fim do forward guidance, revisão das coletivas, reforma dos bancos regionais — que vai testar sua capacidade de liderança desde o primeiro dia.
A mudança mais imediata é de estilo. Powell habituou o mercado a um Banco Central quase telegrafado, em que cada passo era antecipado com cuidado. Warsh prefere uma postura mais tática, menos comprometida publicamente com caminhos futuros. Na prática, isso reduz a dependência de ciclos de comunicação rígidos e tende a introduzir mais volatilidade nas decisões.
Por baixo dessa mudança de tom, há uma distinção conceitual que Warsh leva a sério: juros e balanço não são a mesma ferramenta. A taxa de juros afeta a economia real — crédito, consumo, emprego. O balanço do Fed atua sobre a liquidez dos ativos financeiros. Ao propor uma redução do balanço coordenada com o Tesouro, Warsh abre espaço para uma configuração pouco comum. Condições mais frouxas para a economia real convivendo com liquidez mais restrita nos mercados.
A leitura da inflação também muda. Warsh critica o framework atual e defende maior uso de medidas de inflação aparada e dados em tempo real, o que permitiria ao Fed separar choques temporários de oferta, como o petróleo, de sinais mais persistentes de demanda. Uma inflação cheia pressionada não impediria necessariamente um corte, desde que o núcleo permanecesse controlado.
O regime em que tudo girava em torno da inflação cheia, da comunicação rígida e da próxima decisão de juros está chegando ao fim. O que vem a seguir tende a ser mais sutil, menos sobre a decisão isolada, mais sobre composição da inflação e distribuição da liquidez.
Mudanças de regime não são boas nem ruins por natureza. São novos parâmetros para os quais o mercado ainda não tem resposta pronta. Nossa confiança, porém, permanece intacta — fundamentada tanto no cenário que se desenha para os juros quanto na diversidade de ferramentas que temos à disposição, incluindo modelos proprietários de leitura de momentum. Acompanhe as próximas edições.