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Na última quarta-feira (29), após o fechamento dos mercados, a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) apresentou os balanços do terceiro trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado em março). Os resultados vieram acima das projeções dos analistas, mas insuficientes para gerar um fator positivo para a ação.
A receita no trimestre foi de US$ 82,88 bilhões, valor 18% (+15%, desconsiderando a variação cambial). Por linha de negócio, a maior linha de receita foi a de Productivity and Business Processes (P&BP), com vendas de US$ 35,013 bilhões (+17%, +13% ex-câmbio).
Entretanto, o principal vetor de crescimento continua sendo a Intelligent Cloud (IC), com receita de US$ 34,68 bilhões (+30%, +28%). Já a parte de More Personal Computing (MPC) reportou vendas de US$ 13,19 bilhões, uma queda de 1% (-3%) na comparação anual.
Os custos no período totalizaram US$ 26,82 bilhões, uma alta de 22% (+20%) em relação a um ano atrás. Entretanto, isso não impediu que a companhia reportasse um lucro bruto 16% (+13%) maior na comparação anual, que somou US$ 56,05 bilhões e equivale a uma margem de 68% (-1 ponto percentual vs. 3T25).
Por outro lado, o lucro operacional foi de US$ 38,39 bilhões, aumento de 20% (+16%) ante o mesmo trimestre de 2025. A margem operacional encerrou o período nos 46%, 1 ponto percentual acima do reportado um ano atrás.
Quais setores saem ‘vencedores’ nos números da Microsoft (MSFT34)?
Olhando os números por vertical, a parte de P&BP segue sendo a mais lucrativa, com um lucro operacional de US$ 20,97 bilhões (+21% vs. 3T25), o que representa uma margem de quase 60% (+1 p.p.).
Já a IC, ainda que conte com um grande potencial, segue no momento pressionada pelos altos investimentos na infraestrutura necessária para o negócio, com um lucro de US$ 13,75 bilhões (+24%), ou 40% de margem (-1,5 p.p.).
A linha MPC, entretanto, segue estagnada, reportando um lucro de US$ 3,67 bilhões no trimestre (+4%) e margem de 28% (+2 p.p.).
O lucro líquido da Microsoft totalizou US$ 31,77 bilhões no trimestre, ou US$ 4,27 por ação, um aumento de 21% (+18% ex-câmbio) ante o mesmo período de 2025.
Altamente questionada pelos investimentos feitos nos últimos anos, seu capex no trimestre totalizou US$ 31,9 bilhões, valor 49% maior do que um ano atrás, por conta da maior demanda pelas soluções de cloud e IA oferecidas pela empresa.
Entretanto, esses valores foram mais do que cobertos pela geração de caixa no período, com o fluxo de caixa operacional somando US$ 46,7 bilhões (+26% vs. 3T25). O fluxo de caixa livre do trimestre foi de US$ 15,8 bilhões, valor 22% menor na comparação anual, exatamente para fazer frente as oportunidades que se apresentam para a companhia.
Com obrigações contratuais que somam mais de US$ 627 bilhões, a receita da parte de Cloud segue se mostrando resiliente, totalizando US$ 54,5 bilhões ao final do trimestre (+29%). O Microsoft Azure, por exemplo, reportou um crescimento de 40% no período, mantendo-se nesse patamar nos últimos quatro trimestres.
Já a receita referente às soluções de IA já estariam rodando, em termos anuais, acima dos US$ 37 bilhões (+123% vs. 3T25), ou algo como US$ 10 bilhões por trimestre. Sem falar que outras soluções que requerem processamento, armazenamento e outros serviços não estão nessa conta.
Microsoft (MSFT34): vale a pena investir nas ações agora?
´Parece que boa parte desses números já estavam nas expectativas dos investidores, dado a forte alta da ação desde as mínimas do ano (quase 20% em menor de um mês) e a queda de mais de 5% até o fechamento desta nota, na quinta-feira (30). O fato da direção ter aumentado suas projeções de investimentos para o ano, passando de US$ 160 bilhões para US$ 190 bilhões, também não parece ter ajudado.
Dito isso, aos preços atuais (perto dos US$ 400), a ação da Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) está sendo negociada perto das mínimas do P/L projetado dos últimos cinco anos, mesmo com a melhora no perfil de crescimento e manutenção de ótimos níveis de lucratividade desde então. Mantenho a recomendação de compra para a tese, uma das principais posições nas nossas carteiras internacionais da casa.
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