Previdência – Faça seu próprio plano de aposentadoria

Por Equipe Empiricus São Paulo, Brasil

Caro Leitor,

Você conta apenas com a previdência social (INSS) para sua aposentadoria?

Nosso objetivo é alertá-lo a não depender do governo nesta missão. Os valores atuais pagos ao aposentado brasileiro se mostram insuficientes para manter o seu padrão de vida.

E isto tende a piorar nos próximos anos. Há muito se fala sobre o rombo da previdência brasileira. É uma tragédia anunciada.

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                                                                                                              Trecho do jornal Valor Econômico

A proposta de reforma da previdência social vai criar novas regras de idade e de tempo de contribuição. A aposentadoria passa a ser concedida a partir dos 65 anos (tanto para homens como mulheres) e o trabalhador terá de ter contribuído por no mínimo 25 anos.

A nova regra valerá para homens com menos de 50 anos e para as mulheres com menos de 45.

O valor da aposentadoria vai corresponder a 51% da média dos salários de contribuição, mais um ponto percentual para cada ano de contribuição até o limite de 100%. Por exemplo, uma pessoa com 65 anos e que contribuiu por 25 anos irá se aposentar com 76% do seu salário de contribuição.

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Mas esse valor pode ser maior. Se o trabalhador continuar trabalhando por mais um ano, depois de completar 65 anos, vai receber o equivalente a 77% do seu salário. E essa regra vale até você atingir os 100% do salário.

O importante é você saber que, para receber o seu salário integral, terá de contribuir por 49 anos – lembrando que o valor teto do INSS é de R$ 5.189,82 (em 2016).

Como a reforma da previdência afeta profissionais como os administradores, médicos, advogados e professores?

A aposentadoria pública não pode ser a primeira opção para ninguém. E muito menos a melhor delas.

Para não ficar só nas críticas (crítica não enche barriga), queremos mostrar como fazer o seu próprio plano de aposentadoria, começando pela Renda Fixa.

Você não precisa abrir mão do plano B (a aposentadoria pública). Afinal, ele pode se tornar um bônus.

Mas não iremos depender dos desdobramentos do governo para ter uma vida financeira equilibrada quando decidirmos nos aposentar.

NÃO CONTE TAMBÉM COM O PLANO DE SEU GERENTE DO BANCO

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Um dos produtos favoritos para venda entre os grandes bancos são os planos de previdência privada. Também chamados de previdência complementar, pois são complementares ao INSS.

Provavelmente você já ouviu falar em VGBL/PGBL e talvez até possua um plano de previdência privada.

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Mas você sabe exatamente como este tipo de investimento funciona?

A maioria não entende plenamente o universo da previdência privada e acaba investindo em planos ruins e/ou desenquadrados de seu perfil.

Para analisar um plano, você precisa saber antes o que é VGBL, PGBL, regime tributário progressivo, regime tributário regressivo, fundo de investimento, fundos de renda fixa, fundos multimercado, taxa de administração, taxa de carregamento…

Entenda que esse conhecimento é fundamental para não cair no papo dos gerentes de bancos.

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A previdência é um dos queridinhos dos bancos, pois é um produto fácil de vender aos correntistas, ajuda na retenção dos clientes no longo prazo e, principalmente, porque traz um grande retorno… PARA O BANCO.

Os argumentos dos gerentes bancários envolvem o fato de que você deve pensar na sua aposentadoria, que a aplicação em previdência pode ter uma alíquota de imposto de renda menor que outros investimentos, a facilidade na sucessão do patrimônio aos beneficiários (não entra em inventário), a proteção contra bloqueios judiciais, a isenção de come-cotas e a facilidade na aplicação automática mensal.

Alguns desses benefícios podem fazer sentido aos objetivos do investidor, porém perdem sua atratividade se a rentabilidade do fundo for muito ruim e incidirem altas taxas de administração e carregamento sobre os valores investidos.

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Para analisar um plano de previdência, você precisa saber antes o que é VGBL, PGBL, taxa de administração, taxa de carregamento… Não é fácil, mas nada impossível.

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Caso você já tenha um plano ou pretenda começar um, confira todos os detalhes do investimento. Nunca invista em algo que você não entende.

Muitos investidores não conseguem encontrar informações completas de seu plano de previdência, por isso, é ideal ir atrás e verificar em qual fundo de investimento o seu plano aplica, quais as taxas de administração e carregamento cobradas, se o fundo é de renda fixa ou multimercado, qual o objetivo do fundo, o histórico de performance (rentabilidade), qual regime tributário é mais adequado ao seu perfil.

Com essas informações, você poderá comparar o seu investimento com outras aplicações disponíveis no mercado. E também avaliar uma possível portabilidade para outro plano na mesma instituição ou para outra.

Seguradoras independentes tendem a oferecer planos mais atrativos que os grandes bancos. Não custa nada fazer uma comparação, pois a portabilidade é um procedimento simples e comum.

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Veja alguns itens importantes a analisar:

Modalidades

O plano pode ser PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) ou VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

O primeiro é indicado para quem faz a declaração completa do imposto de renda, pois permite deduzir até 12% da renda bruta tributável anual. No resgate, a alíquota do IR incide sobre o valor total acumulado (valor investido e rendimentos).

O segundo é mais indicado para isentos da declaração de imposto de renda ou se você faz a declaração simples do IR. O VGBL não permite dedução da renda tributável, porém, no resgate, a alíquota do IR incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o total acumulado.

Custos

Taxa de administração: taxa cobrada pela administração e gestão do fundo de investimento.

Taxa de carregamento de entrada: percentual incidente sobre as contribuições, cobrado pela seguradora.

Taxa de carregamento na saída: cobrado sobre as contribuições em resgates ou em portabilidade externa. A taxa varia de administrador para administrador, podendo ser expressivamente menor em planos coletivos.

Rentabilidade

Quanto menor a aplicação inicial, maior tende a ser a taxa de administração e menor a rentabilidade,o que afeta diretamente os pequenos investidores.

PLANOS CORPORATIVOS

Para quem é funcionário de uma empresa que ofereça planos de previdência privada, esta pode ser uma boa opção.

Principalmente quando a companhia contribui junto para o fundo (ex: colaborador contribui com 3% do salário e a empresa também), o investidor já sai ganhando. Por ser um plano coletivo, a empresa consegue negociar taxas bem melhores com a seguradora aos funcionários.

Mas, geralmente, para o funcionário poder resgatar o valor contribuído pela empresa, deve ter um período mínimo trabalhado lá. Confira as condições de sua companhia e também analise o plano oferecido.

Estamos aqui para lhe ajudar.

Um abraço e bons investimentos!

André Zara e Walter Poladian, CFP®

Disclosure

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