Dólar caro, seu lindo!

A disparada da moeda americana frente ao real é motivo de euforia para a JHSF, construtora e administradora de shoppings. Afinal, os brasileiros estão substituindo as compras no exterior pelas aquisições em lojas no País

Grande parte dos brasileiros acompanha com apreensão a escalada do dólar nos últimos tempos. Durante seis dias úteis, a moeda americana subiu vigorosamente, acumulando alta de 6,25% e atingindo diariamente recordes de valor em mais de uma década. No fechamento do mercado na quinta-feira 6, o dólar estava cotado em R$ 3,54, o valor mais alto desde março de 2003. Mas o que é motivo de grande preocupação para importadores e turistas brasileiros, que planejavam uma viagem internacional, provoca euforia entre os executivos da incorporadora paulista de imóveis de luxo e administradora de shopping centers JHSF. “Eu estava preocupado com o dólar, no começo do ano, mas ele acabou tendo um efeito positivo para nós”, diz Christian Vasconcelos da Cunha, presidente da divisão de shopping centers da JHSF.

O motivo para tal comemoração na companhia controlada pelo empresário José Auriemo Neto, mais conhecido como Zeco Auriemo, tem relação com  sua última iniciativa na área de centros de compras: o outlet de luxo Catarina Fashion Outlet, que foi inaugurado no fim de 2014, em São Roque, a cerca de 40 quilômetros da capital paulista. Trata-se da primeira parte de um ambicioso projeto que prevê um complexo residencial, espaço de entretenimento e aeroporto para aviação executiva, em uma área de 7 milhões de m², na Rodovia Castello Branco. O centro de compras atraiu famosas marcas de luxo, como Burberry, Armani, Hugo Boss, Carolina Herrera, Tory Burch, e Michael Kors, apreciadas pelos turistas brasileiros em sua viagens ao exterior. No segundo trimestre deste ano, as vendas no outlet da JSHF atingiram R$ 72 milhões, 50% mais do que a meta estipulada. “Logo após o lançamento, o resultado ficou de duas a três vezes acima do que esperávamos”, afirma Cunha.

Segundo ele, não há segredo para o sucesso instantâneo do empreendimento. Como os preços das compras em dólar dispararam, restou aos brasileiros das classes A e B encherem as suas sacolas por aqui mesmo. “Os preços praticados aqui são iguais aos de qualquer outlet de Miami ou Nova York”, diz Cunha. Outra vantagem é que o consumidor não precisa pagar a passagem aérea, cotada em dólar, e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os gastos no cartão de crédito. O resultado de algumas lojas surpreendeu até os executivos das marcas internacionais, que não esperavam um volume de vendas tão elevado. O bom desempenho do projeto Catarina fez a JHSF atualizar os seus planos rapidamente. A ocupação do espaço inicial disponível para locação foi completada, e uma ampliação está prevista para ser entregue em outubro deste ano, com espaço para 16 novas lojas. “Todas já foram negociadas”, diz o executivo. Por conta disso, a JHSF já começou a vender espaços para uma segunda ampliação, que estará pronta no segundo semestre de 2016 e abrigará 24 lojas, atingindo 129 marcas expostas. “Estamos cobrando luvas para negociar os espaços, num momento difícil como esse, em que os shopping centers se esforçam para não perder lojistas”, afirma Cunha.

Os investimentos da empresa paulistana em seu primeiro outlet estão de acordo com o seu plano de ampliar as suas fontes de receitas recorrentes. Dessa forma, os empreendimentos de shopping centers, além dos hotéis e restaurantes da marca Fasano, estão sendo priorizados em relação às vendas de imóveis de alto luxo. No primeiro trimestre, a receita líquida da JHSF nos seus negócios imobiliários caiu 35,7%, para R$ 50,1 milhões, em comparação com o mesmo período do ano passado. Já, na divisão de shoppings, o crescimento foi de 7,3%, para R$ 58,1 milhões. Outro projeto da companhia, que deve ficar pronto até o fim de 2016, é o de um pequeno shopping center a ser construído nas imediações do Hotel Fasano, nos Jardins, em São Paulo. “A crise ainda não está afetando o público da classe A, para a qual a JHSF está voltada. A diminuição maior de consumo está acontecendo na classe C”, diz Max Bohm, analista da empresa de pesquisas para investimentos Empiricus Research. “O que preocupa na JHSF é o seu braço imobiliário.”

De fato, nem tudo são flores. Cortar custos, por exemplo, traz desafios, segundo o modelo de negóciosda companhia. Por atender um público exigente, economizar na qualidade dos serviços não é uma boa opção. A empresa, então, precisa se esforçar para ganhar eficiência de gestão. Uma das iniciativas adotadas foi montar operações de energia e de telecomunicações próprias. No caso do Catarina Fashion Outlet, para atender às necessidades de banda larga de internet e telefonia do empreendimento sem precisar pagar valores exorbitantes para uma operadora de telecom, a própria JHSF instalou a infraestrutura de telecomunicações e a fibra óptica. Criatividade e trabalho duro ajudam nos resultados. O dólar alto também.

Fonte: Istoé Dinheiro

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