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Podemos supor que o acordo de paz entre EUA e Irã vai ajudar o Copom a dar sequência aos cortes da Selic?
Provavelmente ajuda um pouco sim, mas não faz milagre. Afinal, o Copom está precisando de muita ajuda.
Voltemos à segunda-feira passada, quando saiu o Relatório Focus.
O último Focus atualizado antes do Copom costuma ter um sabor especial, pois pode influenciar de fato a decisão desta Super Quarta, ainda que na margem ou num campo simbólico.
E, desta vez, foi uma das atualizações mais emblemáticas do Relatório nos últimos tempos.
Selic média 2027 aumentou em +50 bps, o que é bem significativo. E, curiosamente, câmbio projetado para 2027 também aumentou.

Em vista dessas nuances, podemos supor que o mercado está precificando dois cenários não excludentes:
(i) Bacen exagerando nos cortes agora e depois tendo que correr atrás (perda de reputação). Não seria a primeira vez…
(ii) Piora do diferencial de carry, à medida que economias desenvolvidas são obrigadas a elevar suas taxas de juros, a exemplo do ocorrido com o BCE e BoJ recentemente.
Tal contexto sugere que existe um sério risco de cauda associado tanto à decisão quanto à comunicação do encontro de hoje.
E isso pouco tem a ver com pressões políticas, até porque a recuperação de Lula nas pesquisas se traduz em mais graus de liberdade ao Copom. É um impasse delicado do ponto de vista técnico mesmo: qualquer movimento diferente de uma pausa deveria ser ponderado com o dobro de cuidado, à medida que pode abrir uma Caixa de Pandora.